Provavelmente você já ouviu falar de terroir, principalmente se o assunto for vinhos. Agora, o mesmo conceito de terroir, aplica-se ao cacau? Pode parecer estranho, mas o terreno e o cuidado de certos mestres chocolatier também podem produzir maravilhas com o cacau. Se você puder provar uma dessas clássicas barras vai descobrir o verdadeiro sabor do chocolate. É verdade, não é só blah, blah, blah… Embora já tivesse provado ótimos chocolates dark, até já comentamos nos posts Antioxidantes naturais. Saiba o que o chocolate pode fazer pela sua saúde e Chocolate Escuro vs. Chocolate ao Leite, também tinha dúvidas quanto a superioridade de algumas marcas, e se de fato, o terroir do cacau impactava — assim como acontece no vinho e no café — na qualidade final do chocolate. Degustação realizada, chegamos a algumas conclusões.
Sim, o terroir de grandes crus de cacau como o Chuao, Madagascar, produz chocolates incomparavelmente melhores que as tradicionais barras “Dark” encontradas no mercado. E olha pessoal, vale cada dólar gasto nessas barras.
Onde podemos comprar os chocolates de connoisseur como a Amedei, Pralus, Bonnat e Slitti? No Brasil, infelizmente, não podemos. Essa é a má notícia. Desconheço quem importe regularmente esses produtos. Em todo caso, quem puder comprar lá fora fará um excelente negócio.

Dessa nossa lista matadora ainda ficou de fora Michel Cluizel e Pierre Marcolini que devem integrar a próxima degustação (espero que muito em breve). Outro detalhe, provar chocolates com alto percentual de cacau não é uma tarefa fácil (do ponto de vista técnico). Mesmo provando pedaços pequenos, a uma certa altura é muito fácil perder o paladar. Por outro lado, a experiência de reunir marcas ícones e degustá-las simultaneamente é fantástica. Gostei da brincadeira!
Relação de chocolates degustados em ordem de classificação:
1. Amedei Chuao 70% cacau
Produzido a partir do rei dos reis entre os Crus de cacau, o Chuao, na Venezuela, o Amedei Chuao 70% foi o campeão disparado na degustação e fez jus a fama que tem. A Amedei dispensa muitas apresentações, seus chocolates apresentam muita personalidade e um acabamento impecável. De cor menos escura que os demais, levemente avermelhado, o Amedei mostrou uma complexidade excepcional. Aroma assertivo e muito frutado; sabor que lembra ameixas, uvas passas e frutas vermelhas, com uma textura macia e incrível acidez. Final longo e bem equilibrado, sem amargor. Fazendo uma analogia com os vinhos, o “Chuao” seria o Romanée Conti do cacau.
Preço: US$11,95 / 50g
2. Bonnat Chuao 75%
Outro excelente chocolate confeccionado com os grãos da cacau de Chuao. A francesa Bonnat, de Voiron, é um grande nome entre os chocolates finos, tradição que vem desde 1884. Nessa barra com 75% de cacau “Chuao”, a característica frutada também está presente. Não chega a ter a intensidade e o sabor da Amedei, mas impressiona por sua qualidade. No paladar é delicado, lembrando frutas vermelhas, acidez fina e ótima doçura.
Preço: US$ 8,25 / 100g
3. Pralus Fortíssima 80%
O francês François Pralus é um competente e premiado artesão de chocolates. Desde 1991 busca extrair o máximo dos melhores crus das variedades Criollo, Trinitario e Forastero. O Fortíssima 80% leva cacau apenas do Equador; com um perfil diferenciado, seu aroma é intenso, lembrando frutas secas como figo, avelãs e nozes. Encorpado, porém não parece que o chocolate tem 80% de cacau, tendo em vista sua classe e equilíbrio.
Preço: US$ 8,35 / 100g
4. Scharffen Berger Bittersweet 70%
Ótimo trabalho desenvolvido por essa jovem indústria fundada 1996, em Berkeley, na Califórnia. Em 2005 a empresa foi adquirida pela Hershey´s, mas acho que a qualidade não foi comprometida, pelo menos até agora. A cor é escura, mas não negra, o sabor é surpreendentemente frutado. Para a confecção do Bittersweet 70% foram utilizados nove tipos de grãos de cacau. Nessa barra predominam as notas de frutas vermelhas e citrinos. Na boca tem uma acidez viva, textura muito macia e saborosa, com um final longo e levemente adocicado. Excepcional relação qualidade/preço, por U$5 vale a pena comprar algumas barras.
Preço: US$ 5 / 85g
5. Bonnat Asfarth Dark Milk Chocolate 65%
Quem gosta de chocolate ao leite vai se esbaldar com o Asfarth Milk 65%. O produto integra a nova linha de chocolates ao leite da Bonnat que utilizam grãos selecionados de diferentes ilhas da Indonésia: Asfarth, Java e Surabaya. Muito aromático, ao melhor estilo dos grandes chocolates ao leite. Textura cremosa e delicada, sem exageros de gordura ou traços excessivos de aromatizantes. Delicioso, difícil não devorar a barra de uma só vez.
Preço: US$ 8,25 / 100g
6. Scharffen Berger Extra Dark 82%
O Extra Dark 82% mostrou complexidade e equilíbrio, mesclando aromas de cereja, café, tabaco e um agradável tostado. Muito saboroso e intenso, o Extra Dark 82% está longe de ser áspero. Assim como o Pralus, não parece que você está degustando um chocolate de mais de 80% de cacau.
Preço: US$ 5 / 85g
7. Slitti Lattenero Milk Bar 70%
A italiana Slitti é outra pequena empresa que aposta nos chocolates ao leite com alto percentual de cacau (45%, 51%, 62% e 70%). Apesar de ser um ótimo chocolate, o Lattenero 70%, não chegou a me impressionar. Não identifiquei nenhuma característica que o destaca-se, salvo a sua cremosidade nitidamente superior aos demais chocolates de 70% de cacau.
Preço: US$ 9,35 / 100g
8. Jubileu Extra Noir 70%
Não é tão complexo e rico quanto os anteriores, porém apresentou uma ótima relação qualidade/preço, isso aqui no Brasil, o que é o melhor de tudo. Em destaque as frutas secas como castanhas, avelãs e notas tostadas. O palato é bem agradável, com uma leve adstringência.
Preço: R$7,80
9. Lindt & Sprüngli Dark Extra Fine 85%
Um bom chocolate na categoria com mais 80% de cacau. Mais tostado e tem pouca fruta, pesadão demais para o meu gosto. Achei o Scharffen Berger Extra Dark 82% e o Pralus Fortíssima 80% mais equilibrados e interessantes. Da Lindt ainda prefiro o 70% cacau, mais suave e amarra menos na boca.
Preço: R$12
10. Hershey´s Special Dark 60%
Lastimável. Sem dúvida o pior de todos os chocolates degustados. Aliás, em relação aos artesanais, tivemos que deixá-lo de lado tamanho abismo de qualidade. Logo no primeiro contato revela a presença de aromatizantes artificiais (ao gosto do americano). Na boca é gorduroso e doce demais, enfim, muito sem graça.
Preço: R$8












O enólogo responsável pelos vinhos da Nederburg, o romeno Razvan Macici, esteve no wine dinner realizado em Curitiba para falar sobre o seu trabalho. Razvan foi até a África do Sul para trabalhar temporariamente numa vinícola também pertencente ao grupo Distell; depois acabou recebendo o convite para cuidar dos vinhos da Nederburg. Daí foi uma passo para formar uma família e estabelecer suas raízes na África do Sul. Para atingir mercado globais, os vinhos sob a tutela de Macici possuem uma pegada típica do vinho moderno: concentração, potência e um carvalho mais evidente. Por outro lado, uma vantagem da Nederburg pertencer ao grupo Distell é que os vinhos conseguem chegar com preços bem competitivos no mercado brasileiro. De modo geral, sempre achei os vinhos sul-africanos muito caros, apesar de existirem excelentes rótulos. Exceções a parte, no que tange a relação qualidade/preço, a África do Sul ainda sai em desvantagem.
Confesso não entender o preciosismo que alguns críticos atribuem a uva Pinot Noir. É certo que esta variedade produz alguns dos mais aristocráticos e nobres vinhos do planeta, os “grandes da Borgonha”. Mas coitada da Pinot, frequentemente malhada quando não atinge o status de “sublime”, sofre com o preconceito por causa da sua cor desbotada. Um bom vinho não é necessariamente encorpado e potente, nem escuro e denso, por isso é importante separar as coisas. Já presenciei muita gente desprezando bons Pinots, simplesmente por terem menos cor. Um exemplo disso é o Ventisquero Queulat Pinot Noir 2006; um vinho leve e versátil, mas que facilmente é desprezado em favor rótulos mais potentes, como os populares Cabernet Sauvignon e Syrah da própria Ventisquero. Produzido no Valle de Casablanca, uma região mais fria e com influência marítima, que é mais conhecida pelos vinhos brancos. Essa D.O tem atraído investimentos para produção de tintos, principalmente Pinot Noir, devido a boa adaptação desta cepa nesse terroir específico.





Levando-se em consideração que os tickets dos presentes podem oscilar de R$50 a R$250, selecionei alguns vinhos, livros e acessórios úteis que podem dar um charme extra para o presente do Dia dos Pais, além de aumentar a sua moral com o coroa. Os livros são sempre uma excelente opção, tanto para os iniciantes como para quem já curte o tema. Já para a compra dos vinhos é interessante conhecer um pouco do gosto do seu pai. Vinhos mais encorpados, ricos em fruta e carvalho, ao bom estilo do Novo Mundo ou vinhos mais clássicos, menos diretos que podem demandar alguns anos de amadurecimento? Não sabe? Não tem importância, desde que a intenção seja boa e o vinho de qualidade, seu pai provavelmente gostará. Na linha dos acessórios não faltam opções, desde saca-rolhas, taças, decanters até adegas climatizadas; tudo vai depender da sua verba. Ok, alguns brinquedos são caros mesmo. Uma saída, em famílias mais numerosas, é fazer uma `vaquinha´, assim é mais fácil viabilizar a compra de uma tão sonhada adega climatizada ou porque não uma bela máquina de espresso (nessa brincadeira a família toda sai ganhando).
Últimos Comentários