Receita: Hambúrguer grelhado de fraldinha

Hambúrguer, batatas fritas e Coca-Cola, existe uma combinação mais perfeita para representar a fast food? Ou a globalização? Acho que não. O que para alguns ativistas mais engajados representa a dominação do imperialismo norte-americano, para outros significa prazer. Comida rápida, saborosa — ou melhor dizendo, gordurosa — e relativamente “barata”.

Hambúrguer de fraldinha

Engana-se, porém, quem acha que essa trivial refeição, sinônimo de fast food, não possa ter seu glamour, e por que não, qualidade. Hoje o hambúrguer figura em cardápios de restaurantes muito sofisticados; em Manhattan não é difícil encontrá-lo em criações arrojadas de grandes chefes. O DB Bistrô, casa de posicionamento mais moderno e acessível do chefe Daniel Boulud, por exemplo, oferece em seu cardápio um hambúrguer de mignon com costelinhas assadas, acompanhadas de trufas negras e Foie Gras ($32). Recentemente uma gigante ingressou — claro, mais como uma estratégia de marketing — no segmento dos hambúrgueres ultra caros, a Burger King de Londres. Sim, a Burger King. Esse hambúrguer de edição limitada (deve ser reservado com antecedência por telefone) pode custar $190! Surpreso? É, mas não é qualquer hambúrguer. Que tal:

Carne de Wagyu, também conhecido como Kobe Beef, acompanhada de um presunto Pata Negra, trufas brancas, açafrão iraniano, pão especial além de outras iguarias. Para beber, um refrigerante? Negativo. A sugestão é uma taça de Champagne Cristal ou um Cabernet-Shiraz Australiano. Nada mal!

Mas voltando ao Brasil, também tivemos a abertura de uma enxurrada de hamburguerias trazendo todo tipo de inovação. Hambúrgueres de picanha, mignon, fraldinha, bacalhau, calabresa, frango etc; com as mais variadas opções de acompanhamentos. No entanto, alguns detalhes ainda me incomodam. Um deles é essa mania de copiar o estilo das lanchonetes americanas dos anos 60, e de arrasto, todo o menu.

Não agüento tanto cheddar processado, maionese, catchup, milk shake e refrigerante. Onde está a criatividade? Quem disse que hambúrguer não combina com vinho?

Tá certo, não dá para negar que esses restaurantes, em sua maioria, conseguem oferecer um produto de mais qualidade quando comparado com as franquias Yankees, no entanto ainda deixam a desejar.

Já que o assunto é fast foods da vida, preciso abrir um parenteses para relatar minha última experiência num McDonald´s lá da Paulista (que me perdoem os fãs dessas marcas). Era quase uma hora da tarde e a fome já estava a mil. Feito o pedido e de pacote na mão — como um operário da construção civil — fui procurar uma mesa no segundo piso. O layout repaginado, numa versão cool ao estilo refeitório de empresa Hi-tech do Vale do Silício, até que ficou bonitinho. Mas, como era de se esperar, nesse horário todas as mesas estavam lotadas, porém o lado bom de restaurante fast food é que rapidinho aparece uma vaga. Já acomodado, a dificuldade foi localizar um atendente para limpar a mesa. Coisa difícil. Até dá para entender, eles não vencem recolher os lixos e limpar os banheiros. E, por falar em banheiros, huummm! Piso molhado e grudento que se estende até as escadas. Segure-se para não escorregar. Isso é que eu chamo de uma boa experiência gastronômica!

Antes que me acusem de fresco ou que fui pago pela concorrência para falar mal do McDonald´s, deixo aqui minha opinião: pelo mesmo preço ou até menos que um Big Mac N.1 ou qualquer outro similar da concorrência, sou mais um PF de um bom botequim.

Entretanto, também adoro um hambúrguer, principalmente se for acompanhado com um vinho. Se você também gosta de um hambúrguer delicioso com ingredientes de primeira, tente fazer em casa. É mais saudável e você vai gastar muito menos. Ah, esqueça também essas receitas estúpidas que recomendam fritura, creme de cebola e outras besteiras. Carne de primeira e grelha!

Receita e ingredientes para Hambúrguer (5 pessoas)

  • 1,2 kg de Fraldinha moída na hora
  • 1 cebola média;
  • 2 dentes de alho;
  • Salsinha e cebolinha;
  • Óleo de canola;
  • Sal.

Preparo:

Peça para moer um pedaço de fraldinha ou picanha (tire os excessos de gordura). Misture a carne com a cebola picada, os dentes de alho amassados e a salsinha e cebolinha a gosto. Acrescente sal e um pouco de óleo de Canola para ajudar na liga. Modele com mão ou utilize uma forma para hambúrguer procurando deixar com um espessura de pelo menos 1,5cm. Depois leve os hamburgueres para grelhar num Grill elétrico, ou como prefiro fazer, na churrasqueira. Com brasa intensa e a grelha relativamente baixa, deixe grelhar por aproximadamente 5 minutos de cada lado (a carne deve ficar suculenta por dentro). Depois é só montar no pão com seus ingredientes preferidos: fatia de queijo, bacon, alface e fritas para acompanhar.

Vinho recomendado: Espumante brut ou tinto encorpado

Pode parecer estranho mas um espumante brut pode acompanhar bem um hambúrguer. A acidez incisiva e a refrescância de um borbulhante seco podem funcionar como um excelente contraponto para a gordura da carne e dos temperos. Para servir como um aperitivo ou acompanhar o início da refeição sugiro os espumantes leves como o Reserva da Serra Brut e o Vallontano Brut. Caso você utilize muitos condimentos a melhor saída é acompanhar com um bom tinto, de preferência com boa acidez. Nas últimas vezes provei com um Bleasdale Shiraz-Cabernet Sauvignon (R$62), e um Montes Alpha Syrah 2005 (R$65); combinações pra lá de deliciosas.

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Lindaflor – Petite Fleur 2005

Vinho argentino Petite FleurÉ interessante observar o estilo dos vinhos que os europeus fazem fora de sua terra natal. Um bom exemplo são os franceses na Argentina, que geralmente fazem vinhos potentes, bem ao estilo Robert Parker. Esse fato é um tanto curioso, uma vez que certos europeus (principalmente franceses) criticam esse estilo. É claro que não podemos generalizar, mas muita gente fica seduzida com as possibilidades na Argentina. Condições ideais para produzir vinhos frutados, potentes e macios. Então, qual o problema? É fácil se perder por esse caminho e, como resultado, teremos vinhos sem classe que podem não ser boas companhias a mesa, que por outro lado impressionam quando servidos solos.

Talvez seja esse o caso do Lindaflor Petite Fleur 2005, produzido em Mendoza pela Monteviejo. Essa bodega é parte do projeto Clos de los Siete, uma mesma propriedade servindo para 7 produtores diferentes, grande sacada do enólogo/consultor Michel Rolland. A Monteviejo é de Catherine Péré-Vergé, proprietária do Chateau Le Gay de Pomerol. O Petite Fleur é um corte de Malbec (50%), Cabernet Sauvignon (30%), Merlot (10%) e Syrah (10%). Tem cor púrpura escura e profunda, com lágrimas bem pigmentadas e persistentes. O nariz é intenso, com muita fruta madura e aromas adocicados de baunilha. Encorpado, taninos de boa qualidade, acidez viva e álcool aparecendo demais. O final é frutado e com boa persistência. O Petite Fleur é um vinho de perfil direto; a tônica aqui é a força, não sutileza e complexidade. Sem dúvida deve agradar aos apreciadores de vinhos frutados, alcoólicos e com bastante carvalho.

Muito Bom
Vinho ainda jovem e potente. Pode harmonizar com pratos bem condimentados e carnes de caça.

Grad. Alcoólica: 15,3%
Importadora: Grand Cru
Preço: R$87

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Wine dinner apresenta os vinhos da Bodega Montes Toscanini

Participamos na última quarta-feira (04/07) do Wine Dinner com o enólogo da Montes Toscanini. Esse foi o meu primeiro enoevento na era da lei seca. O jantar, que aconteceu no restaurante curitibano Le Réchaud, foi oferecido pela importadora Porto a Porto como forma de apresentar os lançamentos dessa bodega. Leonardo Montes Toscanini, proprietário e enólogo, falou de seus vinhos e das diferenças entre os uruguaios, argentinos e chilenos. O caso do Uruguai no cenário dos vinhos sul-americanos é bem interessante, uma vez que este pequeno país possui características distintas de seus vizinhos. Para início de conversa, o Uruguai ainda não passou por um boom de investimento de capital, ao contrário da Argentina e do Chile, onde grandes grupos imprimem o ritmo do negócio. No Uruguai as vinícolas ainda são familiares. Outra diferença fundamental é o clima, as safras uruguaias sofrem influência marítima, diferentemente da Argentina. O fato é que os vinhos uruguaios possuem uma personalidade própria (pelo menos por enquanto). O cenário do vinho uruguaio vem passando por um constante aprimoramento, que iniciou ao final da década de 70 com a progressiva eliminação das castas americanas e plantio de uvas vitiviníferas. Atualmente não existem uvas americanas no Uruguai e, acredite se quiser, podemos encontrar por lá bons vinhos de mesa por menos de R$5. Cenário bem diferente daquele que encontramos no Brasil. A Bodega Montes Toscanini representa muito bem a tradição uruguaia, uma vez que é administrada por três irmãos, pertencentes a quarta geração dessa família. Leonardo Montes, um cara consciente das qualidades dos vinhos que produz, é o responsável pela produção dos vinhos. Fez questão de destacar:

Nossos vinhos são elegantes e sutis; mais complexos que exuberantes. Tenho muito cuidado com a vinificação dos nossos vinhos top. A fermentação é feita a baixa temperatura e procuro não exagerar no uso da madeira de carvalho.

Concordo com a afirmação do Leonardo, os vinhos da Montes Toscanini apresentam um perfil discreto e equilibrado, muito adequado para a gastronomia. Algumas pessoas podem sentir falta daquela fruta intensa encontrada em quase todos os argentinos e em muitos chilenos. Por outro lado, fiquei encantado com qualidade fenólica; vinhos com boa estrutura, mas com taninos sedosos. Leonardo também comentou sobre seus projetos e deixou escapar seu interesse em vinificar a Pinot Noir:

Sim, já temos uma área plantada com essa uva, mas por enquanto ainda não temos um produto para colocar no mercado. A Pinot Noir produz um vinho muito interessante no Uruguai, principalmente quando misturada a Tannat.

Os vinhos da Bodega Montes Toscanini são uma ótima opção para o consumidor brasileiro, principalmente quando olhamos o fator preço. Dificilmente encontramos vinhos desse tipo na Argentina, no Chile é mais fácil, porém a relação qualidade / preço dos uruguaios é mais favorável. E comparado aos brasileiros? Bem… Os uruguaios são mais baratos. Vale ressaltar o excelente equilíbrio desses vinhos e a gradação alcoólica moderada. Tanto o Gran Tannat quanto o Corte Supremo possuem “apenas” 13%, diferentemente da maioria dos argentinos, que ultrapassam fácil a marca dos 14%.

Clique aqui para ver a cobertura online feita via Twitter

Reserva da Família Sauvignon Blanc - R$20

Gostei desse branco. É bem fresco, leve e com boa persistência. O nariz é agradável, com frutas tropicais e notas de ervas secas. Um grande achado pelo preço! Para comprar de caixa e consumir sem medo de ser feliz.

Elegido Reserva Rosé 2007 - R$24

Confesso que tenho um pé atrás com vinho rosé, simplesmente porque a grande maioria deles não é grande coisa. O Elegido Rosé não chega a empolgar, mas pelo menos tem um apelo direto, com aromas que lembram um moscatel. Vinho leve que deve agradar como aperitivo.

Reserva Familiar Cabernet Sauvignon 2006 - R$25

A uva Cabernet Sauvignon é sempre um hit que não sai de moda, por isso toda vinícola que se preze faz algum vinho com ela. O Reserva Familiar da Montes Toscanini é muito gostoso; leve e com boa intensidade aromática de frutas vermelhas e notas de caramelo. Não espere por um vinho complexo e potente, mas por maciez e bom equilíbrio. Excelente relação qualidade / preço.

Carlos Montes Cabernet-Tannat 2004 - R$42

Para quem prefere um vinho mais encorpado, o Carlos Montes Cabernet-Tannat pode ser uma escolha melhor que a do vinho acima. Ainda jovem, não revelou uma explosão aromática, porém pode evoluir bem graças aos taninos de boa qualidade.

Gran Tannat Premium 2003 - R$83

Falar em vinho uruguaio é falar na uva Tannat. É impressionante o resultado que essa uva atinge nesse país, faz vinhos ricos e bem equilibrados. O Gran Tannat tem bouquet muito fino, com boa complexidade. Na boca exibiu corpo generoso, com taninos de excelente qualidade. Delicioso agora, mas com certeza poderá evoluir bem.

Premium Corte Supremo 2004 - R$83

Um ótimo corte de tannat, cabernet sauvignon e merlot. O Premium Corte Supremo, apesar de ser mais jovem que o Gran Tannat, apresentou-se mais pronto. Esse vinho seduz pela textura sedosa, pelo bouquet agradável de frutas vermelhas e pelas notas de especiarias emprestadas do carvalho.

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Almoço promove lançamentos da Terrazas de Los Andes

A convite da Terrazas de Los Andes, uma empresa pertencente ao grupo francês LVMH, estive presente no almoço realizado dia 24 no restaurante Piselli em São Paulo ( veja as fotos), para a apresentação do principais lançamentos da linha Terrazas Reserva e Aficando. Entre eles os vinhos: Terrazas Reserva Malbec 2006, Terrazas Afincado Malbec 2005, além do Terrazas Afincado Tardio Petit Manseng. O evento dirigido a imprensa especializada contou com a presença de Manuel Louzada, diretor de enologia da Terrazas de Los Andes. Foi muito legal participar desse almoço já que o Manuel foi nosso primeiro entrevistado no QVinho. Conversei com ele um pouco antes do almoço; esse português que se criou em meio aos vinhos (sua família é proprietária da tradicional Caves Messias), e adotou Mendoza como seu domicílio, falou com muito entusiasmo e paixão sobre o que mais gosta: fazer vinhos. Como já tínhamos feito um review do Afincado Malbec 2004 perguntei ao Manuel sobre as diferenças do primeiro em relação a safra 2005 que estava sendo lançada.

A safra 2004 sofreu uma forte influência de um verão quente e seco. O resultado foram vinhos concentrados e repletos de fruta madura. Por outro lado em 2005, o período que antecedeu a colheita, de janeiro a março, foi seco e frio. Os vinhos dessa safra são muito elegantes, marcados por uma fruta fresca vibrante, taninos finos e uma excelente acidez. Eles já estão ótimos e macios hoje, mas têm um ótimo potencial de guarda. Agora, 2008, essa sim foi excepcional! Fiquem de olho quando os vinhos dessa safra chegarem ao mercado e comprem algumas caixas, principalmente dos Malbec, brincou Louzada.

Manuel Louzada - Enólogo da Terrazas de los Andes

Quanto ao estilo de seus vinhos Louzada fez uma analogia com os cavalos e mostrou-se um partidário do equilíbrio, também não escondeu seu fascínio por fazer vinhos que possam envelhecer bem.

Gosto de comparar os vinhos com cavalos. Por trás de toda a elegância de um puro sangue lusitano você encontra muita potência. Procuro me inspirar nisso ao fazer os vinhos. Acredito que o vinho é um ser vivo, que evolui. Essa perspectiva é fabulosa! É muito prazeroso beber um vinho envelhecido, afirma entusiasmado Louzada.

Esse ano a Petit Manseng passou a integrar a linha da Terrazas, mas o trabalho para identificar as variedades com maior potencial de adaptação e capacidade para produzir grandes vinhos é contínuo. Segundo Manuel são mais de 170 ensaios em andamento com as mais diversas uvas, terrenos e processos de vinificação.

Nossa filosofia preza muito a qualidade. Antes de lançarmos um vinho precisamos de uma consistência de pelo menos três anos de bons resultados. Caso isso não ocorra, mantemos os estudos, mas o produto não vai para o mercado. Um dos estudos que estamos fazendo é com a Sémillon. Sou apaixonado por essa uva, principalmente por sua capacidade de evelhecimento. Hoje, temos uma área em Tupungato com três parcelas destinadas a distintos processos de vinificação, sendo que uma delas é voltada a produção de late harvest.

Louzada também comentou sobre o enorme potencial da Torrontes e os estudos já bem avançados com a Pinot Noir em Tupungato. Quem sabe não veremos novidades em breve rótulos da Terrazas também com esses varietais. Em relação a democratização do acesso à informação e das discussões que hoje movimentam o mundo do vinho, principalmente em blogs e websites, Louzada revelou-se um grande entusiasta da tecnologia:

Acho isso tudo fantástico! Até um tempo atrás o consumidor tinha poucas fontes para saber mais sobre vinhos e balizar suas compras. A princípio isso poderia ser bom para os iniciantes já que bastava consultar dois ou três papas do assunto e pronto, o vinho escolhido era garantia de uma boa compra. Hoje, o negócio é muito mais caótico, porém a medida que você aprende mais sobre assunto é melhor ter mais referências. Confrontando os pontos de vista e participando das discussões fica mais fácil para o consumidor ter a sua própria opinião. O mundo do vinho é uma grande descoberta!

Na esteira do que conversávamos sobre os hábitos do consumo do vinho, o Manuel falou algo muito bacana. Ele ensina seus a filhos desde cedo sobre o consumo responsável de bebida alcoólica. Isso é legal e me lembrou muito a criação que eu meus irmãos tivemos casa. Tínhamos acesso, desde crianças, a quase todo tipo de bebida, mas por outro lado, meu pai sempre passou muita informação. Em tempos de proibição e repressão vejo que o melhor caminho ainda é a informação e a conversa franca. Educação vem de casa!

Leia a cobertura online feita pelo Twitter

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Terrazas de Los Andes Afincado Tardio Petit Manseng

Terrazas de Los Andes Afincado Tardio Petit MansengSempre tive os vinhos varietais da Terrazas, linhas Malbec, Cabernet Sauvignon e Chardonnay, tanto da série Reserva e Afincado, como muito confiáveis e de ótima qualidade. Porém, quando recebi o convite para a apresentação do mais novo lançamento da bodega: o Afincado Tardio Petit Manseng 2004, confesso que fiquei curioso. Um vinho branco argentino, doce (colheita tardia), e ainda por cima elaborado a partir de uma uva chamada Petit Manseng. Petit Manseng!? É de causar estranheza, pelo menos para maioria das pessoas; para mim não foi uma completa surpresa, uma vez que na entrevista que concedeu ano passado para o QVinho, o Manuel Louzada comentou sobre o projeto da Petit Manseng para a elaboração de colheitas tardias. Até mesmo na França essa uva é pouco conhecida quando comparada a Sauvignon Blanc, a Sémillon e a Chenin Blanc. E, para completar, o vinho chega em setembro custando R$130 (375ml)!? De todo modo, durante o almoço realizado no último dia 24, no restaurante Piselli, que contou com a participação do enólogo Manuel Louzada, pude provar o tão aguardado Afincado Tardio. É pessoal, mais uma vez a Terrazas comprova que somente seus melhores vinhos ostentam o rótulo Afincado. O Petit Manseng 2004 realmente estava ótimo. Bela cor amarelo ouro; bouquet muito intenso e complexo lembrando frutas tropicais maduras como a manga, mescladas com um toque de mel e flores brancas. Volumoso na boca, com um ótimo equilíbrio entre a acidez e a doçura (87,5 gr/l), mas sem perder o frescor e leveza. Mais um belo trabalho do Manuel Louzada.

A Petit Manseng, originária do sudoeste da França na Apelação de Jurançon, na zona dos Pirineus, é uma variedade muito adequada para a elaboração de vinhos doces, graças a sua alta concentração de açúcar, mas que ao mesmo tempo, consegue manter ótimos níveis de acidez - o que garante equilíbrio e frescor a um vinho deste tipo.

Manuel Louzada da Terrazas de los Andes

Além da França já tinha ouvido falar de um caso bem sucedido na região da Estremadura (Portugal), o Casal Figueira Petit Manseng, também de colheita tardia. Segundo a bodega, o Afincado Tardio é o único vinho late harvest produzido com a variedade de uva Petit Manseng na Argentina. A casta foi introduzida pela Bodega Terrazas no ano de 2000, na fria e alta região do Vale do Uco, em Mendoza, numa área que ocupa aproximadamente 4 hectares.

A Petit Manseng é uma variedade de baixo rendimento, que possui uma casca grossa e um um ciclo de maturação muito prolongado. Para você ter uma idéia, a Manseng foi a última uva que colhemos, isso em fins de abril. Mas a adaptação dessa varietal na Finca El Yaima, no Vale do Uco foi fantástica, explica Manuel Louzada diretor de enologia da Terrazas.

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Encontro Mistral 2008: vinhos recomendados - Parte II

Ao ler a matéria sobre os vinhos do Encontro Mistral 2008 muitas pessoas podem ter pensado: “nooossa!!! a maioria desses vinhos não é para o meu bico!” E, para falar a verdade nem muito para meu. Mas o bacana do mundo do vinho é que podemos encontrar verdadeiras delícias por preços bem mais acessíveis. Quem falar o contrário mente. Ou se não mente, estamos diante do típico enopedante (vou falar disso mais adiante).

O bolso não comporta aqueles vinhos do post anterior? Não tem problema, mergulhe de cabeça nos rótulos abaixo. Como diria um amigo meu, nessa lista (abaixo de R$100) só tem vinho pancada! Também não é para menos uma vez que esses rótulos apresentam uma ótima relação qualidade / preço e proporcionam uma excelente compra. Não seria difícil elencar mais dez rótulos, porém ainda que cometamos algumas injustiças deixando alguns nomes de fora, manteremos o critério dos Top 10.

Top 10 Encontro Mistral 2008 - Vinhos abaixo dos R$100

  • Montes Alpha Syrah 2005 (R$65).
  • Casa Lapostolle Sauvignon Blanc 2006 (R$38)
  • Domaine Baumard Coteaux du Layon Cart d´Or 2004 (R$66)
  • Doff au Moulin Riesling Réserve Cuvée Europe 2006 (R$58)
  • Quinta de Roriz Reserva 2003 (R$98)
  • Graham´s Porto 10 anos Old Tawny (R$87)
  • Quinta do Côtto 2003 (R$56)
  • Luigi Coppo Costebianche Chardonnay 2003 (R$59)
  • Tikal Ernesto Catena - Alma Negra 2004 (R$56)
  • Dr Bürklin-Wolf Wachenheimer Rechebachel Riesling Auslese 1998 (R$93,72)
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Encontro Mistral 2008: Vinhos recomendados - Parte I

Os eventos de degustação, como o Encontro Mistral 2008, sem dúvida alguma, proporcionam aos fiéis apreciadores do vinho, sejam recém-iniciados ou veteranos, um grande aprendizado. Primeiro, pela oportunidade de experimentar lado a lado uma enorme gama de excelentes vinhos. E em segundo lugar, aproximam os produtores dos influenciadores e, principalmente, dos consumidores. Isso é ótimo já que podemos conhecer melhor como é produzido determinado vinho e questionar diretamente quem responde pelo produto. Tudo bem, não dá para a gente provar todos os vinhos do evento, muito menos fazer análises detalhadas — a proposta nem é essa — mas a interação vale muito a pena.

O Encontro Mistral 2008 conseguiu reunir vinícolas renomadas, muitas delas representadas por seus proprietários e enólogos, que apresentaram seus mais prestigiados rótulos.

Participei do terceiro dia do encontro (11/06) e gostei da qualidade do evento. Bem organizado, sem aperto ou aglomerações nas mesas de provas e, principalmente, expositores muito atenciosos. Nesse meu primeiro post selecionei uma lista com meus Top 10 (acima de R$ 100). Claro que isso está longe de representar toda a gama de vinhos que abrilhantaram o evento, entretanto já é possível ter uma idéia da dimensão dos rótulos que foram apresentados. No próximo vou relacionar outros 10 vinhos (numa faixa abaixo dos R$100), que representam ótimas compras.

Minha seleção de vinhos acima de R$100:

Badia a Coltibuono Sangioveto di Toscana 2001 IGT (R$197)

Essa milenar propriedade teve sua origem nos primórdios de 1051 e está localizada na região de Chianti. Desde 1846 está nas mãos da família Stucchi Prinetti, responsável por produzir excepcionais Chiati Clássico e Riserva. O vinho que provei foi um supertoscano 100% Sangiovese. Dispensa muitos comentários. Cor já denotando uma certa evolução, nariz marcado por notas complexas, bem estruturado e harmônico na boca. Seja para acompanhar uma boa refeição ou beber solo, não importa, o Sangioveto é um legítimo puro sangue supertoscano.

Domaine Baumard Savennières Clos du Papillon 2005 (R$115)

Na seleção de vinhos apresentada pelo enólogo Florent Baumard fica difícil eleger apenas um como o melhor. No Loire a renomada Domaine Baumard faz verdadeiras obras-primas com a Chenin Blanc. Nem sempre são vinhos fáceis de apreciar quando jovens, mas nem por isso deixam de encantar. O Clos du Papillon é um delicioso e elegante Savennières; ainda muito jovem com ótima estrutura e o típico caráter mineral que já mostra toda a sua estirpe.

Barolo Vietti Castiglione 2004 (R$230)

Desde que visitei essa região da Langhe os Baroli e Barbareschi figuram na minha lista de favoritos. O Castiglione é um clássico, quem está acostumado com o estilo moderninho pode se assustar. Bouquet fino e discreto (pelo menos nesse momento) lembrando ameixa e rosas; taninos firmes, final longo e muito seco. Como todo bom Barolo pode aguardar na garrafa mais alguns anos. Provei também o Barbera Scarrone 2005 (R$142) que não decepcionou, fez jus a tradição da Vietti com a Barbera.

Lavradores de Feitoria Meruge 2003 (R$110)

Ao contrário do vinho anterior o Meruge tem uma pegada mais moderna. Provei essa mesma safra no evento do Douro em abril e fiquei com uma ótima impressão. Bouquet intenso e cheio de fruta, marcado por notas ligeiramente especiadas e adocicadas do carvalho. Na boca mostra-se equilibrado e pronto para o consumo. Taninos redondos e um final delicioso!

Prats & Symington Chryseia 2005 (R$295)

Elegância é a palavra para descrever o Chryseia 2005. O vinho é produzido numa parceria da Família Symington e Bruno Prats, do Château Cos d´Estournel. Nariz complexo, taninos superfinos e muito equilibrado na boca, o Chryseia consegue mostrar que é um grande vinho hoje. Show de bola! Outro rótulo deles que eu recomendo é o Post-Scriptum 2005 (R$94), além de ser mais barato (quando comparado ao primeiro vinho), também é muito gostoso.

Dr Bürklin-Wolf Jesuitengarten Riesling 2003 (R$244,33)

O nome é duro de engolir, porém o vinho… uma preciosidade! Querosene puro! Essas clássicas notas minerais desse ótimo Riesling alemão fazem a alegria de muitos enófilos. Eu particularmente adoro, no entanto, se você acha estranho, melhor passar longe do Jesuitengarten Riesling (esses nomes alemães… parecem até um palavrão!).

Casa Lapostole Clos Apalta 2004 (R$279)

Outra belezura! A vontade é de colocar o vinho em um decanter e curtir aos poucos cada taça. O Clos Apalta da Casa Lapostole é um corte que leva Carménère, Merlot e Cabernet Sauvignon do vinhedo Apalta no Vale de Colchagua. Segundo Andrea Iriarte, enóloga da casa, o vinho estagia 18 meses no carvalho. Cor rubi muito profunda com halo violáceo. Perfume de boa intensidade exalando notas de grãos de café, cacau, cassis e figo. Encorpado, taninos de ótima qualidade e um final longo. Na safra de 2005 a Petit Verdot foi incluída no assemblage.

Montes Alpha M 2004 (R$300)

Sou fã do Montes Alpha Cabernet Sauvignon, mas ainda não tinha provado o “M”. Realmente é um espetáculo de vinho. Produzido com uvas de Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Petit Verdot e Merlot dos vinhedos de Apalta, no Vale de Colchagua, o Montes Alpha M passou 18 meses em barricas novas de carvalho francês. Notas intensas e vibrantes de frutas negras, mentol, café e leve tabaco; na boca é bem acessível principalmente para um vinho dessa categoria. Intensidade de fruta típica do Novo Mundo com a elegância de um bom Bordeaux. Porém, para um vinho sul-americano o preço é de assustar!

M. Chapoutier Chateauneuf du Pape La Bernardine 2005 (R$165)

Ano passado comentamos aqui no blog o La Bernardine 2003; um vinho muito bom, mas que não chegou a empolgar. O 2005, entretanto, estava uma delícia! Deve agüentar bem mais alguns anos. Quem tiver mais bala na agulha e quiser provar o La Sizeranne (R$328), recomendo a ótima safra de 2005. No evento provei o 2004, que não foi uma grande safra e já estava muito interessante.

Luigi D`Alessandro Il Bosco Syrah 2004 (R$165)

Quase no final do evento conheci os vinhos da Luigi D´Alessandro apresentados pela Paola Antonaci. Não tinha como deixar esse vinho de fora da lista dos Top 10. Mesmo com o paladar e olfato já cansados pude apreciar a magnitude desse Syrah da Toscana. Tudo bem que nessa altura do campeonato não dava para fazer anotações pormenorizadas, mas posso garantir aos fãs da Syrah que não vão se arrepender de provar o Il Bosco Syrah.

Melhor esperar:

A conversa que tive com o Cristiano Van Zeller da Quinta de Roriz e Quinta do Vale D. Maria vai de encontro a uma tendência muito em voga: produzir vinhos mais acessíveis e fáceis de beber, isto é, com taninos macios e aromas envolventes logo na sua juventude. E, quem acha que isso é restrito a vinhos mais baratos do Novo Mundo está redondamente enganado.

Grandes vinhos europeus, como alguns renomados bordeaux da recente safra 2005, seguem essa tendência: Ch. Margaux, Haut-Brion, Cos d´Estournel, Léoville Las Cases são bons exemplos. De Portugal, provei e comprovei com o Chryseia 2005, Luis Pato Vinhas Velhas 2005 e Quinta do Vale Meão 2005. Esses vinhos não são apenas promessas, eles já estão excepcionais hoje.

Entretanto, em meio a toda essa revolução, alguns vinhos que provei mostraram-se mais inclinados ao estilo tradicional. Foi o caso do Faiveley Gevrey Chambertin Les Marchais 2005 (R$197) e do Pintia 2004 (R$207); dois grandes vinhos, mas que nesse momento apresentam-se austeros e agressivos na boca. Vão ganhar muito com alguns anos na adega. A surpresa foi o Vietti Dolcetto d´Alba Trevigne 2006 (R$65). Geralmente o Dolcetto é um vinho fácil, para ser bebido jovem, no entanto esse Trevigne 2006 vai precisar de um pouco mais de tempo na garrafa; pelo menos se você não quiser ter a sensação de estar com um caqui verde na boca.

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Michael Potts apresenta os vinhos da Bleasdale

Semana passada compareci ao almoço com Michael Potts, enólogo da vinícola australiana Bleasdale. O encontro foi promovido pela importadora Porto a Porto, com o objetivo de apresentar os vinhos da Bleasdale para a imprensa especializada. Um menu foi preparado pela chefe Daniela Caldeira Prosdócimo especialmente para essa ocasião, com uma seqüência de iguarias e pratos para cada vinho servido. Assim como o Encontro Mistral, esse evento também foi transmitido online via Twitter, um recurso que sempre empregaremos daqui para frente. Todos os twiits de enoeventos podem ser consultados no Twitter Memes. A Bleasdale foi fundada por Frank Potts, colono inglês que aportou em terras australianas em 1836. Em 4 de abril de 1850, Potts adquiriu 120 acres de terra em Langhorne Creek por 1 dólar o acre, sendo que os primeiros 30 acres de terra foram plantados com Shiraz e Verdelho. Assim começou a tradição de 5 gerações da família Potts na produção de vinhos. (na foto: Jackson Brustolin e Michael Potts)
Jackson Brustolin - editor do QVinho e Michael Potts - enólogo da Bleasdale

Michael Potts é uma pessoa bastante acessível, falou com simplicidade de seus vinhos, porém trazendo informações válidas sobre o processo produtivo. Potts não é adepto da maturação excessiva e do abuso do carvalho, justifica “procuro manter um bom equilíbrio entre potência e elegância”. Os vinhos da Bleasdale possuem características típicas de Langhorne Creek, como os taninos supermacios, a fruta intensa e certas notas mentoladas.

Bleasdale Chardonnay 2005 (R$59)

Os australianos costumam produzir um chardonnay muito concentrado, com pouca acidez e geralmente fermentado em barricas americanas. O Bleasdale Chardonnay foge um pouco desse esquema, uma vez que é parcialmente fermentado em carvalho francês (30%), com posterior fermentação malolática e repouso de 4 meses sur lier. Depois é misturado com a outra parte que não passou pelo carvalho, como resultado, temos um vinho com acidez mais fresca e notas agradáveis da madeira. Aroma de frutas tropicais e toques de baunilha. Corpo médio, um pouco alcoólico, felizmente tem uma acidez que ajuda na sensação de frescor. Final muito bom.

Bleasdale Shiraz / Cabernet Sauvignon 2003 (R$62)

A mistura de Shiraz e Cabernet Sauvignon é comum na Austrália. O resultado é interessante, pois os aromas doces da Shiraz ficam mais sutis. Nariz revelando frutas negras, toques de eucalipto e carvalho tostado. Redondo e macio, pronto para o consumo.

Bleasdale Petrel Reserve Shiraz 2001 (R$97)

Esse Shiraz é bem típico da Austrália, para quem ainda não conhece o estilo aussie, recomendo este vinho. Tem boa complexidade, encorpado e com taninos finos. Aromas agradáveis de frutas negras, couro, ervas secas e chocolate. Tem toda aquela volúpia que fez a fama dos Shiraz australianos.

Bleasdale Frank Potts 2004 (R$98)

O Frank Potts 2004 é um corte de Cabernet Sauvignon (67%), Malbec (18%) e Petit Verdot (15%). A inspiração bordalesa para essa mistura de uvas não foi em vão, uma vez que o Frank Potts tem estilo ligeiramente diferente dos outros vinhos da Bleasdale. Aqui a fruta assemelha-se mais ao cassis, além de ter uma paleta aromática mais sutil e com uma certa complexidade. Muito agradável e fino.

Bleasdale Generations Shiraz 2000 (R$144)

O vinho top da Bleasdale. O Generations é produzido a partir de uma parcela de velha vinhas de Shiraz de mais de 85 anos. Aromas intensos de fruta em compota, couro, chocolate e notas terrosas. Tem uma complexidade bem interessante, um vinho encorpado com excelente concentração e pronto para ser consumido.

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Encontro Mistral 2008: Bate-papo com Cristiano Van Zeller

Durante o Encontro Mistral 2008, além de provar excelentes vinhos, conversei com diversos produtores e pude conhecer um pouco melhor a filosofia empregada na produção de algumas dessas vinícolas. Um dos enólogos e proprietários de vinícolas que entrevistei, um pouco antes de começar o evento, foi o Cristiano Van Zeller da Quinta de Roriz e Quinta do Vale Dona Maria. Cristiano é um nome forte no mundo vinho e um grande entusiasta do vinho DOC Douro. Quando deixou a Quinta do Noval em 1993, Cristiano dedicou-se ao desenvolvimento da produção independente da região do Douro com ênfase na melhoria qualitativa do vinho de mesa DOC Douro. Para dar vazão a esse projeto adquiriu em 1995 a Quinta do Vale da Mina e, logo em seguida, a Quinta do Vale D. Maria em 1996. Ao longo dos anos Van Zeller dedicou-se a expandir e melhorar a qualidade das vinhas da Quinta do Vale D. Maria. Ao mesmo tempo investiu em um novo centro de vinificação combinando técnicas modernas com o processo tradicional de produção do Porto (pisa em lagar).

Cristiano Van Zeller da Quinta do Vale Dona Maria e da Quinta de Roriz

Nesse bate-papo, Cristiano falou para o QVinho sobre a parceria fechada no início do ano com seu primo João Van Zeller da lendária Quinta de Roriz, uma das mais antigas quintas do Douro, que desde 1815 está nas mãos da família Van Zeller. Cristiano é responsável, juntamente com Sandra Tavares da Silva, por liderar a equipe da Quinta de Roriz.

Sem dúvida é um enorme desafio assumir uma operação como essa. Os vinhos da Quinta de Roriz possuem um elevado padrão de qualidade, figuram entre os melhores de Portugal e são sempre muito bem classificados pela crítica

comenta Cristiano que já respondeu pela colheita de 2008 e deixou seu toque para a composição do blend da safra 2007. Toda essa responsabilidade parece deixar Cristiano ainda mais motivado para extrair o máximo até mesmo dos pequenos detalhes.

Acredito muito nos vinhos que prezam pela elegância e equilíbrio, com boa concentração de fruta e aptos para o consumo, sem muitas arestas e taninos angulosos. Até alguns anos atrás os vinhos de mesa Douro eram apenas um subproduto. A atenção era toda dedicada ao Vinho do Porto que gozava de toda a prioridade na colheita das uvas e vinificação. Em alguns casos as uvas utilizadas no DOC Douro eram colhidas tardiamente e supermaduras. O resultado eram vinhos rústicos e pesadões pelo excesso de álcool, explica Van Zeller.

Para alcançar bons resultados Cristiano aposta muito nas técnicas modernas de vinificação, com especial atenção nas etapas de pré-fermentação, conjugadas com métodos tradicionais como a pisa a pé. É claro, sem esquecer todo o cuidado como os vinhedos.

Sou um fã das vinhas velhas. Adoro trabalhar com diferenciadas castas durienses e as vinhas velhas me proporcionam isso.

Cristiano revelou também estar muito satisfeito com a evolução do consumidor brasileiro.

A cada ano surpreendo-me com o interesse do consumidor pelos vinhos de qualidade e o elevado nível de conhecimento para discutir esse assunto. É muito bom participar de um evento desse porte como o Encontro Mistral. Essa interação com o público é fantástica.

Quando perguntado sobre a mídia especializada de vinhos, Cristiano disse acompanhar com boa regularidade o que é comentado tanto na mídia impressa quanto online.

O consumidor ganha quando existe mais informação e debate sobre vinhos. Para minha surpresa a internet vem desempenhando um papel fundamental nesse cenário, principalmente por abordar os temas em profundidade como já acontece nos sites e blogs. A grande dificuldade será absorver esse volume de informação e depurar o que é realmente relevante.

Ficou curioso e quer conhecer mais sobre os vinhos da Quinta de Roriz e Vale Dona Maria? Então prove os seguintes rótulos:

  • Douro Prazo de Roriz 2004 (R$49 - Mistral);
  • Douro Quinta de Roriz Reserva 2003 (R$98 - Mistral);
  • Porto Quinta de Roriz Vintage 2003 (R$215 - Mistral);
  • Douro Quinta do Vale D. Maria 2003 (R$185 - Expand);
  • Porto Quinta do Vale D. Maria Vintage 2001 (Expand).

Ah, para quem quiser conhecer outros vinhos do Cristiano Van Zeller vale a pena procurar pelo Domini Plus 2004, onde ele trabalhou numa joint venture com Domingos Soares Franco da José Maria da Fonseca entre 2000 até 2005. Durante esse período Cristiano foi responsável pela consultoria dos vinhedos e algumas etapas da vinificação, sendo que Domingos Soares finalizava os vinhos.

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QVinho usa o Twitter para cobrir em tempo real o Encontro Mistral 2008

Twitter - Ferramenta de micro blog usada pelo QVinhoTransmitir aos leitores as impressões sobre um evento de vinhos não é uma tarefa fácil. Os posts pós-evento, geralmente, constituem uma resenha daquilo que percebemos como mais relevante, porém isso nem sempre representa com fidelidade a trajetória de contatos e degustações como de fato acontecem. Sem falar no tempo transcorrido entre buscar anotações, escrever o post, selecionar as fotos, revisar e, por fim, publicar. Pois bem, pensando exatamente em matar a curiosidade dos nossos leitores, resolvemos transmitir meu status durante o Encontro Mistral 2008, utilizando uma ferramenta de microblog chamada Twitter. Inovamos mais uma vez, ao ser o primeiro blog brasileiro a cobrir um enoevento online. Isso mesmo, desde a minha chegada para pegar a credencial (16:14h) no Hotel Grand Hyatt, em São Paulo, o bate papo como o enólogo Cristiano Van Zeller da Quinta de Roriz e Quinta Vale Dona Maria (17:05h), até as últimas degustações (22:09h), e publicação das fotos do evento no Flickr (20:53h - 12/06); tudo (ou quase tudo) foi fotografado e “ tuitado“, por meio do meu HTC conectado à rede Wi-Fi do hotel. Nossos leitores puderam acompanhar a atualização dos 27 twitts (é como os blogueiros gostam de chamar) na barra lateral, logo abaixo da foto dos editores. Claro, o trabalho aumentou consideravelmente, mas valeu a pena. Conversa com o produtor, prova os vinhos, bate fotos, faz algumas anotações e posta no Twitter. Ufa, haja fôlego! Nos próximos artigos vou comentar mais detalhadamente sobre os produtores presentes e os vinhos que merecem ser degustados. Por enquanto vejam algumas fotos do Encontro Mistral 2008.
Florent Baumard

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