Hambúrguer, batatas fritas e Coca-Cola, existe uma combinação mais perfeita para representar a fast food? Ou a globalização? Acho que não. O que para alguns ativistas mais engajados representa a dominação do imperialismo norte-americano, para outros significa prazer. Comida rápida, saborosa — ou melhor dizendo, gordurosa — e relativamente “barata”.
Engana-se, porém, quem acha que essa trivial refeição, sinônimo de fast food, não possa ter seu glamour, e por que não, qualidade. Hoje o hambúrguer figura em cardápios de restaurantes muito sofisticados; em Manhattan não é difícil encontrá-lo em criações arrojadas de grandes chefes. O DB Bistrô, casa de posicionamento mais moderno e acessível do chefe Daniel Boulud, por exemplo, oferece em seu cardápio um hambúrguer de mignon com costelinhas assadas, acompanhadas de trufas negras e Foie Gras ($32). Recentemente uma gigante ingressou — claro, mais como uma estratégia de marketing — no segmento dos hambúrgueres ultra caros, a Burger King de Londres. Sim, a Burger King. Esse hambúrguer de edição limitada (deve ser reservado com antecedência por telefone) pode custar $190! Surpreso? É, mas não é qualquer hambúrguer. Que tal:
Carne de Wagyu, também conhecido como Kobe Beef, acompanhada de um presunto Pata Negra, trufas brancas, açafrão iraniano, pão especial além de outras iguarias. Para beber, um refrigerante? Negativo. A sugestão é uma taça de Champagne Cristal ou um Cabernet-Shiraz Australiano. Nada mal!
Mas voltando ao Brasil, também tivemos a abertura de uma enxurrada de hamburguerias trazendo todo tipo de inovação. Hambúrgueres de picanha, mignon, fraldinha, bacalhau, calabresa, frango etc; com as mais variadas opções de acompanhamentos. No entanto, alguns detalhes ainda me incomodam. Um deles é essa mania de copiar o estilo das lanchonetes americanas dos anos 60, e de arrasto, todo o menu.
Não agüento tanto cheddar processado, maionese, catchup, milk shake e refrigerante. Onde está a criatividade? Quem disse que hambúrguer não combina com vinho?
Tá certo, não dá para negar que esses restaurantes, em sua maioria, conseguem oferecer um produto de mais qualidade quando comparado com as franquias Yankees, no entanto ainda deixam a desejar.
Já que o assunto é fast foods da vida, preciso abrir um parenteses para relatar minha última experiência num McDonald´s lá da Paulista (que me perdoem os fãs dessas marcas). Era quase uma hora da tarde e a fome já estava a mil. Feito o pedido e de pacote na mão — como um operário da construção civil — fui procurar uma mesa no segundo piso. O layout repaginado, numa versão cool ao estilo refeitório de empresa Hi-tech do Vale do Silício, até que ficou bonitinho. Mas, como era de se esperar, nesse horário todas as mesas estavam lotadas, porém o lado bom de restaurante fast food é que rapidinho aparece uma vaga. Já acomodado, a dificuldade foi localizar um atendente para limpar a mesa. Coisa difícil. Até dá para entender, eles não vencem recolher os lixos e limpar os banheiros. E, por falar em banheiros, huummm! Piso molhado e grudento que se estende até as escadas. Segure-se para não escorregar. Isso é que eu chamo de uma boa experiência gastronômica!
Antes que me acusem de fresco ou que fui pago pela concorrência para falar mal do McDonald´s, deixo aqui minha opinião: pelo mesmo preço ou até menos que um Big Mac N.1 ou qualquer outro similar da concorrência, sou mais um PF de um bom botequim.
Entretanto, também adoro um hambúrguer, principalmente se for acompanhado com um vinho. Se você também gosta de um hambúrguer delicioso com ingredientes de primeira, tente fazer em casa. É mais saudável e você vai gastar muito menos. Ah, esqueça também essas receitas estúpidas que recomendam fritura, creme de cebola e outras besteiras. Carne de primeira e grelha!
Receita e ingredientes para Hambúrguer (5 pessoas)
- 1,2 kg de Fraldinha moída na hora
- 1 cebola média;
- 2 dentes de alho;
- Salsinha e cebolinha;
- Óleo de canola;
- Sal.
Preparo:
Peça para moer um pedaço de fraldinha ou picanha (tire os excessos de gordura). Misture a carne com a cebola picada, os dentes de alho amassados e a salsinha e cebolinha a gosto. Acrescente sal e um pouco de óleo de Canola para ajudar na liga. Modele com mão ou utilize uma forma para hambúrguer procurando deixar com um espessura de pelo menos 1,5cm. Depois leve os hamburgueres para grelhar num Grill elétrico, ou como prefiro fazer, na churrasqueira. Com brasa intensa e a grelha relativamente baixa, deixe grelhar por aproximadamente 5 minutos de cada lado (a carne deve ficar suculenta por dentro). Depois é só montar no pão com seus ingredientes preferidos: fatia de queijo, bacon, alface e fritas para acompanhar.
Vinho recomendado: Espumante brut ou tinto encorpado
Pode parecer estranho mas um espumante brut pode acompanhar bem um hambúrguer. A acidez incisiva e a refrescância de um borbulhante seco podem funcionar como um excelente contraponto para a gordura da carne e dos temperos. Para servir como um aperitivo ou acompanhar o início da refeição sugiro os espumantes leves como o Reserva da Serra Brut e o Vallontano Brut. Caso você utilize muitos condimentos a melhor saída é acompanhar com um bom tinto, de preferência com boa acidez. Nas últimas vezes provei com um Bleasdale Shiraz-Cabernet Sauvignon (R$62), e um Montes Alpha Syrah 2005 (R$65); combinações pra lá de deliciosas.











É interessante observar o estilo dos vinhos que os europeus fazem fora de sua terra natal. Um bom exemplo são os franceses na Argentina, que geralmente fazem vinhos potentes, bem ao estilo Robert Parker. Esse fato é um tanto curioso, uma vez que certos europeus (principalmente franceses) criticam esse estilo. É claro que não podemos generalizar, mas muita gente fica seduzida com as possibilidades na Argentina. Condições ideais para produzir vinhos frutados, potentes e macios. Então, qual o problema? É fácil se perder por esse caminho e, como resultado, teremos vinhos sem classe que podem não ser boas companhias a mesa, que por outro lado impressionam quando servidos solos.
Sempre tive os vinhos varietais da Terrazas, linhas Malbec, Cabernet Sauvignon e Chardonnay, tanto da série Reserva e Afincado, como muito confiáveis e de ótima qualidade. Porém, quando recebi o convite para a apresentação do mais novo lançamento da bodega: o Afincado Tardio Petit Manseng 2004, confesso que fiquei curioso. Um vinho branco argentino, doce (colheita tardia), e ainda por cima elaborado a partir de uma uva chamada Petit Manseng. Petit Manseng!? É de causar estranheza, pelo menos para maioria das pessoas; para mim não foi uma completa surpresa, uma vez que na



Transmitir aos leitores as impressões sobre um evento de vinhos não é uma tarefa fácil. Os posts pós-evento, geralmente, constituem uma resenha daquilo que percebemos como mais relevante, porém isso nem sempre representa com fidelidade a trajetória de contatos e degustações como de fato acontecem. Sem falar no tempo transcorrido entre buscar anotações, escrever o post, selecionar as fotos, revisar e, por fim, publicar. Pois bem, pensando exatamente em matar a curiosidade dos nossos leitores, resolvemos transmitir meu status durante o Encontro Mistral 2008, utilizando uma ferramenta de microblog chamada


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