Degustação de cafés especiais – Parte I

Creme do espresso Kimel StateAntes de comentarmos sobre cada um dos cafés degustados convém esclarecer alguns pontos, para que os leitores do QVinho entendam porquê esses grãos são realmente superiores. Em primeiro lugar sempre quando falamos de cafés de alta qualidade (designados de especiais ou gourmet), seja do Brasil ou de outras regiões, obrigatoriamente teremos a utilização de grãos da espécie arábica. Apesar de muito aromáticos e ter boa acidez, os arábica de altitude costumam ter pouco corpo, o que justifica a mistura em blends com outros grãos. Porém, aqui gostaríamos de mostrar as particularidades do café de cada região, sem levar em consideração a combinação em blends e o melhor equilíbrio da bebida.

Nova Guiné – Kimel State: O café da Nova Guiné foi cultivado a partir de um lote da variedade Blue Mountain e os resultados tornaram as arábicas lavadas deste país bastante diferentes dos outros cafés desta parte do mundo. Geralmente plantado em regiões montanhosas de grande altitude, o café desempenha um importante papel na receita do país. Boa parte do arábica da Nova Guiné é cultivado, lavado e processado por nativos de isoladas aldeias rurais. Com grãos de torrefação média, o espresso de Kimel State mostrou um creme acastanhado não muito escuro e bem persistente. Aroma intenso, com notas florais e, principalmente, melaço de cana. Na boca um corpo médio com uma boa acidez. Realmente um café muito agradável com sabor suave e adocicado, perfeito para se beber puro num espresso.

Sulawesi (Indonésia): terceira principal ilha produtora de arábica da Indonésia, produz 9% de todo o café do país. O café indonésio costuma ser rico, encorpado, de baixa acidez e after taste prolongado. Nessa amostra, os grãos eram bem graúdos e oleosos. O espresso extraído apresentou um creme generoso e consistente, mas com pouca intensidade aromática. Uma leve presença de notas que lembravam chá preto. Corpo mediano com uma acidez moderada deixaram o café suave e adocicado.

Costa Rica – Terrazu: o café, sustentáculo agrícola do país, é todo arábica lavada. O consumo entre os costa-riquenhos é muito elevado, chegando a ultrapassar o de países como a Itália. A região de Terrazu, ao sul de San José, costuma produzir cafés soberbos. Como não poderia ser diferente, o café assim como outras culturas, está sujeito a safras muito boas e outras nem tanto. Porém, nessa seleção, os grãos costa-riquenhos não chegaram a mostrar seu potencial. Aroma neutro e sem características especiais, o Terrazu, apresentou um corpo mediano e uma acidez aguda. Um final de boca com um leve amargor.

Costa Rica – Vienna: Na verdade são grãos Terrazu obtidos por uma torrefação ligeiramente mais escura que a média. Um creme acastanhado e espesso, com um aroma terroso, mas não muito intenso. Bom corpo e uma doçura delicada. Um café interessante para compor um blend.

(*) Os cafés foram comprados na Addison Coffee Roasters, no Texas, com data de torrefação de 15 dias. Para extração dos espressi foram utilizadas as máquinas semi-automáticas Saeco Via Venezia e Francis Francis X5, com moedores Solis.

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  • http://www.qvinho.com.br Jackson

    Caro Almir,

    Para casar bem com os charutos eu sugeriria vinhos fortificados como Porto ou Madeira. Vale a pena provar o excelente Quinta do Crasto LBV ou o Vintage.
    E, já que estamos entrando no inverno, nas próximas semanas o QVinho irá comentar sobre alguns Cognacs e Armagnacs, que geralmente acompanham bem charutos.

  • Almir Romero

    Gostaria de saber qual o tipo de vinho para acompanhar degustação de charutos? Ultimamente estamos acompanhando com algumas cervejas importadas mais encorpadas.

  • celina

    Great blog indeed.Gourmet coffee at coffeebreakusa(dot)com adds to coffee and gifts