Degustação de cafés especiais – Parte II

Café da Etiópia Yergacheffe IntelligentsiaEtiópia – Yergacheffe: falar do café etíope é como falar dos vinhos da Borgonha. Parece estranho comparar uma aristocrática região da França com um pobre país africano. É melhor deixar claro que a Etiópia não é apenas mais um exótico produtor de café, mas o berço do café arábica. Nas regiões montanhosas, freqüentemente acima dos 1.000 metros de altitude, são produzidos grãos que resultam em cafés muito aromáticos com pouquíssima cafeína e agradável acidez.
As regiões mais conhecidas são: Harrar, Sidamo, Djimmahi, Ghimbi e Yergacheffe. Este último representou a amostra degustada. Presença de grãos “moca”, ou peaberry, como chamam os norte-americanos. Torrefação não muito escura, como convém ao café etíope, porém com excelente oleosidade. O espresso extraído é suave, com pouco corpo e creme, mas a bebida é fantástica. Explosivamente aromático com intensas notas cítricas e florais que fazem a gente duvidar que esteja bebendo café. O Yergacheffe é muito refinado, porém não é perfeito. Geralmente o equilíbrio é obtido por meio da mistura com outros grãos que dão mais corpo.

Café do Quênia - Kenia Gaaki IntelligentsiaQuênia – Gaaki: outra cultura de alta qualidade que impressiona. Talvez os leitores que tenham assistido o filme “Entre dois Amores” lembrem dos esforços da protagonista Meryl Streep no cultivo do café nesse país. O café queniano é parecido com o etíope, muito embora não atinja a aromaticidade diáfana de uma boa safra de Yergacheffe. Em compensação o café queniano oferece mais corpo e equilíbrio produzindo um espresso mais completo. Nessa seleção, os grãos estavam bem graúdos e arredondados, com uma torra mais escura que o Yergacheffe. Um café vibrante com um bom creme e notas frutuosas, lembrando amoras e frutas cítricas. Corpo médio, acidez marcante e doçura discreta.

Café da Guatemala - El Cuervo IntelligentsiaGuatemala – Huehuetenango “El Cuervo”: o café guatemalteco é considerado, por muitos especialistas, como um dos melhores cafés do mundo. Mas é na região ocidental do país, em pequenas propriedades de Huehuetenango, mais especificamente em crus como o El Cuervo, que saem grãos soberbos como pudemos comprovar nessa degustação. O espresso estava simplesmente excelente. Um pouco mais encorpado que os cafés africanos, e um aroma complexo lembrando fruta madura e chocolate com uma excepcional acidez.

Para fechar com chave de ouro confeccionamos um blend a partir de grãos da Guatemala (60%), Etiópia (20%) e Kenya (20%). O resultado não poderia ser outro senão um ótimo espresso. A elegância do café guatemalteco com a complexidade aromática dos grãos africanos.

Grãos de café

Infelizmente aqui no Brasil ainda não temos acesso, com raras exceções, a cafés desses países. É importante frisar que alguns cafés quenianos e etíopes, geralmente industrializados e já moídos, que encontramos em certos pontos-de-venda no país, nem de longe representam a tipicidade dos melhores grãos dessas regiões. A qualidade está diretamente relacionada à escolha de bons grãos provenientes de fazendas de qualidade e, principalmente, a torrefações adequadas.

(*) Os cafés foram comprados na Intelligentsia Coffee, de Chicago. Para extração dos espressi foram utilizadas as máquinas semi-automáticas Saeco Via Venezia e Francis Francis X5, com moedores Solis.

  • Carlos Capaverde

    A proibição da importação de cafés verdes, no Brasil, não é uma questão comercial, existe um risco muito grande de trazerem junto com o café, pragas que não teriam inimigos naturais, podendo prejudicar muito a produção cafeeira nacional.

  • http://www.qvinho.com.br Jomar

    No Brasil existe esse tipo de protecionismo. Quanto a sua sugestão, fique tranqüilo, pois esses cafés foram preparados em excelentes equipamentos. Mesmo assim, você pode contribuir com nosso blog enviando uma máquina mais apropriada, teremos prazer em divulgar a sua colaboração. Com relação ao barista, seguramente você não verá um por aqui, já que todos os cafés serão preparados por mim e tudo que é escrito aqui reflete as minhas idéias e opiniões. Não se preocupe com a minha experiência em pilotar as máquinas de espresso, pois não tenho a pretensão de tirar 500 cafés por dia, apenas emprego a minha sensibilidade gustativa para avaliar os grãos.

  • Carlos Capaverde

    Existem algumas dificuldades para a importação de cafés, sendo proibida a importação de cafés verdes (não torrados), portanto, todos os cafés importados já chegam no Brasil torrados e o tempo entre a torra e a venda, muitas vezes ultrapassa o tempo ideal para consumo, perdendo muito em qualidade.
    Gostaria de sugerir também, que qualquer degustação de café, seja feita em máquina profissional e preparado por um Barista experiente, somente desta forma podemos ter uma opinião segura sobre os cafés.

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