Pegando carona no artigo Café Espresso em Casa, vou comentar sobre as máquinas manuais que começam a chegar ao Brasil, mas que poucos sabem ao certo como funcionam. Uso diariamente uma Elektra Micro Casa a Leva - máquina manual que emprega o sistema de pistão e alavanca - que apesar de ter operação muito simples, possui algumas peculiaridades que precisam ser conhecidas, pelo menos por quem deseja comprar uma. É requisito obrigatório conhecer bem os 4 M’s, além disso, uma máquina manual requer um bom moinho, capaz de executar uma moagem muito fina e uniforme. Bons moinhos custam tanto quanto uma boa máquina. Por isso, antes de comprar uma máquina manual é bom planejar, pois não faz sentindo adquirir uma Elektra, uma Achille Gaggia, ou ainda uma La Pavoni sem ter um moinho à altura (ah, a Playboy em sua edição de dezembro podia ter informado melhor seus leitores, ao sugerir máquinas como a Achille Gaggia). Utilizo um moinho Mazzer Mini, que é simplesmente uma referência para baristas de todo o mundo.

A Elektra Micro Casa a Leva, como já mencionado, é uma máquina a pistão e alavanca, mas diferentemente da Achille Gaggia e da La Pavoni, emprega uma mola para extrair o café. A máquina é composta por uma caldeira com água aquecida por uma resistência e uma pequena câmara externa. O funcionamento é simples:
- O portafiltro é fixado na parte inferior da câmara;
- A alavanca é acionada para baixo, então o pistão eleva-se enchendo a câmara com água;
- É preciso manter a alavanca em baixo por alguns segundos para fazer uma pré-infusão (um luxo das máquinas manuais);
- Agora é só soltar a alavanca para deixar o pistão - usando força da mola - extrair um belo espresso.
Essa eficiente tecnologia foi desenvolvida na Itália, na década de 50, e continua fazendo um espresso de alta qualidade, muito embora as máquinas com bomba elétrica dominem o mercado atual. Avaliei diferentes blends com a Elektra, comparando com resultados obtidos na Saeco Via Venezia e em outras máquinas. O resultado é sempre melhor na Elektra, tendo como principal característica um espresso intenso e com menos amargor, apesar de produzir menos crema que as máquinas de bomba elétrica. Para falar a verdade, é difícil superar um espresso bem tirado da Elektra, mesmo em cafeterias renomadas.
O espresso da foto foi tirado com grãos da Braúna, café especial da região de Matas de Minas. Esse café apresentou-se bastante suave e com agradável acidez. Seu aroma é intenso e complexo, revelando notas frutadas e de caramelo. Sem dúvida um excelente café. Comparei com grãos de Sumatra e da Etiópia, fornecidos pela Stumptown Coffee Roasters, uma torrefadora situada em Portland. O Ethiopia Limu Gera é um clássico café africano, com aromas vívidos de frutas cítricas e flores, além de ter uma acidez bem marcante. O Sumatra Lake Tawar é um melaço vulcânico, sua torrefação mais escura revelou notas intensas de “coisas da terra” e de tabaco. Fiz várias misturas com esses cafés, sempre obtendo excelentes resultados.
Máquinas a pistão são fantásticas, podem fazer um espresso delicioso por décadas, tão bom, ou até melhor do que nas mais famosas cafeterias do mundo. Contudo, antes que você se entusiasme para comprar uma, conheça os pontos negativos desses equipamentos:
- Preço elevado;
- São exigentes, não dá para tirar um bom espresso sem compreender a essência desse processo;
- Demoram para esquentar, e quando esquentam, rapidamente ultrapassam a temperatura ideal. Não recomendo ter crianças por perto;
- Precisam de manutenção quase constante, que consiste em limpeza e lubrificação do pistão (a cada 15 dias), além de eventuais substituições das borrachas de vedação (a cada 2 anos);
- É preciso um certo esforço para acionar a alavanca.
Para mim é um prazer operar a minha Elektra, chega a ser uma terapia, entretanto para outras pessoas, tudo isso pode ser extremamente enfadonho.



























Só de ver a foto fiquei morrendo de vontade de tomar café. Essa máquina deve ser mesmo muito boa. Até mais galera.
Peço-lhe informações sobre o
valor da máquina de pistão e
aonde adquiri-la.
Grato
Rodrigo, consulte o site:
http://www.espressotop50.com
Lá você encontrará várias lojas que vendem esse tipo de máquina. Aqui no Brasil é difícil de encontrar, porém a Saeco está comercializando a Achille Gaggia.
Caro Jomar,
Penso que seja interessante vocês postarem um artigo com os melhores vinhos de 2007, na concepção desse blog.
Seja em Custo x Benefício ou qual for a impressão que possam escolher.
Creio que será de grande valia para os que aqui sempre estão a pesquisar.
Abraço,
Adeilson
Adeilson, faremos a nossa lista ao final desse ano, mesmo sabendo dos riscos desse tipo de empreitada.
Leia o artigo:
http://www.qvinho.com.br/opiniao/a-lista-dos-top-100-da-wine-spectator/
De qualquer forma, as lista sempre têm a sua utilidade.
Abraço!
Olá Jomar, obrigado por responder. Mas penso ser uma lista da QVinho, elaborada através de suas degustações e não da revista Wine Spectator ou qualquer outra.
Para mim, terá muito mais credibilidade essa relação de vocês, pois aqui vosês estão sempre a comentar!
Abraço
Sim Adeilson, o QVinho terá a sua própria lista, baseada nos vinhos degustados por nós.
Bonita máquina! Me arrepiou o gineceu.
Trouxe da Itália há um tempo atrás uma Gaggia Baby, porém não ando satisfeito com a moagem do café (peço para moer quando compro os grãos na cafeteria). Nem sempre é fácil chegar num bom espresso, as vezes ele sai muito fraco conforme o grão que utilizo.
Já vi em algumas coffee shops aqui de São Paulo esse moedor Mazzer, mas você saberia me dizer se existe alguma loja que venda esse produto ou que representa aqui no Brasil?
Willian, desconheço qualquer representação da Mazzer aqui no Brasil, todavia algumas empresas podem importar, geralmente para atender cafeterias. Comprei o meu nos EUA.
Em março, o café Braúna foi escolhido melhor café para espresso pela empresa italiana Illy, sendo vencedor do 17º prêmio Illy.
Tenho maqui de cafe espresso e quero saber qual o melhor ponto de regulagem do moinho. Obrigado!
Jayme, o ajuste de moagem varia em função de diversos fatores, como o tipo de torrefação, frescor do café, grau de oleosidade do grão, umidade e tipo de máquina de espresso. O objetivo é fazer com que o espresso seja extraído entre 25 e 30 segundos após uma compressão de 15kg.
Gostaria de saber se existe alguma máquina que se encontre e compre no brasil .grata .adriana
Adriana, já é possível encontrar diversas máquinas no Brasil, mas vale lembrar que tudo é ainda muito novo. Saeco, Gaggia, Jura, Rancilio e Ascaso são algumas marcas que podem ser adquiridas por aqui.
Prezado Jomar
Como tbém gosto de café expresso, queria parabenizá-lo por sua idéia, porque acho que apenas agora o brasileiro esta dando mais importância ao nosso café. Experimentei um reserva 2007 (100% arábica) do Atelier do Café, o qual gostei muito, tenho uma cafeteira Expressione Cube, que gostaria que comentasse (café e cafeteira). Um abraço, espero novas dicas.
Abrão, ainda não tive a oportunidade de provar os cafés “Reserva” da Atelier do Café, mesmo assim posso dizer que todos os cafés são de ótima qualidade, entre os melhores que podemos encontrar no Brasil.
Eu não recomendaria a Expressione Cube. Essa máquina usa termobloco e pelo mesmo valor é possível comprar uma com caldeira. Além disso, se eu não estiver enganado, emprega um questionável portafiltro pressurizado.
Prezado Jomar,
Ganhei uma La Pavoni Europiccola, mas ainda não consegui fazer uma crema aceitável, como acontece com a minha outra La Pavoni não manual. Uso o café Orfeu e estou com dúvida quanto à moagem. Quando você fala em moagem muito fina — para a máquina manual –, isso signfica a mesma do café coado? Parabéns pelo excelente artigo.
Rodrigo, você possui moinho? Se você não tem, recomendo que você compre um, caso contrário a sua La Pavoni não irá desempenhar como deve.
A ponto correto de moagem varia de acordo com alguns fatores, principalmente em função do tipo de café, da torrefação e da umidade. A melhor maneira de acertar é fazendo alguns testes. Essa é a melhor dica: testar diferentes pontos de moagem e acertar a força de compactação.
Não existe uma receita para tirar um bom espresso, mas sim recomendações e procedimentos que devem ser seguidos. O principal está aqui:
http://www.qvinho.com.br/cafes-especiais/cafe-espresso-casa/
Jomar,
Obrigado pelas dicas. Tenho um moinho da Ariete, com 16 níveis de moagem. E consegui um café com mais crema — na máquina de alavanca — a partir de uma moagem mais fina. De qualquer forma, não é exatamente a mesma crema da máquina de bomba automática, mas o sabor parace muito melhor.
Caro Jomar, gostaria que vc me indicasse o endereço de alguma loja aqui no Brasil que comercialize a máquina Elektra Microcasa Leva Copper, semelhante a sua e onde posso adquirir também o moinho Mazzer Mini aqui no Brasil. Aproveito para lhe parabenizar pelo site qvinho e seus excelentes artigos e comentários,hoje estou procurando ver com outros olhos o prazer da degustação de um bom café expresso. Obrigado.
Rodrigo, você está no caminho certo. Tente moer mais fino ou compactar com mais força, caso o espresso esteja saindo muito rápido (antes que 30 segundos). Lembre-se de usar café de alta qualidade e fresco.
Camilo, até onde eu sei a Elektra não possui importação regular aqui no Brasil, mesmo assim algumas empresas podem trazer eventualmente. Tente procurar na Suplicy Cafés Especiais em São Paulo. Quanto ao Mazzer, sei que algumas empresas trazem, mas como não trabalho profissionalmente nesse setor, desconheço quem sejam.
Olá Jomar.
Parabéns pelas matérias sobre café. Estou começando agora a me “aventurar” pelo mundo do espresso. Comprei há poucos dias uma espressione cube e não fiquei satisfeito. Achei o creme muito ralo, e pensando bem não vi grandes diferenças entre o café que eu fazia no coador. Usei tanto saches como pó. Será que estou fazendo algo errado?
Pretendo devolver a máquina e tentar adquirir uma outra. Você tem alguma dica pra me dar das marcas e modelos que vemos aqui no Brasil?
Muito obrigado
Um Abraço