Como diriam muitos especialistas, as degustações às cegas costumam derrubar até mesmo degustadores muito experientes. Claro, não foi o caso dessa avaliação em especial. Principalmente porque a pauta e os rótulos já eram conhecidos: Chapelle de Potensac 2004 (Bordeaux), Marques de Casa Concha (Chile) e Don Nicanor (Argentina). Ou seja, uma degustação às cegas ma non troppo. O objetivo nessa degustação foi reunir alguns cortes ao estilo bordales, situados numa mesma faixa de preço. Aproveitando a ocasião convidamos outras três pessoas para participar do encontro (estas desconheciam os rótulos, sabendo apenas que seriam vinhos de uvas bordalesas).
Quase todos os participantes julgaram o Marques de Casa Concha como superior aos demais, porém com pequena vantagem sobre o Don Nicanor, deixando o Bordeaux fora do páreo. O Marques de Casa Concha foi considerado um vinho mais macio e redondo, já o Don Nicanor destacou-se pela sua paleta aromática mais complexa, enquanto o Chapelle de Potensac ficou rotulado como diluído e pouco intenso. Apesar de previsível, essa degustação deixou claro que o terroir define o estilo desses vinhos, provando que a característica varietal não interfere de maneira decisiva.

Chapelle de Potensac 2004 - Médoc
Segundo vinho do Château Potensac, Cru Bourgeois Exceptionnel produzido pela família Delon (os mesmos proprietários do Château Léoville Las Cases) sob a AOC Médoc. Aqui não é o lugar mais apropriado para explicar como os vinhos são classificados em Bordeaux, entretanto vale dizer que um Cru Bourgeois pode ser um excelente vinho, como também pode ser apenas um produto para consumo imediato e sem muito brilho e, no caso do Chapelle de Potensac, fica valendo a segunda situação. Cor rubi com transparência bem evidente e lágrimas sem persistência. Aroma pouco intenso de frutas vermelhas, leve madeira com um toque de caramelo. Corpo leve, taninos pouco evidentes e boa acidez, apresentando um bom equilíbrio. Final de boca pouco marcante, deixando uma leve adstringência. Vinho apenas correto, sem brilho.
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Grad. Alcoólica: 12,5%
Preço: Custa em média 10 euros na origem. Aqui ficaria com um preço bem mais elevado.
Importadora: Foi enviado para nós como amostra.
Marques de Casa Concha Cabernet Sauvignon 2005
Esse tradicional rótulo da Concha y Toro dispensa apresentações. Sempre confiável, apresenta a característica típica do Vale del Maipo, porém o seu preço poderia ser mais baixo. Mostrou cor rubi com pouca transparência. Aroma de frutas negras, além do bem definido caráter herbáceo do Vale del Maipo, que costuma lembrar café, mentol e pimentões grelhados. Bom corpo, com taninos macios, apesar de ainda ser jovem. Final de boca frutado de boa persistência e levemente adocicado.
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Grad. Alcoólica: 14%
Preço: R$75
Importadora: Expand
Nieto Senetiner Don Nicanor Blend 2004
Originário dos vinhedos de Vistalba e Agrelo, em Lujan de Cuyo, este interessante assemblage é feito de Malbec, Cabernet Sauvignon e Merlot em igual porcentagem. A série Don Nicanor é a terceira na linha da Nieto Senetiner, ainda temos o Cadus e o varietal Bonarda, mesmo assim, mostrou uma boa elegância. Cor rubi com pequena transparência. Aroma de frutas decadentes, lembrando ameixas secas e marmelada, com notas de especiarias doces e carvalho tostado. Corpo médio, apresentando taninos bem integrados e boa acidez. Final de boa persistência, levemente seco.
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Grad. Alcoólica: 14%
Preço: R$55
Importadora: Porto a Porto / Casa Flora


















Nossa!! Eu pensei que os vinhos franceses fossem sempre melhores. Já comprei muito bordeaux que nem lembro o nome no Carrefour e realmente não eram grande coisa!
Como sempre…prefiro os argentinos!!!
Oi pessoal, preciso de uma dica para um jantar especial,me falaram que vocês podem indicar o vinho e uma sugestão de menu. Agradeceria muito se me ajudassem a surpreender meu convidado. By
Olá!
Vocês vão fazer outras degustações às cegas com vinhos mais imponentes? Quais?
Já tive a oportunidade de degustar o majestoso Marquês, e realmente é um vinho de personalidade marcante. Aliás, Marquês, Don Melchor e Monthes Alpha formam um grande triunvirato.
Caro Everton,
Apesar dos vinhos degustados não serem dos mais caros, é importante dizer que são vinhos de excelente qualidade. Quando você diz mais “imponentes”, talvez queira dizer mais afamados, pontuados e elogiados pela crítica. Mas, pode ficar tranqüilo, já temos alguns rótulos dos mais prestigiados vinhos da América do Sul, que devem figurar nos próximos painéis (Malbec, Syrah e Pinot Noir).
Mestres
Poderiam dar alguma dica sobre os Orvietos (classico, etc).
Grato
Jose Figueiredo
José, já estive em Orvieto e pude provar alguns vinhos. O estilo básico é seco e com aroma de amêndoas. Os melhores vinhos são da zona Classico, mais complexos e com deliciosa acidez. Atualmente existe uma tendência em fazer vinhos doces, que ainda não tive a oportunidade de provar.
Prezados,
Antes de mais nada, gostaria de dizer que sou um apreciador de vinhos franceses, principalmente por essas características; um vinho mais delicado, menos alcoólico e que geralmente permite um grau de sutilezas de percepção maior. E os que mais me agradam são os Cru Burgeois, que ainda possuem uma relação de custo x benefício razoável. Na minha relativa pouca experiência com estes vinhos, dificilmente encontrei um que não “valesse à pena”. E acho que numa comparação com estes explosivos e bombásticos chilenos e argentinos da prova, sempre haverá um favorecimento a estes últimos, pois possuem uma presença bem mais marcante de madeira, alcool e cor, ainda que bastante equilibrados.
Prezados amigos, gostaria muito de saber o e-mail do vinhedo agrelo, pois gostaria muito saber se esses agrelo fazem parte de minha familia. Por curiosidade apenas, comecei a procurar pela familia agrelo, e de repente apareceu. No aguardo de seu proinunciamento, atenciosamente. Paulo
Caro Paulo, Agrelo é o nome de uma localidade em Mendoza. Creio que não posso ajuda-lo. Boa sorte!