Antonella D’Isanto apresenta os vinhos I Balzini

Antonella D'Isanto

Tenho que confessar a minha simpatia pelos vinhos italianos, por isso sempre atendo prontamente a um convite para degustar os vinhos da velha bota. Na última semana participamos – a convite da importadora Porto a Porto – de um jantar com Antonella D’Isanto, proprietária da Società Agricola I Balzini. Já conhecia esses toscanos, inclusive já havia publicado um review do White Label 2001, de qualquer forma foi uma ótima oportunidade para comparar lado a lado todos os rótulos da cantina. O que chama a atenção de imediato é o nome de cada vinho: Green, White e Black Label, uma ideia (confirmei as minhas suspeitas com Antonella) para agradar ao mercado americano. Isso não é novidade, os americanos adoram a Toscana e são grandes compradores de rótulos da região. Ainda bem que a história de “agradar ao mercado americano” encerra nos nomes. Ainda sobre os rótulos, vale dizer que “balzini” é o diminutivo de “balze”, que no dialeto local significa terraça, uma alusão ao terreno onde as vinhas foram plantadas. O desenho das três colinas também traduz o relevo real da propriedade. Os rótulos da I Balzini já revelam muito da curta história dessa vinícola.

Os proprietários da I Balzini, o casal Antonella e Vincenzo D’Isanto, começaram aos poucos. Iniciaram em 1980 comprando 1 hectare de vinhedo em Barberino Val d’Elsa, na região de Chianti Clássico, entre Siena e Florença. Em 1987 vinificaram a primeira safra, lançando no mercado o White Label, um corte de partes iguais de Sangiovese e Cabernet Sauvignon. Não demorou muito para crescerem, adquirindo a cada ano que passava poucos hectares de seus vizinhos. Hoje possuem 10 hectares, dos quais 5,4 estão cobertos por vinhas de Sangiovese, Caberner Sauvignon e Merlot.

Comparamos os vinhos Green Label 2007 (R$62), White Label 2001 – 2002 (R$150) e Black Label 2001 – 2003 (R$187).  É sempre bom perceber as diferença entre as safras, afinal as colheitas de 2001, 2002 e 2003 foram bem diferentes.  O ano de 2001 foi clássico, uma safra muito bem equilibrada, com uvas de excelente maturação. Já em 2002 a coisa foi mais complicada, muitas chuvas dificultaram a vida dos produtores. Por fim, em 2003 a Toscana teve uma situação oposta a 2002, altas temperaturas e poucas chuvas. O resultado aparece no copo.

I Balzini

Green Label 2007 é um vinho muito agradável e bem toscano, um corte de Sangiovese (80%) e Mammolo (20%) sem passagem pela madeira. A Mammolo é uma obscura variedade típica da região do Chianti, o nome é uma alusão ao seu perfil aromático que lembra a mammola, um tipo de violeta. É fresco, leve e com ótima acidez, além de ter essas delicadas notas de violeta. Perfeito para acompanhar uma bruschetta. Já havíamos degustado o White Label 2001 algum tempo atrás – um corte de partes iguais de Sangiovese e Cabernet Sauvignon – agora pudemos comprovar a boa evolução desse vinho. O White 2001 continua ótimo, exibindo um belo perfil aromático. Na safra 2002 o White mostrou-se menos encorpado, porém com um nariz de ótima intensidade, com menos fruta e mais notas minerais e herbáceas. O Black Label pende para um estilo mais internacional, feito de um corte de Cabernet Sauvignon (50%), Sangiovese (25%) e Merlot (25%). Mais redondo e robusto que o White, mesmo assim sem perder o acento italiano. O Black 2003 é encorpado, com aroma de frutas negras e muitas notas tostadas. Por sua vez, a safra 2001 do Black mostrou mais equilíbrio e classe, revelando um nariz mais complexo e sutil.

  • thiago torres

    Tive a oportunidade de estar com a Sra Antonela na ABS e em um jantar. Confesso que adorei os sua simpatia, personalidade forte e os seus vinhos. Desde o Green até o Black são todos excelentes. A história de como surgiram o conceito “Label” e os seus vinhos também é muito interessante. Que bom que temos esses vinhos no Brasil!!!