Caves Messias apresenta seus vinhos em jantar harmonizado

Não há como negar, os vinhos da Caves Messias são um sucesso de vendas no Brasil. Com um portfólio amplo de vinhos que engloba as principais regiões demarcadas de Portugal, muitos de seus rótulos como o Porto Messias ou Quinta do Cachão já figuram como marcas bem conhecidas entre os brasileiros.

Foi exatamente para mostrar a versatilidade dos seus vinhos com a comida que a Caves Messias promoveu no dia 5 de maio um jantar português. O espaço escolhido pelas importadoras Porto a Porto e Casa Flora, que organizaram o evento, foi um restaurante italiano, o La Vecchia Cucina do Sérgio Arno. Sim, uma escolha que deu certo. A ideia de trazer os chefes portugueses Luis Américo e Marco Gomes para preparar um cardápio especial para o evento, em parceria com os residentes da cozinha italiana, foi um sucesso. Os pratos conseguiram aliar criatividade na combinação dos ingredientes e uma apresentação impecável. Isso tudo sem deixar de lado o sabor. Cada garfada e gole de vinho proporcionavam uma imensa satisfação. Messias Vigário, diretor da Caves Messias, estava presente e falou um pouco sobre os vinhos da noite que representavam uma amostra das três Quintas (Cachão, Valdoeiro e Penedo) .

Para iniciar a noite, o saboroso e refrescante espumante Quinta do Valdoeiro Chardonnay Brut (R$58). Utilizando uvas 100% Chardonnay, o Quinta do Valdoeiro é confecionado pelo método champenoise e realizou ainda um estágio “sur lies” prolongado. Boa cremosidade e estrutura na boca, esse borbulhante da Bairrada harmonizou maravilhosamente com a entrada de carne de siri, ostras e sopa fria de tomates. E como se a primeira não bastasse, mais uma entrada: polvo salteado com batata doce e aceto balsâmico. A combinação com o espumante Quinta do Valdoeiro mais uma vez mostrou-se acertada.

O bacalhau não poderia faltar. Aqui os chefes apresentaram uma interpretação moderna e incrivelmente deliciosa desse tradicional prato português. O lombo de bacalhau recheado com tomate e salpicão em pão de azeitonas e emulsão de coentros estava se desmanchando; e ao contrário do que poderia se esperar, a emulsão de coentros tinha um aroma e sabor muito delicado, sem interferir no prato principal. Gostei muito de acompanhar esse prato com o Quinta do Valdoeiro Tinto 2005 (R$47); um delicioso corte obtido de uvas Baga, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon e Syrah. Sem exageros de extração ou de álcool o Quinta do Valdoeiro Tinto mostrou boa complexidade, taninos firmes e ótima acidez. Já numa linha mais moderna e acessível o Douro Quinta do Cachão Reserva 2006 (R$72) está perfeito para se beber hoje. Nariz rico em fruta, notas especiadas; taninos redondos e uma estrutura que preenche a boca.

O último tinto de mesa servido foi o Quinta do Penedo 2006, um corte 70% touriga nacional e 30% Alfrocheiro, que utilizou uvas exclusivamente da Quinta do Penedo, uma área de 20 hectares, localizada no coração da região Demarcada do Dão. Um vinho de personalidade, com nariz complexo remetendo a notas florais, tostados e uma forte presença mineral. Na boca frescor e um final persistente. Esse vinho casou muito bem com lombinho de porco com purê de alheira e aspargos verdes. Na sobremesa o Porto Messias 10 anos (R$95) com a maça caramelizada com gelado de Porto e passas foi um deleite. E para fechar com chave de ouro, um jovem e potente Porto Messias Vintage 2003 (R$180) acompanhando papos de anjo com chocolate e framboesa.

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  • http://www.qvinho.com.br Jackson

    Antonio, o jantar estava uma delícia mesmo. Sem dúvida são ótimas oportunidades para testar combinações de vinhos com a comida.

    Como você bem lembrou, já disse em alguns posts que a harmonização de vinho com a comida não é regida pela matemática, sendo assim conceitos absolutos como “vinho de mesa e chocolate não casam bem” ou “vinho e aspargo não dá certo” podem ser plenamente desmentidos. Claro, são ingredientes complicados para harmonizar com vinhos, mas isso não significa dizer que seja impossível. Tudo vai depender de como o prato foi preparado, a quantidade e qualidade dos ingredientes e o qual vinho acompanhar. O chocolate, por exemplo, não pode ser um comercial, mas um gourmet com cacau de qualidade e em percentual superior a 60%. As pessoas geralmente já partem com preconceitos, imaginam de imediato um chocolate comercial qualquer, com muita gordura vegetal e açúcar, nesse caso a combinação é quase impossível.

    Também fiquei um pouco preocupado quando chegou o prato de lombo de bacalhau com emulsão de coentros; não sou fã de coentro, acho que na maioria das vezes ele é mal utilizado e acaba com o sabor dos prato. Nesse caso, porém, o prato ficou perfeito, muito delicado e saboroso.

    Para finalizar o prato de lombinho de porco com purê de alheira e aspargos verdes estava ótimo com o vinho Quinta do Penedo. A boa estrutura do vinho e agradável acidez foram fundamentais nessa harmonização. Além do mais os aspargos não predominaram em quantidade e sabor nesse prato.

    Obrigado por compartilhar a sua experiência conosco.

    Abraço

  • Antonio

    Maravilha de jantar, hein?!
    Só fiquei curioso com a harmonização do Quinta do Penedo 2006 com o lombinho de porco e aspargos verdes. Explico:
    Há uns meses participei de uma degustação dos vinhos do Domingos Alves de Sousa, e foi servido no jantar um lombo de bacalhau com batatas e aspargos verdes. Assim que fui servido estranhei a presença dos aspargos no prato, tendo em vista a dificuldade (em teoria, pelo menos) de harmonização desse vegetal com vinho. Para não parecer aqueles “eno-chatos”, fiquei quieto e decidi provar o prato sem pré-conceitos. Estava uma delícia! Confesso que não percebi qualquer sabor metálico ou desagradável.
    Agora, lendo seu relato, lembrei-me desse episódio e fiquei intrigado – há realmente algum problema em harmonizar aspargo e vinho? Você percebeu algum dissabor durante o jantar?
    Talvez alguns “tabus” do mundo do vinho sejam levados muito a sério, como “vinho e chocolate não combinam”, fato muito bem desmentido por vocês em matéria prévia do site…
    Um abraço!