Degustação do Instituto do Vinho do Porto e do Douro – IVDP

Estive presente, no último dia 25 de abril, na degustação promovida pelo Instituto do Vinho do Porto e do Douro (IVPD), organismo que em Portugal é responsável pela certificação e promoção dos vinhos da Região do Douro. O evento realizado no Hotel Unique, em São Paulo, reuniu 70 produtores, representados por mais de 27 importadoras, totalizando aproximadamente 350 vinhos. A escolha do Hotel Unique, concebido pelo arrojado design de Ruy Ohtake, foi muito sugestiva e reflete as intenções ambiciosas do projeto de melhoria qualitativa e expansão de mercados para o vinho do Douro. Muito embora o Vinho do Porto seja defendido e regulamentado desde o século XVIII, somente em 1982, a região criou e regulamentou a Denominação de Origem Douro “DOC Douro”. Desde então os vinhos de mesa dessa região demarcada começaram a ganhar mais espaço. Prova disso é o crescimento de 50%, nos 3 últimos anos, na participação do DOC Douro no mercado brasileiro, com total de 948 mil garrafas comercializadas em 2007. Os produtores mais experientes no trato com o vinho de mesa já colhem bons resultados. Hoje encontramos excelentes vinhos de mesa, inclusive com avaliações muito positivas da crítica. Na esteira de sucesso trilhada por um grupo seleto de produtores, começam a ingressar os novos players, que aos poucos acertam a mão; procurando exatamente aproveitar essa boa fase do Vinho do Douro.

O evento mostrou exatamente isso, a evolução qualitativa do Douro como vinho de mesa e o desafio para a sua inserção internacional. De modo geral a qualidade dos vinhos, principalmente das safras 2004 e 2005, foi muito boa. No entanto, no quesito novidades o evento deixou um pouco a desejar. Algumas importadoras acabaram focando demais na degustação de rótulos já consagrados, que integram a linha de frente em vendas, em detrimento de lançamentos ou dos vinhos mais tops. E falando nos vinhos mais diferenciados, outro hábito não menos comum, porém igualmente reprovável: deixar a amostra garrafas caras e premiadas como se fossem troféus, apenas para visualização. Ora, se não me falha a memória, o objetivo do encontro seria “promover novidades por meio de degustações”, e não visualizações. Infelizmente a falta de respeito com o público vai além, alguns expositores quando perguntados se colocariam a degustação esses ‘vinhos troféu’ tiveram a coragem de responder, por trás de um sorriso amarelo e sem graça “talvez mais tarde, quando chegarem alguns dos nossos convidados”. Isso mesmo meu caro leitor, esse é o clássico recado “o vinho não é para o seu bico, esse é exclusivo da diretoria”. Santa paciência! Acredito que se não for para todos degustarem, melhor não levar para o evento. Muito menos expor ou colocar no programa de degustações. Bom, deixadas de lado essas querelas, vamos a melhor parte: os vinhos.

Como eu disse anteriormente os vinhos de mesa Douro – para conquistar o gosto dos consumidores – começam a adotar um estilo moderno e internacional. Isso significa dizer: vinhos muito estruturados, bouquet frutado intenso marcado por toque de carvalho e bastante álcool. Sim, quem achava que os vinhos argentinos estavam muito alcoólicos com 14% e 14,5%, precisa provar esses novos Douro; que alcançam muito facilmente os 15% e até mesmo 16% de álcool.

Outro ponto positivo do evento foi a participação de alguns produtores (proprietários e enólogos), apresentando seus rótulos. Muito dedicados, mostraram cuidado na degustação de seus vinhos, desde detalhadas explanações técnicas até a preocupação com a limpeza das taças. Nesses rol alguns nomes ainda sem representação como a Quinta das Hidrângeas do jovem enólogo Ricardo Guerra; a Quinta da Fonte Nova representada por seu proprietário e enólogo João Russo Monteiro; e a Adega Cooperativa Favaios. Além de produtores representados por suas importadoras como a Quinta da Pacheca e a Quinta Dona Leonor. No próximo post vou apresentar alguns vinhos que se destacaram nesse evento. Aguardem!

  • http://www.londrivinus.com LONDRIVINUS

    Alexandre
    Somos uma Empresa que no Brasil Representa algumas Vinicolas Portuguesa. Concordamos inteiramente com o vosso Comentario. Ainda bem que começam a surgir vozes contra o que achamos a monopolização do Vinho por parte de Grupos ou Empresas que tentam “Esconder” ao Consumidor Brasileiros os Vinhos de Qualidade por um Preço acessivel e que tambem ele tem direito a ter na sua mesa Vinhos para acompanhar as suas Refeições e não só.
    Não se conseguirá nunca introduzir uma Cultura sobre o beneficios do Vinho, quando se pretende Vender Rotulos cujo preço chega a atingir Valores absurdos, como aqueles que vemos mencionados por muitas Empresas Importadoras/Distribuidoras no Brasil. No caso concreto de Portugal existem Vinicolas com Marcas Premiadas Internacionalmente com Medalhas de Ouro e Prata, cujos seus Preços são uma décima parte daqueles que muitas vezes nunca foram Premiados, mas que numa tentativa de ludibriar o Consumidor, vendendo Gato por Lebre se tenta comercializar por Preços ABURDOS no Brasil.
    LONDRIVINUS

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  • LEDA

    Que chique! Participar de um evento assim deve ser o máximo. Não é todo dia que se pode beber vinhos do Porto com mais de 30 anos além de outras tantas preciosidades. Independente do desrespeito de alguns sovinas a degustação deve ter sido ótima!!!

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  • Thaise

    Vamos divulgar os nomes das vinículas e expor esses fiascos como se faz nos EUA. O público então que decida o que pensar disso.

  • http://www.qvinho.com.br Jomar

    Concordo com você Alexandre! Em eventos pagos, o que seria apenas uma grosseria, passa a ser quase um estelionato. Digamos que você tenha pago para ir ao evento apenas em razão de alguns vinhos – para provar o Montes Alpha M ou o Clos Apalta – chegando lá você descobre que esses vinhos não estão sendo servidos (pelo menos para você). Ok! Até aqui tudo bem! Apenas uma tremenda falta de consideração com o público. O problema é quando existe uma divulgação, isto é, determinados vinhos constam no programa de degustação e, quando você vai prova-los, descobre que não estão disponíveis. Esse é o tipo de evento fiasquento

  • Alexandre

    Acho essa prática de esconder garrafas, ou de reservá-las aos ilustres uma tremenda grosseria. Tenho observado isto desde que comecei a freqüentar degustações. Alguns servem apenas aos engravatados, outros, dependendo da cara da pessoa. E o mais grave foi ter constatado esta prática até em eventos pagos. Foi o que ocorreu no ultimo evento Mistral aqui em Brasília, onde as chilenas Montes e Casa Lapostolle serviam seus tops apenas a algumas pessoas, mantendo as garrafas escondidas. Achei muito antipática esta postura, além do que, penso que vai contra o código do consumidor pois o evento não era gratuito. Aliás, bem caro. Não entendi qual era o critério para o vinho ser ou não servido. No mesmo evento outras vinícolas trouxeram vinhos que custavam perto dos 500 reais, e os mesmos estavam disponíveis a todos.