Encontro Mistral 2008: Vinhos recomendados – Parte I

Os eventos de degustação, como o Encontro Mistral 2008, sem dúvida alguma, proporcionam aos fiéis apreciadores do vinho, sejam recém-iniciados ou veteranos, um grande aprendizado. Primeiro, pela oportunidade de experimentar lado a lado uma enorme gama de excelentes vinhos. E em segundo lugar, aproximam os produtores dos influenciadores e, principalmente, dos consumidores. Isso é ótimo já que podemos conhecer melhor como é produzido determinado vinho e questionar diretamente quem responde pelo produto. Tudo bem, não dá para a gente provar todos os vinhos do evento, muito menos fazer análises detalhadas — a proposta nem é essa — mas a interação vale muito a pena.

O Encontro Mistral 2008 conseguiu reunir vinícolas renomadas, muitas delas representadas por seus proprietários e enólogos, que apresentaram seus mais prestigiados rótulos.

Participei do terceiro dia do encontro (11/06) e gostei da qualidade do evento. Bem organizado, sem aperto ou aglomerações nas mesas de provas e, principalmente, expositores muito atenciosos. Nesse meu primeiro post selecionei uma lista com meus Top 10 (acima de R$ 100). Claro que isso está longe de representar toda a gama de vinhos que abrilhantaram o evento, entretanto já é possível ter uma idéia da dimensão dos rótulos que foram apresentados. No próximo vou relacionar outros 10 vinhos (numa faixa abaixo dos R$100), que representam ótimas compras.

Minha seleção de vinhos acima de R$100:

Badia a Coltibuono Sangioveto di Toscana 2001 IGT (R$197)

Essa milenar propriedade teve sua origem nos primórdios de 1051 e está localizada na região de Chianti. Desde 1846 está nas mãos da família Stucchi Prinetti, responsável por produzir excepcionais Chiati Clássico e Riserva. O vinho que provei foi um supertoscano 100% Sangiovese. Dispensa muitos comentários. Cor já denotando uma certa evolução, nariz marcado por notas complexas, bem estruturado e harmônico na boca. Seja para acompanhar uma boa refeição ou beber solo, não importa, o Sangioveto é um legítimo puro sangue supertoscano.

Domaine Baumard Savennières Clos du Papillon 2005 (R$115)

Na seleção de vinhos apresentada pelo enólogo Florent Baumard fica difícil eleger apenas um como o melhor. No Loire a renomada Domaine Baumard faz verdadeiras obras-primas com a Chenin Blanc. Nem sempre são vinhos fáceis de apreciar quando jovens, mas nem por isso deixam de encantar. O Clos du Papillon é um delicioso e elegante Savennières; ainda muito jovem com ótima estrutura e o típico caráter mineral que já mostra toda a sua estirpe.

Barolo Vietti Castiglione 2004 (R$230)

Desde que visitei essa região da Langhe os Baroli e Barbareschi figuram na minha lista de favoritos. O Castiglione é um clássico, quem está acostumado com o estilo moderninho pode se assustar. Bouquet fino e discreto (pelo menos nesse momento) lembrando ameixa e rosas; taninos firmes, final longo e muito seco. Como todo bom Barolo pode aguardar na garrafa mais alguns anos. Provei também o Barbera Scarrone 2005 (R$142) que não decepcionou, fez jus a tradição da Vietti com a Barbera.

Lavradores de Feitoria Meruge 2003 (R$110)

Ao contrário do vinho anterior o Meruge tem uma pegada mais moderna. Provei essa mesma safra no evento do Douro em abril e fiquei com uma ótima impressão. Bouquet intenso e cheio de fruta, marcado por notas ligeiramente especiadas e adocicadas do carvalho. Na boca mostra-se equilibrado e pronto para o consumo. Taninos redondos e um final delicioso!

Prats & Symington Chryseia 2005 (R$295)

Elegância é a palavra para descrever o Chryseia 2005. O vinho é produzido numa parceria da Família Symington e Bruno Prats, do Château Cos d´Estournel. Nariz complexo, taninos superfinos e muito equilibrado na boca, o Chryseia consegue mostrar que é um grande vinho hoje. Show de bola! Outro rótulo deles que eu recomendo é o Post-Scriptum 2005 (R$94), além de ser mais barato (quando comparado ao primeiro vinho), também é muito gostoso.

Dr Bürklin-Wolf Jesuitengarten Riesling 2003 (R$244,33)

O nome é duro de engolir, porém o vinho… uma preciosidade! Querosene puro! Essas clássicas notas minerais desse ótimo Riesling alemão fazem a alegria de muitos enófilos. Eu particularmente adoro, no entanto, se você acha estranho, melhor passar longe do Jesuitengarten Riesling (esses nomes alemães… parecem até um palavrão!).

Casa Lapostole Clos Apalta 2004 (R$279)

Outra belezura! A vontade é de colocar o vinho em um decanter e curtir aos poucos cada taça. O Clos Apalta da Casa Lapostole é um corte que leva Carménère, Merlot e Cabernet Sauvignon do vinhedo Apalta no Vale de Colchagua. Segundo Andrea Iriarte, enóloga da casa, o vinho estagia 18 meses no carvalho. Cor rubi muito profunda com halo violáceo. Perfume de boa intensidade exalando notas de grãos de café, cacau, cassis e figo. Encorpado, taninos de ótima qualidade e um final longo. Na safra de 2005 a Petit Verdot foi incluída no assemblage.

Montes Alpha M 2004 (R$300)

Sou fã do Montes Alpha Cabernet Sauvignon, mas ainda não tinha provado o “M”. Realmente é um espetáculo de vinho. Produzido com uvas de Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Petit Verdot e Merlot dos vinhedos de Apalta, no Vale de Colchagua, o Montes Alpha M passou 18 meses em barricas novas de carvalho francês. Notas intensas e vibrantes de frutas negras, mentol, café e leve tabaco; na boca é bem acessível principalmente para um vinho dessa categoria. Intensidade de fruta típica do Novo Mundo com a elegância de um bom Bordeaux. Porém, para um vinho sul-americano o preço é de assustar!

M. Chapoutier Chateauneuf du Pape La Bernardine 2005 (R$165)

Ano passado comentamos aqui no blog o La Bernardine 2003; um vinho muito bom, mas que não chegou a empolgar. O 2005, entretanto, estava uma delícia! Deve agüentar bem mais alguns anos. Quem tiver mais bala na agulha e quiser provar o La Sizeranne (R$328), recomendo a ótima safra de 2005. No evento provei o 2004, que não foi uma grande safra e já estava muito interessante.

Luigi D`Alessandro Il Bosco Syrah 2004 (R$165)

Quase no final do evento conheci os vinhos da Luigi D´Alessandro apresentados pela Paola Antonaci. Não tinha como deixar esse vinho de fora da lista dos Top 10. Mesmo com o paladar e olfato já cansados pude apreciar a magnitude desse Syrah da Toscana. Tudo bem que nessa altura do campeonato não dava para fazer anotações pormenorizadas, mas posso garantir aos fãs da Syrah que não vão se arrepender de provar o Il Bosco Syrah.

Melhor esperar:

A conversa que tive com o Cristiano Van Zeller da Quinta de Roriz e Quinta do Vale D. Maria vai de encontro a uma tendência muito em voga: produzir vinhos mais acessíveis e fáceis de beber, isto é, com taninos macios e aromas envolventes logo na sua juventude. E, quem acha que isso é restrito a vinhos mais baratos do Novo Mundo está redondamente enganado.

Grandes vinhos europeus, como alguns renomados bordeaux da recente safra 2005, seguem essa tendência: Ch. Margaux, Haut-Brion, Cos d´Estournel, Léoville Las Cases são bons exemplos. De Portugal, provei e comprovei com o Chryseia 2005, Luis Pato Vinhas Velhas 2005 e Quinta do Vale Meão 2005. Esses vinhos não são apenas promessas, eles já estão excepcionais hoje.

Entretanto, em meio a toda essa revolução, alguns vinhos que provei mostraram-se mais inclinados ao estilo tradicional. Foi o caso do Faiveley Gevrey Chambertin Les Marchais 2005 (R$197) e do Pintia 2004 (R$207); dois grandes vinhos, mas que nesse momento apresentam-se austeros e agressivos na boca. Vão ganhar muito com alguns anos na adega. A surpresa foi o Vietti Dolcetto d´Alba Trevigne 2006 (R$65). Geralmente o Dolcetto é um vinho fácil, para ser bebido jovem, no entanto esse Trevigne 2006 vai precisar de um pouco mais de tempo na garrafa; pelo menos se você não quiser ter a sensação de estar com um caqui verde na boca.

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  • http://www.qvinho.com.br Jackson

    Tem razão Alexandre, esse preço está meio fora. Não encontrei referências atuais no catálogo da Mistral (acho que ele nem estava listado), o preço do Montes M nos USA é US$95, e fica um pouco acima do Clos Apalta ($70). De qualquer forma vou corrigir para a casa dos R$300. Valeu!

  • Alexandre

    Não entendi o preço do Montes M. É este mesmo? Até o catálogo passado ele custava um pouco menos que o Clos Apalta, por volta de R$300!

  • kenya

    queria elogiar o layout do site,
    muito lindo!

    e o tema abordado é bem interessante.
    meu primeiro projeto de metodologia foi sobre o design gastronômico.

    não tive muito sucesso, muita pouca informação.

    mas parabéns! desejo muito sucesso nesse ramo ;D

  • http://abcvinho.com.br Jonas

    Este evento é o mais esperado!