Impressões da Expovinis 2009

Marcamos presença na Expovinis 2009, mesmo que apressadamente, afinal comparecemos apenas por uma tarde no primeiro dia. Isso não quer dizer que ficamos alheios a feira, muito pelo contrário, conversamos com alguns produtores e provamos vários vinhos. A Expovinis, assim como outras feiras, é muito focada no relacionamento comercial, não simplesmente em divulgação. Ok! Eu sei, essa é a razão primordial para algumas empresas estarem lá, o problema é que essa postura dificulta o trabalho dos críticos. Estava credenciado como imprensa, mesmo assim tive que implorar para alguém me servir um vinho no Espaço da França. Fiquei assustado com tamanha má vontade, certamente não estavam preocupados com divulgação. Provei apenas os vinhos da alsaciana Les Faîtières, que não impressionaram. Outra dificuldade, achar onde cuspir o vinho, muitos expositores sequer tiveram esse tipo de preocupação, denunciando um clima de “happy hour com clientes.” Foi nesse ambiente que tentei garimpar algumas novidades para apresentar aos nossos leitores.

Alguns dos melhores estandes da feira, pelo menos para os apreciadores de bons vinhos, eram os menos visitados. Na representação da AEP conhecemos a Quinta do Pinto, que produz bons vinhos na DOC de Alenquer (Região de Lisboa). Essa área é mais conhecida internacionalmente pelos já famosos vinhos da Chocapalha; aqui no Qvinho já escrevemos sobre essa região ao avaliarmos os vinhos da Quinta da Cortezia. Raquel Moreira dos Santos, enóloga da Quinta do Pinto, apresentou os rótulos da empresa. Provamos o ótimo Vinhas do Lasso Arinto-Viognier (€7,5), na realidade um corte de Arinto (50%), Viognier (25%), Marsanne e Rousanne (25%); muito fresco e frutado. Além desse corte, o Vinhas do Lasso Viognier-Chardonnay (€7,5) também surpreendeu, intenso e perfumado, porém mais redondo que a versão com Arinto. Já o Quinta do Pinto Touriga Nacional 2003 (€15) mostrou classe, com boa fruta e complexidade. A Quinta do Pinto ainda não possui importação no Brasil.

Para os fãs dos vinhos argentinos recomendamos a Finca Lugilde Goulart, intensos e cheios de fruta, no melhor estilo de Mendoza. Conhecemos a Érika Goulart no estande da Costazzurra, proprietária da bodega, que curiosamente é brasileira. Érika herdou um vinhedo plantado em 1915 em Luján de Cuyo (leia a história). O Paris Malbec Classico (R$25) é gostoso e bem feito. O Goulart Reserva Malbec (R$40) é um belo vinho na sua faixa de preço, frutado e com muitas notas florais. O vinho top da bodega é Grand Vin Goulart (R$140), denso e profundo, entre os grandes vinhos feitos de Malbec. A surpresa fica por conta dos preços, afinal os vinhos Goulart competem tranquilamente com marcas famosas de Mendoza, mas são bem mais acessíveis.

Do Brasil só tive tempo para uma rápida parada no estande da Lídio Carraro. Provei o lançamento Dádivas 2008, um bom Chardonnay, aromático e agradável na boca. Além desse Chardonnay, gostei também do Elos Cabermet Sauvignon-Malbec e do Quorum.

Voltando para Portugal, degustei excelentes vinhos da Ilha da Madeira. No balcão da Blandy’s provei deliciosos Vintages de Sercial, Bual e Malvasia; coisa finíssima. Da Justino’s pude comprovar a qualidade de seus vinhos 10 anos; o Boal e Malvasia são imbatíveis na sua faixa de preço (em torno de R$ 140).

Encerramos a nossa incursão na Expovinis por volta das 18h30, nessa altura da feira já era difícil degustar com calma, devido a aglomeração de pessoas e vinhos servidos em temperaturas incorretas. Numa rápida passagem pela área dedicada a exposição de cachaças e charutos, a Epicure como é chamada, tivemos a impressão de transitar por meio de um camelódromo. Decadência é a palavra para resumir o que vimos na Epicure 2009. Muita barraquinha vendendo produtos para restaurantes e lojas, mas nada que realmente se destacasse.

  • Rodrigo Almeida

    Não tenho muito conhecimento, como vcs, mas por falar no Dadivas, provei-o por meio da minha confraria e a impressão foi a melhor possível, tanto dele como o Quorum, que aduirimos a preços convidativos, em torno dos R$ 35,00 e antes de serem lançados oficialmente ao mercado. Foi o melhor vinho Chardonnay que já tomei, embora repito, minha experiência não é tão longa.