João Portugal Ramos: um ícone do vinho português

Quinta-feira (16/04/2009) participamos, a convite da importadora Porto a Porto, de uma degustação conduzida por João Portugal Ramos. Foi uma experiência incrível conhecer um dos maiores nomes do vinho português, um produtor de enorme talento e responsável por grandes progressos. O nome de João Portugal Ramos está intimamente ligado ao nascimento da região do Alentejo como berço de vinhos de qualidade. Antes dele, os vinhos alentejanos eram simples, desprestigiados em Portugal e desconhecidos no mundo. Hoje isso é bem diferente, os vinhos do Alentejo gozam de uma ótima reputação e são muito bem aceitos mundo afora.

João Portugal Ramos começou no início da década de 80 como enólogo em uma cooperativa, logo começou a ter reconhecimento, recebendo convites para trabalhar em outras empresas. Em alguns anos já prestava consultoria para várias cooperativas no Alentejo, sendo cada vez mais requisitado para esse tipo de trabalho. Em 1990 começou a sua própria vinícola, plantando 10 hectares de vinhas. Hoje, são 300 hectares de vinhas, entre terras próprias e vinhedos arrendados.

João é um inovador, responsável por significativas mudanças no setor vitícola do seu país. Sua empresa é responsável por uma produção elevada de vinhos, porém focada em qualidade e tipicidade. Sorte nossa, pois assim conseguimos apreciar bons vinhos a preço justo. É impressionante a quantidade de castas com as quais João trabalha e, ainda mais notório, a diversidade de experimentações feitas no vinhedo e na cantina.

Os vinhos de João Portugal Ramos são a pura expressão do Alentejo, cheios de caráter, macios e com boa fruta. Devido a essas características, frequentemente associamos os alentejanos aos vinhos do Novo Mundo.

Acredito muito no potencial do Alentejo em ganhar o mundo, assim como os chilenos e, mais recentemente os argentinos conseguiram. A razão é simples: vinho fácil de gostar e a bom preço (pelo menos por enquanto).

Marquês de Borba Branco 2007 – R$50

Branco produzido a partir das uvas Arinto, Rabo de Ovelha e Roupeiro. Fermentado em cubas de aço inox, sem passagem pela madeira, apresenta frescor e boa intensidade. Aroma agradável, leve sugestão cítrica e notas de especiarias doces e mineral. Na boca tem um bom volume, talvez deixe a desejar em acidez, mesmo assim consegue apresentar um conjunto harmonioso.

Marquês de Borba Tinto 2007 – R$50

Um curioso corte de Aragonês, Trincadeira, Syrah, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon e Merlot; na realidade, nada surpreendente, uma vez que todas essas uvas desempenham bem no Alentejo. O legal desse vinho é que o João Portugal Ramos matura apena uma parte do vinho em barricas de carvalho (de segundo uso), a outra fica em cubas de inox. Depois, acompanha a evolução para mesclar as duas parte e obter um resultado harmonioso. O vinho final é bem equilibrado sem interferência do carvalho. Aroma de frutas negras, notas de chocolate e doce de leite. Na boca é redondo e equilibrado, mas sem perder o frescor. Um ótimo tinto na sua faixa de preço.

Vila Santa Trincadeira 2006 – R$84

Vinho monovarietal feito com uma das mais emblemáticas uvas de autóctones de Portugal, a Trincadeira (conhecida no Douro por Tinta Amarela). Uva exigente e de difícil cultivo, é pouco conhecida, mesmo no seu país de origem. O Vila Santa que provamos, apesar de ser de uma safra difícil, mostrou muitas das qualidades típicas da Trincadeira. O aroma não é particularmente frutado, mas sim de ervas e cheiros do bosque. Bom corpo e vigoroso, sem perder a classe.

Vila Santa Tinto 2005 – R$92

O melhor vinho do dia, não que seja superior ao Marquês de Borba Reserva 2004, porém mostrou-se delicioso nessa ocasião. Um corte de Aragonês, Touriga Nacional, Trincadeira, Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon. Aroma de ótima intensidade; sugestão de frutas negras maduras, toques de chocolate e um fundo mineral. Fantástico na boca, redondo e suculento. Um vinho encantador, fresco e harmonioso.

Marquês de Borba Reserva 2004 – R$220

O vinho mais caro de João Portugal Ramos é cheio de personalidade, potente e complexo. Um corte de Trincadeira, Aragonêz, Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon; provenientes das melhores parcelas escolhidas por João. Vinho produzido somente nas melhores safras com vinhas de baixo rendimento, muito rico em cor, sem nenhum traço de evolução. Aroma intenso de frutas negras, especiarias e um carvalho tostado muito bem dosado. Encorpado e suculento, graças aos taninos de excelente qualidade. Ótimo final, longo e sedutor. O Marquês de Borba Reserva é sofisticado, um vinho que está perfeito agora, mesmo assim pode envelhecer por muitos anos e sempre surpreender.

  • maria eugenia rocha

    Da vinícula de João Portugual Ramos tive o prazer de degustar um bom Trincadeira 2004, vindima 22/09/2004, cujo aroma de ameixa e baunilha, me deixou extasiada! Um bom salmão assado no forno e um Brie foi um o acompanhamento ideal! Saúde!!!

  • odalsi de almeida virgilio

    caro joão estive em sua quinta a alguns anos atras em companhia de meu filho e esposa infelismente dissera-me que esta no japao degustei os seus vinhos e sinceramente o marques de borba é um vinho extraordinario temos uma confraria de amigos que degustam vinhos toda a semana, mas não encontro os seus vinhos,moro em campo grande, ms gostaria de saber onde os encontrar.CAMPO GRANDE MS

  • helena

    eu adoroo vinhoo,degustoo td diaa

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  • http://www.qvinho.com.br Jackson

    João Portugal além ser um enólogo altamente capacitado é um cara de muita visão de mercado. Numa breve conversa com o João percebe-se o afinado faro para os negócios, sempre preocupado em conhecer melhor os anseios dos consumidores de cada mercado onde estão presentes seus produtos. Não por acaso seus vinhos são muito bem recebidos desde degustadores iniciantes até os mais experientes.

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