• Semana passada compareci ao almoço com Michael Potts, enólogo da vinícola australiana Bleasdale. O encontro foi promovido pela importadora Porto a Porto, com o objetivo de apresentar os vinhos da Bleasdale para a imprensa especializada. Um menu foi preparado pela chefe Daniela Caldeira Prosdócimo especialmente para essa ocasião, com uma seqüência de iguarias e pratos para cada vinho servido. Assim como o Encontro Mistral, esse evento também foi transmitido online via Twitter, um recurso que sempre empregaremos daqui para frente. Todos os twiits de enoeventos podem ser consultados no Twitter Memes. A Bleasdale foi fundada por Frank Potts, colono inglês que aportou em terras australianas em 1836. Em 4 de abril de 1850, Potts adquiriu 120 acres de terra em Langhorne Creek por 1 dólar o acre, sendo que os primeiros 30 acres de terra foram plantados com Shiraz e Verdelho. Assim começou a tradição de 5 gerações da família Potts na produção de vinhos. (na foto: Jackson Brustolin e Michael Potts)
    Jackson Brustolin - editor do QVinho e Michael Potts - enólogo da Bleasdale

    Michael Potts é uma pessoa bastante acessível, falou com simplicidade de seus vinhos, porém trazendo informações válidas sobre o processo produtivo. Potts não é adepto da maturação excessiva e do abuso do carvalho, justifica “procuro manter um bom equilíbrio entre potência e elegância”. Os vinhos da Bleasdale possuem características típicas de Langhorne Creek, como os taninos supermacios, a fruta intensa e certas notas mentoladas.

    Bleasdale Chardonnay 2005 (R$59)

    Os australianos costumam produzir um chardonnay muito concentrado, com pouca acidez e geralmente fermentado em barricas americanas. O Bleasdale Chardonnay foge um pouco desse esquema, uma vez que é parcialmente fermentado em carvalho francês (30%), com posterior fermentação malolática e repouso de 4 meses sur lier. Depois é misturado com a outra parte que não passou pelo carvalho, como resultado, temos um vinho com acidez mais fresca e notas agradáveis da madeira. Aroma de frutas tropicais e toques de baunilha. Corpo médio, um pouco alcoólico, felizmente tem uma acidez que ajuda na sensação de frescor. Final muito bom.

    Bleasdale Shiraz / Cabernet Sauvignon 2003 (R$62)

    A mistura de Shiraz e Cabernet Sauvignon é comum na Austrália. O resultado é interessante, pois os aromas doces da Shiraz ficam mais sutis. Nariz revelando frutas negras, toques de eucalipto e carvalho tostado. Redondo e macio, pronto para o consumo.

    Bleasdale Petrel Reserve Shiraz 2001 (R$97)

    Esse Shiraz é bem típico da Austrália, para quem ainda não conhece o estilo aussie, recomendo este vinho. Tem boa complexidade, encorpado e com taninos finos. Aromas agradáveis de frutas negras, couro, ervas secas e chocolate. Tem toda aquela volúpia que fez a fama dos Shiraz australianos.

    Bleasdale Frank Potts 2004 (R$98)

    O Frank Potts 2004 é um corte de Cabernet Sauvignon (67%), Malbec (18%) e Petit Verdot (15%). A inspiração bordalesa para essa mistura de uvas não foi em vão, uma vez que o Frank Potts tem estilo ligeiramente diferente dos outros vinhos da Bleasdale. Aqui a fruta assemelha-se mais ao cassis, além de ter uma paleta aromática mais sutil e com uma certa complexidade. Muito agradável e fino.

    Bleasdale Generations Shiraz 2000 (R$144)

    O vinho top da Bleasdale. O Generations é produzido a partir de uma parcela de velha vinhas de Shiraz de mais de 85 anos. Aromas intensos de fruta em compota, couro, chocolate e notas terrosas. Tem uma complexidade bem interessante, um vinho encorpado com excelente concentração e pronto para ser consumido.

    Esse artigo foi publicado em 23 de junho de 2008 às 8:59 am e arquivado em Enoeventos. Você pode acompanhar todos os comentários por meio do feed RSS. É possível comentar, ou fazer um trackback do seu próprio site.
  • 2 Comentários

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    1. [...] é acompanhar com um bom tinto, de preferência com boa acidez. Nas últimas vezes provei com um Bleasdale Shiraz-Cabernet Sauvignon (R$62), e um Montes Alpha Syrah 2005 (R$65); combinações pra lá de deliciosas. Esse artigo foi [...]

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