Os vinhos da Wakefield

O último dia 17 de outubro, o Armazém Santo Antônio, em Curitiba, foi palco de uma descontraída e agradável apresentação dos vinhos da Wakefield, uma das mais prestigiadas vinícolas australianas. E nada melhor para contar a história dessa vinícola, que a presença de um dos membros da família. Justin Taylor, que ingressou em 1995 nos negócios da família, e atualmente é responsável pelos mercados dos EUA e Canadá, apresentou alguns dos rótulos e contou como nasceu o projeto dessa vinícola fundada por seu avô.

Justin Taylor, Ari e Pedro Corrêa

Originalmente a familia Taylor era reconhecida em Sidney pela sua forte atuação no segmento hoteleiro e na distribuição dos vinhos de Bordeaux. Porém, nos anos 60, Bill Taylor, inspirado nos vinhos do Medoc, em especial pelo Chateau Mouton Rothschild, chegou a conclusão que seria possível produzir um Cabernet Sauvignon premium na Australia. Para concretizar esse sonho, em 1969, Bill convenceu seu pai a investir na compra de uma propriedade de 178 Ha em Auburn, cerca de 120km ao norte de Adelaide, em Clare Valley, considerada uma das mais belas regiões vitivinícolas da Austrália. A propriedade da Wakefield está localizada no extremo sul do Vale, numa altitude de 350 Mts do nível do mar, onde as temperaturas podem variar de 40º C durante o dia até 5º C à noite. O regime de chuvas também ajuda a tornar o Clare Valley numa das regiões produtoras da Austrália com o clima mais fresco. Não por acaso, a região ganhou reputação internacional pelos excelentes resultados com seus Chardonnay e Riesling.

Chardonnay Wakefield

Um Chardonnay encorpado e cremoso, mas sem deixar de lado o frescor.

O evento começou com a degustação do delicioso e fresco Wakefield St. Andrews Chardonnay 2008. Um aroma frutado, lembrando pêssegos, damasco, abacaxi e um leve tostado do carvalho. Na boca tem ótima estrutura, cremosidade e acidez na medida certa, num conjunto de excelente harmonia. Fantástico! O St. Andrews tem tudo o que você pode esperar de um bom Chardonnay. Na linha entry level provamos um dos carro-chefe da vinícola, o Promisse Land Shiraz/Cabenet Sauvignon 2007 (R$46). Um vinho bem ao estilo Novo Mundo. Aroma intenso e doce, frutas negras supermaduras, baunilha e licor. Na boca é redondão, meio gorducho, final alcoólico e doce. Também numa linha intermediária, o Wakefield Estate Cabernet Sauvignon 2008 (R$56). Nariz frutado, remetendo a cassis e cerejas, e um toque mentolado. Encorpado, caloroso, com taninos macios e um final longo e frutado. Para encerrar, mais um rótulo da linha premium, o Wakefield St. Andrews Cabernet Sauvignon 2004 (R$170), um vinho de grande complexidade e elegância. Bouquet delicioso, lembrando framboesas, cassis, especiarias e cedro. Ótima concentração, marcado por taninos superfinos e redondos. Um vinho bem equilibrado, excepcional para se beber hoje. Nenhum Riesling participou dessa degustação, mas fiquei curioso em provar, quem sabe em futuras degustações podemos conhecer esse e outros rótulos da vinícola.

Wakefield Cabernet Sauvignon

Complexidade e elegância num belo exemplar de Cabernet Australiano

Não precisa nem dizer que com o sucesso do projeto vinícola, a familia se desfez dos negócios no ramo da hotelaria e focou no vinho. Hoje, a Wakefield possui uma propriedade de 750 Ha, sendo 415 Ha de vinhedos. Uma curiosidade, os três cavalos marinhos encontrados nos rótulos dos vinhos são uma referência aos fósseis de pequenos cavalos-marinhos encontrados durante as escavações na área dos vinhedos, o que prova que essa “Terra Rossa” um dia já foi mar.

* Os vinhos da Wakefield são importados pela Porto a Porto / Casa Flora.