Quinta da Cortezia: Vinho de classe feito na Estremadura

Você já ouviu falar da Estremadura? Esse nome não tem muita significância para o apreciador de vinho brasileiro e, para os lusitanos, freqüentemente denota produção vinícola de larga escala. A rigor é a província conhecida por abarcar o distrito de Lisboa, mas também é uma região histórica de longo vínculo com as videiras. Seu nome deriva do termo em latin Extrema Durii, empregado durante a época da Reconquista Cristã (século VIII) para designar as terras fronteiriças as zonas mouras. Foi durante a Reconquista que a cultura da vinha ganhou força, servindo de ganha-pão para muitas famílias, porém a conturbada evolução histórica da região não permitiu muitos avanços. Com 90% da produção voltada a exportação, a Estremadura, até pouco tempo era o “patinho feio”, comparada ao Douro e Alentejo, mas felizmente isso vem mudando. Hoje podemos encontrar excelentes vinhos vindos dessa região e, o melhor de tudo, muitas vezes a preços mais convidativos do que de outras partes de Portugal.

Provar excelentes vinhos a qualquer preço é fácil, difícil é achar bons vinhos a preços acessíveis. Tudo bem, não sou um pedante, sei que vinho no Brasil é caro de qualquer jeito, mesmo assim alguns podem doer menos no bolso. Esses são sempre os melhores. Por isso fiquei bastante satisfeito em conhecer os vinhos da Quinta da Cortezia, provados em recente wine dinner para promover este produtor. O jantar realizado em Curitiba no restaurante Villa Marcolini, contou com a presença do enólogo Miguel Reis Catarino.

Clique aqui para ver a cobertura online feita via Twitter

A Quinta da Cortezia é uma vinícola familiar localizada no concelho de Alenquer, a apenas 50km de Lisboa. Possui 66 ha de vinhas, predominando a Touriga Nacional e a Tinta Roriz entre as tintas; Arinto e Fernão Pires entre as brancas.

Miguel, que além de enólogo também é proprietário, é um entusiasta das castas autóctones portuguesas, por isso resolveu apostar na Touriga Nacional para o seu melhor vinho. Sua experiência adquirida no exterior (cursou enologia em Montpellier, na França) foi fundamental para implementar técnicas modernas de viticultura e explorar todo o potencial da sua região. Como viticultor hábil, Miguel defende a valorização do terroir:

A Estremadura tem um uma diversidade enorme de terroir, e cada quinta impõe seu estilo. Os terrenos da Quinta da Cortezia, por exemplo, são bastante sinuosos e sofrem influência marítima (assim como em Bordeaux). Essa combinação é típica dos grandes vinhedos, mas por outro lado essas plantas demandam muito mais atenção. O resultado é que temos um vinho diferente a cada safra.

Devido a essa preocupação em valorizar as características do vinhedo, Miguel também procura produzir o vinho com o mínimo de intervenção, uma prática pouco em voga nos tempos atuais:

Prefiro contar com a ajuda de São Pedro. É bem mais barato que empregar a moderna tecnologia que os enólogos dispõem atualmente. Os melhores vinhos que fiz, foram aqueles que me deram menos trabalho.

Apesar da aparente simplicidade e simpatia, Miguel Reis Catarino é um competente enólogo, com experiência profissional em quase todas regiões de Portugal, uma vez que também desempenha o papel de consultor para outras vinícolas. Miguel fala com fluência da forma como produz seus vinhos, revela detalhes preciosos, como o corte de uvas provenientes de diferentes parcelas do vinhedo — misturando as características do relevo — e o uso misto de barricas (1/3 são novas, 1/3 de segundo uso e 1/3 de terceiro uso).

Os vinhos da Quinta da Cortezia são clássicos, não possuem aquela abordagem imediata dos vinhos modernos. São talhados para fazer bonito a mesa, não nesses painéis de avaliação mirabolantes que comparam dezenas de vinhos ao mesmo tempo. O grande mérito dos vinhos da Quinta da Cortezia é aliar boa fruta com um perfeito equilíbrio entre acidez e álcool.

Quinta da Cortezia Touriga Nacional Rosé – R$43

Um Touriga Nacional de maceração curta e cor vermelha. Aroma intenso de morangos e framboesas. Boa estrutura, acima da média para um vinho rosé, porém o frescor é garantindo por um final seco e com considerável presença alcoólica. Rosé muito interessante, preciso provar com outros pratos para testar a sua versatilidade.

Quinta da Cortezia Reserva 2004 – R$46

Corte de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Merlot. O Reserva é um tinto elegante e com boa complexidade. Aroma sutil de frutas negras e notas de especiarias. Final gostoso e com boa persistência.

Quinta da Cortezia Touriga Nacional 2004 – R$50

Esse Touriga Nacional impressiona. Um vinho delicioso e de personalidade bem definida. Aroma de boa intensidade de ameixas pretas e cassis, além de nuances de chocolate e mineral. Bom corpo, taninos de excelente qualidade e acidez viva. Final muito agradável e persistente.

Os vinhos da Quinta da Cortezia são importados pela Porto a Porto / Casa Flora

  • Pingback: Impressões da Expovinis 2009

  • http://www.qvinho.com.br Jomar

    Paulo, o Vinha Conchas pode ser encontrado por R$34.

  • Paulo.Cuiabá

    Olá, tenho em mãos o vinho “Vinha Conchas” que é da Quinta da Cortezia safra de 2004, é bastante bom e o coloco na minha classificação particular ” a vida é muito curta para se tomar vinho ruim” (ainda escrevo um manual de degustação com essa premissa….).
    Poderia informar o preço desse vinho ?

    Feliz Natal e bns vinhos a todos
    Paulo.Cuiabá

  • Pingback: Vinho Quinta da Cortezia Touriga Nacional 2004

  • Pingback: 29/07/2008 - Vinho de classe feito na Estremadura | Casa Flora

  • http://www.qvinho.com.br Jackson

    Olá Karina, fico feliz que você tenha gostado do blog. Continue participando das nossas discussões. Ainda não provei o Quinta de Cabriz, mas vou seguir o seu conselho e provar esse Touriga. Abraço!

  • Karina

    Em minha primeira visita a este blog,confesso que estou encantada!
    Excelente dica sobre os vinhos Quinta da Cortezia, recentemente degustei o Quinta de Cabriz também de Touriga Nacional e achei perfeito.
    Agora que conheci o blog, serei freqüentadora assídua!

    Abraço, Karina

  • Sophia do Carmo Moraes

    Muito interessante o artigo sobre a Quinta da Cortezia, muito bom conhecer!! Li hoje um artigo também muito interessante sobre o renascimento de vinícolas na região de Île de France, neste link:
    http://www.opiniaoenoticia.com.br/interna.php?id=17798

    Bons tempos e bons vinhos!

    Sophia.