Vinhos Verdes – evento 2009

Atualmente podemos observar um crescente esforço para a divulgação dos vinhos portugueses no Brasil. É digno de nota o bom trabalho de instituições como ViniPortugal, IVDP e CVRVV; na organização de eventos e na divulgação dos vinhos de determinada região. Construir uma sólida “imagem de marca” não é tarefa fácil, porém os portugueses estão no caminho certo, mostrando produtos de qualidade, amparados por um marketing adequado, porém ainda dirigido apenas ao trade. Não basta ter bons vinhos, é fundamental que os consumidores aprendam a reconhece-los, um processo que leva tempo. É verdade que quase não existe propaganda de vinho para o consumidor final, um terreno selvagem, ainda pouquíssimo explorado. Nos Estados Unidos e Austrália já é comum grandes vinícolas contratarem agências de propaganda de renome e investirem pesado para atingir o consumidor final. Recomendo a leitura do artigo Wine Advertising, um relato sério sobre a importância da comunicação de massa para o mercado de vinhos. Esse blá blá blá sobre marketing, apesar de não ser do interesse de muitos leitores do QVinho, é necessário para explicar o desconhecimento por parte dos consumidores, mesmo com a imensa vocação do Vinho Verde para fazer sucesso em terras tupiniquim.

Vinhos Verdes

O evento promovido pela CVRVV em Curitiba aconteceu no dia 5 de novembro no Hotel Radisson e contou com explanações de Bruno Almeida, enólogo da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes, e Didu Russo, jornalista e crítico de vinhos. O público presente foi apresentado a região dos Vinhos Verdes, com suas castas típicas, microrregiões definidas e as normas de designação. Durante a apresentação foram servidos alguns rótulos de diferentes produtores – e de diferentes castas e microrregiões – para que os convidados pudessem perceber as variações de estilos dos Vinhos Verdes. São leves, geralmente com menos álcool que a maioria dos vinhos atuais, muito frescos e com uma perfil aromático que costuma lembrar frutas cítricas e amêndoas. Para fazer justiça, precisaríamos escrever uma série de posts para explicarmos minuciosamente o que é um Vinho Verde, embora isso nem seja necessário. Não precisamos repetir todas as informações que já constam no site do Vinho Verde. Leitura obrigatória! Pelo menos para quem gosta de bons vinhos brancos.

Ao final da palestra teve início uma minifeira, com produtores servindo vinhos para os convidados provarem. Alguns vinhos ainda não possuem importação no Brasil, mas vamos torcer para que logo cheguem as nossas prateleiras.

Ponte da Barca Grande Escolha 2008

Produzido pela Cooperativa da Ponte da Barca na sub-região do Lima, feito a partir das castas Loureiro, Trajadura e Arinto. Típico Vinho Verde, com pouco álcool (10%) e a clássica presença de gás carbônico. Aroma de boa intensidade lembrando frutas cítricas. Simples e direto, porém refrescante e convincente.

Quinta da Aveleda 2008

A Quinta da Aveleda é um dos nomes mais conhecidos quando o assunto é Vinho Verde, famosa pelo seu vinho de entrada, o Casal Garcia. O Quinta da Aveleda é um corte de Loureiro, Trajadura e Alvarinho, que prima pelo bom equilíbrio. Não é dos Vinhos Verdes com nariz mais intenso, embora entregue aromas delicados de toranja e notas florais.

Importadora: Interfood

Quinta de Linhares Colheita Seleccionada 2008

Esse vinho foi um dos destaques da degustação, exibindo as típicas qualidades dos Vinhos Verdes. Um corte de Loureiro, Trajadura e Avesso, produzido na sub-região de Sousa. Aromas muito agradáveis de maçã-verde, reforçadas por notas cítricas e minerais. Super equilibrado e refrescante.

Quinta de Gomariz Colheita Seleccionada 2008

Este produtor vem ganhando destaque com seu vinhos frutados de estilo mais moderno e exuberante. Feito apenas com Loureiro, mostrando toda a intensidade dessa casta. Nariz surpreendentemente exótico, com muitas frutas tropicais, notas cítricas e herbáceas. Evoluiu bem no copo, mostrando complexidade. Na boca é superfresco e equilibrado. Chega a lembrar um Sauvignon Blanc, só que menos robusto.

Importadora: Decanter

Portal do Fidalgo Alvarinho 2006

Vinho top da Provam, que também faz o ótimo Varanda do Conde. Um Alvarinho para não decepcionar os fãs da casta, já com uma certa evolução, porém muito vivo e refinado. Aroma sutil de frutas brancas, flores e toques minerais. O Portal do Fidalgo é um vinho delicado, apesar de ter bom corpo e álcool acima da média (13,2) para os Vinhos Verdes.

Importadora: Porto a Porto / Casa Flora

Dona Paterna Alvarinho 2008

O ponto alto da prova, um Alvarinho classudo e delicioso capaz de prender a atenção, mas não pela intensidade, mas sim pela complexidade e elegância. Nariz muito sedutor, com aromas de frutas tropicais diversas, notas florais e de amêndoas torradas. O mais encorpado, com boa untuosidade e final de boca longo. Um belo Alvarinho!

  • Damião

    Boa Noite!!! Então sou novo no Ramo de Vinhos Estou estudando vinhos há 5 meses e um vinho verde q eu aprovei ele 100% é o Alvarinho Portal do Filgo 2008 , é um vinho bem elegante Boa Acidez , baixo teor alcoolico Muito Fresco é um q eu recomendo á provarem.

  • Manuel Oliveira

    É muito bom sinal a divulgação séria do Vinho verde, pois penso que a maioria dos consumidores e muita gente ligada ao vinho ainda não entendeu que este vinho é bem diferenciado, único e adequado a climas mais quentes e que acompanha bem com frutos do mar….é leve, deve ser servido bem fresco, baixo teor alcoólico,etc. Com todas estas características, fácilmente se imagina que poderá ser um dos vinhos de maior sucesso em todo o Brasil.

  • Jorge Mendonça

    Excelente. É muito bom ter estas boas noticias. Um produto unico como o vinho verde tem todas as condições para se tornar um sucesso dentro e fora de Portugal.

  • Vera

    Fico contente que finalmente os Vinhos Verdes estejam a passar a fronteira do Minho de Portugal.

    • cyrillo de s. mothé filho

      Prá mim já ultrapassou há tempos. Nós, brasileiros, não temos muito conhecimento dos verdes (só os rótulos mais antigos). Mas aprecio os grandes Alvarinhos (Deladeu) e os terra de Monção (dos bons)