Wine Dinner com George Nony do Chateau Labat e Caronne

George Nony entre os editores do QVinhoRecentemente a importadora Porto a Porto organizou uma série de wine dinner’s para divulgar o Château Caronne Ste. Gemme e o Château Labat. Os eventos ocorreram no Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba, nos dias 17, 18 e 19 de fevereiro, respectivamente. Os convidados tiveram a oportunidade de conhecer o vinicultor George Nony, proprietário dos châteaux que curiosamente é filho de mãe brasileira. Compareci ao jantar em Curitiba, que aconteceu no Ile de France, um tradicional restaurante curitibano. (Na foto: George Nony entre os editores do QVinho, Jomar e Jackson)

O Château Caronne Ste. Gemme está localizado na região do Haut-Médoc na comuna de St Laurent Médoc; possui 45 hectares de terras de cascalho e argila, com vinhedos de Cabernet Sauvignon (60%), Merlot (37%) e Petit Verdot (3%). O Château Caronne é um cru Bourgeois que ganhou muito prestígio na última década, mas com características da comuna de Saint Julien, devido a sua proximidade com essa área. Já falei aqui no QVinho sobre a relação qualidade/preço dos vinhos de St. Julien.

O Château Labat é uma propriedade vizinha ao Château Caronne , adquirido pela família Nony, passou a ser conhecido “extra-oficialmente” como o segundo vinho deste último. Na realidade, o Château Labat é tão bom quanto o Château Caronne, ambos compartilham o mesmo terroir, porém os 10 hectares do Labat são preenchidos com vinhas mais novas; distribuídos com partes iguais de Cabernet Sauvignon e Merlot.

O Château Caronne e o Château Labat têm uma personalidade sedutora, com frutas negras frescas, toques terrosos e minerais. O Caronne é mais redondo e macio, com um caráter feminino, já o Labat é um pouco mais jovial e austero, demonstrando um vigor masculino. Não espere vinhos potentes e com muita fruta, aqui a tônica é outra; sutileza e um certo refinamento que só encontramos nos melhores vinhos de Bordeaux.

O restaurante Ile de France preparou um menu especial para harmonizar com os vinhos:

  • Endives en salade com Le Rose de Floridene 2006;
  • Vol-au-vent de champignos com Château Labat – safras 2003 e 2005;
  • Steak aux deux poivres com Château Caronne – safras 1996 e 2003.
  • Profiterole au chocolat com Madeira Justino 10 anos.

Os pratos foram preparados com esmero e estavam ótimos, bem como a combinação com os vinhos, que também foi acertada. Talvez ficasse ainda melhor se fosse invertida a ordem entre o Caronne e o Labat. O Château Labat acompanhou melhor o Steak aux deux poivres, devido a sua robusta estrutura tânica, por sua vez, o Vol-au-vent de champignons ficaria estupendo com o Caronne 1996.

Costumo degustar vinhos em casa, porque acredito que o bom vinho precise de tempo. Refiro-me a uma certa calma e tranqüilidade, assim é possível perceber mais profundamente a essência da bebida. Gosto de abrir a garrafa e de avaliar a primeira impressão, depois sentir a evolução no copo e, finalmente, a combinação com a comida. Esse processo leva em média 1 hora, mas pode durar muito mais com vinhos estruturados e complexos. É claro, existem aqueles vinhos que nem merecem uma análise, quanto mais um longo ritual de degustação. Todas as provas do QVinho são conduzidas desse modo, com exceção daquelas feitas em eventos ou jantares, onde participo como convidado. Nesses casos sou bem mais cauteloso com as análises e não classifico os vinhos, por isso o prezado leitor não verá os tradicionais “copos” ao final de cada avaliação. Vamos aos vinhos:

O Château Caronne Ste. Gemme custa em média R$100, enquanto o Château Labat pode ser encontrado por R$85. Uma excelente relação qualidade / preço.

Château Labat 2003

Vinho muito agradável e interessante. O nariz de boa intensidade revelou cassis, chocolate e notas defumadas. A escaldante safra 2003 contribuiu decisivamente para os taninos, ainda jovens, porém já deixam o vinho bastante acessível e para o consumo imediato, sem muita adstringência.

Château Labat 2005

Talvez o melhor vinho da noite. Ainda muito jovem, mesmo assim já consegue seduzir pela excelente concentração e personalidade. Frutas negras maduras, cacau e notas terrosas compõem uma bela paleta aromática. Na boca é encorpado, tem uma acidez surpreendentemente alta, que sem dúvida alguma só aumenta o prazer em bebe-lo. Esse vinho é para comprar de caixa e ir bebendo aos poucos, curtindo cada fase da sua evolução. Faz justiça a fantástica safra de 2005, considerada por muitos superior a de 1961.

Château Caronne Ste. Gemme 2003

Equilíbrio e harmonia definem bem o caráter do Château Caronne 2003. Redondo e macio, não tem nenhuma daquelas arestas que o Bordeaux mais jovem costuma apresentar. Ao nariz é menos intenso que o Labat 2003, por outro lado mostrou uma personalidade bem definida e sutil.

Château Caronne Ste. Gemme 1996

A magnum da safra 1996 do Château Caronne estava em plena forma; fruta bem definida e fresca, notas florais, caixa de charutos e toques minerais. Na boca apresentou taninos sedosos e um final com persistência muito boa. Esse vinho prova que o Château Caronne tem fôlego, merecendo um lugar de destaque na adega.

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  • http://www.qvinho.com.br Jomar

    Sim Cleiton, o Château Caronne 2005 foi recomendado pela Wine Spectator na sua última edição. Provamos o Labat 2005 que estava ótimo, aliás a safra 2005 em Bordeaux foi espetacular, vinhos acessíveis com muita fruta e taninos de alta qualidade.

  • Cleiton

    Jomar, a safra 2005 do Chateau Caronne vocês provaram? Parece que esse vinho foi bem avaliado pela crítica.

  • Felipe Araújo

    Vocês do QVinho sempre capricham nas fotos.

  • Paulo Henrique

    Parabéns pessoal! A cobertura do evento ficou muito boa. Esses pratos acompanhados de um Bordeaux de qualidade realmente são de dar água na boca.

  • Thaise

    Puxa! Me deu água na boca…