
Todo mundo gosta de criticar a famosa lista anual da revista Wine Spectator. A iniciativa de elaborar uma lista desse tipo é uma empreitada temerária e, infalivelmente, fadada a inúmeras distorções. Porém, essas listas são necessárias, uma vez que a grande maioria dos consumidores comuns não conseguem discernir “prego” de “parafuso”. Isso é natural, o ser humano tem necessidade de segurança, busca certezas, sempre quer saber o que é melhor; cria escala e hierarquia para tudo. Lamento informar: o mundo do vinho é caótico! Totalmente dionisíaco – talvez por isso Dionísio, ou Bacco, seja a representação mitológica perfeita para Deus do Vinho – sem lugar confortável para pensamentos concretos e racionais. Somente um grande esforço apolíneo pode trazer luz a esse mundo e, mesmo assim, não muda em nada a realidade obscura e errática que Dionísio representa.
Agora deixemos de lado a dicotomia Apolo-Dionísio e vejamos a lista. Acredito que o critério relação qualidade/preço pesou bastante. Em primeiro lugar temos um Châteauneuf-du-Pape 2005 Clos des Papes - com 98 pontos e preço na ordem de $80. Nada mal! Que tal um vinho dessa magnitude por menos de R$ 200? Aqui no Brasil esqueça… O segundo colocado foi um Chardonnay californiano, produzido pela Ridge nas Montanhas de Santa Cruz – 95 pontos e $35. Aqui a competição fica difícil, pois a Chardonnay é a queridinha da América e o preço é bastante acessível. Como desbancar o Chardonnay californiano na relação qualidade/preço? O terceiro colocado, o Châteauneuf-du-Pape Le Vieux Donjon 2005, comprova que esta região está com tudo – 95 pontos e $49. O quarto colocado é um clássico, o Tignanello 2004 – 95 pontos e $79. O quinto vinho é quente, um opulento Shiraz de Barrosa, o Two Hands Bella’s Garden – 95 pontos e $60. O sexto vinho é francês, o classudo Château Léoville Las Cases 2004 – 95 pontos e $90. Enfim, não vou comentar vinho por vinho, mas os 10 primeiros colocados são merecedores dessas posições. O resto da lista é discutível, porém não há como negar a qualidade dos vinhos relacionados. Vale observar a ausência da maioria dos “monstros sagrados” das denominações clássicas. Mas afinal, qual é o problema dessa lista (e de todas as outras)? Nenhum, exceto o fato de não prestigiar milhares de outros rótulos, igualmente bons, ou até melhores. É melhor ser amigo de Dionísio e não ligar muito para as listas.


























Pesquisando nas minhas revistas antigas da Wine Spectator resolvi conferir quem eram os Top 100 de 1998. Em resumo, há quase dez anos, quem deu o que falar foram os Bordeaux da safra 95. Vale a pena citar algumas ilustres participações:
1. Château Ducru-Beaucaillou St. Julien 1995 - 97 pts
2. Château Margaux Margaux 1995 - 100 pts
4. Château Clerc Milon Pauillac 1995 - 95 pts
6. Château Calon-Ségur St. Stèphe 1995 - 96 pts
12. Château Trotanoy Pomerol 1995 - 97 pts
13. Château Lafite Rothschild Pauillac 1995 - 97 pts
15. Château Pontet-Canet Pauillac 1995 - 94 pts
Com exceção do Château Pontet-Canet que aparece nessa última lista na 34ª colocação, os demais sequer figuram entre os Top 100. Quanto as críticas de muitos em relação aos poucos representantes sul-americanos (Catena, Viña Montes, Altos Las Hormigas e Viña Santa Rita), é o problema intrinseco das listas, de não conseguir agradar a todos. Se um dado serve de consolo, na edição dos Top 100 de 1998 não havia qualquer vinho sul-americano na lista. Em compensação os rótulos do Napa Valley já figuravam em diversas posições.
Gostaria de saber se alguém tem a lista dos top 100 de 2002 da wine Spectator.Se me enviara agradeço.Eugênio.