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Reguengos Garrafeira dos Sócios 2001 - CARMIM

Vinho alentejano Reguengos Garrafeira dos Sócios 2001 - CARMIMA tradicional região vinícola do Alentejo ocupa um 1/3 de todo território português e, apesar da aparente vastidão, parece não haver um pedaço de terra sem vinhas. Pode parecer exagero, mas o Alentejo vive um crescente – e ininterrupto - aumento na produção de vinhos. Atualmente essa região conta com 250 produtores, sendo que muitos deles oferecem uma grande quantidade de produtos, alguns atingindo a marca de 20 rótulos. Ninguém dúvida do potencial qualitativo da região, já conhecido há muito tempo, porém muitos produtores ambiciosos estão fazendo vinho de qualidade duvidosa. Por outro lado, os melhores continuam fazendo vinhos excelentes, originais, que sempre terão lugar garantido nas adegas. São eles: o Pêra Manca, o Herdade do Esporão, a Sogrape e a CARMIM. Degustamos o vinho top deste último, o Reguengos Garrafeira dos Sócios 2001 e, para nossa felicidade, só temos elogios. A CARMIM é uma tradicional cooperativa do distrito de Reguengos de Monsaraz, a maior do Alentejo, que conta com 1.024 associados e 3.700 ha de vinhas cadastradas. O seu “Garrafeira dos Sócios” é uma parcela especial dos melhores vinhos da cooperativa, que são identificados por degustações regulares, permanecendo de 8 a 12 meses em barricas de carvalho português. As variedades utilizadas são a Aragonêz (Tempranillo), a Trincadeira e a Castelão, não tendo qualquer referência sobre a proporção de cada uma, mas tradicionalmente, a Trincadeira costuma predominar na zona de Reguengos. O Reguengos Garrafeira dos Sócios exibiu bela cor rubi, límpido e com ligeira transparência; halo aproximando-se do grená, denotando certa evolução; lágrimas densas e preguiçosas com leve coloração. O nariz é muito agradável e envolvente - certamente é mais sutil e delicado do que potente e complexo – revelando frutas silvestres frescas como a amora, mas também um toque de fruta assada, baunilha e especiarias doces. Bom corpo, taninos de alta qualidade bem integrados e finos; acidez muito boa em perfeito equilíbrio. O final é longo e frutado, mostrando requintada harmonia; é seco, porém macio, sem ser xaroposo. O Reguengos Garrafeira dos Sócios é um tinto saboroso do início ao fim, está perfeito agora, mas ainda pode resistir alguns anos. Para que esperar? É melhor aproveitar agora!

Excelente
Alentejano elegante e saboroso e, pelo que oferece, tem uma boa relação qualidade/preço. Perfeito para acompanhar uma paleta de ovelha na brasa.
Grad. Alcoólica: 13,5%
Preço: R$89
Importadora: Porto a Porto / Casa Flora

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A lista dos Top 100 da Wine Spectator

Top 100 Wine Spectator - a lista dos vinhos mais pontuados nessa revista

Todo mundo gosta de criticar a famosa lista anual da revista Wine Spectator. A iniciativa de elaborar uma lista desse tipo é uma empreitada temerária e, infalivelmente, fadada a inúmeras distorções. Porém, essas listas são necessárias, uma vez que a grande maioria dos consumidores comuns não conseguem discernir “prego” de “parafuso”. Isso é natural, o ser humano tem necessidade de segurança, busca certezas, sempre quer saber o que é melhor; cria escala e hierarquia para tudo. Lamento informar: o mundo do vinho é caótico! Totalmente dionisíaco – talvez por isso Dionísio, ou Bacco, seja a representação mitológica perfeita para Deus do Vinho – sem lugar confortável para pensamentos concretos e racionais. Somente um grande esforço apolíneo pode trazer luz a esse mundo e, mesmo assim, não muda em nada a realidade obscura e errática que Dionísio representa.

Agora deixemos de lado a dicotomia Apolo-Dionísio e vejamos a lista. Acredito que o critério relação qualidade/preço pesou bastante. Em primeiro lugar temos um Châteauneuf-du-Pape 2005 Clos des Papes - com 98 pontos e preço na ordem de $80. Nada mal! Que tal um vinho dessa magnitude por menos de R$ 200? Aqui no Brasil esqueça… O segundo colocado foi um Chardonnay californiano, produzido pela Ridge nas Montanhas de Santa Cruz – 95 pontos e $35. Aqui a competição fica difícil, pois a Chardonnay é a queridinha da América e o preço é bastante acessível. Como desbancar o Chardonnay californiano na relação qualidade/preço? O terceiro colocado, o Châteauneuf-du-Pape Le Vieux Donjon 2005, comprova que esta região está com tudo – 95 pontos e $49. O quarto colocado é um clássico, o Tignanello 2004 – 95 pontos e $79. O quinto vinho é quente, um opulento Shiraz de Barrosa, o Two Hands Bella’s Garden – 95 pontos e $60. O sexto vinho é francês, o classudo Château Léoville Las Cases 2004 – 95 pontos e $90. Enfim, não vou comentar vinho por vinho, mas os 10 primeiros colocados são merecedores dessas posições. O resto da lista é discutível, porém não há como negar a qualidade dos vinhos relacionados. Vale observar a ausência da maioria dos “monstros sagrados” das denominações clássicas. Mas afinal, qual é o problema dessa lista (e de todas as outras)? Nenhum, exceto o fato de não prestigiar milhares de outros rótulos, igualmente bons, ou até melhores. É melhor ser amigo de Dionísio e não ligar muito para as listas.

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Le Beaujolais Nouveau Est Arrivé!

Vinhos francês Beaujolais Nouveau Georges DuboeufA frase que anuncia a chegada da nova safra de Beaujolais Nouveau, toda terceira quinta-feira de novembro, é talvez uma das maiores jogadas de marketing inventadas pelos franceses e, é claro, um grande engodo. O fantástico esquema de divulgação associado a uma sofisticada operação logística, a cargo de uma das maiores empresas de entregas expressas do mundo, a DHL, permite que lojas e restaurantes de mais de 200 países recebam simultaneamente o tão aguardado néctar de Gamay. Realmente é de tirar o fôlego! Porém, se a estratégia de vendas e a logística são impecáveis, a qualidade do Beaujolais Nouveau é discutível. A moda dos nouveau ditada nos termos da produção em massa, ao estilo fast food, foi responsável por colocar no mercado uma bebida pobre, com uma imagem de um vinho insípido feito para ser bebido imediatamente. Como se chegou a isso? Simples, demanda em alta associado a muitos produtores e négociants inescrupulosos. Nesse cenário qualquer recurso para aumentar os lucros é permitido, como por exemplo, a maximização na produção dos vinhedos resultando em vinhos fracos e diluídos. Mas isso não é problema, nada que uma boa chaptalização não resolva, mesmo que isso dê um toque ainda mais artificial ao vinho. Entretanto, os melhores e mais respeitados produtores da região estão preocupados com o prejuízo que os nouveau vêm causando a imagem de Beaujolais. Segundo eles todos os Beaujolais são confundidos com nouveau, e um dos grandes responsáveis por essa confusão é Georges Duboeuf. Apesar das críticas e da queda na produção nos últimos dois anos, que ficou em 1 milhão de hectolitros, Duboeuf é otimista quanto ao futuro dos nouveau. Também não para menos, hoje o Japão é o maior mercado consumidor de Beaujolais Nouveau.
Deixando as querelas entre os franceses de lado, não sou um fã dos nouveau. Acredito que se o rótulo for de um bom produtor teremos no máximo um vinho razoável, mas que dificilmente vale o preço cobrado aqui no Brasil. No entanto, para quem quiser se arriscar a sugestão é procurar pelos Villages Nouveau de produtores renomados. Quanto aos crus de Beuajolais que já provei, vale a pena recomendar os seguintes: Jean-Paul Brun (Côte de Brouilly), Domaine Cheysson (Chiroubles) e Château des Jacques - Louis Jadot (Moulin-à-Vent). Ao contrário da maioria dos nouveau, esses vinhos apresentam uma boa estrutura, elegância e uma certa complexidade. Agora, não caia na armadilha de comprar, em promoções esdrúxulas, nouveaus encalhados com seis meses ou até um ano, só porque o vinho é francês, o preço está mais baixo e o rótulo é muito bonito e chamativo.

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Manuel Louzada fala do seu trabalho como enólogo da Terrazas de los Andes

Apresentar aos nossos leitores o trabalho desenvolvido pelos produtores, sob a ótica dos profissionais que fazem o vinho. Essa será a temática da mais nova seção do QVinho, que inaugura hoje, dedicada especialmente a entrevistas. E, para dar início em grande estilo, publicamos uma entrevista exclusiva para o QVinho, com Manuel Louzada, diretor de enologia da Bodega Terrazas de Los Andes. Para explicar como se deu o ingresso de Louzada no mundo do vinho, basta dizer que sua paixão veio de berço. Natural de Portugal, Manuel vem de uma tradicional família de vitivinicultores de Portugal (Caves Messias). Mas, há sete anos Manuel fez de Mendoza sua residência, ao lado da esposa e filhos, e hoje é responsável pela produção dos vinhos de uma das mais prestigiadas bodegas de Mendoza.

Nessa entrevista Louzada conta um pouco mais sobre o terroir dos principais vinhedos e a filosofia de trabalho que dita o estilo dos vinhos da Terrazas. Quando perguntado sobre o potencial vitivinicola de Mendoza e a adaptação de outras varietais nessa região, Louzada é enfático: ilimitado. “As características que se reúnem naturalmente na Argentina e especialmente em Mendoza são excepcionais, permitindo alcançar uma perfeita maturação e a expressão de um grande número de variedades”. E lança o desafio, ao incluir no rol de variedades a emblemática Touriga Nacional. É o coração português batendo mais forte. Quanto a polêmica, terroir ou mão do homem, Louzada é defensor de uma intervenção limitada. Para ele, o vinho é a expressão de um bom solo e clima, daí a importância do trabalho nos vinhedos.

Manuel Louzada - Enólogo da bodega Terrazas de los Andes

QVinho - A Terrazas de los Andes foi uma das primeiras bodegas a trabalhar o conceito de terroir, mencionando em seus rótulos as diferentes altitudes dos vinhedos, associando a qualidade das diferentes uvas a essa adaptação ao terreno e ao clima. Os vinhos da linha Afincado representam com perfeição essa filosofia, ostentando orgulhosamente o nome do vinhedo de origem, assim como os Grand Crus de Bordeaux. Gostaria que o senhor explicasse as diferenças do terroir de Las Compuertas e Los Aromos.

Louzada - Dado que Mendoza é uma região sem influência marítima, tanto pela presença da Cordilheira dos Andes, que bloqueia qualquer influência proveniente do Oceano Pacífico, quanto pela grande distância do Oceano Atlântico, de mais de 1.200 Km, o fator que define a perfeita expressão das uvas é precisamente a altitude em que os vinhedos se encontram plantados. Esta altitude, que do ponto de vista climático afeta principalmente a temperatura diurna (a qual baixa perto de 0,65°C por cada 100 metros de altura) e a amplitude térmica (diferença entre a temperatura diurna e a noturna, extremamente importante para a formação de polifenóis) tem que ser a mais adequada para cada variedade, pois, caso contrario, não é possível alcançar o nível adequado de maturação, (se excessiva) ou pode ocorrer uma excessiva acumulação de açúcar sem chegar à maturação polifenólica (se insuficiente).

O vinhedo de Las Compuertas é onde se reúnem as condições perfeitas para o crescimento e maturação da variedade de uva Malbec. Este vinhedo, plantado em 1929, encontra-se situado a uma altura média de 1.067 metros, com um solo pouco fértil, pobre em matéria orgânica e de excelente drenagem. A amplitude térmica é de cerca de 16°C, o que permite uma lenta maturação, uma lenta acumulação de açúcares e, muito mais importante, a acumulação de todos os constituintes que afetam a sua profunda cor, seu complexo aroma e sua elegante estrutura.
No vinhedo de Los Aromos se reúnem as condições excepcionais para o Cabernet Sauvignon. Um vinhedo de mais de 15 anos, que se encontra a uma altura média de 980 metros, com um solo de características não muito diferentes do mencionado anteriormente. Neste caso, a amplitude térmica é de cerca de 14°C, fundamental para cobrir as necessidades da variedade Cabernet Sauvignon, a qual precisa naturalmente de um pouco mais de calor que a Malbec.

QVinho - A maioria dos produtores do novo mundo costuma buscar inspiração nos grandes vinhos europeus. Nicolás Catena Zapata procura aproximar o seu Cabernet Sauvignon do estilo Medoc, já a O.Fournier tem os olhos voltados para suas raízes em Ribera Del Duero, por outro lado, Roberto Cipresso imprimiu um estilo “super toscano” aos vinhos da Achaval Ferrer. Como os proprietários da Terrazas de los Andes são franceses, é natural que pensemos num estilo “francês”, porém os vinhos da Terrazas demonstram uma personalidade bem definida, com as melhores características do novo mundo. Como é esse processo de definição de estilo dentro da Terrazas, vocês possuem a liberdade para moldar a personalidade dos vinhos? Quais as diretrizes impostas pelo grupo LVMH?

Louzada - Quando a Moët & Chandon decidiu se instalar na Argentina, trouxe uma filosofia de trabalho clara, precisa e sempre orientada à obtenção da mais alta qualidade, que se sustentava em dois pilares fundamentais: a procura do melhor terroir para a expressão de cada variedade e, uma vez alcançada a máxima expressão no vinhedo, traduzir toda esta qualidade ao vinho com uma filosofia de vinificação extremamente respeitosa. Estas seriam, de uma forma geral, as únicas diretrizes do grupo ao qual pertence a Terrazas de los Andes.
Como foi bem dito, os vinhos da Terrazas têm estilo e personalidade bem definidos, que procuram ressaltar as características excepcionais obtidas nos nossos vinhedos, com uma vinificação de marcada influência francesa que procura em todo momento adicionar, de forma equilibrada, elementos para alcançar o nível de complexidade procurado.

QVinho - A Argentina é muito conhecida pelos emblemáticos vinhos de Malbec, porém isso vem mudando, cada vez mais vinhos de variedades como a Tempranillo, Pinot Noir, Syrah, Petit Verdot, Bonarda, Torrontes e Viognier aparecem no mercado. Alguns produtores já fazem vinhos de elite com as duas primeiras, e as outras parecem ter entusiastas com boas razões para acreditar nelas. Atualmente a Terrazas de los Andes oferece vinhos das variedades mais tradicionais na Argentina, como a Cabernet Sauvignon a Chardonnay e a Malbec, mas existe algum projeto ou pretensão de trabalhar com outras variedades de uvas? Qual a opinião do senhor sobre o potencial de outras varietais além da Malbec, da Cabernet Sauvignon e da Chardonnay?

Louzada - Uma das grandes preocupações da equipe de Vinhedos e Enologia da Terrazas de los Andes é a permanente procura e experimentação de outras variedades de uva e sua combinação exata com a altitude na qual devem ser plantadas. Além das variedades mencionadas, gostaria de citar também variedades como a Sémillon (junto com a Malbec, as duas variedades de maior tradição em Mendoza), a Merlot, a Cabernet Franc, a Tannat, a Petit Manseng (para a elaboração de Colheitas Tardias) e, quem sabe, por que não um pouco de Touriga Nacional.
Do meu ponto de vista, as características que se reúnem naturalmente na Argentina e especialmente em Mendoza são excepcionais, permitindo alcançar uma perfeita maturação e a expressão de um grande número de variedades, razão pela qual a única palavra em que posso pensar sobre o potencial vitivinícola de Mendoza seria ilimitado.

QVinho - O intervencionismo exagerado do homem é um dos pontos mais controversos na produção de vinho atual. Técnicas como a microoxigenação, a osmose reversa e o spinning cone já são bastante empregadas, facilitando a criação de vinhos potentes e concentrados, porém macios e prontos para o consumo imediato. Qual a sua opinião sobre o chamado vinho high-tech?

Louzada - Como eu lhe dizia, a filosofia da Terrazas de los Andes está muito em linha com a que a Moët & Chandon nos trouxe há mais de 45 anos, baseada numa qualidade excepcional alcançada nos vinhedos e,depois, com técnicas de vinificação e de intervenção limitada que permitam traduzir esta qualidade aos vinhos. A nossa equipe está profundamente convencida de que um bom vinho nasce no vinhedo, razão pela qual grande parte do nosso esforço se concentra precisamente aí. Posteriormente, a definição do momento da colheita requer uma grande dedicação no seguimento da maturação e uma seleção precisa, de tal forma que no início da vinificação possamos contar com o máximo de qualidade. A vinificação deve, então, ser pensada em detalhes para somar em cada passo da elaboração do vinho para que chegue ao consumidor nas melhores condições.

Pessoalmente, eu estou um convencido daquilo que acabo de mencionar e, portanto, sou mais partidário de uma intervenção limitada. No entanto, penso também que as diferentes técnicas de vinificação, como as que menciona, são ferramentas que estão à disposição dos enólogos para ajudá-los na elaboração de vinhos de boa qualidade. Gostaria unicamente de dizer algumas palavras sobre as técnicas que menciona: a microoxigenação me parece interessante, pois é inspirada na dissolução de O2 que se fazia durante as trasfegas e, em vez de propor dissoluções importantes que alcançavam níveis de saturação, propõe dissoluções adequadas às necessidades do vinho; quanto à osmose inversa e o spinning cone, é muito possível que se ouça falar cada vez mais destas técnicas, devido ao aumento do nível de açúcar e, portanto, de álcool potencial nas uvas pelo aquecimento global do planeta. Nesse caso, penso que é mais positivo o uso destas técnicas a ter um vinho com mais de 14% ou 15% de álcool.

QVinho - Qual o melhor vinho que você já fez? E qual o melhor que já provou?

Louzada - Sinceramente, são as duas perguntas mais difíceis que me poderiam fazer por ter que escolher um só vinho e deixar de fora uma enorme quantidade de vinhos pelos quais ainda hoje tenho um especial carinho. Por outro lado, sou extremamente perfeccionista e o meu objetivo a cada ano é fazer um vinho cada vez melhor. Como dizem os ingleses, “there is always room for improvement“. Por isso, gostaria de responder que o vinho que hoje em dia mais me satisfaz fazer é o Terrazas Reserva Malbec, pois penso que estamos num excelente caminho.

Quanto ao vinho que provei, vou ter que mencionar vários e tenho a certeza de que vou esquecer muitíssimos vinhos dos quais gosto:

  • Vinho Tintos: Cheval Blanc 2000, Cheval des Andes 2005 (ainda não está no mercado); Terrazas Gran Malbec e Gran Cabernet Sauvignon 1999, Afincado Malbec 2002, Rozès Touriga Nacional 1999, Cape Mantelle Cabernet Sauvignon 2003.
  • Vinhos Brancos: Cloudy Bay Te Koko 2003, Cloudy Bay Sauvignon Blanc 2006, Guiado Sémillon 2004 (da Chandon Argentina).
  • Champagnes: Krug 1988 (provei uma semana depois do nascimento do meu filho, Pedro, em Novembro do ano 2000 e jamais esquecerei este vinho), Dom Pérignon 1995 e La grande Dame Rosé 1995 (provei no nascimento da minha filha, Maria).
  • Vinhos Espumantes: Chandon Cuvée Réserve Pinot Noir, Baron B. Unique 1997.

Para mim, a recordação destes vinhos se dá pela combinação da sua excelente qualidade com momentos maravilhosos na minha vida.

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Descobrindo o Vinho Verde

Anúncio para a campanha de divulgação dos Vinhos VerdesDivulgar e revitalizar a imagem dos Vinhos Verdes, essa foi a temática dos eventos realizados nos dias 6 e 8, respectivamente, em Salvador e São Paulo. Os encontros foram patrocinados pela Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes, pela União Européia e Portugal. Que diga-se de passagem, estão realizando um agressivo trabalho de marketing e posicionamento da Denominação de Origem (DO) “Vinho Verde”. A convite da comissão estive no encontro realizado em São Paulo, no espaço Villa Noah Embratel, e agora, os leitores do QVinho poderão conhecer e atualizar-se um pouco mais sobre os vinhos dessa região. Para os menos familiarizados com os aspectos legais e técnicos é preciso esclarecer que o Vinho Verde é uma Denominação de Origem assim como Champagne, Cognac, Barolo, Chianti, Porto entre outras. A Região Demarcada dos Vinhos Verdes (RDVV) que se estende por todo o noroeste de Portugal, numa área de clima ameno conhecida como “Entre-Douro-e-Minho”, é uma das mais antigas do país e, foi originariamente demarcada em 1908. Ao contrário de outras zonas produtoras, a região dos Vinhos Verdes é fundamentalmente dominada por minifúndios, ocupando uma área de 34.000 hectares, ou seja, cerca de 15% da área de vinhedos de Portugal. Os mais de 30 mil viticultores e 600 engarrafadores respondem por uma produção de 92 milhões de litros/ano, além do que, a região é líder em vinhos brancos em Portugal.
Feito esse parênteses, podemos voltar aos acontecimentos do evento. Logo pela manhã foi realizado um seminário conduzido pelo enólogo António Cerdeira apresentando as principais características do Vinho Verde, seguido de uma degustação de seis rótulos de brancos. Dentre os vinhos que participaram da prova estavam: Gatão (Vinhos Borges), Plaínas (Casa Santa Eulália), Condes Barcelos (Adega de Barcelos), Quinta da Aveleda (Aveleda), Afrós Loureiro (Casal do Paço Padreiro) e Deu la Deu (Adega de Monção). Na seqüência os convidados puderam degustar e conhecer outros rótulos (brancos, tintos e espumantes) de cinco produtores que estavam presentes no evento. É uma pena que tão poucos produtores tenham participado, já que era uma boa oportunidade para marcas menos conhecidas exporem seus produtos. Quem sabe em futuros eventos não teremos um quorum maior de produtores ou até mesmo a inclusão novas capitais no circuito de apresentações? Para finalizar o encontro, um agradável almoço acompanhado dos refrescantes Vinhos Verdes. Quer combinação melhor que essa para um típico dia quente de primavera?

Selo de garantia do Vinho Verde

A prova dos vinhos mostrou toda vocação dessa região para os vinhos brancos fáceis de beber. Leve, aromático, com muito frescor dado pela sua acidez viva e pouco alcoólico, o Vinho Verde é ideal para ser consumido em regiões quentes, seja como aperitivo ou para harmonizar com mariscos, ostras, vongole (ver receita do QVinho), peixes (linguado e robalo), saladas e carnes de aves. Isso não quer dizer que a região não produza grandes vinhos, dignos de abocanhar prêmios e superar a almejada barreira dos 90 pontos concedidos pelas bíblias do setor. Claro, existem excelentes produtores desenvolvendo um magnífico trabalho, principalmente com a casta Alvarinho. O resultado são vinhos mais encorpados, aromaticamente intensos e complexos; em alguns casos existe um leve estágio em carvalho, coisa não muito comum para a maioria dos Vinhos Verdes. Mas, o que há de errado com os vinhos leves, refrescantes, acessíveis (inclusive financeiramente), que podem acompanhar muito bem inúmeros pratos do dia-a-dia? De minha parte, não entendo porque muita gente ainda padece de um certo complexo de inferioridade, quer seja para produzir ou vender esse tipo de vinho. Para muitas delas, vinho bom é aquele de competição: mais estruturado, intenso, alcoólico e, de preferência com passagem pelo carvalho. Acredito que o grande mérito dessa apresentação e de todo o trabalho de divulgação realizado pela comissão esteja exatamente no foco dos pontos fortes do Vinho Verde, sem falsas promessas. A aposta dos produtores nas castas autóctones como a Alvarinho, a Arinto, a Azal, a Loureiro e a Trajadura, sem se deixar influenciar por modismos, é outro ponto positivo. Um brinde à diversidade e à tipicidade do Vinho Verde!

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Receita: Spaghetti alle Vongole

Quando falamos de vinho surge sempre uma pergunta crucial. Qual prato acompanha este vinho? Na realidade a pergunta está trocada, uma vez que é o vinho que acompanha a comida. Pelo menos deveria ser assim. Hoje em dia, muita gente tem esquecido de comer e beber por prazer. Freqüentemente o vinho assume o papel principal e, cultuado e endeusado, não permite qualquer “acompanhamento” mais trivial. Algumas pessoas pensam que as grandes harmonizações são inacessíveis, feitas por grandes chefs de cozinha e, necessariamente, acompanhadas por vinhos caríssimos dos mais nobres vinhedos europeus. Esse pensamento está enraizado na mentalidade colonial do brasileiro, acostumado a pensar que prazeres dessa natureza são muito caros, reservados apenas às classes abastadas.

Para provar que nem tudo que é bom custa caro, proponho o clássico Spaghetti alle Vongole. Esse saboroso prato harmoniza perfeitamente com vinho branco; desde que, seja seco, de boa acidez e passe bem longe da madeira. Escolhi esse prato porque os ingredientes são baratos, além de ter uma execução fácil. O Spaghetti alle Vongole é um prato muito popular em todo litoral italiano, um campeão absoluto nas trattorie de Veneza e Napoli. Os vongole – no italiano, plural de vongola (conhecido no Brasil como berbigão ou amêijoa) - são moluscos bivalves que vivem enterrados na areia. Alimentam-se de plânctons filtrando a água do mar, assim como as ostras e mexilhões. Existem muitos tipos de vongole, na Itália os mais apreciados são os Vongole Veraci (tapes decussatus), mais graúdos, macios e adocicados que todos os outros. Aqui no Brasil, encontramos facilmente em toda costa os anomalocardia brasiliana, que são muito parecidos com os tapes decussatus, porém menores e ligeiramente mais rijos. Berbigões são muito nutritivos e possuem pouca gordura, além de serem ricos em Ômega 3 e minerais como zinco, ferro e magnésio.

Spaghetti alle Vongole - Espaguete com vongole, berbigão ou amêijoas

A minha receita é bem simples, idêntica a que comi pela primeira vez em uma trattoria em Veneza, numa travessa ao final da Riva degli Schiavoni.

Receita e ingredientes para Spaguetti alle Vongole (4 pessoas):

  • 1 Kg de Vongole (berbigões ou amêijoas) frescos e nas conchas;
  • 500g de espaguete de grão duro;
  • 1 copo de vinho branco seco;
  • 10 colheres de sopa de azeite de oliva;
  • 1 dente de alho;
  • Pimenta vermelha a gosto (dedo-de-moça em conserva é o ideal);
  • Salsinha a gosto.

Os vongole podem ser obtidos em mercados de peixe, ou coletados em praias de areia fina, já que são fáceis de achar em maré baixa. Lave as conchas e deixe repousando por 6 horas em uma mistura de água e sal (30g de sal grosso para 1 litro de água). Esse processo é fundamental para que o molusco “se limpe”, expulsando a areia para fora das conchas. Depois lave as conchas em água corrente, pegue um punhado delas e, com as mãos fechadas, esfregue uma contra as outras. Isso removerá a sujeira grossa, mesmo assim, talvez seja necessário usar uma escova para deixá-las bem limpas. Depois da limpeza, coloque a pasta para cozinhar (al dente). Agora doure o azeite, o alho picado (sem o miolo) e a pimenta numa panela e, uma vez que o alho comece a ganhar cor, adicione o copo de vinho. Cozinhe o vinho por 1 minuto e despeje os vongole na panela, de uma mexida, tampe e aguarde de 3 a 4 minutos. Esse tempo é suficiente para as conchas abrirem, o que indica que o molho já está pronto. Desligue o fogo, prove e verifique se é necessário adicionar sal (geralmente não precisa). Descarte as conchas fechadas e despeje o espaguete na panela com vongole. Misture tudo e sirva numa travessa com salsinha finamente picada por cima.

Vinho recomendado: um branco com boa acidez e frescor, como o português Afrós Loureiro.

Esse prato fica ótimo na companhia de um branco, e nem precisa ser caro, como o excelente Afrós Loureiro 2006. Português da região do Vinho Verde, este agradável e fresco branco proporcionou uma harmonia perfeita com o prato. Feito da interessante casta Loureiro na sub-região do Lima, é um branco leve e refrescante, graças a acidez viva e a sua paleta aromática levemente cítrica. O frescor do vinho combina maravilhosamente bem com o sabor do mar, presente no Spaghetti alle Vongole. O resultado não poderia ser melhor, puro deleite para os sentidos!

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Uxmal Cabernet - Syrah 2005

Uxmal Cabernet - Syrah 2005Já comentamos sobre o Uxmal Sauvignon Blanc - Semillon, que apesar de honesto, não empolga muito. Acho que o maior mérito dos vinhos Uxmal é não atrapalhar a comida, pois apresentam um perfil discreto. O Uxmal Cabernet-Syrah 2005 é um corte de 60% Cabernet Sauvignon e 40% Syrah, maturado em barricas de carvalho francês (50% do vinho). Mostrou cor rubi com halo violáceo e ligeira transparência. O ataque olfativo é discreto, revela frutas vermelhas e café torrado, com algumas notas sutis de baunilha. Na boca apresentou-se equilibrado, corpo médio, com bons taninos e acidez correta. Final de persistência razoável. O Uxmal Cabernet-Syrah, apesar de não ter muita personalidade, é um bom vinho gastronômico, além disso tem preço acessível.

Bom
Este vinho acompanha bem diversos tipos de prato, sem “brigar” com a comida.
Grad. Alcoólica: 13,7%
Preço: R$19,80
Importadora: Mistral

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Degustação às cegas: A Syrah do Novo Mundo

A uva Syrah, ou ShirazSe existe uma variedade de uva de personalidade forte, luxuriante e selvagem, essa variedade é a Syrah. Mesmo que alguns não gostem desse caráter incisivo, preferindo algo mais ameno e tranqüilo, é difícil não ficar seduzido pelos aromas intensos, diretos e exóticos de um bom Syrah. Acredito que a sutileza não seja um traço marcante da Syrah, pois sua elegância está no temperamento forte e na paleta aromática ampla e afável. Os vinhos costumam ser escuros, tendendo ao espectro violeta; a frutuosidade lembra framboesas e cassis, também pode sugerir mirtilo e amoras selvagens. Porém, sempre deve existir um toque empireumático ou defumado; especiarias e cheiro de banhado podem fazer parte do bouquet, além de notas delicadas de flores e laticínios. Os exemplares do Novo Mundo costumam apresentar uma fruta doce exacerbada, enquanto os europeus (notoriamente no Rhône) são mais minerais e frescos.

Fizemos uma degustação às cegas com 4 rótulos de Syrah do Novo Mundo:

  • Austrália, Langhorne Creek: Step RD Shiraz;
  • Chile, Valle del Maipo: Ventisquero Grey Syrah;
  • Argentina, Mendoza: Luigi Bosca Reserva Syrah;
  • África do Sul, Stellenbosch: Fort Simon Syrah.

Seguimos o critério preço, estabelecido no intervalo de R$ 80 a R$ 90 (a exceção é o Luigi Bosca Reserva, que custa em média R$50, mas vamos relevar essa diferença em função do favorecimento fiscal para os hermanos). Outra observação deve ser feita com relação as safras, pois os vinhos apresentaram diferentes níveis de evolução. Além de mim e do Jackson, participaram outras 4 pessoas convidadas por nós que desconheciam completamente os rótulos, sabendo apenas que seriam degustados 4 vinhos feitos de Syrah.

Ficamos felizes em observar as diferenças entre os vinhos. Talvez em razão do terroir desses lugares ou mesmo pelo estilo dos produtores, porém os vinhos foram reconhecidos com certa facilidade. O Ventisquero Grey se entregou de imediato, traído pelas notas herbáceas/vegetais, típicas da maioria dos chilenos (seria influência dos 10% de Carmenere e 5% de Cabernet Sauvignon?). O Step RD com sua fruta muito doce, lembrando licores, denunciou uma maturação extrema, comum em terras australianas. O Luigi Bosca apresentou menos potência que os dois primeiros, exibindo uma frutuosidade mais fresca. O Fort Simon surpreendeu com sua paleta aromática típica, exalando frutas vermelhas frescas, borracha e especiarias, apesar de sua estrutura média.

Em geral, todos os vinhos agradaram, dividindo a preferência dos degustadores. O Ventisquero Grey foi considerado o mais complexo e estruturado; o Step RD agradou aos fãs de vinhos potentes, com sua fruta licorosa e textura densa; o Luigi Bosca Reserva convenceu pela sua harmonia; já o Fort Simon, pela personalidade mais original e frescor.

A grande questão fica por conta da harmonização desses vinhos com a comida, já que o Ventisquero Grey e Step RD falam alto demais, além disso, no caso do Step RD ainda temos a questão da sua “doçura”. A combinação mais adequada é carne bovina grelhada ou caça (pode usar tempero e molho a vontade!). O Luigi Bosca é mais fácil, a opção de acompanhar massas ou grelhados de carne vermelha é ótima, mas ainda é possível escoltar muito bem um pernil suíno ou de cordeiro. O Fort Simon é mais versátil na cozinha, acompanha bem um risoto ai funghi.

Step RD Shiraz Langhorne Creek 2003

Vinho australiano Step Road Shiraz Langhorne Creek 2003Nos anos 90 o mundo do vinho passou por uma enorme revolução, e um nome exerceu uma influência poderosa nesse cenário, ultrapassando até mesmo tradicionais potências como a França e a Itália. A surpresa veio da Austrália que remodelou inteiramente a moderna produção de vinhos, entregando o que o mercado mundial mais desejava: vinhos encorpados, redondos, com bouquet aberto, cheio de frutas e notas pronunciadas de carvalho; sem esquecer de excelentes preços. Desde então, os vinhos australianos invadiram as prateleiras e conquistaram o gosto dos consumidores. O rótulo que integrou esse painel, o Step RD Shiraz 2003, é um perfeito representante desse estilo. Localizada em Langhorne Creek a 70km de Adelaide, a Step RD produz ainda outros dois vinhos a base de Shiraz, posicionados um pouco abaixo do vinho avaliado, o First Step e o Black Wing. O Step RD Shiraz não nega as origens, já ao primeiro contato denuncia todo o estilo australiano. Cor rubi com pouca transparência; halo ligeiramente violáceo, lágrimas muito untuosas e tingidas que evocam toda a sua juventude. Nariz bem intenso e doce, lembrando frutas negras maduras, confeitos, eucalipto e licor de cereja. As notas dadas pelo carvalho aparecem já no primeiro plano e com muita força, o que não é de estranhar já que o vinho passa 18 meses em barricas americanas. Na boca é vinoso, potente, com taninos redondos e macios. O fim de boca é longo, deixando uma sensação adocicada e calorosa dada pela generosa presença de álcool.

Muito Bom
Grad. Alcoólica: 14,5%
Preço: R$ 89
Importadora: Wine Company

Ventisquero Grey Syrah 2003

Ventisquero Grey SyrahSe por um lado o “estilo Parker” se fez valer com o Step RD, o que dizer do Grey? Mais do que nunca falou mais alto o caráter Vale Del Maipo. Fiel as típicas notas herbáceas e de mentol, o Ventisquero Grey Syrah, que também possui em sua composição Carménère e Cabernet Sauvignon, foi além, trazendo complexidade e uma dose de elegância. É bem verdade que numa análise mais apressada ele poderia passar por mais um bom blend ou um Carménère chileno. A análise visual revelou um rubi com ligeira transparência, lágrimas untuosas e levemente tingidas. Aroma muito intenso e convidativo evocando notas de mentol, amoras, pimentão e cacao. Ao longo da degustação mostrou sua complexidade revelando toques de borracha, tabaco e um leve tostado. Textura volumosa, taninos finos e uma acidez correta conferem ao Grey um bom equilíbrio. O final de excelente persistência e boa frutuosidade (sem exageros de doçura) acrescenta ainda mais classe ao vinho.

Excelente
Grad. Alcoólica: 14%
Preço: R$ 78
Importadora: Cantu

Luigi Bosca Reserva Syrah 2004

Luigi Bosca Reserva SyrahAté o momento da publicação deste artigo, o Luigi Bosca Malbec DOC liderava o ranking de popularidade do QVinho, provando a boa reputação desse produtor. Recomendo aos consumidores habituais do Malbec DOC provarem o Reserva Syrah, um vinho equilibrado, de personalidade feminina. Exibiu cor rubi com ligeira transparência, halo violáceo e lágrimas persistentes (menos pigmentadas que o Grey e o Step RD). Nariz agradável, de intensidade muito boa, lembrando frutas vermelhas maduras como framboesas e cerejas; notas sutis de ervas secas e tostados, mostrando boa integração com o carvalho. Bom corpo com taninos jovens e suculentos, além de apresentar acidez muito boa. Final agradável, frutado e jovial, finalizando com persistência. O Luigi Bosca Reseva Syrah se destacou pelo seu conjunto harmonioso e agradável, sem exageros de carvalho ou extração, além disso, tem preço mais competitivo.

Muito Bom
Grad. Alcoólica: 14,5%
Preço: R$ 50
Importadora: Decanter

Fort Simon Syrah 2002

Fort Simon Syrah 2002A grande surpresa da nossa degustação foi o Fort Simon Syrah, um vinho produzido em Stellenbosch, tradicional distrito da região vinícola da Cidade do Cabo. O Fort Simon ainda é um rótulo novo no Brasil, todavia exibiu qualidades interessantes em um mercado saturado por vinhos potentes. O Fort Simon Syrah foi o vinho mais “leve” e menos alcoólico desse painel, talvez em função de uma safra mais difícil, mesmo assim, preservando traços marcantes de um bom Syrah. A grosso modo, podemos afirmar que o Fort Simon apresentou-se em posição diametralmente oposta ao Step RD, porém sem deméritos em ambos os lados, apenas uma questão de gosto. A análise visual evidenciou uma cor rubi com transparência, halo tendente ao grená; lágrimas de boa persistência e coloração fraca. Aromas frescos de frutas negras e borracha dominam o olfato; reforçados por nuances de especiarias e toques defumados. O corpo é médio, com taninos bem integrados e acidez agradável. Final com persistência muito boa, levemente seco. O Fort Simon é um Syrah mais próximo do Crozes-Hermitage do Rhône, menos opulento que os outros 3 rótulos, porém mais fresco e original, já que não se encobre sobre os sete véus do carvalho novo.

Muito Bom
Grad. Alcoólica: 12,9%
Preço: R$ 80
Importadora: Dom Quirino

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Alamos Pinot Noir 2006

Catena Alamos Pinot Noir 2006Os vinhos da linha Alamos estão entre os rótulos mais populares aqui no QVinho, um fato pouco surpreendente, pois a marca Catena tem muita força no Brasil. Considerando a qualidade desses vinhos, regularmente boa, além do preço acessível, fica fácil entender o sucesso do Alamos. Já comentei sobre o Alamos Malbec, uma verdadeira Coca-Cola dos vinhos argentinos; degustamos também o Alamos Reserve Malbec La Posta Vineyard, bem mais sutil e elegante. Agora chegou a vez do Pinot Noir, que apesar de bem feito, deixa a desejar em estilo. Atualmente a Pinot Noir é uma pop star, todos os produtores ambiciosos querem produzir um grande vinho com ela, porém poucos chegam perto disso. No caso da Catena, o próprio Nicolás admite que ainda é preciso muito trabalho, pois acredita que a Pinot Noir ainda não achou o terreno e o tratamento adequado em terras argentinas. Seja como for, o Alamos Pinot Noir não é um vinho ruim, mas também não empolga. Exibiu cor cereja com transparência evidente, além de lágrimas de razoável persistência. Aroma frutado intenso e direto, lembra framboesas maduras com notas evidentes de maturação em carvalho. Pouco corpo, razoável estrutura tânica, acidez insuficiente para equilibrar o álcool. Final razoável, um pouco flácido, mesmo assim mostra uma persistência mediana. O Alamos Pinot Noir seria bem mais interessante se tivesse mais acidez e menos carvalho.

Fraco
Pinot Noir frutado, leve, muito macio e com sabor característico de carvalho. Recomendo apenas para quem gosta desse estilo.
Grad. Alcoólica: 13%
Preço: R$30
Importadora: Mistral

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Bodegas y Viñedos O.Fournier

Bodegas y Viñedos O.Fournier - Valle de Uco

Um dos rótulos que mais se destacou aqui no blog foi o Alfa Crux Blend 2002, um vinho moderno e pretensioso, assim como o seu produtor, a Bodegas Y Viñedos O.Fournier. Uma vinícola nova – fundada em 2000 – que já está produzindo vinhos muito bons em Ribera Del Duero e Mendoza, além de ter projetos em andamento no Chile, Portugal (Douro) e Espanha (Rioja). É isso mesmo! Ribera Del Duero, Rioja, Douro, Mendoza e Chile foram os locais escolhidos para a “construção” do grupo bodeguero O.Fournier, sem sombra de dúvidas, uma empreitada ambiciosa. Ainda não tivemos a oportunidade de provar todos os seus vinhos, mas aqueles que provamos, saíram-se muito bem nas degustações. Além do já mencionado Alfa Crux, comparamos lado-a-lado o BCrux Blend 2003, o Urban Uco Malbec-Tempranillo 2004 e o Leonardo Tempranillo 2005 e pudemos comprovar a qualidade da O.Fournier. São vinhos modernos, com muita fruta e boa integração com a madeira, além de oferecerem taninos maduros, boa acidez e um certo frescor. Um dos grandes méritos da O.Fournier é imprimir uma personalidade própria em seus vinhos. Outro ponto que merece destaque é a excelente relação qualidade/preço do Urban Uco e do Leonardo.

Importadora: Vinci

BCrux Blend 2003

O.Fournier Beta Crux 2003 Mais um excelente vinho da O.Fournier. Esse assemblage (60% Tempranillo, 20% Malbec, 10% Merlot e 10% Syrah) apresentou uma cor rubi intensa, rico em matéria corante e um halo ligeiramente púrpura. Ao nariz, o bouquet é complexo e muito intenso. O leque de perfumes exala notas de frutas negras maduras, cedro, seguido por um sutil toque de especiarias como cravo. O cuidadoso processo de amadurecimento em barricas de carvalho (80% francês e 20% americano) só trouxe fineza ao vinho. Na boca é potente, caloroso, com taninos macios e uma boa acidez. Sem dúvida um vinho bem equilibrado. O retrogosto é prazeroso e persistente, sem exageros. A O. Fournier confirma com seu BCrux Blend toda sua capacidade para talhar vinhos com muita elegância, complexidade, concentração e, principalmente, fáceis para serem apreciados.

Excelente
Grad. Alcoólica: 14,5%
Preço: R$85

Urban Uco Malbec-Tempranillo 2004

O.Fournier Urban Uco Malbec-Tempranillo 2004Esse corte bivarietal (50/50) exibiu cor rubi com ligeira transparência e halo tendente ao púrpura, além de lágrimas muito persistentes e densas. Nariz agradável, um pouco discreto no início, porém revelador de uma boa complexidade, remetendo a frutas passificadas, couro, borracha e cascalhos. Corpo médio, taninos macios e acidez correta. Final com boa persistência, deixando uma sensação harmônica. O Urban Uco é um vinho muito interessante, tem uma complexidade surpreendente e, considerando o preço, traz uma elegância típica de vinhos mais caros. Sua personalidade é mais européia, apesar da maciez comum do novo mundo, além disso, não exibe a fruta exageradamente doce de muitos vinhos atuais.

Muito Bom - Best Buy
Grad. Alcoólica: 14,5%
Preço: R$30

Leonardo Tempranillo 2005

O.Fournier Leonardo Tempranillo 2005Produzido com exclusividade para a Vinci, este jovial tinto mostrou cor rubi com boa transparência, halo ligeiramente violáceo e lágrimas com persistência média. Aroma intenso, aberto e direto, trazendo cerejas maduras; notas de caramelo e ervas secas. Corpo leve, com taninos bem resolvidos e acidez um pouco baixa, deixando evidenciar o álcool elevado. Final frutado de persistência muito boa. O Leonardo Tempranillo é um vinho ligeiro, para ser bebido em goles fartos, acompanhando pizza e boa conversa. Acho que esse vinho peca no acabamento, é muito macio e leve, seria melhor se tivesse um pouco mais de acidez, trazendo mais vivacidade e brilho. Por outro lado, sua intensidade aromática e persistência são muito boas, incomuns em vinhos dessa faixa de preço, o que torna o Leonardo Tempranillo um dos campeões no quesito relação qualidade/preço.

Bom
Grad. Alcoólica: 14,5%
Preço: R$18

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