Uma das coisas mais impressionantes no mundo do vinho é poder observar como a natureza é implacável e decisiva. E os vinhos de Calchaquies, um vale encravado nos Andes, na província argentina de Salta, demonstram como os homens sabem tirar proveito dessa natureza. O coração vinícola do Valle de Calchaquies é Cafayate, um município de 1.570 Km² a 1.700 m de altitude, que possui um clima bastante seco e com grande amplitude térmica. Condições perfeitas para a viticultura de precisão, que como em outras regiões argentinas, também parece atingir grande êxito. Provamos um excelente tinto de Cafayate, o Ciclos de El Esteco Tinto, e ficamos surpresos com o bom resultado alcançado. O Ciclos é produzido pela Bodega El Esteco, também conhecida como Michel Torino, a partir de um corte de Cabernet Sauvignon (45%), Malbec (38%) e Syrah (17%); maturado 15 meses em barricas de carvalho americano. Exibiu cor rubi escura com halo ligeiramente púrpura. Nariz de boa intensidade, com carvalho surpreendentemente bem integrado, revelou aroma sutil de frutas negras; envolvidas por notas de cacau, baunilha, tabaco e páprica. Corpo generoso, taninos macios e acidez muito boa. Final de persistência média, agradável e harmônico. A Bodega El Esteco conseguiu produzir um vinho bem equilibrado, sem dúvida melhor que muitos cortes semelhantes de Mendoza. Lembra alguns bons chilenos.
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O Ciclos de El Esteco é um vinho suculento e gostoso, sem muitos excessos.
Grad. Alcoólica: 14%
Preço: R$60
Importadora: Bruck











É impressionante a atual procura por informações relativas a cafés especiais. Parece que o brasileiro quer aprender a beber café de qualidade, principalmente pela crescente popularidade desse tema aqui no QVinho. O assunto é mais que oportuno, pois durante muitos anos os brasileiros consumiram apenas o nosso pior café, ao passo que os melhores grãos eram exportados. É hora de começar a apreciar um bom café, conhecendo e identificando os melhores grãos, aprendendo as diferentes
Não é novidade que os norte-americanos conseguem explorar como ninguém cada nicho de mercado e, no segmento do vinho não poderia ser diferente. A nova aposta de uma importadora americana são os vinhos da israelense Grapes of Galilee que tematiza seus rótulos com cenas do Novo Testamento. Nos rótulos você pode encontrar cenas de Jesus sendo batizado ou caminhando sobre o mar da Galiléia. Com propriedades em Israel, a vinícola conta com irrigação das águas do Rio Jordão e produz Cabernet Sauvignon, Merlot e Chardonnay. Os vinhos devem chegar ao mercado norte-americano com um preço médio de $14, e contarão com uma forte estratégia de divulgação junto à população Católica. Já estão programados anúncios nas principais publicações impressas dirigidas aos católicos como a Catholic Digest, a God’s Word Today e a Today’s Parish Minister. É, o pessoal não é fraco! Muito embora os vinhos israelenses representem apenas 0,05% das importações de vinhos americanas, segundo a ACNielsen, nas últimas 52 semanas as vendas desses vinhos cresceram 14,4%. Agora é aguadar os feriados religiosos e, principalmente, pelo Natal.
Sempre me pergunto, ao ler as críticas e as listas de pontos publicadas por revistas como a Wine Spectator, a Wine Advocate, e a Wine Enthusiast, por que certos vinhos não emplacam. Sim, porque se por um lado certos rótulos ganham o status de obra prima com direito à capas de revista, entrevistas com o enólogo e muita bajulação; outros, diga-se de passagem bons vinhos, talvez com três ou quatro pontos a menos, não gozam nem da metade da exposição. Claro, estamos falando de marketing, e nesse terreno, o mundo do vinho cresceu exponencialmente. Essa matemática perversa que catapulta ou soterra determinados produtos, realmente, é difícil de explicar. Resolvi fazer esse pequeno exórdio em vista da classificação dada pela WS ao Família Zuccardi Q Trempranillo 2002 e 2003, respectivamente, 79 e 83 pontos! Não foram as safras que degustamos, mas não é por nada, alcançar modestos “83 pontos” é um absurdo. Já vi muito vinho argentino e chileno bem fraquinho e mascarado atingindo fácil 88 pontos. Vai entender! Lavagem cerebral a parte, o mainstream media que nos desculpe, o Zuccardi Tempranillo Q é um vinho que merece ser bebido. O “Q” é um varietal 100% Tempranillo, de vinhedos com mais de 36 anos, localizados em Santa Rosa, Mendoza. A análise visual revelou um vinho rubi escuro, com pequena transparência, lágrimas persistentes e quase incolores. Bouquet rico e complexo, ressaltando notas de chocolate e couro enriquecidas por frutas maduras como cerejas e amoras. Na boca é carnudo, vigoroso, com taninos muito presentes e utuosos, mas que consegue preservar um equilíbrio entre potência e elegância. Acidez viva com um final de boca caloroso e muito persistente. Vale destacar que o Q Tempranillo foi um dos primeiros vinhos premium feitos com essa uva na Argentina. A Familia Zuccardi é mais conhecida no Brasil pela linha Santa Julia.





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