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Ciclos de El Esteco Tinto 2004

Bodega Michel Torino - Ciclos de El Esteco Tinto 2004Uma das coisas mais impressionantes no mundo do vinho é poder observar como a natureza é implacável e decisiva. E os vinhos de Calchaquies, um vale encravado nos Andes, na província argentina de Salta, demonstram como os homens sabem tirar proveito dessa natureza. O coração vinícola do Valle de Calchaquies é Cafayate, um município de 1.570 Km² a 1.700 m de altitude, que possui um clima bastante seco e com grande amplitude térmica. Condições perfeitas para a viticultura de precisão, que como em outras regiões argentinas, também parece atingir grande êxito. Provamos um excelente tinto de Cafayate, o Ciclos de El Esteco Tinto, e ficamos surpresos com o bom resultado alcançado. O Ciclos é produzido pela Bodega El Esteco, também conhecida como Michel Torino, a partir de um corte de Cabernet Sauvignon (45%), Malbec (38%) e Syrah (17%); maturado 15 meses em barricas de carvalho americano. Exibiu cor rubi escura com halo ligeiramente púrpura. Nariz de boa intensidade, com carvalho surpreendentemente bem integrado, revelou aroma sutil de frutas negras; envolvidas por notas de cacau, baunilha, tabaco e páprica. Corpo generoso, taninos macios e acidez muito boa. Final de persistência média, agradável e harmônico. A Bodega El Esteco conseguiu produzir um vinho bem equilibrado, sem dúvida melhor que muitos cortes semelhantes de Mendoza. Lembra alguns bons chilenos.

Muito Bom
O Ciclos de El Esteco é um vinho suculento e gostoso, sem muitos excessos.
Grad. Alcoólica: 14%
Preço: R$60
Importadora: Bruck

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Mumm Cuvée Spéciale Extra Brut

Espumante Mumm Cuvée Speciale Extra BrutTodos gostam de vinho espumante, parece que as borbulhas permeiam o imaginário das pessoas, trazendo sensações de alegria e contentamento. Mas qual será o “tipo” de espumante que faz mais sucesso? Uma resposta apressada pode sugerir o Champagne, o estilo de vinho não tranqüilo mais famosos mundialmente, porém, falemos francamente, quantas pessoas realmente gostam de Champagne quando provam pela primeira vez? Quase nenhuma, principalmente quando apresentadas as versões secas. O suposto problema reside na acidez aguda dos bons espumantes, que dificilmente agrada pessoas não habituadas, provocando uma imediata repulsa. Vale aqui fazer uma ressalva, toda a classe, a complexidade e a longevidade dos melhores Champagnes derivam da sua acidez, sem esse elemento o espumante é apenas mais um vinho banal. Para contornar essa paradoxal dificuldade de apreciar um bom Champagne, e também para conquistar outras fatias de mercado, as tradicionais maisons de Reims e Epernay estenderam seus domínios no Novo Mundo. O estilo empregado em países como Estados Unidos, Argentina e Brasil é mais acessível, fácil de beber e não estoura a conta bancária. O vinho já não é mais Champagne, porém alguns exemplares - somente aqueles mais caros - podem resgatar aquele cheirinho de padaria e confeitaria, típico dos melhores vinhos borbulhantes. O Mumm Cuvée Spéciale Extra Brut, produzido na Argentina, segue a proposta da acessibilidade. Esse espumante é barato, fácil de beber e, obviamente, deixa a desejar em elegância e complexidade. Cor palha, ligeiramente verdoso, com perlage pouco persistente. Nariz frutado com boa intensidade, evidenciando uvas maduras (lembra moscatel), frutas cítricas e algumas notas de fermento de pão. Acabamento razoável, deixando um final de boca alcoólico. Existe muito açúcar residual, apesar da designação Extra Brut.

Bom
Não é um grande espumante, mas também não é caro. Pode ser uma boa opção para festas e eventos sociais.
Grad. Alcoólica: 12,5%
Preço: R$23
Importadora: Pernod Ricard

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Saurus Patagonia Select Sauvignon Blanc 2006

Vinho Saurus Patagonia Select Sauvignon Blanc 2006 - Bodega Familia SchroederÉ do longínquo Valle de San Patricio Del Chañar, na província de Neuquén, que a Bodega Familia Schroeder produz a sua linha de vinhos conhecida como Saurus. Por que Saurus? Segundo os fundadores, durante a construção da vinícola, em 2001, foram encontrados fósseis de um dos maiores dinossauros que habitaram há 75 milhões de anos essa região da Patagônia, daí a inspiração para o nome do vinho. Quem se interessar pode ver mais de perto esses fósseis que estão expostos à visitação nas caves da própria bodega, próximo aonde repousam os vinhos. O Saurus Patagonia Select Sauvignon Blanc mostrou uma cor amarelo-palha, bouquet não muito intenso e ligeiramente aromático, exalando notas amanteigadas dadas pelo curto estágio de 40% em barricas de carvalho, seguido de frutas como maçã e pêssego. A boca de boa estrutura exprime muita harmonia entre a acidez e o álcool, produzindo uma agradável sensação de frescor. O fim de boca é longo, lembrando frutas cítricas. Diferentemente de outros Sauvignon Blanc argentinos o Saurus não apresentou traços herbáceos tão comuns em outros rótulos. Levando-se em consideração que a primeira safra foi 2003, podemos esperar bons resultados para os vinhos da Familia Schroeder.

Bom
Sauvignon Blanc com nariz pouco expressivo apesar de sua ótima presença de boca. Pelo que oferece poderia custar um pouco menos.
Grad. Alcoólica: 13,2%
Preço: R$60
Importadora: KMM Vinhos

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Tittarelli Tempranillo Reserva 2003

Vinho Tittarelli Tempranillo Reserva 2003A bodega Tittarelli é mais uma histórica vinícola argentina, fundada em 1915 por uma família de imigrantes italianos, cujos descendentes ainda permanecem nos negócios. Sua produção é voltada para o vinho do dia-a-dia, alguns utilizando garrafões, semelhante aos empregados no Rio Grande do Sul, além da excelente produção de azeite de oliva. A imensa capacidade produtiva da Tittarelli é voltada para o vinho barato, mesmo assim, essa bodega também produz alguns bons exemplares de Malbec, Tempranillo, Cabernet Sauvignon, Syrah, Chardonnay e Torrontes. Degustamos o Tittarelli Tempranillo Reserva 2003 e ficamos impressionados com a relação qualidade/preço, pois o vinho tem boa intensidade aromática e concentração. Mostrou cor rubi escura com lágrimas persistentes. Aroma frutado de boa intensidade, revelando amoras maduras, além de notas de couro e baunilha. Bom corpo, taninos um pouco angulosos e acidez ligeiramente elevada. Final seco com persistência razoável. Não é um vinho macio e elegante, mas cumpre a proposta de oferecer boa estrutura e equilíbrio razoável. Já vi esse vinho sendo vendido a preço muito alto, próximo a R$30, não justificando a compra nesse patamar.

Bom
Tempranillo honesto e relativamente equilibrado. Tem boa presença e intensidade aromática.
Grad. Alcoólica: 13,2%
Preço: R$20
Importadora: Terramatter

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Lagarde Blanc de Noir 2006

Vinho rose Lagarde Blanc de Noir 2006Costumo dizer que os rosados são como coringas, resolvem aquela questão de escolha entre um branco encorpado ou um tinto leve. Na dúvida é melhor escolher um rosado, que pode combinar bem com vários pratos, até mesmo com um cheeseburguer. Por isso é sempre bom ter um vinho rosado na adega. O Lagarde Blanc de Noir é um rosado de personalidade forte, sem passagem pela madeira, feito com uvas Malbec e Pinot Noir (50/50) de vinhedos de 68 e 14 anos, respectivamente. Produzido pela tradicional bodega mendocina Lagarde, que tem 106 anos de história, mas parece ter dificuldade em acompanhar os produtores mais modernos. O Lagarde Blanc de Noir apresentou uma cor grená transparente, surpreendentemente intensa, fugindo da paleta típica de tons salmão. Nariz frutado de boa intensidade, remetendo a morangos e cerejas, com leves notas florais. Corpo generoso, com acidez bem colocada, mas excessivamente alcoólico. Final de boca seco, alcoólico e levemente amargo, finalizando com notas defumadas e boa persistência. O Lagarde Blanc de Noir pode agradar à aqueles que gostam de vinhos potentes, mas sem dúvida seria melhor se tivesse mais sutileza e elegância.

Bom
Rosado um pouco pesado, mesmo assim, oferece um bom frescor e riqueza de aromas frutados.
Grad. Alcoólica: 14%
Preço: R$ 43
Importadora: Reloco

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Terrazas de Los Andes Afincado Malbec 2004

Terrazas de Los Andes Afincado Malbec 2004Degustar grandes vinhos em sua fase de juventude nem sempre é uma tarefa fácil. Geralmente a linha que separa esses vinhos de outros também muitos bons, que custam a metade do preço, pelo menos nessa fase da vida, pode ser muito tênue. Não podemos esquecer que as modernas técnicas de enologia além de aumentarem a qualidade dos vinhos, conseguiram deixa-los mais “prontos para o consumo” num espaço menor de tempo. Isso quer dizer, pelo menos na maioria das vezes, que não precisamos aguardar 10, 15 ou mais anos para apreciar um excelente vinho. Por outro lado, muitos consumidores reclamam da padronização, ou seja, da falta de personalidade de certos vinhos, mas isso é outra história. Antes de comentar a degustação do Afincado preciso esclarecer que mesmo sabendo que se trata de uma safra ainda jovem resolvi avaliar sua evolução. Felizmente ainda me restam outras duas garrafas dessa mesma safra. Assim como outras bodegas argentinas que resolveram apostar alto em rótulos premium de single vineyard, ou seja, um vinho produzido com uvas de um único vinhedo, a Bodega Terrazas de los Andes produziu com maestria seu Afincado. Além do Malbec também faz parte dessa linha o Afincado Cabernet Sauvignon, ambos provenientes das melhores parcelas de suas propriedades na região de Mendoza. Trabalhando com uma produtividade mínima (2,7 a 3,0 toneladas/acres), a proposta da Terrazas é extrair a expressão máxima de cada varietal. É de vinhedos com mais de 75 anos, situados a uma altitude de 1.067 m, da Finca Las Compuertas, Vistalba, que nasce o Afincado Malbec. Um vinho que já impressiona ao primeiro contato. Cor rubi escura e um halo levemente violáceo, repleto de lágrimas untuosas e muito tingidas que denunciam toda a sua jovialidade. Seu bouquet é intenso e muito persistente desde os primeiros instantes. Os aromas evocam o frescor de frutas vermelhas como cerejas e framboesas, acompanhado de um leve toque de anis. O amadurecimento de 18 meses em carvalho francês é muito elegante, e consegue preservar extraordinariamente a frutuosidade e personalidade do vinho. Na boca é amplo, vigoroso, embora os taninos ainda evoquem uma certa dureza. Final longo e extremamente agradável. Em resumo, o Afincado Malbec confirma toda a classe dos vinhos da Terrazas de Los Andes, e mostra todo seu potencial para aprimorar-se ao envelhecer. Acredito que no mínimo mais 4 anos de envelhecimento sejam necessários para este vinho atingir o seu ápice.

Excelente
Malbec com muita fruta e potência. Certamente precisa de tempo para mostrar a sua classe.
Grad. Alcoólica: 14%
Preço: R$ 190
Importadora: LVMH

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Conheça o café Bourbon

Café BourbonÉ impressionante a atual procura por informações relativas a cafés especiais. Parece que o brasileiro quer aprender a beber café de qualidade, principalmente pela crescente popularidade desse tema aqui no QVinho. O assunto é mais que oportuno, pois durante muitos anos os brasileiros consumiram apenas o nosso pior café, ao passo que os melhores grãos eram exportados. É hora de começar a apreciar um bom café, conhecendo e identificando os melhores grãos, aprendendo as diferentes maneiras de preparação, descobrindo o verdadeiro sabor e aroma do “Vinho da Arábia”.

Mas o que é um café especial? Basicamente, grãos arábica produzidos em regiões nobres seguindo rigoroso controle de qualidade. Existem entidades que procuram regulamentar essa classificação, como a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), todavia, alguns excelentes cafés ainda não contam com a certificação da BSCA.

Para a maioria dos consumidores, não acostumados a comprar café especial, o preço elevado ainda é uma barreira. Mesmo assim, vale a pena experimentar, depois fica mais fácil virar consumidor habitual. Um grande diferencial que algumas fazendas estão oferecendo é o grão Bourbon. Uma variedade de café arábica, muito valorizado no exterior, que raramente era processado e embalado para consumo interno. Felizmente isso vem mudando, já podemos encontrar blends 100% Bourbon aqui no Brasil, um luxo não mais inacessível. Apesar da espécie arábica ser originária da Etiópia, existem inúmeras variedades dessa espécie. Algumas surgiram naturalmente por hibridação, outras foram desenvolvidas visando melhor resistência a pragas, maior produtividade e qualidade final. Geralmente não se faz menção as variedades que compõe o blend, por se tratar de um aspecto técnico inerente ao processo produtivo, mas como a Bourbon ganhou fama mundial, agora temos blends somente dessa variedade.

Ateliê do Café - Daterra Bourbon Collection e Astro BourbonOs predicados de um café Bourbon são bem convincentes, doçura natural, textura achocolatada, aroma intenso e agradável acidez; desde que cultivado a uma boa altitude, em solo e clima adequado. Provei 2 blends exclusivos de Bourbon, o Ateliê do Café - Daterra Bourbon Collection e o Astro Bourbon, ambos não decepcionaram, produzindo uma bebida intensa e agradável, seja espresso, coado ou na Bialetti, comprovando a famosa “doçura” natural dessa variedade, deixando um final de boca suave e achocolatado. O blend Daterra Bourbon é preparado com grãos originários do Cerrado Mineiro e Mogiana Paulista, por sua vez, o Astro Bourbon é um café single state, produzido na Fazenda Irarema, próxima a Poços de Caldas, numa privilegiada região de solo vulcânico e altitude de 1.300 m.

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Grapes of Galilee quer atingir cristãos nos EUA

Vinhos da israelense Grapes of Galilee que tematiza seus rótulos com cenas do Novo TestamentoNão é novidade que os norte-americanos conseguem explorar como ninguém cada nicho de mercado e, no segmento do vinho não poderia ser diferente. A nova aposta de uma importadora americana são os vinhos da israelense Grapes of Galilee que tematiza seus rótulos com cenas do Novo Testamento. Nos rótulos você pode encontrar cenas de Jesus sendo batizado ou caminhando sobre o mar da Galiléia. Com propriedades em Israel, a vinícola conta com irrigação das águas do Rio Jordão e produz Cabernet Sauvignon, Merlot e Chardonnay. Os vinhos devem chegar ao mercado norte-americano com um preço médio de $14, e contarão com uma forte estratégia de divulgação junto à população Católica. Já estão programados anúncios nas principais publicações impressas dirigidas aos católicos como a Catholic Digest, a God’s Word Today e a Today’s Parish Minister. É, o pessoal não é fraco! Muito embora os vinhos israelenses representem apenas 0,05% das importações de vinhos americanas, segundo a ACNielsen, nas últimas 52 semanas as vendas desses vinhos cresceram 14,4%. Agora é aguadar os feriados religiosos e, principalmente, pelo Natal.

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Miolo Terranova Blanc de Blancs Brut 2007

Espumante Miolo Terranova Blanc de Blancs Brut 2007Começam a chegar ao mercado a nova safra de espumantes da Miolo, o Terranova Blanc de Blancs Brut (existe uma versão Demi-Séc), produzidos na Fazenda Ouro Verde, Vale do São Francisco. O lançamento da nova linha Terranova, realizada no final de agosto, vai de encontro à agressiva meta da Miolo de se tornar o 3. maior produtor de espumantes do país até o final de 2007. O assemblage Blanc de Blancs, produzido pelo método charmat, consiste em utilizar apenas variedades de uvas brancas, nesse caso a Chenin Blanc, a Sauvignon Blanc e a Verdejo. Uma curiosidade, o criador do Blanc de Blancs, foi Aime Salon, fundador da estupenda Maison Salon. Talvez muita gente não saiba, mas bons champagnes costumam envelhecer muitos anos. É o caso dos S de Salon, que até mesmo em safras como 1943, 1959 e 1966, se bebidas hoje, estão no seu esplendor. Incrível? Não, isso é possível graças a acidez colossal desses vinhos, fator que afugenta os bebedores não iniciados na arte de apreciar grandes espumantes. Mas voltemos aos Terranova. Diferentemente de outros espumantes brut da Serra Gaúcha, essa série da Terranova tem uma proposta mais acessível, principalmente para os iniciantes menos habituados aos tradicionais espumantes brut. Trata-se de um espumante leve, fresco, ideal para ser bebido jovem. Cor amarelo palha, levemente verdoso, o Terranova Brut Blanc de Blancs 2007, apresentou um perlage fino e bem persistente. O bouquet exprimiu notas de frutas de polpa branca. Na boca a estrutura é bem leve, acidez muito discreta com um final pouco seco. Quem se afugenta só de ouvir o termo brut, não precisa se preocupar, já que esse Terranova está longe de ter a acidez e a secura típica desses espumantes.

Muito Bom - Best Buy
Espumante com uma proposta mais descompromissada, para ser bebido jovem, ideal para coquetéis e eventos.
Grad. Alcoólica: 12%
Preço: R$ 17

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Familia Zuccardi Q Trempranillo 2004

Familia Zuccardi Q Trempranillo 2004Sempre me pergunto, ao ler as críticas e as listas de pontos publicadas por revistas como a Wine Spectator, a Wine Advocate, e a Wine Enthusiast, por que certos vinhos não emplacam. Sim, porque se por um lado certos rótulos ganham o status de obra prima com direito à capas de revista, entrevistas com o enólogo e muita bajulação; outros, diga-se de passagem bons vinhos, talvez com três ou quatro pontos a menos, não gozam nem da metade da exposição. Claro, estamos falando de marketing, e nesse terreno, o mundo do vinho cresceu exponencialmente. Essa matemática perversa que catapulta ou soterra determinados produtos, realmente, é difícil de explicar. Resolvi fazer esse pequeno exórdio em vista da classificação dada pela WS ao Família Zuccardi Q Trempranillo 2002 e 2003, respectivamente, 79 e 83 pontos! Não foram as safras que degustamos, mas não é por nada, alcançar modestos “83 pontos” é um absurdo. Já vi muito vinho argentino e chileno bem fraquinho e mascarado atingindo fácil 88 pontos. Vai entender! Lavagem cerebral a parte, o mainstream media que nos desculpe, o Zuccardi Tempranillo Q é um vinho que merece ser bebido. O “Q” é um varietal 100% Tempranillo, de vinhedos com mais de 36 anos, localizados em Santa Rosa, Mendoza. A análise visual revelou um vinho rubi escuro, com pequena transparência, lágrimas persistentes e quase incolores. Bouquet rico e complexo, ressaltando notas de chocolate e couro enriquecidas por frutas maduras como cerejas e amoras. Na boca é carnudo, vigoroso, com taninos muito presentes e utuosos, mas que consegue preservar um equilíbrio entre potência e elegância. Acidez viva com um final de boca caloroso e muito persistente. Vale destacar que o Q Tempranillo foi um dos primeiros vinhos premium feitos com essa uva na Argentina. A Familia Zuccardi é mais conhecida no Brasil pela linha Santa Julia.

Excelente
Mostra o grande potencial da Tempranillo na Argentina. Um vinho ainda jovem que pode evoluir bem nos próximos dois anos.
Grad. Alcoolica: 14%
Preco: R$ 94
Importadora: Expand

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