A tradicional região de San Juan, na Argentina, ainda é associada a vinhos de baixa qualidade, não tendo a mesma reputação que Mendoza. Porém, a Bodegas Callia está empenhada em mudar esse conceito. San Juan possui um clima muito quente, o que exige um grande cuidado dos produtores com a maturação das uvas, caso contrário teremos vinhos enjoativos, com pouca acidez, muito álcool, aroma xaroposo e taninos fracos. Algumas uvas adaptam-se melhor nesse tipo de clima, um exemplo é a Syrah, mas para fazer jus ao pioneirismo dos australianos, vamos chamá-la de Shiraz. A Austrália é famosa por seus vinhos macios, frutuosos e bem estruturados, uma prova da perfeita adaptação da uva Shiraz ao solo e clima quente desse país. O Shiraz australiano, quando bem feito, costuma ser muito agradável e bem acessível, diferentemente dos grandes vinhos do Rhône, menos frutuosos e mais austeros, exigindo um certo tempo de guarda. É no estilo aussie que a Callia faz seus vinhos, e pelo que avaliamos, faz bonito frente aos bons australianos. O Callia Alta Shiraz-Cabernet 2006 exibiu cor púrpura com transparência. Aroma frutuoso intenso, adocicado, lembrando tutti-frutti, com notas discretas de madeira. Corpo médio com taninos bem resolvidos e leve acidez. Final de boca agradável com boa persistência. O Callia Alta Shiraz-Cabernet é redondo e macio, oferecendo uma paleta aromática muito intensa, porém deixa um pouco a desejar em acidez, nada que comprometa o resultado final. Acredito que a boa adaptação da Syrah em climas quentes seja favorecida por sua rica acidez, sem esse recurso os vinhos ficam monótonos, sem frescor, por isso sempre digo que a acidez é fundamental.
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Shiraz-Cabernet bem frutado e redondo, nitidamente inspirado no estilo australiano. Deve agradar ao público feminino.
Grad. Alcoólica: 14%
Preço: R$30
Importadora: Decanter











Quem acompanha o QVinho já deve ter percebido que costumo criticar alguns vinhos modernos, excessivamente marcados pelo carvalho, que acabam adquirindo uma personalidade débil, apenas exibindo a força da madeira. Não consigo gostar desses líquidos alcoólicos sabor carvalho, porém eles fazem muito sucesso mundo afora. Geralmente o toque do carvalho é agradável, mas o exagero torna o vinho enjoativo, além de corromper seu caráter original. O carvalho é como tempero, bem usado valoriza o alimento, mas quando é empregado para suprimir a falta de sabor de um prato, todos conhecem o resultado. É necessário explicar esses detalhes para apresentar o Alfa Crux, um vinho moderno e internacional, produto de um meticuloso trabalho de winemaker, porém aqui o carvalho foi brilhantemente empregado, uma tradição dos melhores vinhos de Ribera Del Duero, agora presente na Argentina. Produzido pela bodega O. Fournier, um dos grandes nomes em Ribera Del Duero, que investiu pesado em suas instalações cinematográficas no Valle de Uco, Mendoza. O Alfa Crux 2002 é um dos ícones do momento, em seu repertório de críticas, podemos destacar os 93 pontos da revista Wine Spectator, que o indicou entre os 100 melhores vinhos do ano em 2006, além da revista inglesa Decanter, que elegeu o Alfa Crux como “o melhor tinto do novo mundo”. Não costumo ficar impressionado com críticas assim, essas revistas escrevem verdadeiros devaneios, o melhor mesmo é provar. O Alfa Crux 2002 é um corte de 60% Tempranillo, 35% Malbec e 5% Merlot, provenientes de três vinhedos distintos, uma típica escolha de winemaker, buscando a máxima expressão de diferentes terrenos. Apresentou bela cor rubi escura, deixando revelar uma pequena transparência, com lágrimas lentas e finas. Aroma intenso de frutas vermelhas maduras, mostrando boa complexidade, com notas de couro, especiarias, violetas e um bom fundo de carvalho doce. Encorpado e potente, com taninos superfinos, excelente acidez e textura sedosa. Final de boca longo e persistente. O Alfa Crux 2002 não decepcionou, deixando claro o esmero da O.Founier em produzir um vinho de muita qualidade, com as melhores características do novo mundo, porém com uma elegância encontrada somente nos melhores solos europeus. A O.Fournier fez um belo trabalho na safra 2002, que já está perfeita agora, mas ainda pode evoluir.








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