Com uma história centenária, a Bodegas Norton faz parte dos negócios da renomada família Swarovski, famosa pela produção de cristais. Já comentei aqui no QVinho sobre o excelente Norton Malbec Reserva. Sob pena de me tornar repetitivo, ainda assim friso que a Norton impõe uma linha mais elegante e européia em seus vinhos. O Malbec DOC, de Luján de Cuyo, é maduro de cor rubi brilhante, boa transparência, acompanhado por lágrimas untuosas e incolores. Presença mais intensa de notas de carvalho, e em segundo plano uma frutuosidade discreta de framboesas e amora. Na boca é redondo e bem equilibrado em relação à acidez e ao álcool. Muito se fala de vinhos potentes para competição em detrimento dos `vinhos gastronômicos´. Não tenho dúvidas que a esse exemplar da Norton além de um excelente custo/benefício pode acompanhar muito bem as refeições. O Reserva Malbec e o Perdriel continuam sendo meus vinhos preferidos dessa bodega.

Malbec honesto, sem exageros, que hamoniza muito bem com diversos pratos, como risotos e carnes preparadas no forno.
Grad. Alcoólica: 13,5%
Preço: R$24
Importadora: Expand
Recentemente a Salentein inaugurou um belíssimo espaço, o Killka, logo na entrada da propriedade, dedicado a exposições de arte, eventos e gastronomia. Nesse museu de arte os visitantes podem conhecer, em exposições temporárias e da própria coleção Killka, telas e esculturas de diversos artistas argentinos e holandeses. Infelizmente quando visitei a bodega, em meados de 2006, a obra não estava finalizada. O Killka é um presente à contemplação dessa mágica paisagem do Valle do Uco. Quem estiver com viagem programada para Mendoza vale a pena agendar e fazer uma visita. Mas agora vamos falar do vinho degustado. Produzido com uvas de vinhedos próprios de Finca La Pampa e Finca El Portillo, em Tunuyán, o Merlot 2002 segue a linha de outros vinhos da casa e o estilo do enólogo Laureano Gómez. Um vinho maduro de cor grená brilhante e leve transparência. Embora um pouco fechado no aroma mostrou um delicado toque de frutas negras. Na boca é potente, alcoólico, com boa acidez. Taninos firmes, maduros e uma excelente persistência que deixam uma agradável sensação na boca.

Apesar de passar 19 meses descançando em barricas de carvalho francês esse Merlot é equilibrado e tem uma boa frutuosidade.
Grad. Alcoólica: 14,5%
Preço: R$ 70
Importadora: Wine House
Todos os vinhos da série Alamos são fáceis de gostar, difícil é avaliar o seu “carro-chefe”, o Alamos Malbec, porque invariavelmente vou dizer coisas que todos já sabem, pelo menos aqueles que acompanham a mídia especializada. O Alamos Malbec frequentemente figura nas listas de best buy, considerado por muita gente um vinho de relação qualidade/preço imbatível. Mas será que o Alamos é realmente barato? Acredito que não, já que uma garrafa de Alamos Malbec custa em média 20 pesos na Argentina. Um Lurton Malbec, vinho de excelente qualidade, que oferece um estilo semelhante ao do Alamos, é vendido por 12 pesos. Ainda é possível comprar um Finca El Portillo Malbec, da Bodegas Salentein, por 10 pesos ou menos. Todos esses vinhos são bem feitos e oferecerem excelente concentração, porém o Alamos é mais refinado. Apresentou cor rubi com halo levemente violáceo, mostrando uma pequena transparência. Aroma de boa intensidade, lembrando frutas negras maduras, como amoras e cerejas, envolvidas pelo toque de baunilha proveniente do carvalho. Corpo médio, com taninos macios e acidez agradável. Final adocicado de boa persistência. Já fui fã desse vinho, atualmente tenho preferido o Lurton, mas para quem gosta de vinhos potentes, o Alta Vista Premium Malbec pode ser uma opção melhor.

Um vinho macio e equilibrado que dificilmente decepciona, além de oferecer uma certa classe e estilo por um bom preço.
Grad. Alcoólica: 13,5%
Preço: R$30
Importadora: Mistral
O slogan Terroir Expression Winemakers, da Bodega Alta Vista, diz muito sobre sua filosofia, que parece ser seguida com êxito. Ainda desconhecida da maioria dos brasileiros, a Alta Vista é mais uma bodega dirigida por franceses, o Grupo Edonia, que possui negócios em Bordeaux, Champagne e Hungria. O enólogo Patrick d’Aulan comanda a bodega, fazendo vinhos com uvas dos seus próprios vinhedos, situados nas melhores zonas de Mendoza. O Alta Vista Premium Malbec apresentou cor púrpura profunda, com lágrimas viscosas. Aromas de frutas vermelhas maduras, reforçados por um toque de baunilha. Bom corpo, com taninos ainda ressaltados e acidez agradável. Final alcoólico com boa persistência. Um vinho jovem e alcoólico, porém suculento e gostoso, já que consegue um bom equilíbrio pela sua acidez. Não tenho dúvidas, já havia provado o Alta Vista Premium Torrontés, muito intenso e concentrado, agora o Malbec comprova que essa bodega consegue fazer vinhos de muita qualidade a preços bastante convidativos.

Jovem e voluptuoso, esse vinho deve agradar aqueles que gostam de vinhos concentrados e alcoólicos. Pode acompanhar pratos marcantes, como uma bem temperada paleta de ovelha, porém o álcool pode falar alto demais.
Grad. Alcoólica: 14,5%
Preço: R$25
Importadora: Épice
Pesquisa recente da Universidade de Pittsburgh comprova que a antocianidina, um flavonóide bastante comum no vinho tinto, tem o poder de destruir células cancerígenas, sem interferir no funcionamento de células saudáveis. Essa descoberta é de grande importância para a medicina, devido ao efeito altamente seletivo da antocianidina, já que a maioria das drogas atuais atuam também em células saudáveis, provocando uma série de efeitos colaterais. A antocianina e a antocianidina são os polifenóis responsáveis pela pigmentação das uvas (e de muitas outras frutas de tonalidade vermelha e violeta), que permanecem em quantidades consideráveis nos vinhos tintos. Primeiro foi o resveratrol, aliado no combate ao colesterol, agora é a vez da antocianidina, que tem efeito anticancerígeno e protege o organismo contra o ataque do vírus influenza. Beber 2 copos ( ± 250ml) de vinho por dia é um verdadeiro elixir!
Leia mais sobre os benefícios do vinho a saúde em:
Armagnac previne doenças do coração e ajuda no controle da obesidade
Polifenóis de Champagne protegem as celulas do cérebro
Fonte: Media Relations / University of Pittsburgh Schools of the Health Sciences Pittsburgh, 23 de Abril de 2007
As melhores bodegas costumam “interpretar” a Malbec, aproveitando as diferenças de terroir e, é claro, técnicas de winemaking para produzir vinhos de estilos diferentes, mostrando todas as facetas da emblemática uva da Argentina. A Achaval Ferrer faz isso com maestria, produzindo vinhos internacionais para competição, como o Finca Altamira e o Quimera, mas também faz um Malbec delicioso e fresco, para ser bebido sem cerimônias, em goles fartos. Já havia degustado o Malbec 2004 e, como é difícil resistir aos encantos desse vinho, sempre compro novas garrafas. O Achaval Ferrer Malbec 2005 apresentou cor púrpura com leve transparência. Nariz intenso e agradável, frescor de frutas recém-colhidas numa tarde quente, lembrando framboesas, groselhas e amoras; sutil presença de carvalho doce, reforçado por um leve toque floral. Corpo médio, com taninos super macios e acidez agradável. Final de boca vinoso e persistente. Esse Malbec é muito bem feito, menos xaroposo que o da safra 2004, oferecendo mais fruta fresca, além de uma textura sedosa irresistível. Prefiro vinhos mais profundos e secos, mesmo assim é difícil não gostar desse vinho.

Malbec no estilo “pura fruta”. Perfeito para os amantes dos vinhos sedosos e quase adocicados.
Grad. Alcoólica: 13,5%
Preço: R$ 80
Importadora: Enoteca Fasano

Uma boa sugestão para quem gosta de comédia romantica é o filme “No Reservations”. Sim, o título do filme está em inglês, e será lançado nos EUA dia 27 de julho, mas como atualmente os lançamentos chegam voando por aqui, resolvi divulgar antecipadamente.
O filme parece alfinetar o universo perfeccionista dos chefs de cozinha, porém vamos aguardar, já que roteiros do genero comédia-romantica-melodramática costumam ser bem fracos. Mesmo assim, pode ser um bom programa de final de semana, além de contar com Catherine Zeta-Jones.
Acesse o site de divulgação: http://noreservationsmovie.warnerbros.com
Os vinhos da série Marcus Gran Reserva (Canale Black River para o resto do mundo) são potentes, costumam apresentar uma textura firme, porém untuosa, como já comprovamos no seu Pinot Noir. Agora foi a vez do Caberner Franc, que não decepcionou, e além disso, mostrou que esses vinhos podem evoluir bem por alguns anos. Apresentou cor rubi vívida com leve transparência, halo ligeiramente alaranjado e lágrimas persistentes. Aroma primário lembrando caixa de charutos, evoluindo rapidamente, ao girar o copo, para frutas vermelhas doces e marmelada. Corpo generoso, estruturado, com boa acidez e taninos arredondados pelo envelhecimento na garrafa. Final alcoólico agradável de boa persistência. Acredito que, em safras recentes, esse vinho possa parecer um pouco rústico, já que sua estrutura precisa de um tempo para amaciar. Uma boa escolha para os dias frios do inverno ou para acompanhar pratos mais condimentados.

Cabernet Franc de personalidade marcante. Surpreendeu pela sua estrutura ainda firme, apesar dos anos de amadurecimento.
Grad. Alcoólica: 14,5%
Preço: R$ 85
Importadora: Grand Cru
É difícil falar da ascenção do vinho nacional e das significativas melhoras na qualidade da produção de tintos e brancos, sem comentar sobre o papel da vinícola Miolo. Nos últimos anos, a empresa investiu R$ 90 milhões em novas áreas, na modernização dos vinhedos e do processo produtivo. Com o objetivo de ingressar com seus produtos no mercado internacional também contratou o consultor Michel Rolland. É nessa geração de vinhos premium que a Miolo apresenta o seu Terroir Merlot 2004. Um vinho rubi profundo de pouca transparência, reflexos violáceos e lágrimas tingidas abundantes. Não chega a ter um bouquet intenso, nem mesmo complexo, mas agrada o olfato. Presença delicada de notas de baunilha e frutas vermelhas. Um Merlot leve sem muitos exageros de madeira, com taninos macios e um final de boca razoável.

O Miolo Terroir é um pouco mais equilibrado e amadurecido que outros tintos da Serra Gaúcha, porém não justifica tanta rasgação de seda por parte da mídia especializada.
Grad. Alcoólica: 13,5%
Preço: R$61
Nesses tempos de dólar baixo é possível encontrar brancos interessantes, nem sempre de boa concentração, mas a preços módicos. Esses vinhos acompanham bem frutos do mar e outros pratos leves, sem emprego de muitos temperos. Vinhos argentinos de baixo custo, e honestos, são encontrados em todas as lojas e supermercados, mas também existem boas opções do Chile e da Serra Gaúcha. A série Benjamin Nieto Senetiner é a mais simples dessa centenária bodega de Mendoza, que produz alguns vinhos de prestígio, como o Don Nicanor e o afamado Cadus. O Benjamin Chardonnay 2006 mostrou cor amarelo pálido, com reflexos prateados e lágrimas pouco persistentes. Nariz difuso, lembrando frutas brancas e leve toque de carvalho. Corpo médio e acidez controlada. Final curto com razoável untuosidade. Esse Chardonnay seria mais interessante se tivesse mais acidez e oferecesse mais frescor. Aqui o Rodas 12 Chardonnay saiu ganhando.

Branco leve e um pouco diluído. Cumpre a sua função acompanhando peixe grelhado de carne suave.
Grad. Alcoólica: 13%
Preço: R$13
Importadora: Porto a Porto / Casa Flora
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