Avaliar um grande vinho é sempre uma tarefa complexa, ao contrário de bebê-lo. Mas, o que é mesmo um grande vinho? Essa pergunta costuma iniciar discussões acaloradas entre os apreciadores. Deixando de lado a subjetividade, podemos identificar um grande vinho por alguns critérios bem tangíveis. O primeiro deles é geográfico; todo grande vinho é produzido em uma região demarcada, geralmente de vinhedos muito específicos. O segundo critério é histórico; todo grande vinho possui um legado de avaliações muito positivas. Por fim, o último critério é o resultado da soma dos dois primeiros; o preço elevado. Muita gente com dinheiro disputando uma produção limitada faz o preço subir, uma velha lógica de mercado que funciona como relógio suiço no mundo dos vinhos.
Quem gosta de vinho já está farto de ler e ouvir sobre os grandes, geralmente caríssimos, como esses que apresentamos aqui nesse post. O que todos se perguntam é: Esses vinhos são realmente melhores que tantos outros de regiões próximas, algumas vezes mais baratos? Claro que sim! Assim como Marilyn Monroe será sempre mais bonita e charmosa que aquela colega loira que você acha o máximo. Um grande vinho tem fascínio, assim como uma diva do cinema; não dá para comparar com qualquer coisa. No caso dos vinhos, esse fascínio nunca é por pouca coisa.

É bom lembrar que fascínio não tem preço, porém vinhos de qualidade excepcional têm; e atualmente podem ser comprados por um valor na casa dos 100 dólares (nos Estados Unidos, óbvio). Por 100 dólares podemos encontrar vinhos excepcionais de todas as regiões clássicas, sem dúvida existem muitos que custam ainda menos, mas vamos estabelecer esse teto. Acima disso a balança começa a pender demais para o lado do fascínio.
Esse preâmbulo é para apresentar o Grand Vin de Léoville du Marquis de Las Cases 2002 - grande em todos os sentidos - que comprei pela internet por exatos $99 numa loja nos Estados Unidos. O Léoville Las Cases é um Bordeaux do segundo caldo (na classificação oficial de 1855) produzido na comuna de St. Julien. É um dos chateaux mais antigos de Bordeaux, com uma história que começa em 1638. Em meados do século 17 já era reconhecido como um dos melhores da região, atrás apenas do Latour, Lafite, Margaux e Haut Brion. O Château Leoville Las Cases, atualmente, goza de enorme prestígio, e é comandado com competência pela família Delon, que emprega cuidados meticulosos e alta tecnologia. Robert Parker é categórico ao afirmar que esse château está entre os melhores de Bordeaux, que seu vinho é tradicional e necessita de pelo menos 10 anos de envelhecimento para mostrar todas as suas qualidades. Parker conferiu 100 pontos às safras 1982 e 1986; 99 pontos à safra 2000 e 98 pontos à safra 2005. A revista Wine Spectator também costuma ser generosa, concedeu 100 pontos às safras 2000 e 2005. A safra 2002 que degustamos recebeu 95 pontos do Parker e 94 pontos da Wine Spectator. Apenas para efeito de comparação, a famosa safra 2005 não é encontrada por menos de $400 (EUA)! O que uns pontinhos a mais não fazem…
Acredito que os leitores do QVinho queiram saber a nossa opinião, não é mesmo? Pois sim, o Léoville las Cases 2002 - um corte de Cabernet Sauvignon (66,7%), Merlot (14,5%), Cabernet Franc (13,9%) e o resto de Peti Verdot - não decepcionou, mesmo sendo muito jovem. Vinhos desse tipo precisam de um preparativo, você não pode abrir um Bordeaux desse naipe e simplesmente servir. O vinho precisa respirar. Abrimos a garrafa para comprovar o seu estado. Ufa! Para nossa sorte não estava com nenhum defeito, mas como previsto, o vinho estava fechado. Decanter nele! Depois de 8 horas começamos a degustação. A cor do Leoville las Cases 2002 era rubi escura, sem nenhum traço de evolução e com lágrimas abundantes. Nariz muito agradável e complexo de frutas negras e caixa de charutos; a boa evolução do vinho no copo vai revelando notas de mentol, minerais e um evidente toque floral. Encorpado e potente, porém sem perder a classe, uma vez que os taninos são abundantes e de excelente qualidade. A textura do vinho impressiona. O equilíbrio é muito bom; nada de álcool em excesso ou falta de acidez. O final é ótimo, longo e persistente. O Léoville Las Cases 2002 é um vinho classudo e refinado que, sem a menor dúvida, terá vida bem longa. Apesar disso, preciso esclarecer ao caro leitor que esse vinho pode frustrar as expectativas, principalmente daqueles bebedores acostumados com os atuais exemplares do Novo Mundo. Refiro-me aos vinhos redondos, frutados e com muito carvalho que existem aos montes por aí. Se você gosta desse estilo, esqueça do Léoville Las Cases, procure por um Bordeaux de perfil mais moderno e modesto.
Valeu os $99? Com certeza! O problema é que esse vinho chega no Brasil custando muito caro. Já encontrei o Léoville Las Cases por até R$1.600 (safra 2003) e nunca vi por menos de R$700 (safra 2004). Nessas condições não recomendo como uma boa compra, salvo se você for um connoisseur com muito dinheiro e preguiça de viajar.
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Um grande vinho. Fruta fresca, complexidade, textura excelente e uma estrutura fenólica para longo repouso na adega. Gostaria de ter algumas caixas para ir curtindo ao longo do tempo.
Grad. Alcoólica: 13,5%
Preço: Adquirido por $99 nos EUA. No Brasil o preço varia de $400 a $900.
Importadora: Várias











O enólogo responsável pelos vinhos da Nederburg, o romeno Razvan Macici, esteve no wine dinner realizado em Curitiba para falar sobre o seu trabalho. Razvan foi até a África do Sul para trabalhar temporariamente numa vinícola também pertencente ao grupo Distell; depois acabou recebendo o convite para cuidar dos vinhos da Nederburg. Daí foi uma passo para formar uma família e estabelecer suas raízes na África do Sul. Para atingir mercado globais, os vinhos sob a tutela de Macici possuem uma pegada típica do vinho moderno: concentração, potência e um carvalho mais evidente. Por outro lado, uma vantagem da Nederburg pertencer ao grupo Distell é que os vinhos conseguem chegar com preços bem competitivos no mercado brasileiro. De modo geral, sempre achei os vinhos sul-africanos muito caros, apesar de existirem excelentes rótulos. Exceções a parte, no que tange a relação qualidade/preço, a África do Sul ainda sai em desvantagem.
Confesso não entender o preciosismo que alguns críticos atribuem a uva Pinot Noir. É certo que esta variedade produz alguns dos mais aristocráticos e nobres vinhos do planeta, os “grandes da Borgonha”. Mas coitada da Pinot, frequentemente malhada quando não atinge o status de “sublime”, sofre com o preconceito por causa da sua cor desbotada. Um bom vinho não é necessariamente encorpado e potente, nem escuro e denso, por isso é importante separar as coisas. Já presenciei muita gente desprezando bons Pinots, simplesmente por terem menos cor. Um exemplo disso é o Ventisquero Queulat Pinot Noir 2006; um vinho leve e versátil, mas que facilmente é desprezado em favor rótulos mais potentes, como os populares Cabernet Sauvignon e Syrah da própria Ventisquero. Produzido no Valle de Casablanca, uma região mais fria e com influência marítima, que é mais conhecida pelos vinhos brancos. Essa D.O tem atraído investimentos para produção de tintos, principalmente Pinot Noir, devido a boa adaptação desta cepa nesse terroir específico.





Levando-se em consideração que os tickets dos presentes podem oscilar de R$50 a R$250, selecionei alguns vinhos, livros e acessórios úteis que podem dar um charme extra para o presente do Dia dos Pais, além de aumentar a sua moral com o coroa. Os livros são sempre uma excelente opção, tanto para os iniciantes como para quem já curte o tema. Já para a compra dos vinhos é interessante conhecer um pouco do gosto do seu pai. Vinhos mais encorpados, ricos em fruta e carvalho, ao bom estilo do Novo Mundo ou vinhos mais clássicos, menos diretos que podem demandar alguns anos de amadurecimento? Não sabe? Não tem importância, desde que a intenção seja boa e o vinho de qualidade, seu pai provavelmente gostará. Na linha dos acessórios não faltam opções, desde saca-rolhas, taças, decanters até adegas climatizadas; tudo vai depender da sua verba. Ok, alguns brinquedos são caros mesmo. Uma saída, em famílias mais numerosas, é fazer uma `vaquinha´, assim é mais fácil viabilizar a compra de uma tão sonhada adega climatizada ou porque não uma bela máquina de espresso (nessa brincadeira a família toda sai ganhando).


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