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Encontro Mistral 2008: Bate-papo com Cristiano Van Zeller

Durante o Encontro Mistral 2008, além de provar excelentes vinhos, conversei com diversos produtores e pude conhecer um pouco melhor a filosofia empregada na produção de algumas dessas vinícolas. Um dos enólogos e proprietários de vinícolas que entrevistei, um pouco antes de começar o evento, foi o Cristiano Van Zeller da Quinta de Roriz e Quinta do Vale Dona Maria. Cristiano é um nome forte no mundo vinho e um grande entusiasta do vinho DOC Douro. Quando deixou a Quinta do Noval em 1993, Cristiano dedicou-se ao desenvolvimento da produção independente da região do Douro com ênfase na melhoria qualitativa do vinho de mesa DOC Douro. Para dar vazão a esse projeto adquiriu em 1995 a Quinta do Vale da Mina e, logo em seguida, a Quinta do Vale D. Maria em 1996. Ao longo dos anos Van Zeller dedicou-se a expandir e melhorar a qualidade das vinhas da Quinta do Vale D. Maria. Ao mesmo tempo investiu em um novo centro de vinificação combinando técnicas modernas com o processo tradicional de produção do Porto (pisa em lagar).

Cristiano Van Zeller da Quinta do Vale Dona Maria e da Quinta de Roriz

Nesse bate-papo, Cristiano falou para o QVinho sobre a parceria fechada no início do ano com seu primo João Van Zeller da lendária Quinta de Roriz, uma das mais antigas quintas do Douro, que desde 1815 está nas mãos da família Van Zeller. Cristiano é responsável, juntamente com Sandra Tavares da Silva, por liderar a equipe da Quinta de Roriz.

Sem dúvida é um enorme desafio assumir uma operação como essa. Os vinhos da Quinta de Roriz possuem um elevado padrão de qualidade, figuram entre os melhores de Portugal e são sempre muito bem classificados pela crítica

comenta Cristiano que já respondeu pela colheita de 2008 e deixou seu toque para a composição do blend da safra 2007. Toda essa responsabilidade parece deixar Cristiano ainda mais motivado para extrair o máximo até mesmo dos pequenos detalhes.

Acredito muito nos vinhos que prezam pela elegância e equilíbrio, com boa concentração de fruta e aptos para o consumo, sem muitas arestas e taninos angulosos. Até alguns anos atrás os vinhos de mesa Douro eram apenas um subproduto. A atenção era toda dedicada ao Vinho do Porto que gozava de toda a prioridade na colheita das uvas e vinificação. Em alguns casos as uvas utilizadas no DOC Douro eram colhidas tardiamente e supermaduras. O resultado eram vinhos rústicos e pesadões pelo excesso de álcool, explica Van Zeller.

Para alcançar bons resultados Cristiano aposta muito nas técnicas modernas de vinificação, com especial atenção nas etapas de pré-fermentação, conjugadas com métodos tradicionais como a pisa a pé. É claro, sem esquecer todo o cuidado como os vinhedos.

Sou um fã das vinhas velhas. Adoro trabalhar com diferenciadas castas durienses e as vinhas velhas me proporcionam isso.

Cristiano revelou também estar muito satisfeito com a evolução do consumidor brasileiro.

A cada ano surpreendo-me com o interesse do consumidor pelos vinhos de qualidade e o elevado nível de conhecimento para discutir esse assunto. É muito bom participar de um evento desse porte como o Encontro Mistral. Essa interação com o público é fantástica.

Quando perguntado sobre a mídia especializada de vinhos, Cristiano disse acompanhar com boa regularidade o que é comentado tanto na mídia impressa quanto online.

O consumidor ganha quando existe mais informação e debate sobre vinhos. Para minha surpresa a internet vem desempenhando um papel fundamental nesse cenário, principalmente por abordar os temas em profundidade como já acontece nos sites e blogs. A grande dificuldade será absorver esse volume de informação e depurar o que é realmente relevante.

Ficou curioso e quer conhecer mais sobre os vinhos da Quinta de Roriz e Vale Dona Maria? Então prove os seguintes rótulos:

  • Douro Prazo de Roriz 2004 (R$49 - Mistral);
  • Douro Quinta de Roriz Reserva 2003 (R$98 - Mistral);
  • Porto Quinta de Roriz Vintage 2003 (R$215 - Mistral);
  • Douro Quinta do Vale D. Maria 2003 (R$185 - Expand);
  • Porto Quinta do Vale D. Maria Vintage 2001 (Expand).

Ah, para quem quiser conhecer outros vinhos do Cristiano Van Zeller vale a pena procurar pelo Domini Plus 2004, onde ele trabalhou numa joint venture com Domingos Soares Franco da José Maria da Fonseca entre 2000 até 2005. Durante esse período Cristiano foi responsável pela consultoria dos vinhedos e algumas etapas da vinificação, sendo que Domingos Soares finalizava os vinhos.

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QVinho usa o Twitter para cobrir em tempo real o Encontro Mistral 2008

Twitter - Ferramenta de micro blog usada pelo QVinhoTransmitir aos leitores as impressões sobre um evento de vinhos não é uma tarefa fácil. Os posts pós-evento, geralmente, constituem uma resenha daquilo que percebemos como mais relevante, porém isso nem sempre representa com fidelidade a trajetória de contatos e degustações como de fato acontecem. Sem falar no tempo transcorrido entre buscar anotações, escrever o post, selecionar as fotos, revisar e, por fim, publicar. Pois bem, pensando exatamente em matar a curiosidade dos nossos leitores, resolvemos transmitir meu status durante o Encontro Mistral 2008, utilizando uma ferramenta de microblog chamada Twitter. Inovamos mais uma vez, ao ser o primeiro blog brasileiro a cobrir um enoevento online. Isso mesmo, desde a minha chegada para pegar a credencial (16:14h) no Hotel Grand Hyatt, em São Paulo, o bate papo como o enólogo Cristiano Van Zeller da Quinta de Roriz e Quinta Vale Dona Maria (17:05h), até as últimas degustações (22:09h), e publicação das fotos do evento no Flickr (20:53h - 12/06); tudo (ou quase tudo) foi fotografado e “tuitado“, por meio do meu HTC conectado à rede Wi-Fi do hotel. Nossos leitores puderam acompanhar a atualização dos 27 twitts (é como os blogueiros gostam de chamar) na barra lateral, logo abaixo da foto dos editores. Claro, o trabalho aumentou consideravelmente, mas valeu a pena. Conversa com o produtor, prova os vinhos, bate fotos, faz algumas anotações e posta no Twitter. Ufa, haja fôlego! Nos próximos artigos vou comentar mais detalhadamente sobre os produtores presentes e os vinhos que merecem ser degustados. Por enquanto vejam algumas fotos do Encontro Mistral 2008.
Florent Baumard

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Viña Casablanca - Nimbus Estate Sauvignon Blanc 2006

Vinho chileno da Viña Casablanca - Nimbus Estate Sauvignon Blanc 2006Frequentemente os leitores do QVinho questionam os exageros do vinho moderno. Principalmente quando o mesmo provém do chamado Novo Mundo. Os principais fatores discutidos dizem respeito aos excessos: de álcool, de carvalho e de fruta muito madura. Realmente, sobram sensações adocicadas e faltam aquelas de complexidade e sutileza. Em contrapartida, temos acesso a vinhos brancos muito interessantes que fogem a esse padrão, principalmente vindos do Chile e de Portugal. Curiosamente, os brancos não despertam muito interesse. Os brasileiros ainda não aprenderam a apreciar os vinhos brancos, quase sempre renegados a um papel secundário, fato injustificável! Você gosta de comer sempre a mesma coisa? Por melhor que seja o prato, inevitavelmente vamos enjoar, com o vinho é a mesma coisa. Se o caro leitor for uma dessas pessoas que não curte muito um branco, aconselho variar o cardápio, deixe os tintos de lado e descubra o fascinante encanto dos brancos.

Com esse frio danado, talvez algumas pessoas achem estranho eu recomendar um vinho branco. Explico melhor, existem alguns pratos típicos do inverno que ficam ótimos acompanhados de um bom branco, entre eles, o tradicional fondue de queijo.

Provei recentemente o Nimbus Estate Sauvignon Blanc 2006 que não decepcionou com o Fondue. Resultado de primeiríssima linha! O Nimbus é produzido pela Viña Casablanca — uma divisão da conhecida Santa Carolina — que tem produzido excelentes brancos, graças ao terroir favorável dos vinhedos do Vale de Casablanca. Possui cor palha. Aroma intenso lembrando frutas cítricas de todos os tipos, notas herbáceas discretas e sutil toque mineral. Corpo médio com acidez refrescante. Excelente final de boca, com persistência surpreendente. O Nimbus Estate Sauvignon Blanc 2006 é uma ótima opção na sua faixa de preço, consegue reunir qualidades louváveis, muitas vezes encontradas apenas em vinhos mais caros.

Excelente - Best Buy
Sauvignon Blanc intenso e gostoso. É muito versátil a mesa, sempre vai bem com frutos do mar e peixes.

Grad.Alcoólica: 13,5%
Importadora: Porto a Porto / Casa Flora
Preço: R$48

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Epicure 2008: Charutos Menendez Amerino

Este post já está atrasado alguns dias, mas somente nesse final semana consegui provar os charutos que ganhei no estande da Menendez Amerino durante a Epicure / Expovinis 2008. Já tinha comentado aqui sobre a beleza do espaço que eles montaram na feira. Agora chegou a hora de falar sobre a empresa e os produtos que foram apresentados. A verdade é que se hoje nos vangloriamos da qualidade dos charutos baianos devemos em grande parte ao comandante Fidel. Exatamente, a Revolução Cubana, que determinou a estatização de toda a produção de charutos, propiciou a emigração de verdadeiros especialistas na produção de fumo e charutos. Uma dessas pessoas foi Félix Menendez. Nascido na cidade de Havana, em 1944, Félix pertencia a família que fabricava os lendários charutos Montecristo e H.Upmann, e naquela época era o maior produtor e exportador de charuto de Cuba. Após a saída forçada de Cuba passaram uma temporada nas Ilhas Canárias e em Miami, até conhecerem Mario Amerino Portugal. Então em 1977, fundaram em São Gonçalo dos Campos, no Recôncavo baiano, a Menendez Amerino. Com uma produção anual de 3 milhões de charutos, a Menendez é dona das marcas: Alonso Menendez, Dona Flor (responsável por 65% das vendas da empresa) e Aquarius Século XXI.

Estava em débito com os charutos baianos. Um dos motivos foi que comprei algumas caixas de cubanos, e como meu consumo não é dos intensos, os charutos tiveram vida longa. Porém, na minha lista de preferidos nacionais, os charutos da Dona Flor (principalmente o robusto) sempre tiveram um lugar. Cachacinha de salinas e trilha sonora embalada por Celia Cruz, Compay Segundo e Ibrahim Ferrer — só para não perder aquela ligação com Cuba — e pronto, começa a degustação. Provei primeiro o Dona Flor Rothchilde, um dos lançamentos da empresa durante a Epicure. Um charuto de degustação mais curta (aproximadamente 30 minutos), confeccionado numa bitola 100mmx19mm; com duas versões de capa (Mata Fina e Connecticut), capote em Mata Fina e miolo em Mata Norte e Mata Fina. A degustação foi gostosa, bom fluxo com aroma e paladar suaves, muito embora da metade em diante a queima foi bem problemática. O final também não me agradou muito.

Outro lançamento foi o Dona Flor Gran Corona, que desde o final do ano passado já era comercializado nos Estados Unidos, e agora também será vendido no Brasil. Em formato 6×60mm, o Gran Corona utiliza uma seleção de fumos Mata Fina e Mata Norte que passam por uma maturação de três anos. E, para auxiliar na conservação, cada charuto Gran Corona vem envolto por uma folha de cedro. Esse sim é dos meus! Prazer do início ao fim da degustação (que durou aproximadamente 95 minutos). Muito equilibrado, com ótimo fluxo, sem ser frouxo demais; queima uniforme até o final. Na boca muito saboroso, com bom corpo, marcado por notas complexas dadas pelo amadurecimento do fumo. Simplesmente excelente! Quem aprecia charutos não pode deixar de provar o Dona Flor Gran Corona.

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Mitolo Jester Shiraz 2005

Vinho australiano Mitolo Jester 2005É sempre bom falar de vinho australiano. Acredito que em poucos lugares do mundo (com exceção dos Estados Unidos) os produtores ousaram tanto. Avanços importantes surgiram e continuarão surgindo na Austrália. Sempre digo que existem duas Austrálias, aquela dos vinhos produzidos em série — quase como refrigerantes — e a Austrália dos grandes vinhos. A Mitolo Wines encontra-se na segunda categoria. Quem tiver a curiosidade de acessar o site da Mitolo, poderá conferir logo na primeira página a filosofia desse produtor: Pureza, elegância e poder. Não posso deixar de comentar sobre esse excelente site, muito elegante, com dados precisos, texto bem escrito e, o principal, sem tentar enganar o leitor com balelas e informações inúteis (coisa rara hoje em dia). O Mitolo Jester Shiraz faz parte da linha de frente desta jovem vinícola (fundada em 1999), que não tem vergonha de afirmar que está “apenas começando a sua jornada”. Pois bem, espero que continuem fazendo bons vinhos, porque o basicão Jester Shiraz já é um belo caldo. Esse Shiraz produzido em McLaren Vale passou 9 meses em barricas francesas de segunda mão; é menos encorpado do que imaginava e possui um excelente frescor. Cor rubi escura, sem sinais de evolução e com pouca transparência. Nariz com boa intensidade, com frutas vermelhas, amoras, especiarias e um toque herbáceo que lembra anis. Corpo generoso, taninos de ótima qualidade, porém ainda não totalmente amaciados; acidez muito agradável. Final seco e persistente, nada daquela sensação xaroposa e artificial dos maus australianos. O Mitolo Jester Shiraz é um excelente exemplo que a oposição Novo Mundo x Velho Mundo tem cada vez menos sentido.

Excelente
Shiraz muito agradável e equilibrado. Faz bonito a mesa, combina bem com vários tipos de prato, mas principalmente carnes fortes e caça.

Grad.Alcoólica: 14,5%
Importadora: Porto a Porto / Casa Flora
Preço: R$80

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Dicas para o Dia dos Namorados: Acerte na escolha do restaurante e do vinho

Copos de vinho no Dia dos Namorados

Chegamos em junho! O melhor mês do ano, época do meu aniversário e do Dia dos Namorados. Essa data traz algumas preocupações para a maioria dos homens, além de um certo estresse. Comprar presente e flores até que não é a parte mais difícil, complicado mesmo é decidir onde fazer o tradicional jantar. Restaurantes lotados, preços abusivos, serviço muitas vezes relaxado, enfim, são muitos os motivos que podem atrapalhar o romantismo da noite. Sou um desses caras que acredita que o dia 12 de junho é apenas mais uma data comercial, daquelas para o comércio encher os cofres, mas como não sou nenhum radical, também vou participar da festa e curtir o momento ao lado de minha noiva. Vamos as dicas, que obviamente se referem ao jantar, o doppo cena é assunto para outro tipo de blog:

  1. Saia do óbvio — O dia dos namorados provoca uma verdadeira romaria aos restaurantes, portanto se você não gosta de aglomeração, fique em casa! Essa opção deve ser considerada por aqueles que gostam de comer e beber bem e são chegados das panelas. Homem que é homem também sabe conquistar uma mulher pela comida, por isso nunca hesite em preparar um belo jantar romântico.
  2. Se for a um restaurante, saia do óbvio também — Não gosto muito de menus do tipo “Especial dia dos Namorados”, que geralmente impõe limitações e oferecem um vinho barato qualquer com valor dobrado, senão triplicado. A idéia parece boa, os casais se sentem atraídos pelo “pacote completo”, mas não podemos esquecer que esse pacote promove um ganho de escala para o restaurante. Então porque o menu especial costuma sair mais caro que os mesmos pratos em um dia qualquer? Deveriam custar menos… Certa vez liguei para um restaurante e questionei sobre isso, sabe qual foi a resposta? “Veja bem senhor, você ‘ganhará’ uma taça de Prosecco na entrada e uma garrafa de vinho para o jantar”. Perguntei qual vinho. “Ah sim! Deixe-me ver… É um Concha Y Toro. Pode ser tinto ou branco” Não era um restaurante qualquer, tampouco barato, por isso é melhor tomar cuidado. Nem todo restaurante que monta um menu especial está se aproveitando da situação, mesmo assim é bom ter cuidado, faça as contas e compare o preço com os pratos servidos em dias normais. Prefiro restaurantes tradicionais, que não mudam o cardápio em função dessa data (principalmente o preço) e que aceitam que o cliente leve seu vinho.
  3. Faça reserva e questione sobre a possibilidade de levar o vinho — A primeira dica é elementar, nunca saia de casa no dia dos namorados sem reservas, pelo menos se você não quiser se aventurar por recônditos desconhecidos. A segunda é bastante polêmica, uma vez que muitos restaurantes não gostam da prática, mesmo cobrando a famosa rolha. Acho que o cliente tem o direito de levar o seu vinho, porém é preciso bom senso, porque não é legal levar um vinho muito barato ou que conste na carta do restaurante. E quanto ao valor da rolha? Acho que muitos restaurantes não deveriam nem cobrar, porque simplesmente não oferecem copos adequados, balde de gelo e serviço cuidadoso. Se não for esse o caso, acho justo cobrar um valor para servir o vinho do cliente.
  4. Contate o QVinho — Estamos a disposição para auxiliar os casais apaixonados nas suas escolhas. Quem quiser dicas de vinhos, pode entrar em contato pelo MSN, Gtalk (clique nas imagens dos editores na barra lateral direita), Twitter, Jaiku ou simplesmente postando um comentário aqui. Atenção: sempre informe qual será o prato principal, preferencialmente com os ingredientes e temperos usados no preparo. Faremos o possível para responder a todos, e não vamos cobrar nada por isso, apenas quero pedir que todos contem suas experiências aqui, publicando comentários com relatos do jantar do Dia dos Namorados
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Encontro Mistral 2008

Resta apenas mais uma semana para quem quiser reservar o seu ingresso no Encontro Mistral 2008. Esse ano o evento será realizado em São Paulo nos dias 9, 10, 11 de Junho, das 17h às 22h no Hotel Grand Hyatt, e no Rio de Janeiro no dia 12 de Junho, das 15h às 20h no Hotel Sofitel. Segundo a importadora renomados produtores estarão representados por seus proprietários, enólogos e diretores. Dentre os nomes confirmados estão: Joseph Drouhin, Louis Jadot, Chapoutier, Domaine Baumard, Vietti, Luigi Coppo, Altesino, Luis Pato, Niepoort & Redoma, Quinta do Vale Meão, Bodegas Alión & Pintia, Penfolds, Kanonkop, Catena Zapata, Altos Las Hormigas, Amayna, Viña Montes, Viña Carmen, Casa Lapostolle, Pisano, Vallontano entre outros. O preço do ingresso é de R$290 por dia de participação. Maiores informações no website da importadora: www.mistral.com.br/encontro ou pelo telefone: (11) 3372-3400.

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Octavio Café: um templo dedicado ao café

Nada como beber um bom espresso numa tranqüila tarde de domingo, não é mesmo? Bem, pelo menos para quem curte café. Planejava um programinha assim há um tempo, mas como de costume, quando passava por São Paulo a correria era grande e não me sobravam muitas brechas para novas explorações. Porém, numa dessas semanas aproveitei um domingo, sem aquela loucura do trânsito, para conhecer o Octavio Café. Antes de comentar sobre a cafeteria em si, é interessante conhecer a história que deu origem a esse empreendimento. Tudo começou na década de 40, no distrito de Pedregulho, na região de Alta Mogiana, quando o descendente de italianos Octavio Quércia resolveu dedicar-se ao cultivo de café. Assim nascia a Fazenda Nossa Senhora Aparecida, situada numa região com altitude média de 1.036 metros, onde o solo e o clima são muito propícios à produção de cafés de alta qualidade. E, se você achou o sobrenome do fundador familiar, está correto. Orestes Quércia, ex-governador de São Paulo, é filho de Octavio Quércia. Atualmente é Orestes quem comanda os negócios da fazenda e essa nova ramificação dedicada ao varejo. A tendência de trabalhar o varejo cresceu muito nos últimos anos; além da mera exportação de commodities, as fazendas resolveram dar maior atenção a suas próprias marcas e a venda de café de alta qualidade no mercado interno. E, isso é muito bom para nós apaixonados por café.

A Octavio Café está localizada na Av. Brig. Faria Lima e impressiona pelo tamanho e bom gosto de seu projeto. O vão principal possui um amplo pé direito e sua construção permite um generoso ingresso de luz natural. Sem dúvida a experiência de beber um café no final de tarde é muito agradável. O espresso (R$3,30) que pedi foi bem tirado, xícara e café na temperatura correta; bom corpo, mas não muito frutado, final ressaltando um leve amargor. Em todo caso resolvi levar um pacote de 500g de grãos para tirar na nossa Elektra. Só achei estranho a embalagem não informar a data da torra, apesar de constar a validade (28/05/2008). Uma falha considerável para uma cafeteria com essa proposta. Outro fato que me chamou a atenção foi o cardápio relacionar cafés importados sem definir que cafés seriam esses (país, região, etc), além de sequer possuí-los na loja. Seria melhor eles tirarem do cardápio, pelo menos não frusta a expectativa de algum eventual interessado por cafés de outros países. A Octavio Café utiliza máquinas da La Spaziale e os sofisticados moinhos Mahlkönig. Os atendentes foram bem atenciosos e o serviço foi relativamente rápido. Outra comodidade para os clientes são alguns pontos de acesso a internet equipados com amplas telas widescreen da Apple. O serviço está disponível para os freqüentadores (até o limite de 1 hora) mediante o cadastro de nome, endereço e CPF. Da mesma forma quem dispõe de equipamentos móveis como notebooks e smartphones pode acessar a internet via Wi-Fi. Infelizmente para celulares e smartphones a rede ou a página de configuração não estavam funcionando direito. Após inúmeras tentativas, mesmo identificando a rede apropriada, não consegui conexão. Quem sabe em futuras visitas esse problema já esteja sanado.
Mais fotos do Octavio Café no meu Flickr.

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Achaval Ferrer Quimera 2002

Vinho Achaval Ferrer Quimera 2002Quem leu o post em comemoração ao primeiro ano do QVinho, talvez tenha percebido pela lista dos artigos mais populares, que os vinhos argentinos estão com tudo. Como não quero frustrar as expectativas dos nossos leitores, continuarei apresentando reviews de vinhos feitos pelos hermanos. Para os fãs da Malbec, tenho a dizer apenas uma coisa: provem os vinhos da Achaval Ferrer. Esse produtor é mestre em tirar o melhor dessa uva, sempre surpreendendo com vinhos ricos e opulentos, porém sem cair no lugar comum. É bom não esquecer que a Achaval Ferrer adota o estilo “bombadão” em seus vinhos, algo bastante criticado nos dias atuais, mesmo assim eles costumam impressionar pela complexidade.

O Achaval Ferrer Quimera é um dos meus vinhos favoritos da Argentina, sempre muito bem feito e original, um vinho que compete com grandes da Califórnia e de Bordeaux. Quando afirmo isso, não quero dizer que ele seja um Bordeaux Premier Cru ou um Opus One. Não é isso, imitações são chatas e desinteressantes, acho apenas que ele fica bem ao lado dos melhores.

Já havíamos provado o Quimera 2003, que surpreendeu com uma explosão aromática de tirar o fôlego, porém o feito não se repetiu com o 2002, que apresentou-se de maneira muito mais tímida. Fiquei surpreso com esse Quimera 2002, até mesmo em dúvida; será que a minha garrafa estava normal? Pelo menos não havia razão para não estar, o fato é que o vinho mostrou-se fechado no início da degustação. Depois de 2 horas de decanter começou a revelar alguns dos seus segredos. O Quimera 2002 é um corte de 38% de Malbec, 37% de Cabernet Sauvignon e 25% de Merlot. Cor rubi escura, dando poucos indícios de evolução. Nariz sutil e complexo; frutas negras e figos secos, além de notas de especiarias, cacau e algo mineral. Encorpado, taninos de qualidade muito boa, apesar do vigor ainda de juventude; talvez falte um pouco de acidez, mas o equilíbrio geral é muito bom. Final seco com persistência razoável. O Achaval Ferrer Quimera 2002 é um vinho de estrutura monolítica, que infelizmente deixou a desejar em intensidade aromática. Prefiro o Quimera 2003, mas quem tiver alguma garrafa dessa safra 2002, recomendo guardar por mais alguns anos.

Muito Bom
Vinho difícil, bastante estruturado e surpreendentemente jovem. Acho que o pessoal da Achaval Ferrer exagerou um pouco.

Grad. Alcoólica: 13,5%
Preço: R$170
Importadora: Expand

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Receita: Meca Marinado (Pesce Spada in Salmoriglio)

Prato de Meca Marinado, também conhecido como espadarte ou peixe espada

O frio já chegou com tudo aqui no Sul do Brasil, mesmo assim, preciso passar essa última receita de peixe. Depois disso, prometo trazer receitas mais apropriadas ao clima de inverno. A verdade é que gosto muito de peixe, por isso nunca perco a oportunidade de saborear um bom prato, principalmente se for preparado na brasa. É curioso observar que no Brasil, apesar da imensa costa e da grande variedade de peixes, acabamos consumindo sempre as mesmas coisas. Basta fazer uma busca na internet, logo você perceberá que o Salmão, o Linguado e o Congrio são hits que nunca despencam do topo das paradas. Não tenho nada contra eles, mas já estou farto das insossas variações de peixe à Belle Meunière (geralmente escrito errado nos cardápios e nos sites de receitas).

Quanta falta de criatividade! Prefiro apostar na Anchova e no Robalo e, quando consigo encontrar, na Garoupa, no Namorado e no Dourado do Mar. Peixes, na minha opinião, muito mais saborosos que a trinca de sucesso, que lamentavelmente encontramos como ‘opção nobre’ em restaurantes de norte a sul do nosso país.

Se o leitor também estiver farto dessa mesmice, temos a solução: trate de visitar o mercado de peixe mais próximo da sua casa, investigue quais peixes são encontrados e a época em que são pescados. Depois é só procurar por boas receitas, como esta que o QVinho selecionou.

O Meca ou Espadarte — vulgarmente chamado de peixe espada — é um animal de grande porte (atinge 4m), geralmente transita por águas profundas, eventualmente pode se aproximar da costa. Aqui no Brasil é encontrado principalmente no litoral Sul e Sudeste, sendo alvo e objeto de comércio para o mercado pesqueiro de exportação. Não é muito fácil de encontrar, também não é barato, mas vale cada centavo! A carne do Meca é muito saborosa, de textura macia e consistente, perfeita para ser grelhada. Muitos peixes ficam ótimos grelhados na brasa, talvez o Atum seja um forte “concorrente”, mas o Meca é especial. Existe toda uma tradição na pesca desse peixe, em lugares como a Calábria e Sicília, o Pisci Spada é venerado e admirado.

Os astutos pescadores calabreses caçam os animais adultos, que costumam aparecer aos pares, preferindo arpoar primeiro a fêmea. Como o macho não se afasta do seu lado, torna-se uma segunda presa fácil. O cantor italiano Domenico Modugno compôs uma canção em homenagem à fidelidade do espadarte para com a sua companheira ferida.

Todos os pescadores do estreito de Messina conhecem a comovente Canzone del pesce spada (bela música em dialeto siciliano):

Domenico Modugno - U’Pisci Spada.mp3

Quem for a Itália em julho, poderá ir até Bagnara Calabra presenciar a festa do espadarte.

Coletei algumas imagens e vídeos do Meca: veja no meu Stumble

Receita e ingredientes para Meca Marinado (4 pessoas)

  • 4 postas de Meca com pelo menos 2 cm de espessura — a parte da cauda é considerada a melhor, além de serem quase redondas;
  • Azeite de oliva extra-virgem;
  • Suco de 1 limão siciliano com um pouco da raspa da casca;
  • Orégano;
  • 1 ramo de salsinha;
  • 1 dente de alho;
  • 1 colher de sopa de alcaparras picadas;
  • Sal e pimenta do reino.

Preparo:

Prepare uma marinada, misturando o azeite, o sumo do limão siciliano, orégano, salsinha, alho picado e a pimenta. Junte as alcaparras picadas e a raspa do limão. Passe sal em ambos os lados das postas, depois em uma travessa, despeje a marinada por cima do peixe. Agora é o momento de fazer o fogo (enquanto isso, o peixe fica marinando), que deve ser semelhante ao de um churrasco para picanha fatiada ou bife de chorizo. O segredo é que o peixe deve ser grelhado em fogo mais alto, fazendo com que a carne sele mais rapidamente, retendo a suculência. As postas da foto assaram em 20 minutos (10 para cada lado). Agora é só colocar o peixe na grelha e ir regando com um pouco da marinada, quando ele começar a chamuscar, vire a posta e fique de olho para não deixar passar do ponto.

Vinho recomendado: Branco robusto e sem madeira, como o Esporão Verdelho 2006

O Meca Marinado vai bem com vários tipos de vinho branco, principalmente aqueles mais encorpados e sem muito contato com o carvalho. Um Sauvignon Blanc é certamente uma boa opção, uma vez que podemos encontrar muitas alternativas do Chile a um custo bastante favorável. Porém, para este prato escolhi o Esporão Verdelho 2006 (R$47), um branco português com razoável intensidade aromática, lembrando citrinos, florais e toques de frutas tropicais. Esse Verdelho deixa transparecer o álcool, além de não ter uma acidez verdadeiramente marcante, contudo isso não é um problema com esse prato.

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