Supermercados e lojas decoradas com ovos de chocolate até o teto. Indícios que a Páscoa está chegando, e mesmo que voce não seja um chocólatra é difícil passar incólume à enxurrada de ofertas. Porém, como a proposta do QVinho é sair do lugar comum, não vou falar dos lançamentos da indústria; dos chocolates orgânicos, diet, afrodisíacos etc; dos diversos tamanhos e formatos que disputam uma menção no Guinness Book; tampouco das esdrúxulas misturas e sabores (deixemos a perfumaria para o Jornal Nacional ou com o Zeca Carmargo no Fantástico). Minha dica é simples, mas muito saborosa: unir o chocolate com o vinho. Sim, quem disse que eles não combinam? Esse é mais um falso mito que deixou o vinho relegado ao seu altar sagrado e distante do nosso dia-a-dia.

Sempre ouvimos dizer que a harmonização de vinhos com doces, em especial chocolates, não é uma tarefa muito fácil. De fato, o cacau, a gordura e o açúcar, acabam se sobrepondo a maioria dos vinhos. E, não é para menos, quando falamos de chocolate, logo imaginamos aquelas barras ou bombons insuportavelmente doces e enjoativos. Difícil combinar com alguma coisa, não é mesmo? Entretanto, existem alguns segredinhos que podem tornar essa união uma prazerosa experiência. Em primeiro lugar, não estamos falando de qualquer chocolate. Aqui a escolha deve ser por um bom chocolate meio-amargo ou “ Dark”, com maiores percentuais de cacau sólido na massa. Em segundo lugar, não é qualquer vinho. Pois bem, como a maioria de nós terá dificuldades para encontrar chocolates clássicos como a Amedei, a Scharffer Berger e a Pralus, vamos a nossa realidade. Com o objetivo de facilitar as coisas selecionei algumas combinações que particularmente me agradam muito.
De início recomendo as barras tradicionais de Lindt Excellence 70% Cacau (R$ 9,90) e Hershey´s Especial Dark 60% (R$ 7), acompanhadas por um bom e frutado Pinot Noir. Não precisa ser um borgonha caríssimo ou coisas do gênero, já tive boas experiências com um Salentein Pinot Noir Roble 2003 (R$ 72) e, recentemente, com um La Célia Reserva Pinot Noir 2005 (R$ 32). Uma feliz e deliciosa combinação com este aromático Pinot Noir do Valle de Uco. Seu bouquet de boa intensidade com predominância de frutas vermelhas como framboesa e morango, acompanhadas por notas florais e couro; casaram muito bem com o cacau. Nesse vinho o aroma de baunilha estava bem sutil, e na boca, apesar de ser um pinot leve, mostrou taninos de qualidade e alta acidez (bem acima da média de outros argentinos); contudo essa acidez foi perfeita para acompanhar o chocolate. Quem quiser gastar um pouco mais vale a pena provar o 1848 Noir - 76% cacau de Victor-Auguste Poulain (R$ 17), muito aromático, com uma textura delicada e saborosa. Tente combinar com um acessível Etchart Privado Malbec 2006 (R$ 17) de Salta e veja o resultado!
Já para os chocolates “dark” de 80% ou mais de cacau, a maioria dos Pinots começa a “apanhar”. A alternativa é recorrer a vinhos fortificados. Sugiro uma barra de Lindt 85% Extra Fine com um Porto Ferreira Dona Antônia (R$ 72) ou um Quinta do Crasto LBV 1998 (R$ 92). Caso o preço seja um problema, não tem desculpa, um Porto Messias Ruby (R$ 34) cumpre bem o papel. Outra combinação que gosto de fazer com esses chocolates é acompanhar, por exemplo, com uma agradável Grappa de Moscato da Aurora (R$25). Também fica ótimo com uma potente e complexa Grappa di Barolo, de Grinzane Cavour, produzida pela Azienda Vinícola Pelissero (uma pena que esteja acabando). Quem aprecia Armagnac e Cognac vai a dica de um VSOP da Courvoisier (R$ 169).
Em relação as trufas de chocolate vale a clássica e deliciosa combinação com um espumante Asti de qualidade, talvez um Martini & Rossi Asti (R$ 45). Dentre os nacionais existem boas opções a base de Moscatel. Procure algum que tenha uma acidez mais elevada, caso contrário o doce sem contraponto da acidez fica muito sem graça.
Como os benefícios à saude do consumo moderado do vinho já foram amplamente propagados, o dos chocolates dark começam a ganhar força. Além dos flavonóides que atuam como antioxidantes, o cacau presente no chocolate contém alcalóides como a Teobromina e a Feniletilamina que estão ligados a elevação dos níveis de serotonina no cérebro, ou seja, com efeitos estimulantes e anti-depressivos elas contribuem com a sensação de bem estar. Ora, não faltam bons motivos para consumir mais vinho e chocolate. E o melhor de tudo, sem aquela sensação de peso na consciência.

















Parece que o chocolate está mesmo na pauta. Um dia depois de publicarmos o nosso


Isso sim é chocolate! Simplesmente, a Amedei é uma referência quando se fala em chocolates de altíssimo padrão. Localizada numa cidadezinha perto de Pisa, a italiana Amedei produz verdadeiras obras-primas a partir do cacau. Quem lembra da nossa
Conheci há pouco tempo os produtos dessa pequena fabricante de chocolates norte-americana baseada em Portland. Na verdade, estava em busca de alguns Pinots do Oregon, por tabela acabei conhecendo os delicados e saborosos chocolates da Moonstruck. Fundada em 1993, e defendendo uma proposta que o chocolate não é um simples doce, mas uma nobre experiência para os sentidos, a Moonstruck capricha em seus produtos. Atualmente a empresa conta com inúmeras lojas nos estados da Califórnia, Michigan, Massachusetts e Virginia. Tive a oportunidade de provar uma série de barras de chocolate escuro, nas versões puro, com pimenta e com café. Com um perfume intenso e fresco, sua textura é deliciosa e persistente na boca. Difícil dizer qual deles era melhor. Vale a pena experimentar!
Maior fabricante de chocolates dos Estados Unidos, com faturamento de US$ 5 bilhões e exportações para 90 países, a Hershey´s é uma marca ícone do setor. Fundada no início do século XX por Milton Hershey, a empresa possui uma ampla linha de produtos que engloba chocolates ao leite, escuros, com caramelo, cookies etc. Não sou muito fã dos chocolates da Hershey´s. A grande maioria de seus produtos são produzidos para agradar o gosto, exageradamente doce, dos americanos. Mesmo aqui, com pequenas adaptações na fórmula para conquistar o paladar do brasileiro, ainda sim, é muito açúcar! Mas, nem tudo está perdido. Na segmentação premium a Hershey´s possui bons chocolates, principalmente nas linhas “Especial Dark”, “Extra Dark” e “Cacao Reserve”. Nesses produtos o percentual de cacau é de pelo menos 60% e, a presença de flavonóides antioxidantes é utiliza como um forte apelo de marketing. Não é um chocolate excepcional, que se compare com a qualidade de outros chocolates artesanais, porém é facilmente encontrado em qualquer PDV, e possui um preço bem acessível. É uma boa opção para consumo mais freqüente.
Uma das mais tradicionais companhias suíças de chocolate, com mais de 160 anos de história. David Sprüngli-Schwarz e seu filho, Rudolf Sprüngli- Ammann, iniciaram suas atividades em 1845, numa pequena loja de Zurich. Somente em 1899, com a estruturação de uma nova fábrica, e após a sociedade com o renomado chocolatemaker de Berna, Rodolphe Lindt, a companhia passa a se chamar “Lindt & Sprüngli”. A marca sempre esteve associada a excelentes chocolates ao leite, como convém ao bom chocolate suiço. Porém, a Lindt vem produzindo a linha “Dark” onde a concentração de cacau pode variar de 48% a 85%. Além disso é possível encontrar essas barras em aromáticas e deliciosas versões de laranja, menta e amêndoas. O Dark Extra Fine, como era de se esperar, é intenso e persistente graças a sua alta concentração de cacau. Difícil harmonizar com qualquer outra coisa que não seja um bom café espresso.




Últimos Comentários
RSS