Arquivo

Vinho e chocolate: uma combinação a ser descoberta

Supermercados e lojas decoradas com ovos de chocolate até o teto. Indícios que a Páscoa está chegando, e mesmo que voce não seja um chocólatra é difícil passar incólume à enxurrada de ofertas. Porém, como a proposta do QVinho é sair do lugar comum, não vou falar dos lançamentos da indústria; dos chocolates orgânicos, diet, afrodisíacos etc; dos diversos tamanhos e formatos que disputam uma menção no Guinness Book; tampouco das esdrúxulas misturas e sabores (deixemos a perfumaria para o Jornal Nacional ou com o Zeca Carmargo no Fantástico). Minha dica é simples, mas muito saborosa: unir o chocolate com o vinho. Sim, quem disse que eles não combinam? Esse é mais um falso mito que deixou o vinho relegado ao seu altar sagrado e distante do nosso dia-a-dia.

Chocolate escuro

Sempre ouvimos dizer que a harmonização de vinhos com doces, em especial chocolates, não é uma tarefa muito fácil. De fato, o cacau, a gordura e o açúcar, acabam se sobrepondo a maioria dos vinhos. E, não é para menos, quando falamos de chocolate, logo imaginamos aquelas barras ou bombons insuportavelmente doces e enjoativos. Difícil combinar com alguma coisa, não é mesmo? Entretanto, existem alguns segredinhos que podem tornar essa união uma prazerosa experiência. Em primeiro lugar, não estamos falando de qualquer chocolate. Aqui a escolha deve ser por um bom chocolate meio-amargo ou “ Dark”, com maiores percentuais de cacau sólido na massa. Em segundo lugar, não é qualquer vinho. Pois bem, como a maioria de nós terá dificuldades para encontrar chocolates clássicos como a Amedei, a Scharffer Berger e a Pralus, vamos a nossa realidade. Com o objetivo de facilitar as coisas selecionei algumas combinações que particularmente me agradam muito.

La Celia Pinot Noir ReservaDe início recomendo as barras tradicionais de Lindt Excellence 70% Cacau (R$ 9,90) e Hershey´s Especial Dark 60% (R$ 7), acompanhadas por um bom e frutado Pinot Noir. Não precisa ser um borgonha caríssimo ou coisas do gênero, já tive boas experiências com um Salentein Pinot Noir Roble 2003 (R$ 72) e, recentemente, com um La Célia Reserva Pinot Noir 2005 (R$ 32). Uma feliz e deliciosa combinação com este aromático Pinot Noir do Valle de Uco. Seu bouquet de boa intensidade com predominância de frutas vermelhas como framboesa e morango, acompanhadas por notas florais e couro; casaram muito bem com o cacau. Nesse vinho o aroma de baunilha estava bem sutil, e na boca, apesar de ser um pinot leve, mostrou taninos de qualidade e alta acidez (bem acima da média de outros argentinos); contudo essa acidez foi perfeita para acompanhar o chocolate. Quem quiser gastar um pouco mais vale a pena provar o 1848 Noir - 76% cacau de Victor-Auguste Poulain (R$ 17), muito aromático, com uma textura delicada e saborosa. Tente combinar com um acessível Etchart Privado Malbec 2006 (R$ 17) de Salta e veja o resultado!

Grappa di Barolo - Grinzane CavourJá para os chocolates “dark” de 80% ou mais de cacau, a maioria dos Pinots começa a “apanhar”. A alternativa é recorrer a vinhos fortificados. Sugiro uma barra de Lindt 85% Extra Fine com um Porto Ferreira Dona Antônia (R$ 72) ou um Quinta do Crasto LBV 1998 (R$ 92). Caso o preço seja um problema, não tem desculpa, um Porto Messias Ruby (R$ 34) cumpre bem o papel. Outra combinação que gosto de fazer com esses chocolates é acompanhar, por exemplo, com uma agradável Grappa de Moscato da Aurora (R$25). Também fica ótimo com uma potente e complexa Grappa di Barolo, de Grinzane Cavour, produzida pela Azienda Vinícola Pelissero (uma pena que esteja acabando). Quem aprecia Armagnac e Cognac vai a dica de um VSOP da Courvoisier (R$ 169).

Em relação as trufas de chocolate vale a clássica e deliciosa combinação com um espumante Asti de qualidade, talvez um Martini & Rossi Asti (R$ 45). Dentre os nacionais existem boas opções a base de Moscatel. Procure algum que tenha uma acidez mais elevada, caso contrário o doce sem contraponto da acidez fica muito sem graça.

Como os benefícios à saude do consumo moderado do vinho já foram amplamente propagados, o dos chocolates dark começam a ganhar força. Além dos flavonóides que atuam como antioxidantes, o cacau presente no chocolate contém alcalóides como a Teobromina e a Feniletilamina que estão ligados a elevação dos níveis de serotonina no cérebro, ou seja, com efeitos estimulantes e anti-depressivos elas contribuem com a sensação de bem estar. Ora, não faltam bons motivos para consumir mais vinho e chocolate. E o melhor de tudo, sem aquela sensação de peso na consciência.

Compartilhe:
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Google
  • E-mail this story to a friend!
  • Live
  • Print this article!
  • Rec6
  • StumbleUpon
  • TwitThis
  • Technorati

Les Brulières de Beychevelle 2001

Les Brulierès de Beychevelle 2001 - Bordeaux produzido pelo Chateau Beychevelle de St.JulienMuito se fala sobre os vinhos do novo mundo; californianos, australianos, chilenos e argentinos têm apresentando qualidade consistente, porém não se engane, Bordeaux continua sendo Bordeaux. Mesmo que os Cabernets e Merlots do hemisfério sul tenham custo mais acessível, é bom deixar de comprar algumas dessas garrafas para provar o que Bordeaux tem a oferecer. Tenho um amigo que só compra Cabernet chileno, principalmente Marques de Casa Concha e Arboleda. Bons vinhos, mas é muito chato beber sempre a mesma coisa. Algo maravilhoso que o mundo do vinho oferece é a diversidade, então para que restringir tudo a meia dúzia de rótulos confiáveis? Sempre vale a pena provar novos vinhos - mesmo que muitos decepcionem - e se você é fã de Cabernet Sauvignon, Merlot e Carménère, que tal começar a conhecer melhor os vinhos de Bordeaux?

Quando me perguntam se um Bordeaux de R$ 150 (de produtor confiável, não aqueles rótulos obscuros do Carrefour) é melhor que um Cabernet chileno (ou argentino) de mesmo preço, sempre respondo: depende do gosto de cada um, todavia uma coisa é certa, o Bordeaux será menos concentrado e intenso, mesmo assim pode surpreender mostrando mais complexidade. E isso é bom ou é ruim? Vou responder com outra pergunta: Que mulher é mais atraente, Ana Hickmann ou Juliana Paes (para exagerar ainda mais a comparação, que tal Sandy e aquela fulana do último carnaval que dizem ter perdido o tapa sexo)?

Para quem pretende descobrir Bordeaux, recomendo começar pelos vinhos de Saint Julien. Situada entre Pauillac e Margaux, St. Julien é frequentemente ofuscada pela vizinhança, uma terrível injustiça, uma vez que seus vinhos podem ser tão bons quanto os grandes de Paulliac. Só para citar um exemplo o Chateau Léoville Las Cases (St. Julien) faz fronteira com a propriedade do Chateau Latour (Pauillac), mantendo os mesmos níveis de qualidade pelo menos há uma década; a diferença é que pode custar até 5 vezes menos!

Provamos o Les Brulières de Beychevelle, produzido pelo Chateau Beychevelle (quarto caldo de St. Julien), que assim como outros chateaux de St. Julien, também tem produzido excelentes vinhos nas últimas décadas. O Les Brulières é denominado como Haut-Medoc, uma vez que as uvas - 66% de Cabernet Sauvignon e 34% de Merlot - provêm de uma parcela externa a área demarcada de St. Julien. Mostrou cor grená com transparência. Nariz de boa intensidade com frutas vermelhas frescas, notas agradáveis de carvalho tostado, ervas secas e toque floral sutil. Corpo médio, taninos finos e excelente acidez. Final agradável e com boa persistência. O Les Brulières não decepcionou, tem um apelo imediato, fácil de gostar e de combinar na cozinha.

Muito Bom

Bordeaux bem feito e acessível. Não espere um vinho potente e encorpado, mas sim, harmonia e uma certa complexidade.

Grad. Alcoólica: 12,5%
Preço: R$160
Importadora: Petit Chateau

Compartilhe:
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Google
  • E-mail this story to a friend!
  • Live
  • Print this article!
  • Rec6
  • StumbleUpon
  • TwitThis
  • Technorati

Lula à dorê com Vinho Verde Portal do Fidalgo

Vinho verde Portal do Fidalgo 2006 e Lulas a DorêDurante esses meses de calor realizamos boas provas de vinhos tintos, alguns pesadões outros nem tanto. Admito, porém, que nesses dias de sol escaldante e noites abafadas o vinho tinto acaba não sendo uma das melhores companhias. E olha que moro em Curitiba, talvez a capital com temperaturas médias mais baixas do país. Mas então, por que não vamos aos brancos? Ora, aqui encontramos um obstáculo: o preconceito. Já cansei de ouvir de amigos “não sou muito fã de vinho branco” ou mesmo, afirmações ainda mais radicais do tipo “vinho que é vinho tem que ser tinto”. Quando pergunto a essas pessoas qual a razão dessa antipatia, poucos sabem dizer porque os brancos não gozam do mesmo prestígio na hora da compra. Acredito que ainda exista um grande desconhecimento dos brasileiros em relação aos vinhos brancos. O que é uma pena! Pessoalmente adoro comer frutos do mar como ostras, mexilhões, lulas e peixes, acompanhados, por exemplo, por vinhos do Loire como um Sancerre, Savennières, ou ainda, o acessível Muscadet. No entanto esses vinhos não são facilmente encontrados por aqui. Sugiro recorrer a um confiável e refrescante Vinho Verde, como esse Portal do Fidalgo 2006 que provamos, acompanhado por Lulas à Dorê.

Receita e ingredientes para Lula à Dorê.

O preparo das lulas é simples, basta cortá-las em fatias finas e enxugá-las muito bem com um pano limpo (para evitar que o óleo espirre). Depois coloque os anéis em um saco plástico com farinha de trigo; chacoalhe bem e despeje a mistura numa peneira. Elimine o excesso de farinha e os anéis já estarão prontos para a fritura. Aqueça bem o óleo e comece a fritar, o suficiente para os anéis ganharem uma cor dourada. Depois de fritar tudo é adicionado o sal.

Vinho recomendado: branco com boa acidez e certa mineralidade, como o Alvarinho Portal do Fidalgo.

O Portal do Fidalgo é produzido na sub-região de Monção, conhecida pelos excepcionais resultados com a casta Alvarinho. Nesta sub-região o solo é de origem granítica e o microclima é muito particular, caracterizado por invernos frios e precipitação intermediária; ao passo que os verões são quentes e secos, já que a influência marítima é limitada. O Portal do Fidalgo é um dos vinhos da PROVAM (Produtores de Vinho Alvarinho de Monção), sociedade constituída em 1992, por 10 viticultores da Sub-região de Monção, dedicados a produção de vinhos da casta Alvarinho e Trajadura. O Portal do Fidalgo 2006 revelou uma cor amarelo palha muito límpida. Aroma não muito intenso, mas de boa complexidade; em destaque toques florais e cítricos, insinuando frutas tropicais. Marcado também por um caráter levemente amedoado. Na boca tem boa estrutura e ótima acidez. Sem dúvida, um Alvarinho bem equilibrado, com um final muito persistente e refrescante. Deixa um gosto de quero mais. Não precisa nem dizer que o casamento com uma porção de lulas fritas ficou ótimo.

Excelente
Um excelente Alvarinho que também pode harmonizar com um robalo ou linguado ao forno. Perfeito para escoltar pratos de verão
Grad. Alcoólica: 13,2%
Preço: R$ 45
Importadora: Porto a Porto / Casa Flora

Compartilhe:
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Google
  • E-mail this story to a friend!
  • Live
  • Print this article!
  • Rec6
  • StumbleUpon
  • TwitThis
  • Technorati

Os 10 vinhos mais caros do mundo

Cheval Blanc - St. Emilion Grand Cru

Desconhecido por muitos, o segmento de leilões de vinhos caros e raros movimenta milhões de dólares por ano. Nessa arena operada por casas de leilões como a Christie’s, a Sotheby’s e a Antique Wine Company, não existe espaço para meros apreciadores de vinho. A atuação está muito mais para colecionadores e investidores profissionais do ramo. Cada dólar investido numa garrafa, caixa ou lote pode representar ganhos consideráveis. Claro, o retorno nem sempre é de curto prazo. Aliás, muitas vezes é de longuíssimo prazo. Ano passado, um lote de 12 garrafas de Hermitage La Chapelle 1961 foi arrematado, na Christie´s de Londres, por 123.750 libras (aproximadamente US$20 mil / garrafa). O Hermitage La Chapelle não é um vinho dos mais caros quando comparado a certos Bordeaux e Borgonhas. Em safras recentes ele não chega a passar de US$ 200 a garrafa, porém na safra 1961, o La Chapelle bateu um recorde. Da mesma forma uma garrafa Magnum do legendário Château Mouton-Rothschild 1982 pode alcançar facilmente US$ 10 mil! Outro termo tipicamente do mercado financeiro também é utilizado aqui. São os vinhos conhecidos como “The blue chips”. Nesse rol estão: Lafite, Margaux, Mouton-Rothschild, Latour, Haut Brion, Petrus, Cheval Blanc e o clássico vinho doce, Château d’Yquem. Assim como ações de alta liquidez esses rótulos fazem brilhar os olhos de emergentes da Rússia, China, India e Brasil.

Na lista abaixo foram selecionados alguns vinhos que obtiveram os preços mais elevados em leilões. Talvez nesses mesmos intervalos existam outros vinhos que alcançaram preços similares, mas nessa seleção já dá ter uma idéia:

1. Château Lafite Rothschild 1787

Valor: $156.450
Dezembro de 1985, Christie’s, Londres

2. Château d’Yquem 1811

Valor: $100.000
Fevereiro de 2006, Antique Wine Company, Londres

3. Penfolds Grange Hermitage 1951

Valor: $50.200 dólares australianos (aproximadamente US$38,420)
Maio de 2004, Melbourne, Austrália

4. Cheval Blanc 1947

Valor: $33.781 por uma garrafa de 750 ml. ($135,125 por 3 garrafas)
Julho de 2006, Vinfolio, San Francisco

5. Château Mouton-Rothschild 1945

Valor: $28.750
Setembro de 2006 - Christie’s, Los Angeles

6. Inglenook Cabernet Sauvignon Napa Valley 1941

Valor: $24.675 / garrafa
Outubro de 2004 – Zachys, Los Angeles

7. Montrachet Domaine de la Romanée Conti 1978

Valor: $23.929 / garrafa
2001 - Sotheby’s, Nova Iorque

8. DRC Romanée Conti 1934

Valor: $20.145 / garrafa
Junho de 2006 - Hart Davis Hart, Chicago

9. Hermitage La Chapelle 1961

Valor: $ 20.130 / garrafa (lote de 12 garrafas por 123.750 libras)
Setembro de 2007 - Christie’s, Londres

10. DRC Romanée Conti 2003

Valor: $4.650 / garrafa

Compartilhe:
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Google
  • E-mail this story to a friend!
  • Live
  • Print this article!
  • Rec6
  • StumbleUpon
  • TwitThis
  • Technorati

Chocolate Escuro vs. Chocolate ao Leite

PralusParece que o chocolate está mesmo na pauta. Um dia depois de publicarmos o nosso artigo sobre chocolates, o renomado jornal norte-americano The New York Times trouxe uma matéria muito interessante sobre a briga entre os chocolates escuros e os chocolates ao leite (veja o artigo Dark may be king, but milk chocolate makes a move). Nessa matéria, a jornalista Julia Moskin, apresenta o ponto de vista dos defensores de ambos os lados. A discussão vem à tona principalmente em função do movimento de renascimento do chocolate ao leite. Segundo especialistas, nos últimos dez anos nada foi feito pelo chocolate ao leite, que infelizmente ficou estigmatizado como um produto industrial e, consequentemente, de baixa qualidade. Entretanto, para brigar em qualidade com os chocolates “dark”, e melhorar a imagem do chocolate ao leite, alguns top chocolateirs estão apresentando novidades. Entre eles está o chocolatemaker toscano Andrea Slitti, responsável pelo desenvolvimento do Lattenero, o primeiro chocolate “Dark Milk” com cinco níveis de cacau (45% até 70%). Slitti é um dos defensores do chocolate ao leite, segundo ele “produzir chocolate ao leite é muito mais complicado do que produzir chocolate escuro”. Outro nome que engrossa a lista dos ardorosos amantes do chocolate ao leite está Stéphane Bonnat, de Voiron, perto dos Alpes franceses. Com uma tradição que começou em 1884, Bonnat produz excelentes chocolates ao leite, com pelo menos 65% de cacau sólido, proveniente de diferentes plantações na Indonésia.

Por outro lado, especialistas como Chloé Doutre-Roussel, da loja londrina Fortnum & Mason, assim como outros puristas, acreditam que ao chocolate dark bastaria a mistura do cacau e do açúcar, sem qualquer adição de gordura ou mistura com outros elementos como o leite. Em relação ao percentual de cacau, Chloé vai além, “percentagens não nos dizem nada sobre o sabor ou a qualidade do chocolate. O percentual diz apenas quanto a barra possui de cacau sólido, mas o aroma e a qualidade são determinados por outros fatores: como as sementes são fermentadas, quanto tempo elas foram torradas e de que solo vem o cacau.” Está certo que analisar a qualidade do chocolate a partir do terroir do cacau e todo o cuidado no processo de produção, realmente é um luxo restrito a poucos produtos. Hoje, o que vemos são chocolates com baixíssimo percentual de cacau, que dispensam análises ou comentários. Mesmo nos Estados Unidos, segundo normas da FDA, o chocolate ao leite pode conter menos de 10% de cacau. Pior para o consumidor, melhor para a indústria. Para vender mais, os fabricantes não pensaram duas vezes: menos cacau na fórmula, mais açúcar, gordura e emulsificantes. Isso faz sentido, já que o cacau nunca foi um produto barato, para se ter uma idéia somente nos últimos dois anos sua cotação subiu 150%! Mas voltando aos chocolates top, a briga é boa. Independentemente de quem seja o vencedor, chocolate ao leite ou dark, nós consumidores saímos ganhando.

Compartilhe:
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Google
  • E-mail this story to a friend!
  • Live
  • Print this article!
  • Rec6
  • StumbleUpon
  • TwitThis
  • Technorati

Old Vines Luccarelli – Primitivo di Manduria 2004

Luccarelli Primitivo di Manduria - Vinho italiano da região da PugliaTodos sabem que a Itália é um país abençoado para o cultivo de vinhas, com grandes extensões plantadas de norte a sul. A Toscana, o Veneto e o Piemonte lideram o ranking da fama, impulsionada por um competente time de produtores que souberam extrair o melhor dessas terras. O que pouca gente sabe é que alguns dos mais velhos vinhedos da península itálica estão na Puglia. Isso mesmo, o “salto da bota” é o berço de vinhas que podem ter até 80 anos de vida. Velhas vinhas de Primitivo, verdadeiras protuberâncias da terra; uma vez por ano lançam ramos verdes ao céu, numa tentativa de se libertarem daquela forma retorcida imposta pela natureza. Não conseguem, porém presenteiam o homem com o fruto de seu esforço.

A uva Primitivo reina quase absoluta na Puglia, mas é na região (DOC) Primitivo di Manduria que mostra suas melhores qualidades. O vinho que provamos, o Old Vines Luccarelli 2004, representa bem o espírito do melhor vinho Pugliese. Produzido pela San Marzano, uma cooperativa que agrega 1.200 viticultores, totalizando 500 hectares de vinhedos no coração da DOC Primitivo di Manduria. Adeptos da modernidade, procuram conciliar a tecnologia com as tradições locais, sem perder a identidade da sua região de origem. O Old Vines Luccarelli é um vinho surpreendente, uma vez que apresenta um estilo mais próximo ao do Novo Mundo, porém mantendo uma personalidade própria. Produzido a partir de vinhas velhas e de uvas super maduras, o resultado é uma mistura explosiva de muita fruta, maciez e álcool. Sim, produtores de todas as partes fazem isso (ou tentam fazer), mas com o Luccarelli o resultado é feliz.

Exibiu cor violeta escura, com muita pigmentação no copo. Nariz intenso com fruta super madura, lembrando tutti-frutti, baunilha de carvalho novo, notas de especiarias doces e ervas secas. Encorpado e redondo, seus taninos sedosos ajudam a criar uma grande sensação de maciez; excelente acidez, levando em conta a maturação das uvas. Final bastante agradável e com boa persistência. O Luccarelli é um vinho macio e concentrado, como muitos vinhos atuais, porém não deixa a desejar em frescor e vivacidade, graças ao bom equilíbrio fruta/álcool/acidez.

Excelente

Primitivo intensamente frutado e sedoso. Proponho uma ousadia (pegando o gancho do último artigo): Que tal harmonizar esse vinho com um excelente chocolate de 60% de cacau? Muita gente terá uma agradável surpresa…

Grad. Alcoólica: 14,5%
Preço: R$110
Importadora: Porto a Porto / Casa Flora

Compartilhe:
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Google
  • E-mail this story to a friend!
  • Live
  • Print this article!
  • Rec6
  • StumbleUpon
  • TwitThis
  • Technorati

Antioxidantes naturais. Saiba o que o chocolate pode fazer pela sua saúde

Descoberto em terras astecas e, posteriormente, levado por Cortez ao continente europeu, o chocolate sempre exerceu um enorme fascínio sobre o ser humano. O chocolate, inicialmente, era conhecido apenas como uma bebida saborosa com efeitos energético e afrodisíaco. Somente mais tarde, por volta do ano de 1840, ele passou a ser consumido em sua forma sólida como conhecemos hoje. Desde então, esse nobre e nutritivo alimento, derivado das sementes do cacau, viveu dias de glória, mas também de decadência. Durante alguns anos foi considerado um vilão. Contudo, com recentes estudos, o chocolate parece ter saído do rol dos condenados e passou a figurar na lista dos alimentos benéficos à saúde.

Chocolate escuro com alto percentual de cacau.

Já virou rotina, a ciência, a cada dia que passa, apresenta novas pesquisas e derruba antigos mitos. Foi assim com o café, o ovo, a carne vermelha e, com o chocolate não foi diferente. Qual foi a descoberta? Flavonóides. Encontrados em boa quantidade no cacau, os flavonóides são polifenóis que, devido as suas propriedades antioxidantes, combatem os efeitos nocivos dos radicais livres, prevenindo assim doenças cardiovasculares e até mesmo o câncer. Esses polifenóis também estão presentes em outros alimentos como a uva, o mirtilo e o chá. Porém, antes que os chocólatras de plantão resolvam tirar o atraso, preste atenção em alguns detalhes. Somente o chocolate com alto percentual de cacau (50%, 60% e 85%), pode trazer benefícios reais. Ou seja, os chocolates amargos e escuros “Dark”. Desculpe decepcionar os fãs do quanto mais doce melhor.

Infelizmente, o nosso tradicional chocolate ao leite possui um baixíssimo percentual de cacau, que de tão baixo dificilmente é divulgado no rótulo (mesmo porque cacau de qualidade é muito caro). Em compensação esses mesmos produtos exageram no açúcar, em aromatizantes artificiais e na gordura hidrogenada ( gordura trans). Aliás, se compararmos, por exemplo, uma barra de Nestlé Clássico ao Leite fabricado na Suíça, com o similar tupiniquim da própria Nestlé dá vontade de chorar. A qualidade aqui anda tão ruim que esses produtos deveriam ser proibidos de se chamar chocolate. Uma sugestão seria: “gordura açucarada com sabor artificial de chocolate”. Não precisa nem dizer que o consumo regular desse tipo de chocolate está longe de ser saudável.

Hoje, no Brasil, já existem excelentes opções de chocolates ricos em cacau. Desde uma infinidade de produtos artesanais, produzidos por mestres chocolatier como a Amedei, a Pierre Marcolini, a L`Artesian du Chocolat, até os de escala industrial de marcas multinacionais como a Nestlé, a Hershey´s, a Lindt e a Kraft. Neste artigo procurei selecionar boas marcas de chocolate que podem ser consumidos sem medo. No meu próximo post darei sugestões interessantes de harmonizações com o chocolate, inclusive com vinhos. Exatamente, com vinhos!

Amedei

AmedeiIsso sim é chocolate! Simplesmente, a Amedei é uma referência quando se fala em chocolates de altíssimo padrão. Localizada numa cidadezinha perto de Pisa, a italiana Amedei produz verdadeiras obras-primas a partir do cacau. Quem lembra da nossa entrevista com o Manuel Louzada, da Terrazas de Los Andes? Nela, o enólogo defendeu com um dos grandes diferenciais, o cuidado com os vinhedos. Pois é, com a Amedei a história é a mesma. Segundo os irmãos Alessio e Cecilia Tesseri, o cacau seria muito parecido com a uva. Em boas safras e num bom terroir para o cacau estariam alguns dos segredos para confeccionar os estupendos chocolates da Amedei. Na sua linha de produtos possuem chocolates (70% cacau) produzidos a partir de “crus” localizados no Equador, Venezuela, Madagascar, Trinidad, Jamaica e Granada. Dentre eles, a empresa detém o monopólio de um dos mais famosos crus, o Chuao, na costa da Venezuela. Sem falar que a Amedei só trabalha com as variedades mais nobres do cacau (Trinitario e Criollo).

Moonstruck

MoonstruckConheci há pouco tempo os produtos dessa pequena fabricante de chocolates norte-americana baseada em Portland. Na verdade, estava em busca de alguns Pinots do Oregon, por tabela acabei conhecendo os delicados e saborosos chocolates da Moonstruck. Fundada em 1993, e defendendo uma proposta que o chocolate não é um simples doce, mas uma nobre experiência para os sentidos, a Moonstruck capricha em seus produtos. Atualmente a empresa conta com inúmeras lojas nos estados da Califórnia, Michigan, Massachusetts e Virginia. Tive a oportunidade de provar uma série de barras de chocolate escuro, nas versões puro, com pimenta e com café. Com um perfume intenso e fresco, sua textura é deliciosa e persistente na boca. Difícil dizer qual deles era melhor. Vale a pena experimentar!

Hershey´s Special Dark – 60% de cacau

Chocolate Hershey’sMaior fabricante de chocolates dos Estados Unidos, com faturamento de US$ 5 bilhões e exportações para 90 países, a Hershey´s é uma marca ícone do setor. Fundada no início do século XX por Milton Hershey, a empresa possui uma ampla linha de produtos que engloba chocolates ao leite, escuros, com caramelo, cookies etc. Não sou muito fã dos chocolates da Hershey´s. A grande maioria de seus produtos são produzidos para agradar o gosto, exageradamente doce, dos americanos. Mesmo aqui, com pequenas adaptações na fórmula para conquistar o paladar do brasileiro, ainda sim, é muito açúcar! Mas, nem tudo está perdido. Na segmentação premium a Hershey´s possui bons chocolates, principalmente nas linhas “Especial Dark”, “Extra Dark” e “Cacao Reserve”. Nesses produtos o percentual de cacau é de pelo menos 60% e, a presença de flavonóides antioxidantes é utiliza como um forte apelo de marketing. Não é um chocolate excepcional, que se compare com a qualidade de outros chocolates artesanais, porém é facilmente encontrado em qualquer PDV, e possui um preço bem acessível. É uma boa opção para consumo mais freqüente.

Lindt & Sprüngli Dark Extra Fine - 85% cacau

Chocolate suiço LindtUma das mais tradicionais companhias suíças de chocolate, com mais de 160 anos de história. David Sprüngli-Schwarz e seu filho, Rudolf Sprüngli- Ammann, iniciaram suas atividades em 1845, numa pequena loja de Zurich. Somente em 1899, com a estruturação de uma nova fábrica, e após a sociedade com o renomado chocolatemaker de Berna, Rodolphe Lindt, a companhia passa a se chamar “Lindt & Sprüngli”. A marca sempre esteve associada a excelentes chocolates ao leite, como convém ao bom chocolate suiço. Porém, a Lindt vem produzindo a linha “Dark” onde a concentração de cacau pode variar de 48% a 85%. Além disso é possível encontrar essas barras em aromáticas e deliciosas versões de laranja, menta e amêndoas. O Dark Extra Fine, como era de se esperar, é intenso e persistente graças a sua alta concentração de cacau. Difícil harmonizar com qualquer outra coisa que não seja um bom café espresso.

Compartilhe:
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Google
  • E-mail this story to a friend!
  • Live
  • Print this article!
  • Rec6
  • StumbleUpon
  • TwitThis
  • Technorati

Navarro Correas Bonarda 2005

Navarro Correas Bonarda 2005 - Vinho argentino da região de MendozaMuitos empresários do mundo do vinho já perceberam: bons produtos, focados apenas em diferenciais tangíveis, já não bastam para sustentar um negócio. Ora, a conclusão parece óbvia, no entanto, hoje muitos produtores parecem viver no tempo de seus avós. Acontece, porém, que os tempos são outros. A abertura dos mercados inundou as prateleiras de produtos das mais diversas nacionalidades e deixou a competição mais acirrada. A França, por exemplo, teve que melhorar muito a qualidade de seus produtos. Bom para nós consumidores que podemos contar com muito mais opções de vinhos de qualidade, e por outro lado, muito trabalho para as cabeças que pensam o marketing no business do vinho. Temos mostrado aqui no QVinho iniciativas ousadas de marcas que vêm apostando na emoção como forma de ganhar a atenção e o coração dos consumidores (veja o comercial da Freixenet). E não há nada melhor que uma bela publicidade para ressaltar as qualidades dos produtos e envolver os potenciais consumidores. Eu disse ressaltar as qualidades, agora se o produto é ruim, esqueça a publicidade. No máximo ela terá a capacidade de enterrar com mais rapidez o produto.

Esses dias revendo alguns materiais selecionei o comercial produzido pela agência portenha Santo, para a Bodega Navarro Correas. Com o título “Round Red River”, o spot P&B com estilo de época, brinca em seu enredo com a fala dos “Rs”. Quem não conhece aquela do “rato roeu a roupa da rainha de Roma…” É mais ou menos por aí. O slogan encerra com a pergunta: “How many R’s does your wine have?” Bem executado e original. A história de utilizar os “Rs” do nome da vinícola foi uma boa sacada criativa. Vale a pena conferir!

Já que o assunto é Navarro Correas, por que não provar um deles? Nada mais justo. Até para comprovar se o produto está à altura da publicidade. O vinho escolhido foi um Colección Privada Bonarda 2005. Essa série tem os rótulos com obras de artistas argentinos (já degustamos um rosado). De modo geral os vinhos da linha Colección Privada são bem honestos, as vezes possuem um toque de carvalho pronunciado demais, porém dificilmente decepcionam. Esse Bonarda revelou uma cor púrpura, halo violáceo e uma leve transparência. O nariz não chega a ser dos mais intensos, porém é bem frutado. Em destaque aromas de framboesas, amoras e baunilha, envolvidas por um sutil toque tostado. Na boca esse jovem bonarda apresentou uma estrutura mediana, taninos um pouco ásperos e uma acidez vibrante. O fim de boca é seco e saboroso, com o álcool bem dosado; só deixou a desejar em persistência.

Muito Bom

Boa opção para quem quiser provar um Bonarda argentino. Um vinho jovem e vivaz que pode acompanhar bem a gastronomia.

Grad. Alcoólica: 13%
Preço: R$ 35
Importadora: Diageo

Compartilhe:
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Google
  • E-mail this story to a friend!
  • Live
  • Print this article!
  • Rec6
  • StumbleUpon
  • TwitThis
  • Technorati

Wild Roo – Andrew Peace Shiraz 2005

Wild Roo – Andrew Peace Shiraz 2005 - Vinho australiano de South EasternConfesso que degustar determinados vinhos e, principalmente, escrever sobre eles não é das tarefas mais empolgantes. O Wild Roo Shiraz da Andrew Peace Wines, infelizmente, integra esse rol de vinhos sem personalidade. Não que eu esperasse muito desse Shiraz australiano, mas a degustação acabou sendo ainda mais decepcionante. Talvez ele não merecesse mais que uma linha de explicações, contudo, vamos as nossas considerações de praxe. Até porque nossos leitores merecem mais informações. Seu rótulo (provavelmente voltado à exportação) é bem comercial e chamativo, explorando o contraste do preto e o amarelo, associado à imagem do canguru (óbvio, porém eficaz para lembrar da Austrália). Lá eles não trabalham com essa marca, o similar seria o Andrew Peace Shiraz South Eastern, que não custa mais que $8. O estranho é que aqui no Brasil pagamos mais de R$30! No contrarótulo uma história da carochinha. Já informação sobre o vinho, nada. Também, dizer o que? Que os vinhedos são de altíssima produção, que a colheita é mecanizada e que o vinho sofre as mais diversas intervenções. Definitivamente esse tipo de informação não ajuda muito.

O Wild Roo Shiraz mostrou uma cor rubi com transparência. Nariz pouco intenso, com aromas que lembram frutas negras supermaduras como amora e cereja. Algumas notas de menta e madeira (chips?), mas nada muito forte. Na boca é leve, sua acidez é alta e seu final é seco e curto. Pouco equilibrado pela sua estrutura, o álcool acaba prevalecendo. Em resumo: um vinho que não agrada!

Fraco

Shiraz austrauliano pasteurizado e sem graça. Pela proposta original deveria chegar aqui custando, no máximo, R$ 20.

Grad. Alcoolica: 14%
Preço: R$34
Importadora: Best Wine

Compartilhe:
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Google
  • E-mail this story to a friend!
  • Live
  • Print this article!
  • Rec6
  • StumbleUpon
  • TwitThis
  • Technorati

Toro de Piedra Cabernet Sauvignon Gran Reserva 2003

Toro de Piedra Cabernet Sauvignon Gran Reserva - Vinho chileno da região de CuricóSemana passada aproveitei uma promoção do Carrefour e comprei alguns vinhos para incluir em nossas degustações. A idéia realmente era levar vinhos mais comerciais, até porque não é foco do Carrefour trabalhar com rótulos exclusivos. Nessa seleção comprei vinhos argentinos, chilenos e australianos (nem precisa dizer que passei batido pela seção dos franceses, com produtos pra lá de suspeitos). Os preços de etiqueta de certos rótulos até que não eram dos mais altos e com o desconto acabava ficando bem interessante. Já fazia um tempo que eu não tomava um Cabernet Sauvignon chileno, contudo o frio atípico para o mês de janeiro aqui em Curitiba, contribuiu para a escolha. Por sinal, o Toro de Piedra acompanhou bem um risoto ao vinho tinto e parmigiano (uma adaptação do clássico piemontês Risoto Mantecato al Barolo).

Localizada no coração do Valle do Curicó, a Viña Requingua da família Achurra, possui aproximadamente 1.000 hectares de vinhedos, dos quais 500ha são próprios. Além dos vinhos de combate, possuem uma linha chamada “Elite Range”, onde estão os rótulos de maior qualidade como o Potro de Piedra, Puerto Viejo e o Toro de Piedra. A análise visual desse cabernet revelou um rubi escuro com uma certa transparência. Aroma bem agradável e de boa intensidade, sem aquelas notas verdes muito pronunciadas. Carvalho bem integrado que não chega a mascarar a presença de frutas vermelhas e um leve toque de café. Bem equilibrado na boca, com uma textura relativamente leve e taninos já bem domados. Final seco, com boa dose de fruta, porém não é muito duradouro.

Muito Bom

Equilibrado e fácil de beber, o Toro de Piedra é um típico cabernet chileno, sem muitos excessos. Pode harmonizar bem com diversos tipos de pratos.

Grad. Alcoólica: 13%
Preço: R$ 38
Importadora: Santar

Compartilhe:
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Google
  • E-mail this story to a friend!
  • Live
  • Print this article!
  • Rec6
  • StumbleUpon
  • TwitThis
  • Technorati
Páginas: <- 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 ->