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Wild Roo – Andrew Peace Shiraz 2005

Wild Roo – Andrew Peace Shiraz 2005 - Vinho australiano de South EasternConfesso que degustar determinados vinhos e, principalmente, escrever sobre eles não é das tarefas mais empolgantes. O Wild Roo Shiraz da Andrew Peace Wines, infelizmente, integra esse rol de vinhos sem personalidade. Não que eu esperasse muito desse Shiraz australiano, mas a degustação acabou sendo ainda mais decepcionante. Talvez ele não merecesse mais que uma linha de explicações, contudo, vamos as nossas considerações de praxe. Até porque nossos leitores merecem mais informações. Seu rótulo (provavelmente voltado à exportação) é bem comercial e chamativo, explorando o contraste do preto e o amarelo, associado à imagem do canguru (óbvio, porém eficaz para lembrar da Austrália). Lá eles não trabalham com essa marca, o similar seria o Andrew Peace Shiraz South Eastern, que não custa mais que $8. O estranho é que aqui no Brasil pagamos mais de R$30! No contrarótulo uma história da carochinha. Já informação sobre o vinho, nada. Também, dizer o que? Que os vinhedos são de altíssima produção, que a colheita é mecanizada e que o vinho sofre as mais diversas intervenções. Definitivamente esse tipo de informação não ajuda muito.

O Wild Roo Shiraz mostrou uma cor rubi com transparência. Nariz pouco intenso, com aromas que lembram frutas negras supermaduras como amora e cereja. Algumas notas de menta e madeira (chips?), mas nada muito forte. Na boca é leve, sua acidez é alta e seu final é seco e curto. Pouco equilibrado pela sua estrutura, o álcool acaba prevalecendo. Em resumo: um vinho que não agrada!

Fraco

Shiraz austrauliano pasteurizado e sem graça. Pela proposta original deveria chegar aqui custando, no máximo, R$ 20.

Grad. Alcoolica: 14%
Preço: R$34
Importadora: Best Wine

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Toro de Piedra Cabernet Sauvignon Gran Reserva 2003

Toro de Piedra Cabernet Sauvignon Gran Reserva - Vinho chileno da região de CuricóSemana passada aproveitei uma promoção do Carrefour e comprei alguns vinhos para incluir em nossas degustações. A idéia realmente era levar vinhos mais comerciais, até porque não é foco do Carrefour trabalhar com rótulos exclusivos. Nessa seleção comprei vinhos argentinos, chilenos e australianos (nem precisa dizer que passei batido pela seção dos franceses, com produtos pra lá de suspeitos). Os preços de etiqueta de certos rótulos até que não eram dos mais altos e com o desconto acabava ficando bem interessante. Já fazia um tempo que eu não tomava um Cabernet Sauvignon chileno, contudo o frio atípico para o mês de janeiro aqui em Curitiba, contribuiu para a escolha. Por sinal, o Toro de Piedra acompanhou bem um risoto ao vinho tinto e parmigiano (uma adaptação do clássico piemontês Risoto Mantecato al Barolo).

Localizada no coração do Valle do Curicó, a Viña Requingua da família Achurra, possui aproximadamente 1.000 hectares de vinhedos, dos quais 500ha são próprios. Além dos vinhos de combate, possuem uma linha chamada “Elite Range”, onde estão os rótulos de maior qualidade como o Potro de Piedra, Puerto Viejo e o Toro de Piedra. A análise visual desse cabernet revelou um rubi escuro com uma certa transparência. Aroma bem agradável e de boa intensidade, sem aquelas notas verdes muito pronunciadas. Carvalho bem integrado que não chega a mascarar a presença de frutas vermelhas e um leve toque de café. Bem equilibrado na boca, com uma textura relativamente leve e taninos já bem domados. Final seco, com boa dose de fruta, porém não é muito duradouro.

Muito Bom

Equilibrado e fácil de beber, o Toro de Piedra é um típico cabernet chileno, sem muitos excessos. Pode harmonizar bem com diversos tipos de pratos.

Grad. Alcoólica: 13%
Preço: R$ 38
Importadora: Santar

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QVinho em versão mobile

Começamos 2008 com novidades no campo tecnológico. Os leitores do QVinho, desde a última semana, também podem acompanhar os artigos mais quentes no mundo do vinho acessando o site a partir de telefones celulares, Smartphones e PocketPCs. A tecnologia empregada no site do QVinho é a mesma utilizada pelos sites do NYTimes e do Google em suas plataformas mobile. Isso garante muito mais rapidez e praticidade, já que você pode se atualizar nos seus assuntos prediletos, tirando proveito da tecnologia sem fio. Se você está no supermercado, por exemplo, e tem dúvidas se compra o vinho que está na promoção; acesse o QVinho e pesquise em nosso banco de dados as avaliações desse rótulo. Para acessar é muito simples:

QVinho em versão móvel

Via Wi-Fi: pode ser utilizado por qualquer aparelho (Smartphone ou PocketPC) que possua conexão Wi-Fi. Basta conectar-se num ponto de acesso que ofereça o sinal Wi-Fi (aeroportos, cafeterias e shopping centers). Alguns lugares disponibilizam o serviço gratuitamente, já outros cobram pelo tempo de conexão. Muito embora, no Brasil, os pontos de acesso ainda sejam limitados e o sinal tenha baixa qualidade, ainda assim é muito mais vantajoso do que acessar via GPRS/EDGE das operadoras de telefonia.
Uma vez conectado, digite no browser (Intenet Explorer ou Opera Mini) o endereço do QVinho - http://www.qvinho.com.br - que automaticamente você será direcionado para a versão mobile do site. Muito mais leve e rápido para carregar, o QVinho Mobile exibe as fotos e o texto integral das matérias, além disso você pode navegar pelas categorias e fazer comentários.

Via GPRS ou EDGE: pode ser utilizado por aparelhos celulares tradicionais ou pelos Smartphones e PocketPCs nas situações onde você não tenha por perto uma conexão Wi-Fi. A desvantagem dessas conexões está no preço abusivo cobrado pelas operadoras nos pacotes de transmissão de dados. As tarifas por kb transferidos estão muito acima das praticadas em outros países (e, ainda tem gente que acha que temos uma concorrência verdadeira no segmento de telefonia, mas deixa pra lá!).

Nos celulares tradicionais você deve acessar inicialmente uma página que possibilite uma interface WAP, como por exemplo, a de um agregador de conteúdo como o Google Reader. Antes você deve abrir uma conta e personalizar uma página pessoal. Na seqüência, assine o feed (RSS ou Atom) de todos os websites que deseja receber notícias (no QVinho basta usar o FeedBurner, ou copiar o link do RSS, no topo da barra lateral esquerda, e então adicionar no Google Reader). Depois que a sua página pessoal estiver montada é só acessar do seu celular o Google Reader - www.google.com/reader/m - para conferir as notícias mais recentes do QVinho. Para os Smartphones e PocketPCs o procedimento é o mesmo utilizado na Wi-Fi. Simplesmente digite no browser o endereço do QVinho.

Faça um “Test Drive” no QVinho Mobile:

Simulador do Opera Mini

Para saber mais sobre o Google Reader e como assinar um feed:

FeedBurner Help Center
Google Reader Help Center

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Elektra. Café espresso feito com arte

Pegando carona no artigo Café Espresso em Casa, vou comentar sobre as máquinas manuais que começam a chegar ao Brasil, mas que poucos sabem ao certo como funcionam. Uso diariamente uma Elektra Micro Casa a Leva - máquina manual que emprega o sistema de pistão e alavanca - que apesar de ter operação muito simples, possui algumas peculiaridades que precisam ser conhecidas, pelo menos por quem deseja comprar uma. É requisito obrigatório conhecer bem os 4 M’s, além disso, uma máquina manual requer um bom moinho, capaz de executar uma moagem muito fina e uniforme. Bons moinhos custam tanto quanto uma boa máquina. Por isso, antes de comprar uma máquina manual é bom planejar, pois não faz sentindo adquirir uma Elektra, uma Achille Gaggia, ou ainda uma La Pavoni sem ter um moinho à altura (ah, a Playboy em sua edição de dezembro podia ter informado melhor seus leitores, ao sugerir máquinas como a Achille Gaggia). Utilizo um moinho Mazzer Mini, que é simplesmente uma referência para baristas de todo o mundo.

A minha máquina de espresso Elektra Micro Casa a Leva e o moinho Mazzer Mini.

A Elektra Micro Casa a Leva, como já mencionado, é uma máquina a pistão e alavanca, mas diferentemente da Achille Gaggia e da La Pavoni, emprega uma mola para extrair o café. A máquina é composta por uma caldeira com água aquecida por uma resistência e uma pequena câmara externa. O funcionamento é simples:

  • O portafiltro é fixado na parte inferior da câmara;
  • A alavanca é acionada para baixo, então o pistão eleva-se enchendo a câmara com água;
  • É preciso manter a alavanca em baixo por alguns segundos para fazer uma pré-infusão (um luxo das máquinas manuais);
  • Agora é só soltar a alavanca para deixar o pistão - usando força da mola - extrair um belo espresso.

Espresso feito pela Elektra com blend da Braúna

Essa eficiente tecnologia foi desenvolvida na Itália, na década de 50, e continua fazendo um espresso de alta qualidade, muito embora as máquinas com bomba elétrica dominem o mercado atual. Avaliei diferentes blends com a Elektra, comparando com resultados obtidos na Saeco Via Venezia e em outras máquinas. O resultado é sempre melhor na Elektra, tendo como principal característica um espresso intenso e com menos amargor, apesar de produzir menos crema que as máquinas de bomba elétrica. Para falar a verdade, é difícil superar um espresso bem tirado da Elektra, mesmo em cafeterias renomadas.

Café BraúnaO espresso da foto foi tirado com grãos da Braúna, café especial da região de Matas de Minas. Esse café apresentou-se bastante suave e com agradável acidez. Seu aroma é intenso e complexo, revelando notas frutadas e de caramelo. Sem dúvida um excelente café. Comparei com grãos de Sumatra e da Etiópia, fornecidos pela Stumptown Coffee Roasters, uma torrefadora situada em Portland. O Ethiopia Limu Gera é um clássico café africano, com aromas vívidos de frutas cítricas e flores, além de ter uma acidez bem marcante. O Sumatra Lake Tawar é um melaço vulcânico, sua torrefação mais escura revelou notas intensas de “coisas da terra” e de tabaco. Fiz várias misturas com esses cafés, sempre obtendo excelentes resultados.

Máquinas a pistão são fantásticas, podem fazer um espresso delicioso por décadas, tão bom, ou até melhor do que nas mais famosas cafeterias do mundo. Contudo, antes que você se entusiasme para comprar uma, conheça os pontos negativos desses equipamentos:

  • Preço elevado;
  • São exigentes, não dá para tirar um bom espresso sem compreender a essência desse processo;
  • Demoram para esquentar, e quando esquentam, rapidamente ultrapassam a temperatura ideal. Não recomendo ter crianças por perto;
  • Precisam de manutenção quase constante, que consiste em limpeza e lubrificação do pistão (a cada 15 dias), além de eventuais substituições das borrachas de vedação (a cada 2 anos);
  • É preciso um certo esforço para acionar a alavanca.

Para mim é um prazer operar a minha Elektra, chega a ser uma terapia, entretanto para outras pessoas, tudo isso pode ser extremamente enfadonho.

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Grand Callia 2004 – Reserva del Enólogo

Grand Callia 2004 - Vinho argentino da província de San Juan

Depois de provarmos o Callia Alta Shiraz-Cabernet, ano passado, tivemos um expressivo número de leitores que solicitaram maiores informações sobre o vinho premium dessa bodega, o Grand Callia - Reserva del Enólogo. Talvez pela boa imagem e pela repercussão alcançada em avaliações no site do Robert Parker (o Grand Callia 2004 foi agraciado com 95 pontos). Essa popularidade, ou porque não dizer curiosidade, aparece em nossas estatísticas. Todos os dias são relatadas buscas e e-mails envolvendo o Grand Callia. Mas, como diz o ditado: a gente tarda mas não falha. Para os fãs dessa bodega, aí vai o Grand Callia!

Vale destacar, para quem não está familiarizado com o mapa vitivinícola argentino, que a Callia está na quente e seca província de San Juan (um pouco acima de Mendoza). E exatamente para se beneficiar de toda essa aridez - assim como acontece na Austrália - a Callia aposta suas fichas na Syrah. Tanto que a filosofia da empresa é fazer o melhor Syrah da Argentina. Para contribuir nessa empreitada, a Callia conta com o enólogo Oscar Biondolillo, um apaixonado por esta cepa de personalidade que conquistou o mundo pelas mãos dos australianos e que reina absoluta no norte do Vale do Rhône.

Está certo que o Grand Callia é um corte que leva quatro uvas (40% Syrah, 20% Malbec, 20% Merlot e 20% Tannat), contudo a Syrah dá um toque todo especial nesse vinho. As uvas são provenientes de vinhedos próprios que totalizam 241ha, localizados em diferentes regiões, sendo a Syrah proveniente do Valle de Tulum, a Malbec e a Merlot do Valle de Pedernal e a Tannat do Valle de Zonda. O vinho estagiou por 18 meses em barricas novas de carvalho francês e americano, com produção limitada de 19.800 garrafas. Por sinal uma bela garrafa. Apresso-me porém em esclarecer: não julgues um vinho apenas pelo seu rótulo e tamanho da garrafa. Aqui, no caso, a imponente garrafa faz justiça a qualidade do vinho. O Grand Callia 2004 exibiu uma cor púrpura com leve transparência, deixando a taça repleta de lágrimas untuosas e pouco tingidas. Ao nariz, o bouquet é intenso e ligeiramente condimentado, sem aquele toque doce exagerado comum em alguns Shiraz australianos e nas linhas mais básicas dessa bodega. O leque de perfumes contempla frutas negras maduras, algumas notas tostadas de coco e especiarias. Na boca é caloroso em álcool, mas ao mesmo tempo equilibrado por seus taninos aveludados e pela sua boa acidez. O fim-de-boca é muito persistente e frutado, embora não seja muito seco. Um vinho delicioso que pode aguentar bem mais alguns anos.

Excelente

A bodega Callia acertou a mão ao fazer um vinho potente, porém mantendo uma certa classe, sem exagerar na maturação das uvas. Excelente companhania para um churrasco.

Grad. Alcoólica: 14,5%
Preço: R$ 132
Importadora: Decanter

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Café espresso em casa

Recentemente, ao aguardar uma consulta odontológica, peguei uma publicação do revisteiro para matar o tempo. Abri e comecei a folheá-la sem maiores preocupações, até ser subitamente detido por uma matéria de título muito sugestivo, Espresso em Casa. Era um artigo da Revista Gula, especial de reveillon, com dicas de compra para máquinas de café espresso. A intenção da matéria até que foi boa, porém o enfoque excessivamente comercial atrelado a uma pesquisa superficial acabaram por deixar o artigo um pouco confuso e com alguns equívocos. Para sanar certos pontos obscuros resolvi escrever esse post.

Bomba Ulka na Saeco Via VeneziaO primeiro equívoco diz respeito a “pressão da bomba” – uma lenda repetida por muitos – de que quanto maior, melhor será a máquina e, consequentemente, melhor será o espresso. Isso é uma tremenda balela, já que quase todas as marcas empregam a mesma bomba em suas máquinas – a italiana Ulka, que é um bomba eletromagnética de vibração. Apesar de existirem vários modelos de Ulka, com pressão máxima entre 15 a 20 Bar, essa capacidade é irrelevante, tanto que algumas das melhores máquinas domésticas - como a clássica Rancilio Silva - empregam a Ulka E Type EX5 (clique na imagem acima), que tem “apenas” 15 Bar. Isso se deve ao fato de serem necessárias apenas 9 atmosferas para a extração de Válvula de alívio na Saeco Via Veneziaum bom espresso, tanto que, toda máquina possui uma válvula de alívio para a pressão excedente (em verde, na foto ao lado). Se em todas as máquinas bate o mesmo coração, em que elas se diferenciam? Publicarei, em breve, um guia de compra para máquinas de café espresso domésticas, onde irei explicar em detalhes como escolher e comprar uma, sem cair em armadilhas.

Antes que você queira se aventurar pelo fascinante mundo do café, é bom entender o que é um café espresso. Nunca é demais repetir, a grafia com “s” é sempre preferível à com “x”, pois a palavra espresso deriva do termo em latin ex-premere (espremer, tirar sob pressão). É melhor grafar com “s”, uma vez que o termo correspondente em português usa “s”, além do que, em quase todo o mundo a palavra é escrita com “s”. Deixando a etimologia de lado, vamos a definição da bebida (espresso normal, 1 xícara):

  • 25 ml de café, extraído por uma máquina capaz de produzir 9 atmosferas de pressão, a uma temperatura de 90 °C;
  • São usadas de 7 a 9 gramas de café em pó – moído no momento do preparo – compactado para formar um bolo;
  • Para produzir o bolo usa-se o compactador (tamper ou compressore), com uma força de 15-20 Kg;
  • O tempo de extração deve durar de 25 a 30 segundos;
  • É bom não esquecer de usar sempre café de alta qualidade, 100% arábica, com torrefação adequada e recente.

Sempre vai existir quem queira reinventar a roda, portanto essa norma costuma, indevidamente, sofrer alterações. Acredite no que digo, não existe maneira melhor de se beber café. Aprender a definição da bebida não capacita ninguém a preparar um bom espresso, nem com o melhor equipamento do mundo, para isso é preciso compreender os 4 M’s.

1. Miscela – Blend ou mistura de grãos

Miscela é a palavra italiana para mistura, uma vez que é difícil um único tipo de grão produzir um bom espresso. Os melhores blends costumam ter grãos de várias origens (Brasil, Quênia, Costa Rica etc), frequentemente processados de maneira diferentes (natural, lavado etc).

2. Macinazione – Moagem e moedor

Muito importante, todo bom barista sabe disso, mas costuma ser subestimado. Para entender a importância do moedor, basta saber: uma máquina doméstica com um moedor profissional produz um ótimo café; já uma máquina profissional com moedor doméstico deixa muito a desejar.

3. Macchina – Máquina de espresso

A grande vedete para os aficionados por café. Felizmente existem boas opções para uso doméstico, capazes de resultados similares as profissionais. Aguarde o meu guia de compra.

4. Mano – A mão de quem está no preparo

A mão, isto é, o feeling de quem opera os equipamentos. Sem isso esqueça todo o resto, não há tecnologia que substitua esse M.

O verdadeiro espresso possui algumas características marcantes, como o aroma complexo e agradável, o sabor intenso e com mínimo amargor, uma certa acidez e o indefectível creme. Esqueça a história da pressão, de regulagem para cremosidade, portafiltro “crema” e outras parafernálias inventadas pelo pessoal de marketing. O único meio de tirar um bom espresso é acertando nos 4 M’s, .

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Ruca Malen Malbec 2004

Vinho Ruca Malen Malbec 2004Bodega mendocina relativamente nova, fundada em 1998 pelos sócios Jean Pierre Thibaud (ex-presidente da Bodegas Chandon Argentina) e, pelo também francês, Jacques Louis de Montalembert. Sua localização é privilegiada, situada na Ruta N.7 (que dá acesso à Santiago), em Agrelo, Lujan de Cuyo, a bodega conta com um wine bar e um restaurante perfeitos para contemplar a maravilhosa vista para os Andes. Infelizmente, quando estive em Mendoza, passei rapidamente por lá, e não tive tempo para fazer uma visita. Em futuras incursões por terras argentinas, essa bodega deve fazer parte do meu roteiro.

Sob responsabilidade do enólogo Pablo Cuneo são produzidas três linhas de vinhos, com distintas segmentações de preço (Yauquén, Ruca Malén e Kinién). O vinho que provamos está num posicionamento intermediário, logo abaixo do Kinién. O Ruca Malen é produzido, predominantemente, a partir de uvas Malbec (87%), porém leva ainda 9% de Cabernet Sauvignon e 4% de Tempranillo, sendo essas últimas provenientes de vinhedos localizados em La Consulta (Valle de Uco). Esse vinho mostrou uma cor rubi profunda com reflexos violáceos e leve transparência. Nariz frutado intenso e persistente, lembrando frutas vermelhas maduras como ameixas, cerejas e passas. E como não poderia ser diferente para um vinho “internacional”, o indefectível toque adocicado de baunilha, fruto dos 12 meses de amadurecimento em barricas de carvalho francês (80%) e americano (20%). Na boca é untuoso, encorpado, com taninos macios e acidez agradável. Fim de boca longo e frutuoso, se bem que os 15% de álcool tenham prejudicado um pouco o equilíbrio do vinho.

Muito Bom
Típico vinho moderno, daqueles que agradam 8 em cada 10 pessoas. Bouquet frutado intenso, boa estrutura marcada por taninos redondos e untuosos. Casa bem com uma carne vermelha grelhada.
Grad. Alcoólica: 15%
Preço: R$58
Importadora: Leblon Import

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Sensação de prazer é maior ao beber vinhos mais caros

garrafa-dolar.jpgPesquisadores californianos da Stanford School of Business e do California Institute of Technology comprovaram cientificamente o que há um bom tempo imaginávamos ser verdade. Beber vinhos mais caros onde existe uma maior expectativa em relação à qualidade é interpretado pelo cérebro como uma experiência mais prazerosa. Ok, aquela história de que o rótulo e a etiqueta do preço fazem toda a diferença, agora tem explicação. Segundo o estudo, quando vinte adultos foram submetidos a amostras contendo o mesmo vinho, porém com intervalos de preço diferentes, foram relatados índices significativamente mais elevados, no prazer em beber, quando era revelado que se tratava de um vinho mais caro. Ao mesmo tempo, a área do cérebro responsável pelo prazer, o orbitofrontal córtex, registrou alta atividade.

Não é de hoje que pesquisas demonstram que as percepções dos consumidores são afetadas pelo marketing, porém não existia um aprofundamento em relação ao preço. Agora, de acordo com as conclusões do estudo, se a experiência foi mais prazerosa, o cérebro deverá guardar e utilizar como um guia para futuras escolhas. Isso terá implicações no campo do marketing como mais um forte atributo para influenciar as percepções de qualidade, assim como já acontece com as notas e classificações, reviews, denominações de origem, marcas e a freqüência de exposição à publicidade.

Fonte: Reuters - Higher wine prices boost drinking pleasure

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Degustação às cegas: Vinhos rosés

Aproveitando o assunto do momento iniciamos janeiro com uma interessante degustação de vinhos rosés. Tudo a ver com o nosso verão. Principalmente quando, descompromissadamente, pensamos em beber um vinho com os amigos; acompanhar pratos leves num almoço, ou servir apenas como um aperitivo. Os rosés são obtidos a partir de uma maceração atenuada de uvas tintas (Cabernet Sauvignon, Merlot, Malbec, Tempranillo etc) de uma única cepa ou em assemblage. Cada produtor possui seus segredinhos para vinificar e alcançar os melhores resultados. De modo geral, os vinhos rosados não gozam de boa reputação, mas o cenário vem mudando, e não dá para negar a versatilidade desse estilo de vinho. Porém atenção, essa encantadora proposta de “oferecer o melhor dos dois mundos”, em inúmeros casos, acaba se transformando numa grande decepção. Na ânsia de conquistar uma pequena parcela desse promissor nicho de mercado, muitos produtores com pouca pesquisa e nenhum planejamento, simplesmente despejaram nas prateleiras vinhos rosés fracos e mal resolvidos. Resultado: passamos a conhecer o pior dos dois mundos. Rosados que parecem espectros diante da estrutura e da maciez de bons tintos; e distantes da refrescância e intensidade frutada que os brancos costumam oferecer. Em resumo, um grande engodo!

Contudo, verdade seja dita, a cor e as tonalidades desse vinho – rosa-pálido, salmão, cereja – exercem um enorme fascínio sobre as pessoas. Quem já estudou na teoria da comunicação a influência das cores sabe do que estou falando. Faça um teste, coloque diante de um consumidor, preferencialmente não iniciado no mundo dos vinhos, uma taça com um vinho branco e outra com um rosé, e veja qual será escolhida primeiro. Isso sem falar nas garrafas e rótulos que exploram com muita fineza e charme os tons rosados. Sucesso garantido. As mulheres que o digam.

Vinhos rosé

Procuramos selecionar para esse painel rosés secos de diferentes regiões como: França, África do Sul, Uruguai e Brasil. Esses vinhos encontram-se numa faixa de preços de R$50 a R$75, com exceção do uruguaio Castel Pujol (R$25). Quanto ao representante nacional, resolvemos incluir o lançamento da safra 2007, sendo os demais rosés 2006.

  • África do Sul, Stellenbosch: Fort Simon Rosé 2006;
  • França, Bordeaux: Château Reynon Rosé 2006;
  • Uruguai, Las Violetas: Castel Pujol Clássico Rosé 2006;
  • Brasil, São Joaquim: Villa Francioni Rosé 2007.

Os vinhos avaliados tiveram um bom desempenho, e revelaram-se muito saborosos e fáceis de beber, a exceção do Villa Francioni que ficou muito abaixo da média; fato que merece uma pequena ressalva. Os degustadores, por unanimidade, relacionaram como inferiores, tanto na avaliação olfativa quanto na gustativa, as amostras que continham o rosé 2007 da Francioni. Não cheguei a provar a safra 2006, que foi bem recomendada em algumas críticas. Pessoalmente, não acredito que essa garrafa tivesse algum problema, entretanto como não tínhamos uma segunda amostra, deixaremos a contraprova para outra ocasião.

Apesar de estarem numa mesma faixa de preços, o rosé do Reynon conseguiu se destacar dos demais, mostrando equilíbrio e elegância. Sem dúvida um delicioso bordeaux rosé. Seco, fresco e intensamente frutado. O Fort Simon se sobressaiu por sua paleta aromática delicada, mas ao mesmo tempo frutada; com um palato equilibrado, marcado por uma boa acidez e secura. Já o Castel Pujol agradou aqueles que apreciam vinhos um pouco mais “suaves”. Dos vinhos do painel, o Pujol apresentou a maior doçura residual. E, finalmente, no outro extremo, o Villa Francioni com um intenso e inconveniente bouquet vegetal. E, se o aroma não agradou, na boca o vinho não se saiu melhor. Ralo e desequilibrado, o Francioni foi uma decepção.

Fort Simon Rosé 2006

A vinícola sul-africana Fort Simon, do distrito de Stellenbosch, não é estreante aqui no blog. No mês de novembro realizamos um painel com Syrahs, e o rótulo da Fort Simon fez bonito em meio a outros competidores do novo mundo. Seus vinhedos ocupam uma área de 61ha, com destaque para as variedades de Sauvignon Blanc, Chenin Blanc, Shiraz e Merlot. Esse rosé utilizou 67% Pinotage e 33% Merlot, com a extração apenas do suco, sem qualquer contato com as cascas. Cor atraente; rosa pálido amagentado. Bouquet delicado, com aroma um pouco difuso no início, mas com o passar do tempo revelou seus encantos. Notas lembrando frutas vermelhas como morango e framboesa, leve sugestão de especiarias. Seco, boa acidez, com um fim de boca longo e frutado; o Fort Simon mostrou equilíbrio e harmonia. Só é uma pena que esse rosado não chega aqui no Brasil com um preço mais competitivo.

Muito Bom
Grad. Alcoólica: 13,5%
Preço: R$72
Importadora: Dom Quirino

Castel Pujol Clássico Rosé 2006

Produzido por uma das mais tradicionais vinícolas do Uruguai, a Bodegas Carrau, esse rosé integra a linha Castel Pujol Clássico. A Bodega possui propriedades na região de Las Violetas e Cerro Chapéu, e conta com vinhos produzidos de varietais que vão da Sauvignon Blanc, Merlot, Cabernet Sauvignon, até a grande estrela do Uruguai, a Tannat. Com esta última emblemática cepa, a Carrau possui excelentes rótulos, com destaque para o seu Tannat Amat, uma homenagem a um dos precursores da família, Don Francisco Carrau Amat. Esse Rosé é produzido a partir de uvas Cabernet Sauvignon, Merlot e Tannat, de vinhedos com mais de 25 anos da Finca La Vasca, região de Las Violetas. Bela cor rosada, tendendo para o alaranjado, o Pujol apresentou um bouquet de boa intensidade e levemente adocicado; em destaque frutas maduras e notas defumadas. Na boca é saboroso, boa estrutura e maciez. Final não muito longo e com sensação de adocicado, embora o álcool fale um pouco alto.

Muito Bom
Grad. Alcoólica: 13%
Preço: R$25
Importadora: Impexco

Château Reynon Rosé 2006

Em outra ocasião ( apresentação no Brasil dos vinhos Dubourdieu) já tivemos a oportunidade de provar um outro rosé, o Clos de Floridenè, também do Domaines Denis Dubourdieu. O Professor Dubourdieu é um dos maiores especialistas em vinhos brancos da atualidade, e não poderia deixar de fazer um belo representante rosado. Localizado na Appellation Premières Côtes de Bordeaux, o Château Reynon é uma das cinco propriedades da Denis Dubourdieu Domaines. Num solo privilegiado, ocupando uma superfície de 22ha estão plantadas as vinhas tintas (Merlot, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Petit Verdot), ao passo que os vinhedos de uvas brancas (Sauvignon Blanc e Sémillon) ocupam outros 16,5ha. Para confeccionar esse rosé foram utilizadas uvas Merlot e Cabernet Sauvignon, respectivamente na proporção, 60% e 40%. Esse classudo rosé apresentou cor levemente rosada tendendo para o alaranjado; aroma intenso e persistente, com muita fruta e frescor. Notas citrinas evocando maracujá, grapefruit e um delicioso toque floral. Corpo bem estruturado e macio, que enche a boca. Acidez na medida certa e um final longo, conferem ao Reynon muita harmonia e prazer em beber.

Excelente
Grad. Alcoólica: 13%
Preço: R$65
Importadora: Porto a Porto / Casa Flora

Villa Francioni Rosé 2007

Moderna e jovem a vinícola idealizada pelo empresário Dilor Freitas (fundador da Cerâmicas Cecrisa, falecido em 2004), está localizada na gélida região de São Joaquim, na Serra Catarinense. Integrante do rol dos chamados vinhos de altitude, a vinícola é hoje encabeçada por um dos filhos e possui um audacioso projeto na produção de vinhos finos. Toda a arquitetura e construção respeita o modelo gravitacional, que racionaliza e facilita o processo produtivo. A preocupação em valorizar o produto também está presente nas garrafas, rótulos e embalagens que contam com design diferenciado, como é o caso dos cortes retos da garrafa desse rosado. O Francioni Rosé 2007 foi produzido a partir de um interessante assemblage das uvas: Cabernet Sauvignon, Merlot, Malbec e Pinot Noir, provenientes de vinhedos próprios localizados em São Joaquim e Bom Retiro. A análise visual revelou um salmão bem pálido (mais clarinho de todos). Aroma intenso, porém muito distante do que poderia se esperar de um jovem rosado. Ausência de frutuosidade, com predominância de notas vegetais e de borracha queimada. Alguns degustadores mencionaram lona de freio queimada. Na boca pouca estrutura, acidez desagradável e um final curto, fecharam um pacote bem desarmônico.

Fraco
Grad. Alcoólica:13,4%
Preço: R$49

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Chandon Brut Rosé

Vinho espumante Chandon Brut RoséAs festas de final de ano já passaram, mas o nosso verão está apenas iniciando. Assim, continuaremos nossa saga de provas de vinhos brancos, rosados e espumantes; seja para embalar comemorações, aperitivos ou para harmonizar com refeições. Nesses últimos tempos tenho acompanhado a tendência de alta no consumo dos vinhos tranqüilos e borbulhantes rosados. As importadoras não mediram esforços para trazer novidades de diversas regiões produtoras, inclusive dedicando seções especiais nos catálogos para a venda dos vinhos rosados. Até mesmo os produtores nacionais lançaram rótulos para atender essa demanda crescente. Em meio a esse turbilhão de novidades resolvi dar uma espiadela, e conferir em que pé anda esse tema em nossa mídia impressa especializada. Confesso, entretanto, que ao ler os comentários e sugestões de compra para vinhos rosés, só aumentou a minha percepção quanto à mesmice do conteúdo; notadamente quanto ao viés de release comercial que permeia nossas publicações. Então, lembrei-me porque, há um bom tempo, deixei de lado esse tipo de leitura. Contudo, curioso, resolvi investigar com um pouco mais de atenção esses vinhos, a começar pelo espumante Chandon Brut Rosé e, na seqüência, com a degustação às cegas num painel de rosados não borbulhantes.

Vale destacar que até mesmo na França os bruts rosés estão longe de rivalizar com os tradicionais bruts, sejam eles vintages e non-vintages. Está certo, alguns Champagnes Brut Rosé, principalmente os safrados, conseguem destacar-se pela qualidade realmente superior. É o caso de alguns exemplares vintage da própria Maison Moët & Chandon, como o Champagne Brut Rosé Cuvée Dom Pérignon. Para não ficar de fora, a Chandon de Garibaldi lançou um Brut Rosé, produzido a partir de um assemblage das uvas Pinot Noir, Chardonnay e Riesling Itálico. Com uma bela cor salmão esse espumante apresentou boa espumatização com borbulhas finas e em quantidade razoável, porém não muito duradouras. Aroma pouco intenso com leve frutuosidade, talvez evocando morango. Na boca é ligeiro, final curto e levemente adociado, tendo em vista o elevado percentual de açucar residual. Talvez por isso, agrade mais os iniciantes e menos habituados aos tradicionais bruts. Longe de empolgar esse espumante rosé é uma pálida imagem do que poderia se esperar de um vinho desse tipo.

Bom
Sem brilho, o Chandon Brut Rosé mostrou pouca refrescância e frutuosidade. Acredito que a Chandon tenha outros rótulos que com uma proposta similar consigam oferecer muito mais pelo mesmo valor.
Grad. Alcoólica: 11,9%
Preço: R$45

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