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Mondot – Saint-Émilion Grand Cru 2004

Chateau Mondot – Bordeaux Saint-Émilion Grand Cru 2004Enfim retornamos à ativa! Depois de um curto período de férias, volto a escrever para o QVinho. É claro que degustei muitos vinhos nessas semanas – alguns muito bons, outros lamentáveis – mas para iniciar o ano de 2008 com o pé direito, vou começar por um excelente Bordeaux - o Mondot - segundo vinho do Château Troplong-Mondot, produtor Grand Cru Classé de Saint-Émilion. Numa região como Saint-Émilion, famosa pelas pequenas propriedades, pelos “vinhos de garagem”, os 33 hectares do Château Troplong-Mondot colocam este produtor entre os maiores dessa denominação. Os vinhedos são de Merlot (90%), Cabernet Sauvignon (5%) e Cabernet Franc (5%), com idade média de 35 anos, plantados em solo argiloso composto por camadas sedimentares de calcário e sílex. Um solo fantástico, compartilhado por outros grades nomes da região, como o mítico Château Ausone e o caríssimo Château Pavie - este último faz divisa com o Troplong-Mondot. Apesar da nobre vizinhança, o Troplong-Mondot e o Mondot não são vinhos proibitivos, pelo menos na Europa. O preço pode variar muito, dependendo da safra, já vi Troplong-Mondot com preços de 60 a 800 dólares! Aqui no Brasil qualquer safra meia-boca passa dos US$ 400. Já o Mondot é bem mais acessível, custa algo em torno dos 22 euros na França, mas é muito difícil de achar fora de lá.

O nosso Mondot 2004 - um presente de colegas que moram na França – não decepcionou. Bela cor rubi com certa transparência; halo grená e lágrimas persistentes com pouca pigmentação. Nariz sutil e complexo, revelando uma discreta fruta vermelha madura; notas de especiarias, ervas secas e, como esperado, aquele toque mineral típico do Bordeaux de estirpe. Corpo médio, como taninos sedosos e boa acidez. Final agradável com boa persistência. O Mondot não é um vinho para competição, já que um degustador apressado poderia facilmente achar que falta concentração, corpo e intensidade. Sim, talvez seja verdade, mas também não custa os olhos da cara! Se você não liga para “pontos” e “notas”, no Mondot você poderá encontrar muito dos elementos de um grande Bordeaux, deixando-se seduzir pela originalidade de um terroir abençoado; esquecendo por um instante as tubaínas sabor tutti-frutti/carvalho que inundaram o mercado.

Excelente
O Mondot é um Bordeaux delicioso, cheio de nuances terrosas e minerais que raramente são encontradas em vinhos do novo mundo. Uma oportunidade de conhecer o famoso terroir de Saint-Émilion sem estourar a conta bancária.
Grad. Alcoólica: 14%
Preço: 22 euros em Paris

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Feliz Natal e um ótimo 2008!

Feliz Natal e um ótimo 2008!

Chegamos à reta final do ano de 2007. Momento em que paramos e refletimos sobre tudo o que passou. Nesses oito meses de QVinho provamos excelentes vinhos, outros nem tanto; harmonizamos e indicamos bons pratos. Vivenciamos o renascimento do café brasileiro e o interesse dos consumidores em beber um produto de maior qualidade. Participamos de eventos, visitamos vinícolas e realizamos entrevistas. Mas, principalmente, fizemos amigos e ganhamos leitores fiéis. Aliás, o número de novos leitores não pára de crescer, e só reforça que estamos no caminho certo.

Antes de voltarmos com tudo, eu e o Jomar estaremos em férias de 22/12/2007 a 06/01/2008. Nesse período não serão publicados artigos - isso não significa dizer que não estaremos bebendo bons vinhos. Mas, para 2008 teremos muitas novidades. Já em janeiro um painel com vinhos rosés deve relacionar boas dicas de compra e harmonizações com pratos de verão. E ainda, uma degustação às cegas com destacados Pinot Noirs de regiões como a Borgonha, a Nova Zelândia, os EUA e a Argentina.

Aos leitores do QVinho nossos sinceros agradecimentos.

Feliz Natal e um Ano Novo repleto de muitas conquistas!

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Degustação às cegas: Espumantes brut nacionais (charmat)

Na esteira da degustação realizada com os espumantes nacionais brut confeccionados pelo método tradicional, publicamos hoje, a segunda parte com os bruts charmat. Nesse processo, também conhecido como método italiano, uma vez que foi inventado na Itália e possui larga utilização nos espumantes de Asti, Valdobbiadene e Conegliano. A segunda fermentação acontece em tanques herméticos de aço inoxidável, um processo mais rápido e menos dispendioso que o método tradicional, onde a segunda fermentação ocorre nas garrafas. Os espumantes produzidos pelo Método Charmat, de modo geral, são menos complexos e mais baratos que os confeccionados pelo processo champenoise. Isso não significa que sejam inferiores, uma vez que também permanecem em contato com as borras de leveduras, mas geralmente por tempo menor.

Vinhos espumantes brasileiros: Chandon Excellence, Lidio Carraro Reserva da Serra Brut, Dom Cândido Brut e Vallontano Brut

Selecionamos quatro rótulos para compor o painel, que com excessão do Dom Cândido (blanc de blancs), são compostos pelo tradicional corte de Chardonnay e Pinot Noir.

  • Chandon Excellence
  • Reserva da Serra Espumante Brut
  • Dom Cândido Espumante Brut
  • Vallontano Espumante Brut

Esses vinhos não perdem em nada para aqueles da degustação anterior, apesar de serem ligeiramente mais leves. O Chandon Excellence se destacou pela sua classe, apresentando um conjunto harmonioso e equilibrado. Já o Reserva da Serra é bem acessível, menos seco e bastante frutado. Por sua vez, o Dom Cândido convence com uma paleta aromática intensa e agradável. E o Vallontano exibindo complexidade e sutileza.

O principal problema do espumante nacional continua sendo o perlage, nem sempre adequado, ou com borbulhas muito grandes - caso do Dom Cândido - ou finas, porém pouco abundantes - como o Reserva da Serra e o Vallontano. O Chandon Excellence se sobressai nesse atributo, exibindo um belo e consistente perlage. Não considero o perlage inconsistente um verdadeiro problema, todavia é desejável que o espumante tenha uma boa cremosidade, que aliada a acidez produz uma agradável sensação de refrescância.

É um pouco arriscado afirmar qual espumante é melhor, mas é preciso ressaltar que o Chandon Excellence se destaca, oferecendo frescor e harmonia. Mas isso é apenas uma questão de gosto, pois o Reserva da Serra pode agradar muito mais aos fãs de espumantes menos secos e frutados. Bom mesmo é provar para descobrir qual é o favorito.

Chandon Excellence

O rótulo Excellence representa hoje o espumante de maior qualidade no portfólio da Chandon no Brasil. Apesar de ser produzido pelo processo mais simples, o Charmat, o Excellence tem qualidade e razoável complexidade. Esse brut foi elaborado com o corte tradicional de uvas Pinot Noir e Chardonnay de vinhedos próprios da Chandon, localizados em Garibaldi. Cor amarelo palha com excelente espumatização, borbulhas muito finas e numerosas. Aroma lembrando avelã, amêndoa e pão assado. Na boca mostrou boa estrutura, com excelente acidez e cremosidade. Final seco, persistente e bem refrescante. Sem dúvida um espumante fresco e elegante.

Excelente
Grad. Alcoólica: 12%
Preço: R$65

Reserva da Serra Espumante Brut

A vinícola Lidio Carraro, responsável pela produção dos vinhos da marca Reserva da Serra, tem um posicionamento de boutique. Cuidam com esmero de seus vinhedos, são adeptos do baixo rendimento e do intervencionismo limitado. O resultado desse trabalho aparece no Reserva da Serra Brut, um espumante leve, frutado e muito agradável. Cor palha, com mousse discreto, borbulhas finas. Aroma intenso, frutado e direto; lembra pêras e flores de vários tipos. Esse espumante é leve e refrescante, apesar da acidez mais baixa e a maior quantidade de açúcar residual.

Muito Bom
Grad. Alcoólica: 12%
Preço: R$28

Dom Cândido Espumante Brut

Pequena vinícola familiar encabeçada pelo patriarca Cândido Valduga, a Dom Cândido possui uma área de 12ha na Vila Leopoldina, Vale dos Vinhedos. O seu Espumante brut é produzido a partir de vinhedos próprios utilizando 100% da variedade chardonnay. Cor amarelo levemente esverdeado, esse brut apresentou uma mousse pouco consistente, com borbulhas de tamanho médio, em pequena quantidade e com pouca persistência. Bouquet de boa intensidade lembrando fermento de pão, açucar queimado e um toque floral. No palato mostrou cremosidade e bom equilíbrio entre a estrutura e a ótima acidez. Não chega a ser um espumantes dos mais frescos, mas ainda assim é bem agradável.

Muito Bom
Grad.Alcoólica: 12%
Preço: R$27

Vallontano Espumante Brut

Outra vinícola considerada “boutique”, a Vallontano Vinhos Nobres, assim como a Lídio Carraro, também busca tirar proveito da produção pequena. Com 7 hectares no Vale dos Vinhedos, produzem um espumante muito equilibrado e sutil. O seu brut apresentou cor amarela, mousse razoável com borbulhas numerosas e persistentes. O bouquet não chega a ser intenso, mas é sutil e agradável, remetendo a frutas secas, citrinos, levedo e flores. Na boca é harmonioso, leve e com boa cremosidade. Um espumante leve e delicado, com final de boca muito agradável.

Muito Bom
Grad.Alcoólica: 10,2%
Preço: R$39

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Marcus Gran Reserva Merlot 2004 - Humberto Canale

Vinho Marcus Gran Reserva Merlot 2004 - Humberto CanaleNão é a primeira vez que provamos os vinhos dessa tradicional bodega estabelecida em 1913 no Alto Vale do Rio Negro, na Patagônia Argentina. Sob a chancela dos rótulos da linha Marcus Gran Reserva são produzidos os vinhos tops da vinícola (Pinot Noir, Merlot, Malbec e Cabernet Franc). Como principais características desses vinhos podemos destacar a frutuosidade de compota e o equilibrio com o carvalho; na boca muita potência dada pela ótima estrutura tânica e alcoólica. No entanto, esses vinhos, quando jovens, mostram-se um pouco rústicos e marcados por taninos ainda ásperos. Não foi o caso desse Humberto Canale Gran Reserva Merlot 2004, que apresentou maciez e uma certa elegância. A análise visual revelou um rubi já tendente ao grená com boa transparência. Nariz intenso com um delicioso toque de frutas em compota e geléia de cassis; carvalho bem integrado com a fruta, agregando sutis notas tostadas. Palato potente, volumoso, com taninos abundantes e maduros; boa acidez com um final de boca longo e bem alcoólico.

Excelente
Está longe de ser um Merlot delicado, portanto vale a pena escolher o acompanhamento de pratos com carnes vermelhas, caça ou que sejam bem condimentados.
Grad. Alcoólica: 14,5%
Preço: R$85
Importadora: Gran Cru

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Denis Dubourdieu visita o Brasil e apresenta seus vinhos

Considerado por muitos um dos maiores especialistas da atualidade em vinhos brancos, Denis Dubourdieu esteve no Brasil a convite da importadora Porto a Porto e Casa Flora, para apresentar alguns dos seus principais vinhos. Professor de enologia da Universidade de Bordeaux, desde 1987, Dubourdieu integra a terceira geração de uma tradicional família de viticultores de Bordeaux, e foi responsável por uma revolução nos métodos de vinificação dos vinhos brancos. É provável que muitas pessoas tenham ouvido falar nos fantásticos Sauternes do mítico Château D´Yquem, porém poucas delas, ao menos aqui no Brasil, já ouviram falar do Château Doisy-Daëne. Este último Château, é uma das cinco propriedades da Denis Dubourdieu Domaines, e basta dizer que seu delicioso Sauternes L´Extravagant é comparável e até mesmo considerado superior aos do Château D´Yquem. Não acredita? Talvez pouca gente saiba, mas Dubourdieu assessorou o ilustre château vizinho no processo de “remodernização” dos seus vinhos. Exatamente, Pierre Lurton do Château D`Yquem contou com a consultoria do professor Dubourdieu para melhorar seus Sauternes. Precisa dizer mais alguma coisa?

Denis Dubourdieu, Jomar Brustolin e Fernando Correa - da importadora Porto a PortoDurante essa curta passagem de Dubourdieu pelo Brasil participamos, no último dia 29, do encontro realizado em Curitiba. Com extrema tranqüilidade e simpatia Dubourdieu falou sobre os vinhos de suas cinco propriedades localizadas nas regiões de Sauternes, Graves e Premières Cotes de Bordeaux (Château Reynon, Clos Floridène, Château Haura, Château Doisy-Daëne e Château Cantegril), totalizando 120 ha de vinhedos. E falou, acima de tudo, sobre o prazer de beber. “Não importa o ritual da degustação ou se você consegue ou não decifrar todos os aromas de um vinho. Esqueça tudo isso, um bom vinho é aquele que você aprecia e que lhe dá prazer ao beber!”

A degustação dos vinhos tintos mostrou toda a capacidade desse produtor em fazer vinhos intensos, frescos, com muita fruta e prontos para o consumo. Ao ser questionado sobre o potencial de guarda desses tintos, Dubourdieu brincou: “Eu diria que esses vinhos estão perfeitos para serem bebidos hoje, e muito provavelmente, estarão também muito bons daqui quatro ou cinco anos. Recomendo que vocês comprem uma caixa, assim poderão desfrutar esses vinhos em vários estágios e curtir cada um deles”.

Brincadeiras a parte, concordamos totalmente com Dubourdieu. Vinho é para ser bebido, não cultuado; prática freqüente entre alguns enófilos. Muitos empenham um capital considerável em rótulos famosos, trancafiando as preciosas garrafas em adegas lustrosas, esperando anos pelo suposto “auge”. Essa atitude voyeurista é patética, a não ser que você pretenda virar investidor, ou algo do gênero.

A degustação foi iniciada pelo rosado, seguida pelos tintos e finalizando com os brancos. Surpreso pela ordem? O fato é que os brancos feitos por Dubourdieu são intensos, muito aromáticos e com considerável presença de boca, sendo assim, foram corretamente elencados para o final da degustação. Os tintos são harmônicos, sem exageros de madeira e fruta super madura, que poderiam dissimular o terroir desses vinhos. Os brancos são deliciosos, intensamente perfumados com uma mistura de grapefruit, maracujá, pêssegos e flores. Aliás, essa mesma paleta pode ser encontrada no rosado, uma prova da força do terroir.

Le Rose de Floridene 2006, Château Haura Rouge 2005, Château Reynon Rouge 2005, Château Doisy-Daene Sec 2006 e Château Categril Sauternes 2005

Le Rosé de Floridène 2006

Bela cor rosa pálida. Morangos, citrinos e notas florais dominam a paleta aromática. Leve e equilibrado; fascina pela sutiliza e frescor do seu acabamento. Um vinho de excelente relação qualidade/preço, perfeito para momentos de descontração. Ao contrário de outros rosados, o Floridène é produzido a partir de uma parcela especial do vinhedo, identificada como tendo as melhores características para esse vinho (R$55).

Château Haura Rouge 2005

Cor púrpura intensa, com lágrimas levemente tingidas denunciam a juventude desse vinho. Bouquet muito agradável lembrando frutas negras maduras, eucalipto, toque defumado e intensas notas florais. Na boca mostra-se firme, com taninos de ótima qualidade (R$95).

Château Reynon Rouge 2005

Este saboroso tinto (80% merlot e 20% Cabernet Sauvignon) apresentou uma cor semelhante ao Haura e leve transparência. Com boa complexidade, o Reynon Rouge mostrou um nariz frutado, com muitas notas tostadas e toque floral. Bom corpo, taninos de juventude, final longo e agradável (R$100).

Château Doisy-Daëne Sec 2006

Sauvignon Blanc de grande expressão, um verdadeiro achado. O Doisy-Daëne é intensamente perfumado, com pêssegos brancos, toranja, maracujá e muitas notas florais. Tem boa presença na boca e grande frescor. Esse branco pode evoluir muito bem, mas francamente, já está excelente agora (R$110).

Château Cantegril Sauternes 2005

Por último só poderia ficar o Sauternes. Proveniente de uma privilegiada região de solo calcário de pouca profundidade e ótima permeabilidade, o Cantegril é irresistível. Um carrossel de frutas tropicais; exalando intensas notas de abacaxi, mousse de maracujá, flores e citrinos, além, é claro, do indefectível toque de botrytis. Na boca é muito harmonioso, doce e cremoso, porém muito fresco, graças ao equilíbrio entre acidez e álcool. Vinho maravilhoso e versátil (R$130 - 500ml).

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Martin Scorsese assina superprodução para Cavas Freixenet

Já que o assunto do momento são os espumantes, vale a pena conferir o mais recente comercial da Freixenet – Carta Nevada feito especialmente para o final de ano. Quem dirige e também atua nessa superprodução, de mais de nove minutos de duração, não é nada mais, nada menos que Martin Scorsese. É ele mesmo! O premiado diretor de longas como, Gangues de Nova Iorque, Casino, Bons Companheiros e Táxi Driver, deixa sua marca na película: Freixenet “La Clave Reserva”. Realmente a Freixenet parece não ter poupado esforços ($) para produzir esse comercial. A produtora responsável pela execução do material, a RSA Films, é uma das mais conceituadas no segmento de filmes publicitários. Também, a produtora foi fundada em 1968 pelos talentosos diretores Ridley e Tony Scott, responsáveis por produções como: Blade Runner, Gladiator, Top Gun e de inúmeros comerciais premiados para a Apple (1984 e 2004) e BMW (2002). Nesse mesmo estilo de filme produzido para a Freixenet, a RSA já realizou com muito sucesso, principalmente para divulgações na internet, filmes para os lançamentos da BMW e para a Pirelli. Uma curiosidade, a música do filme foi composta pelo grande mestre Bernard Herrmann para o filme Intriga Internacional, filmado em 1959.

Scorsese, nessa película, dá um clima de mistério utilizando referências do mestre do suspense Alfred Hitchcock, de filmes como: Janela Indiscreta, O Homen que Sabia Demais e Os Pássaros. E, se a qualidade dos produtos da Freixenet não são lá essas coisas, não podemos negar que a idéia e produção do comercial foi muito criativa e bem executada.

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Degustação às cegas: Espumantes brut brasileiros (champenoise)

Chegamos ao mês de dezembro, e com ele iniciam os preparativos para as festas do Natal e do Réveillon. Essas duas comemorações, mais do que qualquer outra data festiva do ano, estão muito associadas ao consumo de espumantes. Com a proximidade das compras surgem as dúvidas, o que vale a pena comprar? As opções de rótulos disponíveis não são poucas, e as combinações podem variar conforme o método de confecção ( tradicional ou charmat), corte e tipos de uvas (pinot noir, pinot meunier, chardonnay, moscato, prosecco, etc), acabamento (extra brut, brut, demi-sec, etc) e região produtora; sem falar nas faixas de preço. Ou seja, espumantes de diversos estilos para todos os tipos de bolso.

Para atender inúmeros pedidos de nossos leitores, que solicitaram informações e dicas de compra, organizamos uma degustação às cegas, em duas etapas, com espumantes brut nacionais (tradicional e charmat). Por que nacionais? Em primeiro lugar pela grande diversidade e alta qualidade dos nossos espumantes, principalmente os produzidos na serra gaúcha. Não faltam bons bruts, sejam eles, assemblages, blanc de blancs ou roses. Em segundo, pela acessibilidade, uma vez que os espumantes nacionais apresentam um preço muito competitivo fazendo frente a produtos, com posicionamento similar, franceses, italianos, espanhóis e argentinos.

Espumantes nacionais - Salton Evidence, Casa Valduga 130 anos, Miolo Milesime 2004 e Pizzato Brut

Nesse primeiro painel - utilizando como critério o método de produção tradicional, também conhecido como champenoise, onde a segunda fermentação acontece na garrafa - foram selecionadas amostras de quatro marcas de espumantes premium:

  • Casa Valduga 130 anos
  • Miolo Millésime 2004
  • Salton Évidence
  • Pizzato Brut Safra 2007

Jackson degustando um espumanteNão tenho a pretensão de achar que essa lista é exaustiva, tendo em vista a grande quantidade de excelentes espumantes nacionais, o que invariavelmente deixará bons produtores de fora, mas já constitui uma boa referência para o consumidor. Aliás, já comentamos aqui no QVinho sobre o problema das listas. Ou ainda, já que adentramos nessa discussão, o que dizer dos megapainéis, onde são avaliados simultaneamente 20 ou até mais vinhos? Puro quixotismo ou embuste? Sinceramente, gostaria de conhecer esses fantásticos seres que conseguem, após a nona ou décima taça, manter o olfato e paladar inalterados (ainda que o procedimento de cuspir seja utilizado). Bom, enquanto não descobrimos a fórmula mágica, nos resta realizar análises em profundidade, comentando os vinhos que realmente bebemos e que são incluídos num contexto de harmonização com a comida. Foi exatamente o que aconteceu nessa degustação de espumantes. Convidamos, como de costume, mais quatro pessoas para participar desse blind taste, que foi seguido de uma harmonização: entradas (ostras) e um prato principal (salmão grelhado).

Espumantes Nacionais - As garrafas foram “disfarçadas” para não enfluenciar os degustadores.A escolha dos rótulos não poderia ser mais acertada, confirmando a boa fase dos espumantes brasileiros. Todos os espumantes selecionados foram elaborados por meio de um assemblage (Pinot Noir e Chardonnay). Tanto na degustação técnica como na harmonização, os espumantes conseguiram mostrar uma boa dose de personalidade e agradaram todos os convidados. Dois deles, o Valduga 130 anos e o Miolo Millésime, se destacaram tanto pela cor viva, amarelo-ouro, como pela complexidade da paleta aromática e boa estrutura na boca. Num outro extremo ficou o jovial Pizzato Brut 2007, reconhecido pela sua intensa efervecência, perlage muito persistente, excelente frutuosidade e refrescância na boca. Ao passo que o Salton Évidence conseguiu aliar complexidade e uma boa frutuosidade marcada por uma ótima acidez.

Apesar da boa qualidade geral, é necessário fazer algumas ressalvas. Tanto o Valduga 130 anos quanto o Miolo Millésime 2004 deixaram a desejar no quesito perlage (borbulhas finas, porém escassas). Além disso, apresentaram frutuosidade discreta. O Salton Évidence exibiu um bom equilíbrio, boa espumatização, acidez e frutuosiade, mas ficou um pouco atrás dos outros no atributo intensidade aromática. O Pizzato Brut foi muito bem no tocante à refrescância e intensidade, com borbulhas abundantes, mas não muito finas.

Casa Valduga 130 anos

Tradicional vinícola do Vale dos Vinhedos, a Casa Valduga faz jus à fama de produzir excelentes espumantes. O seu Valduga 130 anos, espumante comemorativo não safrado, permaneceu em contato com as leveduras durante 30 meses e exibiu a riqueza e a elegância típica de bons espumantes. Cor amarelo-ouro, brilhante e viva, mousse pouco intensa, com borbulhas finas não muito numerosas e razoável persistência. Bouquet de boa intensidade evocando notas de cevada, frutas secas e fermento, lembrando muito o aroma de uma boa cerveja Ale. Na boca a textura é firme e densa, marcada por uma excelente harmonia entre o corpo generoso e a ótima acidez. O final de boca bem persistente casou com perfeição ao acompanhar a carne do Salmão.

Excelente
Grad. Alcoólica: 13%
Preço: R$38

Miolo Millésime 2004

Este Millésime da Miolo, como o próprio nome sugere, é um espumante safrado (2004). Geralmente os epumantes costumam ser produzidos por assemblage, não só de diferentes vinhos, mas também de diferentes safras. Essa técnica é original de Champagne e tem como objetivo um melhor resultado final, muito embora, safras excepcionais possam produzir uma série limitada chamada “Millésime”. O espumante da Miolo mostrou bela cor amarela; borbulhas finas mas em quantidade um pouco baixa. O nariz tem elegância e uma certa complexidade, aroma de frutas secas, amêndoas e fermento de pão compõe a paleta. Na boca exprimiu boa estrutura, com acidez adequada e boa cremosidade. Final de boca agradável com boa persistência. Este vinho permaneceu 18 meses em contato com as leveduras e foram produzidas 33.000 garrafas.

Excelente
Grad. Alcoólica: 13%
Preço: R$51

Salton Évidence

Talvez o espumante mais equilibrado e harmonioso do nosso painel, o Salton Évidence é um bom exemplo do melhor estilo do espumante da Serra Gaúcha. O Évidence é ligeiramente mais leve e frutado que o Valduga e o Miolo, mesmo assim, preservando as notas sutis do contato com as leveduras (12 meses). Cor palha, borbulhas finas com boa consistência. Aroma frutado, lembrando abacaxi e frutas cítricas; notas florais e toque amendoado de avelãs. Na boca é cremoso e refrescante, graças a excelente acidez. Final persistente e agradável, deixando a sensação de frutuosidade. O Salton Évidence mostra a força desse produtor no território dos vinhos borbulhantes.

Excelente
Grad. Alcoólica: 12%
Preço: R$40

Pizzato Brut Safra 2007

Vinícola boutique, a Pizzato ganhou fama ao conquistar inúmeros prêmios com o seu Merlot. Atualmente ela produz vinhos a partir de propriedades localizadas no Vale dos Vinhedos (Bento Gonçalves) e Dr.Fausto (Dois Lajeados). O seu espumante brut, lançado em novembro, reflete toda a juventude e frescor da safra 2007. Cor amarelo pálido com uma tonalidade levemente esverdeada; mousse espessa, efervescência rica e muito persistente. Nariz intenso e muito frutuoso, exalando maçã-verde, notas vegetais e um leve toque floral. Na boca ele é delicado, com boa estrutura, marcado por uma cremosidade e um frescor que se prolonga por muitos segundos. O Pizzato foi muito bem com as ostras.

Excelente
Grad. Alcoólica: 12%
Preço: R$33

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Quara Barrique Aged Reserva Tannat 2004

Vinho Quara Barrique Aged Reserva Tannat 2004 - Bodega Felix LavaqueQuando falamos em vinho argentino, a região de Mendoza sempre é a referência, mas não podemos esquecer de outras áreas. Produtores de Rio Negro, Neuquén, San Juan e Salta tentam ganhar a confiança dos consumidores, mesmo que seus vinhos ainda não tenham o brilho dos melhores mendocinos. É certo que a viticultura nessas outras áreas tende a melhorar muito – isso sem dúvida já está acontecendo – mas a maioria dos vinhos ainda mantém uma certa rusticidade, principalmente na Patagônia. Vinhos muito interessantes estão sendo produzidos em Salta, como o excelente Ciclos de El Esteco Tinto. Agora provamos um vinho da Bodega Félix Lavaque, o Quara Barrique Aged Reserva Tannat 2004, inferior ao Ciclos, mas interessante sobre alguns aspectos. É curioso notar a presença da uva Tannat em Salta, uma vez que essa variedade cascuda, famosa pela sua estrutura muito tânica, é de difícil trato. A forte insolação dos vinhedos (provocada pela altitude; por volta dos 1.800 m, no caso desse Quara), somado a amplitude térmica, produz uvas muito concentradas de fenóis. Como resultado, temos vinhos escuros e muito tânicos, porém a moderna enologia pode dar uma mãozinha para melhorar o resultado final. É possível deixar as uvas amadurecerem além do recomendado, suavizando os taninos e perdendo acidez; efetuar microoxigenação – esse processo foi inventado por um enólogo do Madiran para suavizar o caráter da Tannat; maturar os vinhos em barricas de carvalho, enfim, tudo isso para deixar o vinho mais macio e redondo. O grande atrativo da uva Tannat em Salta é seu perfil aromático, uma agradável combinação de frutas negras, cacau e húmus. O Quara Barrique Aged Reserva Tannat 2004 exibiu cor rubi muito escura, halo violáceo e lágrimas persistentes. Nariz agradável, de intensidade média, lembrando amoras, ameixa preta, cacau e baunilha. Bom corpo, taninos angulosos e excelente acidez. Bom final, apesar de não ser muito longo; vinoso e adstringente. Temos aqui um tannat não “trabalhado”, exibindo toda a sua musculatura. Deixa a desejar em intensidade e persistência, além de não ser nada macio.

Bom
Vinho rústico. Vai muito bem com churrasco e carne de caça.
Grad. Alcoólica: 14%
Preço: R$45
Importadora: World Wine

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Afrós Escolha 2006 - Quinta do Casal do Paço

Vinho verde Afrós Escolha 2006 - Quinta do Casal do Paço PadreiroMuito embora algumas pessoas ainda tenham um certo preconceito em relação aos vinhos brancos, e os considerem inferiores a maioria dos tintos, temos que ressaltar que nesses dias quentes não há companhia melhor para um almoço que um bom vinho branco. Algumas semanas atrás, em nossa última harmonização (vongole e vinho verde), degustamos o Afrós Loureiro 2006, produzido na Quinta Casal do Paço Padreiro, em Arcos de Valdevez. A propriedade com vinte hectares está situada nas suaves encostas do Vale do Lima, em pleno coração do Minho, e pertence, desde meados do século XVIII, à família Vaz Guedes. A linha de vinhos Afrós faz parte de uma estratégia de revitalização vitivinícola da Quinta do Casal do Paço, que inclui a reestruturação dos vinhedos, modernização da adega e aquisição de novos equipamentos. Esse toque mais ousado está presente até mesmo nos contra-rótulos, que ao invés das habituais informações técnicas, contém poemas dedicados aos vinhos. A própria inspiração do nome Afrós vem da mitologia grega, da Deusa Afrodite, que significaria “nascida da espuma”. O Afrós Escolha 2006 também é confeccionado com a casta Loureiro, mas com uma diferença, o Escolha é maturado 8 meses em barricas de carvalho francês, e são produzidas apenas 2.250 garrafas. O vinho exibiu cor amarelo-palha de pouca intensidade e mostrou-se levemente frisante. Nariz com um delicado bouquet cítrico e floral, em perfeita harmonia com leve fundo de baunilha. Um vinho jovem com uma textura cremosa, acompanhada da típica refrescância do Vinho Verde, dada pela sua acidez marcante. Muito equilibrado graças a sua boa estrutura e doçura residual. Final longo e refrescante.

Muito Bom
O Afrós faz parte de uma nova geração de Vinhos Verde. Apesar da passagem no carvalho, o resultado é muito elegante o que permite uma perfeita integração com a culinária.
Grad. Alcoólica: 12,5%
Preço: 7 euros (ainda não representado no Brasil)

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Reguengos Garrafeira dos Sócios 2001 - CARMIM

Vinho alentejano Reguengos Garrafeira dos Sócios 2001 - CARMIMA tradicional região vinícola do Alentejo ocupa um 1/3 de todo território português e, apesar da aparente vastidão, parece não haver um pedaço de terra sem vinhas. Pode parecer exagero, mas o Alentejo vive um crescente – e ininterrupto - aumento na produção de vinhos. Atualmente essa região conta com 250 produtores, sendo que muitos deles oferecem uma grande quantidade de produtos, alguns atingindo a marca de 20 rótulos. Ninguém dúvida do potencial qualitativo da região, já conhecido há muito tempo, porém muitos produtores ambiciosos estão fazendo vinho de qualidade duvidosa. Por outro lado, os melhores continuam fazendo vinhos excelentes, originais, que sempre terão lugar garantido nas adegas. São eles: o Pêra Manca, o Herdade do Esporão, a Sogrape e a CARMIM. Degustamos o vinho top deste último, o Reguengos Garrafeira dos Sócios 2001 e, para nossa felicidade, só temos elogios. A CARMIM é uma tradicional cooperativa do distrito de Reguengos de Monsaraz, a maior do Alentejo, que conta com 1.024 associados e 3.700 ha de vinhas cadastradas. O seu “Garrafeira dos Sócios” é uma parcela especial dos melhores vinhos da cooperativa, que são identificados por degustações regulares, permanecendo de 8 a 12 meses em barricas de carvalho português. As variedades utilizadas são a Aragonêz (Tempranillo), a Trincadeira e a Castelão, não tendo qualquer referência sobre a proporção de cada uma, mas tradicionalmente, a Trincadeira costuma predominar na zona de Reguengos. O Reguengos Garrafeira dos Sócios exibiu bela cor rubi, límpido e com ligeira transparência; halo aproximando-se do grená, denotando certa evolução; lágrimas densas e preguiçosas com leve coloração. O nariz é muito agradável e envolvente - certamente é mais sutil e delicado do que potente e complexo – revelando frutas silvestres frescas como a amora, mas também um toque de fruta assada, baunilha e especiarias doces. Bom corpo, taninos de alta qualidade bem integrados e finos; acidez muito boa em perfeito equilíbrio. O final é longo e frutado, mostrando requintada harmonia; é seco, porém macio, sem ser xaroposo. O Reguengos Garrafeira dos Sócios é um tinto saboroso do início ao fim, está perfeito agora, mas ainda pode resistir alguns anos. Para que esperar? É melhor aproveitar agora!

Excelente
Alentejano elegante e saboroso e, pelo que oferece, tem uma boa relação qualidade/preço. Perfeito para acompanhar uma paleta de ovelha na brasa.
Grad. Alcoólica: 13,5%
Preço: R$89
Importadora: Porto a Porto / Casa Flora

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