• Ceviche está na moda, parece que os peruanos querem finalmente conquistar o Brasil. Essa afirmação pode parecer estranha para a maioria, mas o fato é que a gastronomia do Peru é incrivelmente rica e praticamente desconhecida dos brasileiros. Justiça seja feita, o ceviche – que é considerado o prato oficial do Peru – também é o queridinho dos equatorianos, estes também reivindicam o título de inventores do prato. Na realidade abundam controvérsias em torno do Ceviche, a começar pela grafia do nome, que também pode ser escrito como Cebiche – a pronuncia é sempre puxada para o B mesmo, por isso faz mais sentido escrever Cebiche. As explicações etimológicas divergem, com fundamentações na linguagem quechua e até mesmo no árabe. De concreto sabemos que o Ceviche está enraizado na cultura andina, fazendo uso dos ingredientes típicos da região e dos ótimos pescados da costa do pacífico. O prato é basicamente uma marinada de peixe fresco (ou de frutos do mar, no caso do Ceviche Mixto), curtido no limão com sal, cebola roxa, alho, pimenta e coentro. É basicamente isso, embora uma infinidade de outros ingredientes possam entrar na composição, proporcionando um amplo espectro de possibilidades.

    Ceviche

    Ceviche

    O segredo está nos ingredientes, teoricamente qualquer peixe pode ser empregado no Ceviche, mas o ideal é que seja fresco, de carne firme e não muito gordurosa. A pimenta é importante, do outro lado dos Andes reinam as Ají, Ají Amarillo, Ají Limo e Rocoto, sendo está última a minha preferida, talvez o mais belo fruto de pimenta existente. Aqui no Brasil é a Dedo-de-Moça que faz jus a fama de “levanta defunto” do Ceviche. Outros ingredientes são polêmicos, caso da batata doce e do milho, como as variedades locais são bem diferentes das encontradas nos países aos pés dos Andes, alguns chefs peruanos consideram uma heresia o Ceviche feito com essas variedades locais. Está certo, realmente não dá para competir com as batatas andinas, mesmo assim considero a batata doce fundamental, afinal ajuda a equilibrar a acidez do prato. Deixemos as polêmicas de lado e vamos a receita, antes uma explicação sobre o peixe: usei Meca, simplesmente porque tive a sorte de achá-lo fresquíssimo no mercado de peixes de Itajaí;  Robalo e Pescada também podem servir.

    Ingredientes e preparo do Ceviche (5 pessoas)

    • 500g de peixe fresco;
    • 10 limões;
    • 3 cebolas roxas;
    • 1 dente de alho;
    • Sal a gosto;
    • 1 Pimenta Dedo-de-Moça;
    • 2 folhas de coentro.

    Complementos

    • Batata-doce a gosto;
    • Milho a gosto.

    Comece cortando as cebolas em juliana, espremendo o alho e cortando a pimenta em pedacinhos finos. Corte o peixe em cubinhos de mais ou menos 1,5 cm, despeje numa tigela e salgue a gosto. Misture bem para o sal pegar, depois adicione a cebola roxa, o alho, a pimenta picada e o sumo dos limões. Não esprema demais os limões, o bagaço costuma deixar o sumo amargo. Leve a tigela com a marinada à geladeira e deixe repousando por alguns minutos. O tempo varia conforme o gosto, os melhores chefs gostam de servir o Ceviche quase como um sashimi, por isso recomendam pouco tempo, entre 10 e 15 minutos. Nos restaurantes peruanos mais populares a história é inversa, o tempo é bem mais longo. Retire da geladeira, pique bem algumas folhas de coentro – uso no máximo umas duas – e incorpore na marinada. Sirva imediatamente, acompanhado de batata-doce cozida e milho.

    Vinho recomendado: Susana Balbo Crios Rosé

    Susana Balbo Crios RoséO Ceviche não é um prato dos mais amigáveis com os vinhos, quando vou ao Chile costumo saboreá-lo acompanhado por um Sauvignon Blanc, mas dessa vez tentei algo diferente. Um vinho mais gorducho, redondo e frutado, por que não um Malbec? Por isso resolvi testar com o Crios Rosé, um vinho que apresenta algumas características bem conhecidas dessa uva, sem as cortinas de polifenóis e a maquiagem do carvalho. A ideia é não chover no molhado, afinal o prato já tem muita acidez, não necessitando dos ácidos adicionais da Sauvignon Blanc. Os aromas de frutas vermelhas e o calor do álcool funcionaram até um certo ponto, porém os parcos taninos não se entenderam bem com a carne do Meca. Valeu a tentativa, talvez outro rosé se encaixe melhor.


    O Crios Rosé é agradável e macio, casou bem com os aromas do prato, só deixou a desejar no final de boca devido a presença mais marcante do peixe.

    Grad. Alcoólica: 14%
    Preço: R$35
    Importadora: Cantu

    Esse artigo foi publicado em 9 de abril de 2010 às 8:57 am e arquivado em Receitas. Você pode acompanhar todos os comentários por meio do feed RSS. É possível comentar, ou fazer um trackback do seu próprio site.
  • 11 Comentários

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    1. 09/04/2010
      Responder

      Olá Jomar!
      Parece ficar muito boa essa receita! Vou testar neste fim de semana…
      Tenho em casa um rose Espanhol, de Navarra, o Gran Feudo Rosado 2008, feito com as uvas Tempranillo, Garnacha e Merlot.
      Será que cai bem com esse prato?

      Abraços!

    2. 12/04/2010
      Responder

      O vinho parame e uma das coisas mais sagrada s na minha vida , não vivo sem vinho nem vinho vive sem me ,

      Abraços a todos que curte um bom vinho

    3. Mas me dê sua opinião: você prefere mais tempo ou menos tempo marinando?

    4. Marcelo Aversa
      26/04/2010
      Responder

      Olá Edelson

      Adoro fazer ceviches e recentemente fiz harmonização com o Grando, que recebi da Sociedade da Mesa. Achei uma ótima combinação, embora ele não seja tão cítrico e ácido, caracteríztica do ceviche. Tbm sugiro o argentino Festivo, um rose malbec que tbm harmoniza muito bem com cevivhe.
      abs
      Marcelo

    5. 26/04/2010
      Responder

      Olá Marcelo!
      Valew pela dica!
      Eu ainda não tinha feito o ceviche, mas agora que você disse que armoniza bem com o Gran Feudo, me animei mais em fazer!
      Quando fizer, posto aqui minhas impressões.
      Abraços,
      Edelson.

    6. Vilmar
      18/05/2010
      Responder

      Olá!
      Sou curioso cultura gourmet, buscando sempre “viajar” o mundo pelos pratos e história dos lugares onde foram criados ou inspirados, ao pesquisar pelo Ceviche lí inúmeras receitas para poder criar um melhor conceito, como sempre faço quando quero aprender algo, mas o que ainda não consegui entender bem:
      - Caso utilize batata doce, elas entram na marinada ou devem ser servidas separadamente;
      -O milho deve ser em grão misturado ao peixe e demais ingredientes ou espigas de milho cozido, servidas separadamente?
      - Tipicamente se usa pão e torradas como acompanhamento?

      Qual a bebida que no Perú e/ou Equador é tipicamente usada para acompanhar este prato?
      No caso de vinhos não seriam “todos” condenados para acompanhar o Ceviche pelo fato de útilizar limão?

      Por último gostaria de saber se em uma reunião informal entre amigos posso servir apenas o Ceviche acompanhado por pão, torrada, batata-doce e milho junto com a bebida sugerida para acompanhar o prato e nada mais que isso ou realmente é apenas uma entrada?

      Acho que estou sendo até chato no excesso de perguntas mas é realmente pra entender da cultura em torno deste prato.
      Agradeço a todos antecipadamente!!
      Vilmar

    7. Luiz
      20/05/2010
      Responder

      Caro Vilmar,

      Por motivo de trabalho tenho ido ao Peru 3 vezes ao ano, e tenho comido ótimos ceviches em Lima.

      O Ceviche é uma entrada. A batata e o milho são cozidos a parte e entram na montagem do prato.
      O milho é saboroso por si só e a batata doce, molhada na hora no limão do ceviche tem um sabor fantástico.

      Ele é um prato “pronto”, digamos, dispensa acompanhamentos.
      Talvez você possa colocar pães na mesa mas mais para alternar entre o ceviche e o vinho para limpar a boca, o que pode ser feito também por uma água com gás natural fria, não gelada.

      Ainda, pesquisando no Peru, o limão preferido deles é um que é conhecido no Brasil como limão galego ou galeguinho, pouco comercial. Ele é redondo, menor que uma ameixa, porém muito saboroso e menos amargo.

      Caso vá usar o limão comum, algumas dicas:
      Como descrito acima, não esprema até o final para não amargar;
      Nunca, em momento algum, use aqueles espremedores onde você espreme de meio em meio limão. Devido a força empregada neles você acaba mandando sumo para o ceviche.

      Algumas variações também usam na marinada, junto do limão, caldo de peixe. Mas a receita acima é a verdadeira e tradicional.

      Sobre vinho, eu gosto do sauvignon blanc para o ceviche, mas os peruanos também não dispensam uma cerveja gelada.
      Mas ainda fico com o vinho.

      Finalizando, compre um peixe de carne rosada ou branca, firme e sem gordura, cebola roxa, pouco coentro e divirta-se.
      Tenho certeza de que você se tornará fã deste prato.

      Abraços

    8. José Ricardo Sá
      10/07/2010
      Responder

      Fiz agora uma receita como acima utilizando um filé de Guarajuba, peixe primo da Guaricema, do Atum, mas de carne com consistencia mais clara e firme.
      O único ingrediente que acrescentei foi um pouco de gengibre fresco ralado.

      O aspecto do prato está ótimo depois informo se ficou bom mesmo.

      José Ricardo Sá

    9. jorge vergani
      04/08/2010
      Responder

      Prato perfeito é exatamente isso que deliciei em Lima e me apaixonei por este prato

    10. andreas
      05/09/2010
      Responder

      Caro Jomar,

      testamos hoje a sua receita “ipsis literis” e ficou excelente. aprovado até pelo Ernesto, que nao é muito de comer peixe. Tomamos um Sauvignon Blanc chileno para acompanhar que desceu redondo.

      Ao inves do milho ou batata doce, comemos com pao fresquinho. O peixe foi robalo. Ficou uma delícia. Quem ainda nao experimentou, tá perdendo…. grande abraço,
      andreas.

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