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><channel><title>QVinho - Blog de vinhos e gastronomia &#187; borgonha</title> <atom:link href="http://www.qvinho.com.br/tag/borgonha/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" /><link>http://www.qvinho.com.br</link> <description>Blog sobre vinhos, gastronomia, cafés especiais e espresso. No QVinho você encontra degustações, harmonizações, receitas e muita opinião. Por Jomar Brustolin e Jackson Brustolin.</description> <lastBuildDate>Mon, 06 Feb 2012 15:22:11 +0000</lastBuildDate> <language>pt-br</language> <sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod> <sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency> <xhtml:meta xmlns:xhtml="http://www.w3.org/1999/xhtml" name="robots" content="noindex" /> <item><title>O vinho fiasquento</title><link>http://www.qvinho.com.br/variedades/opiniao/o-vinho-fiasquento/</link> <comments>http://www.qvinho.com.br/variedades/opiniao/o-vinho-fiasquento/#comments</comments> <pubDate>Tue, 08 Apr 2008 17:10:15 +0000</pubDate> <dc:creator>Jomar</dc:creator> <category><![CDATA[Opinião]]></category> <category><![CDATA[borgonha]]></category> <category><![CDATA[escorihuela gascon]]></category> <category><![CDATA[fiasco]]></category><guid
isPermaLink="false">http://www.qvinho.com.br/opiniao/o-vinho-fiasquento/</guid> <description><![CDATA[Há alguns dias, um vendedor de uma loja de vinhos perguntou se eu gostava de vinho italiano. Obviamente, respondi que sim. Logo em seguida indagou sobre o meu conhecimento da uva Barbera. Sim, tenho certa intimidade com ela, afinal já fiquei hospedado em uma cantina em Barbaresco. O vendedor animou-se subitamente, fez um ligeiro suspense&#8230; <a
href="http://www.qvinho.com.br/variedades/opiniao/o-vinho-fiasquento/">[Leia Mais]</a>]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><img
src="http://www.qvinho.com.br/wp-content/uploads/2008/04/garrafas-fiasco.jpg" style="margin: 10px; width: 500px; height: 454px" alt="Garrafas de vinho" height="454" vspace="10" width="500" /></p><p>Há alguns dias, um vendedor de uma loja de vinhos perguntou se eu gostava de vinho italiano. Obviamente, respondi que sim. Logo em seguida indagou sobre o meu conhecimento da uva <strong>Barbera</strong>. Sim, tenho certa intimidade com ela, afinal já fiquei hospedado em uma cantina em Barbaresco. O vendedor animou-se subitamente, fez um ligeiro suspense e, por fim, apresentou-me uma garrafa dizendo: &#8220;então você irá apreciar muito esse vinho&#8230;&#8221;</p><blockquote><p>Era uma garrafa do Escorihuela Gascón Pequeñas Producciones Barbera 2002. Torci o nariz, disse a ele que já conhecia o vinho e que não valia grande coisa; pequena produção, grande fiasco!</p></blockquote><p>O intrépido vendedor ficou surpreso, fez cara de desdém e, por fim, emendou que o vinho havia sido laureado com o status de &#8220;Excelente Compra&#8221;, segundo a <strong>Revista Gula</strong>.</p><p>Esse vinho <a
href="http://www.qvinho.com.br/vinhos-argentinos/miguel-escorihuela-gascon-barbera-pequenas-producciones-2002/" title="Review do Miguel Escorihuela Gascón Pequeñas Producciones 2002">não merecia uma avaliação</a>, no entanto vejo fiascos como esse sendo empurrados para o consumidor, que sem ter como conhecer a qualidade do vinho, acaba levando para casa apenas uma bela e laureada garrafa. Fico surpreso ao observar a quantidade de vinhos que a &#8220;mídia especializada&#8221; degusta e, ainda mais surpreso com as avaliações, quando vejo que quase não existem críticas desfavoráveis. Não é estranho? Está certo, realmente é cada vez mais difícil encontrar vinho defeituoso – essencialmente ruins – pelo menos em uma faixa de preço acima dos R$30. As técnicas modernas de vinificação ajudam muito, se não garantem qualidade, ao menos conseguem evitar o pior.</p><blockquote><p>O questão aqui é outra, é sobre aqueles vinhos que prometem muito: produtor que alardeia cuidados cirúrgicos na produção; garrafas pesadas que ostentam belos rótulos com sugestivos números de tiragem limitada; rolhas de primeiríssima linha; medalhas em concursos que ninguém conhece; comentários favoráveis na mídia, muito provavelmente, oriundos de um press release que se reproduziu como um câncer terminal.</p></blockquote><p>Toda essa consistência convence até o mais incrédulo bebedor, mas se no momento do consumo você ficar com uma sensação que já bebeu coisa melhor por ¼ do valor, pode ter certeza, talvez você tenha sido vítima do <strong>vinho fiasquento</strong>.</p><p>Fiasquento é um adjetivo usado pelos boleiros, costuma designar um time que faz vexame, na realidade uma palavra derivada do termo <strong>fiasco</strong>. A semiótica da palavra italiana <em>fiasco</em> é muito interessante, chega a ser irônica quando analisada dentro do contexto do mundo do vinho. Sua significância é simples: <strong>frasco ou garrafa</strong>. Mas como uma garrafa se tornou símbolo de farsa e vexame? Existem várias lendas que tentam explicar a etimologia de fiasco, talvez a mais plausível, seja a dos vidraceiros venezianos. Tradicionalmente, os vidraceiros venezianos são considerados artistas, capazes de produzir peças de rara beleza. Acontece que o processo artesanal e rudimentar do sopro não é imune à falhas e, invariavelmente, algumas peças acabam sofrendo imperfeições. Nesse caso, o artista veneziano era obrigado a descartar sua criação e, como última alternativa, transformava sua pequena obra de arte em <em>fiasco</em>, isto é, numa simples garrafa! Segundo essa idéia, <em>fare fiasco</em> (fazer uma garrafa) é o resultado de um erro do artesão, ou melhor, um produto vulgar e indigno para um artista!</p><p>A verdade é que tem muito fiasco por aí, mesmo assim, isso não quer dizer que o vinho seja realmente ruim &#8211; na pior significância dessa palavra &#8211; geralmente o produto é ruim dentro de um contexto, por exemplo:</p><blockquote><p>Um Borgonha de R$170 pode ser péssimo se você já tiver provado um Pinot Noir do novo mundo &#8211; mais frutado, concentrado e macio &#8211; pelo valor de R$70.</p></blockquote><p>Esse caso é clássico, todos enaltecem as virtudes borgonhesas, poucos falam sobre os problemas, sobre as safras deficientes, sobre os produtores inescrupulosos que se aproveitam da reputação da região. Li certa vez, em um livro publicado na década de 90 por algum autor inglês (não lembro o nome), que para você levar para casa um bom Borgonha é preciso comprar uma caixa sortida (assim aumentam as chances de você acertar com uma garrafa). Essa anedota reforça a tendência fiasquenta do Borgonha sem muito sobrenome.</p><p>Existe um outro tipo de vinho que é forte candidato a fiasquento, é o chamado <strong>vinho de guarda</strong>. A história recente do <strong>Barolo</strong> e do <strong>Barbaresco</strong> serve de exemplo para ilustrar esse caso. &#8220;Vinho dos reis. Rei dos vinhos&#8221;. Um Barolo nunca deve ser bebido antes de 10 anos&#8230; Os produtores tradicionais do Piemonte sempre tentaram esconder os problemas do Barolo, atribuindo suas virtudes a mágica do tempo. Vinhos muito tânicos, pouca fruta, maturação inadequada em pipas de carvalho velho, tudo isso fez a fama de &#8220;mau&#8221; do Barolo.</p><blockquote><p>Angelo Gaja fez tudo diferente e provou que o Barolo pode ser apreciado jovem e, mesmo assim, só melhorar com o tempo. Eu já provei ótimos <em>Baroli</em> com 4 anos e outros que, sem dúvida, não irão melhorar nem depois de 20 anos.</p></blockquote><p>Todo grande vinho pode melhorar com o tempo. Por que? Existem várias hipóteses, mas uma coisa é certa: não basta apenas ter estrutura. Por isso desconfie de vinhos que nada oferecem de imediato – principalmente se não for um grande de Bordeaux, Borgonha, Barolo, Brunello di Montalcino ou algo do gênero – mas prometem um oásis sensorial depois de alguns anos de repouso na adega, simplesmente por serem vinhos austeros e estruturados. O vinho fiasquento sempre oferece aquilo que não pode dar.</p><p>É importante lembrar que a maioria dos vinhos não nascem fiasquentos, geralmente são produtos da nossa expectativa frustrada, sendo assim, são vítimas da sua própria &#8220;embalagem&#8221;. Essa é a ironia por traz de todo fiasco.</p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.qvinho.com.br/variedades/opiniao/o-vinho-fiasquento/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>10</slash:comments> </item> </channel> </rss>
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