Epicure 2008: Charutos Menendez Amerino

Este post já está atrasado alguns dias, mas somente nesse final semana consegui provar os charutos que ganhei no estande da Menendez Amerino durante a Epicure / Expovinis 2008. Já tinha comentado aqui sobre a beleza do espaço que eles montaram na feira. Agora chegou a hora de falar sobre a empresa e os produtos que foram apresentados. A verdade é que se hoje nos vangloriamos da qualidade dos charutos baianos devemos em grande parte ao comandante Fidel. Exatamente, a Revolução Cubana, que determinou a estatização de toda a produção de charutos, propiciou a emigração de verdadeiros especialistas na produção de fumo e charutos. Uma dessas pessoas foi Félix Menendez. Nascido na cidade de Havana, em 1944, Félix pertencia a família que fabricava os lendários charutos Montecristo e H.Upmann, e naquela época era o maior produtor e exportador de charuto de Cuba. Após a saída forçada de Cuba passaram uma temporada nas Ilhas Canárias e em Miami, até conhecerem Mario Amerino Portugal. Então em 1977, fundaram em São Gonçalo dos Campos, no Recôncavo baiano, a Menendez Amerino. Com uma produção anual de 3 milhões de charutos, a Menendez é dona das marcas: Alonso Menendez, Dona Flor (responsável por 65% das vendas da empresa) e Aquarius Século XXI.

Estava em débito com os charutos baianos. Um dos motivos foi que comprei algumas caixas de cubanos, e como meu consumo não é dos intensos, os charutos tiveram vida longa. Porém, na minha lista de preferidos nacionais, os charutos da Dona Flor (principalmente o robusto) sempre tiveram um lugar. Cachacinha de salinas e trilha sonora embalada por Celia Cruz, Compay Segundo e Ibrahim Ferrer — só para não perder aquela ligação com Cuba — e pronto, começa a degustação. Provei primeiro o Dona Flor Rothchilde, um dos lançamentos da empresa durante a Epicure. Um charuto de degustação mais curta (aproximadamente 30 minutos), confeccionado numa bitola 100mmx19mm; com duas versões de capa (Mata Fina e Connecticut), capote em Mata Fina e miolo em Mata Norte e Mata Fina. A degustação foi gostosa, bom fluxo com aroma e paladar suaves, muito embora da metade em diante a queima foi bem problemática. O final também não me agradou muito.

Outro lançamento foi o Dona Flor Gran Corona, que desde o final do ano passado já era comercializado nos Estados Unidos, e agora também será vendido no Brasil. Em formato 6x60mm, o Gran Corona utiliza uma seleção de fumos Mata Fina e Mata Norte que passam por uma maturação de três anos. E, para auxiliar na conservação, cada charuto Gran Corona vem envolto por uma folha de cedro. Esse sim é dos meus! Prazer do início ao fim da degustação (que durou aproximadamente 95 minutos). Muito equilibrado, com ótimo fluxo, sem ser frouxo demais; queima uniforme até o final. Na boca muito saboroso, com bom corpo, marcado por notas complexas dadas pelo amadurecimento do fumo. Simplesmente excelente! Quem aprecia charutos não pode deixar de provar o Dona Flor Gran Corona.

  • Ivan

    Concordo em gênero, número e grau com o autor quanto ao Dona Flor Gran Corona. Tenho vivenciado excelentes momentos com este charuto.
    Abs

  • Lourdes Cléa Calp

    Acho fenomenal a inteligencia de Benjamim e Felix de origem cubana fabricantes de charutos em Cuba irem para Ilhas Canarias e virem logo após para o Brasil para uma belissima e importante fabricação de charutos.
    Tambem sou de descendecnia cubana e de fabricantes de charutos no passado em cuba.
    Adoro charutos e admiro essa familia Menendez.
    Parabens, que tenham sempre mto sucesso, qdo for para Bahia gostaria de conhece-los pessoalmente e dar-lhes os parabens.
    abs

  • Luzinha

    o melhor brasileiro: Menendez.

  • Paulo Cesar Rebello

    Peço a correção no meu comentário anterior (não pode ser comprado não…não pode ser COMPARADO. Obrigado.

  • Paulo Cesar Rebello

    É um bom charuto, não pode ser comprado com um cubano por ser mais suave e menos denso e com uma seleção de fumos diferenciada. Um bom charuto, boa puxada e suave, mas não deixem de experimentar os dominicanos da Arturo Fuente, Cuesta Rey e o recém lançado no Brasil Don Diego, este recomendo experimentar. Abraços a todos.

  • jorge lopes

    o melhor charruto brasileiro sem duvidas Dona Flor Gran Corona

  • Edmar Wingler Garcia

    Muito interessante a historia deste charuto brasileiro, baseado sobre uma incrivel e engraçada historia de sucesso que foi personagem principal do livro de Jorge Amado, Dona Flor e seus dois maridos, essa marca de charutos foi criada pela empresa Menendez & Amerino para homenagear o grande autor baiano.ah e uma observação: é um excelente puro brasileiro. abraços.