Encontro Mistral 2008: Bate-papo com Cristiano Van Zeller

Durante o Encontro Mistral 2008, além de provar excelentes vinhos, conversei com diversos produtores e pude conhecer um pouco melhor a filosofia empregada na produção de algumas dessas vinícolas. Um dos enólogos e proprietários de vinícolas que entrevistei, um pouco antes de começar o evento, foi o Cristiano Van Zeller da Quinta de Roriz e Quinta do Vale Dona Maria. Cristiano é um nome forte no mundo vinho e um grande entusiasta do vinho DOC Douro. Quando deixou a Quinta do Noval em 1993, Cristiano dedicou-se ao desenvolvimento da produção independente da região do Douro com ênfase na melhoria qualitativa do vinho de mesa DOC Douro. Para dar vazão a esse projeto adquiriu em 1995 a Quinta do Vale da Mina e, logo em seguida, a Quinta do Vale D. Maria em 1996. Ao longo dos anos Van Zeller dedicou-se a expandir e melhorar a qualidade das vinhas da Quinta do Vale D. Maria. Ao mesmo tempo investiu em um novo centro de vinificação combinando técnicas modernas com o processo tradicional de produção do Porto (pisa em lagar).

Cristiano Van Zeller da Quinta do Vale Dona Maria e da Quinta de Roriz

Nesse bate-papo, Cristiano falou para o QVinho sobre a parceria fechada no início do ano com seu primo João Van Zeller da lendária Quinta de Roriz, uma das mais antigas quintas do Douro, que desde 1815 está nas mãos da família Van Zeller. Cristiano é responsável, juntamente com Sandra Tavares da Silva, por liderar a equipe da Quinta de Roriz.

Sem dúvida é um enorme desafio assumir uma operação como essa. Os vinhos da Quinta de Roriz possuem um elevado padrão de qualidade, figuram entre os melhores de Portugal e são sempre muito bem classificados pela crítica

comenta Cristiano que já respondeu pela colheita de 2008 e deixou seu toque para a composição do blend da safra 2007. Toda essa responsabilidade parece deixar Cristiano ainda mais motivado para extrair o máximo até mesmo dos pequenos detalhes.

Acredito muito nos vinhos que prezam pela elegância e equilíbrio, com boa concentração de fruta e aptos para o consumo, sem muitas arestas e taninos angulosos. Até alguns anos atrás os vinhos de mesa Douro eram apenas um subproduto. A atenção era toda dedicada ao Vinho do Porto que gozava de toda a prioridade na colheita das uvas e vinificação. Em alguns casos as uvas utilizadas no DOC Douro eram colhidas tardiamente e supermaduras. O resultado eram vinhos rústicos e pesadões pelo excesso de álcool, explica Van Zeller.

Para alcançar bons resultados Cristiano aposta muito nas técnicas modernas de vinificação, com especial atenção nas etapas de pré-fermentação, conjugadas com métodos tradicionais como a pisa a pé. É claro, sem esquecer todo o cuidado como os vinhedos.

Sou um fã das vinhas velhas. Adoro trabalhar com diferenciadas castas durienses e as vinhas velhas me proporcionam isso.

Cristiano revelou também estar muito satisfeito com a evolução do consumidor brasileiro.

A cada ano surpreendo-me com o interesse do consumidor pelos vinhos de qualidade e o elevado nível de conhecimento para discutir esse assunto. É muito bom participar de um evento desse porte como o Encontro Mistral. Essa interação com o público é fantástica.

Quando perguntado sobre a mídia especializada de vinhos, Cristiano disse acompanhar com boa regularidade o que é comentado tanto na mídia impressa quanto online.

O consumidor ganha quando existe mais informação e debate sobre vinhos. Para minha surpresa a internet vem desempenhando um papel fundamental nesse cenário, principalmente por abordar os temas em profundidade como já acontece nos sites e blogs. A grande dificuldade será absorver esse volume de informação e depurar o que é realmente relevante.

Ficou curioso e quer conhecer mais sobre os vinhos da Quinta de Roriz e Vale Dona Maria? Então prove os seguintes rótulos:

  • Douro Prazo de Roriz 2004 (R$49 – Mistral);
  • Douro Quinta de Roriz Reserva 2003 (R$98 – Mistral);
  • Porto Quinta de Roriz Vintage 2003 (R$215 – Mistral);
  • Douro Quinta do Vale D. Maria 2003 (R$185 – Expand);
  • Porto Quinta do Vale D. Maria Vintage 2001 (Expand).

Ah, para quem quiser conhecer outros vinhos do Cristiano Van Zeller vale a pena procurar pelo Domini Plus 2004, onde ele trabalhou numa joint venture com Domingos Soares Franco da José Maria da Fonseca entre 2000 até 2005. Durante esse período Cristiano foi responsável pela consultoria dos vinhedos e algumas etapas da vinificação, sendo que Domingos Soares finalizava os vinhos.

  • Pingback: Encontro Mistral 2008: Vinhos recomendados - Parte I | QVinho - Blog de vinhos, gastronomia e espresso

  • http://www.sofiacarvalhosa.com.br Sofia Carvalhosa

    Jackson, parabéns pela cobertura diferenciada que você fez do Encontro Mistral. Obrigada e abraços, Sofia Carvalhosa

  • Diogo

    Muito bom Jackson! Parabéns pelo trabalho.

    Na degustação dos Vinhos Douro e Porto que teve em SP eu provei o Quinta do Vale Dona Maria (2003 ou 2004 não estou lembrado) e achei um ótimo vinho. Da para perceber que o trabalho do Cristiano é sério.

    Abs