É sempre bom falar de vinho australiano. Acredito que em poucos lugares do mundo (com exceção dos Estados Unidos) os produtores ousaram tanto. Avanços importantes surgiram e continuarão surgindo na Austrália. Sempre digo que existem duas Austrálias, aquela dos vinhos produzidos em série — quase como refrigerantes — e a Austrália dos grandes vinhos. A Mitolo Wines encontra-se na segunda categoria. Quem tiver a curiosidade de acessar o site da Mitolo, poderá conferir logo na primeira página a filosofia desse produtor: Pureza, elegância e poder. Não posso deixar de comentar sobre esse excelente site, muito elegante, com dados precisos, texto bem escrito e, o principal, sem tentar enganar o leitor com balelas e informações inúteis (coisa rara hoje em dia). O Mitolo Jester Shiraz faz parte da linha de frente desta jovem vinícola (fundada em 1999), que não tem vergonha de afirmar que está “apenas começando a sua jornada”. Pois bem, espero que continuem fazendo bons vinhos, porque o basicão Jester Shiraz já é um belo caldo. Esse Shiraz produzido em McLaren Vale passou 9 meses em barricas francesas de segunda mão; é menos encorpado do que imaginava e possui um excelente frescor. Cor rubi escura, sem sinais de evolução e com pouca transparência. Nariz com boa intensidade, com frutas vermelhas, amoras, especiarias e um toque herbáceo que lembra anis. Corpo generoso, taninos de ótima qualidade, porém ainda não totalmente amaciados; acidez muito agradável. Final seco e persistente, nada daquela sensação xaroposa e artificial dos maus australianos. O Mitolo Jester Shiraz é um excelente exemplo que a oposição Novo Mundo x Velho Mundo tem cada vez menos sentido.

Shiraz muito agradável e equilibrado. Faz bonito a mesa, combina bem com vários tipos de prato, mas principalmente carnes fortes e caça.
Grad.Alcoólica: 14,5%
Importadora: Porto a Porto / Casa Flora
Preço: R$80


























Caros editores
Ainda não tive oportunidade de conhecer os bons
vinhos australianos, não conheço O Mitolo J S 2005, degustado
por voces.
A minha dúvida se refere ao teor alcóolico elevado do vinho, 14,5% não
denota um desequilíbrio do mesmo, tornando-o muito encorpado e
exigindo uma acidez também elevada? Não seria melhor o teor alcoolico
permanecer nos 12,5% ?
Atenciosamente
rodrigo
Rodrigo, hoje em dia fala-se muito sobre teor alcoólico. Há não muito tempo atrás, quando um vinho passava de 13 graus, o seu produtor ficava feliz e contente com a excelente maturação das uvas. Hoje é motivo de preocupação, uma vez que frequentemente ultrapassam a barreira dos 14,5, prejudicando o equilíbrio final da bebida. O vinho atual é mais alcoólico porque a maioria das regiões ficou mais quente. Em Bordeaux estão todos felizes, já na Austrália a coisa pode ficar quente demais. Só para você ter uma idéia, muitos australianos atingem fácil a marca de 16 graus, sendo posteriormente submetidos ao Cone Giratório para “perderem” esse álcool. O vinho é um produto intimamente associado a evolução climática e cultural. O conceito de “bom vinho” muda conforme a cronologia do tempo. O momento atual é favorável para os vinhos de clima frio, porque os críticos estão se cansando dos vinhos de uvas sobremaduras.
Gostaria de fazer um convite para os amigos conhecerem o blog Avaliador de Vinhos (http://www.avaliadordevinhos.blogspot.com/). Não chega a ser um Qvinho, mas dá a contribuição dele.
Parabens pelo QVinho
os artigos e os comentários sobre o mundo do vinho, são ótimos, principalmente para uim enófilo iniciante como eu.
Um abraço