Confesso que degustar determinados vinhos e, principalmente, escrever sobre eles não é das tarefas mais empolgantes. O Wild Roo Shiraz da Andrew Peace Wines, infelizmente, integra esse rol de vinhos sem personalidade. Não que eu esperasse muito desse Shiraz australiano, mas a degustação acabou sendo ainda mais decepcionante. Talvez ele não merecesse mais que uma linha de explicações, contudo, vamos as nossas considerações de praxe. Até porque nossos leitores merecem mais informações. Seu rótulo (provavelmente voltado à exportação) é bem comercial e chamativo, explorando o contraste do preto e o amarelo, associado à imagem do canguru (óbvio, porém eficaz para lembrar da Austrália). Lá eles não trabalham com essa marca, o similar seria o Andrew Peace Shiraz South Eastern, que não custa mais que $8. O estranho é que aqui no Brasil pagamos mais de R$30! No contrarótulo uma história da carochinha. Já informação sobre o vinho, nada. Também, dizer o que? Que os vinhedos são de altíssima produção, que a colheita é mecanizada e que o vinho sofre as mais diversas intervenções. Definitivamente esse tipo de informação não ajuda muito.
O Wild Roo Shiraz mostrou uma cor rubi com transparência. Nariz pouco intenso, com aromas que lembram frutas negras supermaduras como amora e cereja. Algumas notas de menta e madeira (chips?), mas nada muito forte. Na boca é leve, sua acidez é alta e seu final é seco e curto. Pouco equilibrado pela sua estrutura, o álcool acaba prevalecendo. Em resumo: um vinho que não agrada!

Shiraz austrauliano pasteurizado e sem graça. Pela proposta original deveria chegar aqui custando, no máximo, R$ 20.
Grad. Alcoolica: 14%
Preço: R$34
Importadora: Best Wine


























Jackson, tive uma curiosidade agora: quando o vinha não agrada, em sua degustação vc toma a garrafa até o final, ou joga o resto no ralo ?
Pergunta interessante Celito. No Brasil vivemos a cultura do desperdício, seja com os alimentos, com a água potável e, porque não dizer com o vinho. Não sou partidário dessa filosofia. Se o vinho não é dos melhores, faço a prova e na sequência fecho a garrafa (vacum vin) e coloco na geladeira. Talvez esse vinho possa acompanhar uma refeição mais simples do dia-a-dia, ou ainda pode ser utilizado para marinar uma carne (codorna, perdiz, cervo etc) ou para fazer um molho (ragu ou risoto). Posso te assegurar que por mais fraquinho que seja o vinho, ainda terá grande valia para temperar alguns pratos. Agora, se a garrafa tem algum problema é ralo!
Também não desprezo o conteúdo das garrafas ruins: molho rotí, risoto ao vin rouge, marinadas… são sempre boas saídas.
Essas degustações de vinhos insípidos e ruins são muito importantes: já nos previnem na próxima compra. Por acompanhar o site já sei que não compraria essa bomba.
Grande abraço,
Roberson.
Olha a descrição desse vinho que eu encontrei num site de vendas na internet:
“Possui cor vermelha com toques púrpura. Aroma de frutas vermelhas maduras e amoras. No paladar apresenta taninos finos, final longo, bom corpo e boa persistência.”
Bom corpo e boa persistência??? Fala sério! Já tomei esse vinho e achei uma droga.
Não tenho nada contra os vinhos “pasteurizados” de alta produçao, mas concordo com você, tem muito atravessador querendo ganhar muito em cima de produtos mediocres. Pelo que entendi esse vinho está longe do preço justo.
O Roberson lembrou bem, essas avaliações são boas para não cair em armadilhas gastando dinheiro com vinhos ruins.
Wild Roo = um dos melhores shiraz que já tomamos !!! Escelente vinho !!!