Finalmente os vinhos brasileiros começaram a ganhar espaço nos Estados Unidos, porém ainda é preciso um trabalho árduo para conquistar a preferência dos consumidores norte-americanos. Recentemente, Alder Yarrow, do blog Vinography, elaborou um interessante painel dos vinhos brasileiros, degustados por ele num evento destinado à divulgação do vinho tupiniquim, promovido pela IBRAVIN e seu mais recente braço o Wines from Brazil. Alder deixa claro, logo no início do artigo, que esta foi a sua primeira degustação de vinhos brasileiros, sendo assim, a sua primeira impressão, dizendo “Muitos dos mais de 60 vinhos que tive a oportunidade de degustar neste evento não eram muito bons. Mas alguns poucos mostraram-se decentes, decentes o suficiente para provar que é possível fazer bons vinhos neste país.” Por fim, conclui “em geral, esses vinhos devem ser evitados por quem procura produtos de alta qualidade, mas para quem quer experimentar e explorar, com certeza irá encontrar vinhos com qualidade em ascensão vindos da terra do Carnaval.”
Devo admitir que o comentário não é muito estimulante, mas deixando o ufanismo de lado, a opinião de Alder é muito bem fundamentada; é até natural que os americanos enxerguem os vinhos brasileiros com um certo desdém, aqui é o país do futebol, da cachaça e do carnaval. O toque de exotismo, evidentemente, é reforçado pelo preço elevado de alguns rótulos. Infelizmente não foram degustados vinhos como o Innominabile, da Villaggio Grando, uma vinícola boutique de Santa Catarina. A Villaggio Grando possui 52 hectares de vinhas plantadas a 1.350 metros de altitude, no município de Herciliópolis. Posso afirmar, seguramente, que se trata de um excelente terroir para a produção de vinhos de alta qualidade. O Innominabile é um dos melhores vinhos brasileiros que já provei, possui estrutura fenólica muito fina e macia, fruta bem madura, além de um competente emprego do carvalho; um belo vinho que prima pela elegância. Em breve apresentaremos a degustação desse vinho.


























Já provei boa parte dos vinhos que estavam nesse painel, alguns me agradaram, já outros me pareceram muitos fracos. Agora esse de Santa Catarina nunca ouvi falar, onde encontro para comprar?
É, visão bem diferente da Jancis Robinson. Nas avaliações dela muitos desses vinhos estavam muito bem colocados, além de não poupar elogios.
Innominabile realmente é vinho de
complexidade e elegância.
Tive a oportunidade de conhecer toda a fazenda
e degustar 7 vinhos tão nobres quanto o terroir,
onde atingem-se 26 brix em média.
Moro no Espírito Santo, adoro vinhos de qualidade, já tive a oportunidade de ir a regiões viníferas fora do Brasil, e a Bento Gonçalves, região produtora no RS, já estive cinco vezes (tb tive a oportunidade de conhecer a Villa Francione, em Santa Catarina).
Penso que quando se trata da avaliação dos vinhos nacionais alguns equívocos são cometidos: a) entendedores de vinhos querem comparar os vinhos nacionais com os grandes vinhos do mundo (até mesmo por uma questão de inteligência, os produtores nacionais não defendem isso); b) normalmente são avaliados os vinhos de vinícolas grandes, as quais não fazem vinhos com a mesma qualidade de diversas outras vinícolas menores; c)dificuldade de entendimento que a característica do vinho nacional (pelas características climáticas e solo) é de possuir acidez um pouco maior (algumas vinícolas conseguem equilibrar esta acidez) do que as frutas (em alguns casos enjoativas) dos vinhos mais simples Argentinos e Chilenos.
Em suma, precisamos ter a capacidade de analisar os vinhos brasileiros de acordo com o que eles podem proporcionar (naturalmente os feitos com qualidade). Em minha opinião, entre R$20,00 a R$30,00 (naturalmente vinhos do dia a dia)o Brasil possui exemplares que superam a raspa do tacho que vem do Chile e Argentina nesta faixa de preço.