Carmelo Patti Malbec 2005

Carmelo Patti foi um dos pioneiros na Argentina no conceito de vinhos de autor. Fundou, em 1998, a sua El Lagar, quando comprou uma pequena bodega localizada em Mayor Drummond, Lujan de Cuyo. Imigrante italiano, Patti trabalhou como enólogo em diversas bodegas mendocinas, incluindo a Nieto Senetiner, até constituir a sua vinícola boutique, voltada a uma produção artesanal e limitada de vinhos de alta qualidade. Seus vinhos são produzidos a partir de uvas de Fincas localizadas em Perdriel e Luján de Cuyo, de vinhedos de baixo rendimento, que dificilmente ultrapassam 9 toneladas/hectare. Até hoje não cheguei a fazer uma visita em sua bodega, mas todos que já fizeram esse tour relatam muito positivamente a experiência, principalmente pela atenção dada pelo anfitrião que faz questão de conduzir os visitantes. Como gosto desse perfil de vinícola, fiquei curioso para provar seus vinhos, e logo tratei de comprar algumas garrafas na minha última viagem a Argentina.

Coloquei o Carmelo Patti Malbec 2005 no decanter, e depois de uma hora comecei a degustação. Embora minha expectativa fosse maior, gostei do vinho. Perfil fino, equilibrado, sem exageros de extração e carvalho, como é muito comum nos vinhos argentinos. Mas, sinceramente, espera mais. Para tirar alguns dúvidas, na semana seguinte abri outra garrafa também do Malbec 2005, e o resultado não foi muito melhor. O vinho mostrou uma acidez um pouco acima da média e decaiu significativamente com o passar do tempo na taça. Talvez os vinhos não tenham evoluído bem, e ainda seja preciso provar outras safras e rótulos para ter um veredito sobre o produtor. De qualquer forma, para quem se interessar, aí vai a minha análise com base na degustação da primeira garrafa. Malbec de cor rubi com transparência. Nariz de intensidade média lembrando ameixas, amoras e cacau; com carvalho já bem integrado. Estrutura mediana, primando pela elegância, com taninos redondos e macios. Fim de boca gostoso, de boa duração e sem exagero de álcool.


Um Malbec gastronômico, sem exageros de extração e álcool, ideal para acompanhar um refeição.

Grad. Alcóolica: 13,5%
Preço:

  • teixeira

    Pediria a gentileza, Jacques, de me indicar para compra em março próximo, em buenos aires, três Malbec que façam a diferença, isto é, que sejam realmente excepcionais, até para justificar carregar cerca de cinco quilos a mais na bagagem. Por favor, sinta-se à vontade, por favor, para, se preferir, indicar mais de três. Caso possa, adicionalmente, dizer onde comprar “as preciosidades”, agradeço ainda mais.

    • Jacques

      Olá Teixeira!!! Minha resposta esta tardia, mesmo assim vai minha recomendação: Carmelo Patti Malbec (prefiro o cabernet), Ricardo santos malbec, ciclos icono, san felicien tributo bi centenário, bodega Lopez montchenot (Cs, merlot e malbec ), weinert estrela merlot 1999, trapiche iscay 2006. Teixeira qual sua cidade? Se morar perto de Porto Alegre ou quando vier para essas bandas podemos combinar degustação de alguns argentinos citados. Entra em contato: jacquesmartins@hotmail.com
      Abraços.

  • jacques

    O malbec é bom pela faixa de preço que se paga na Argentina, R$ 35 reais, mas o cabernet é superior. Infelizmente no Brasil esse vinho fica R$ 139,00, não tem qualidade para tanto, mas a mídia explora ser um vinho de autor, justificando assim o valor elevado. É uma pena, pois, mais consumidores iriam provar essa escola Argentina se não fosse o preço. No mundo do vinho temos que incentivar a cultura do vinho e não extorquir do consumidor, prometendo um vinho excepcional.

    • Vitor

      Bom dia!
      Concordo com Jacques. Vou além: o Carmelo Patti Cabernet é, na minha modesta opinião, o melhor desta cepa na Argentina. Ainda achei um 2003 no mês passado, pelo qual paguei ridículos R$ 30,00 em Puerto Iguazu. Duvido que, às cegas, alguém acerte uva e procedência. Eu erraria feio e diria se tratar de um vinho toscano. Não tem cara de vinho do novo mundo, muito menos de 100% Cabernet.
      O Malbec fica vários passos atrás. Lamentavelmente, foi escolhido como o vinho do ano pelo guia Descorchados. Os fãs do produtor dispensam a propaganda, que só vai trazer efeitos negativos, como o aumento de preço.