Cheval des Andes 2006

Cheval des Andes

A desgastada palavra globalização também está impregnada no mundo do vinho, geralmente acompanhada da palavrinha marketing. É fácil verificar esse fenômeno em rótulos como o Cheval des Andes, uma joint venture entre a bodega argentina Terrazas de los Andes e o renomado Chateau Cheval Blanc. Ambas as vinícolas pertencem ao mesmo grupo, o conglomerado de marcas de luxo LVMH. Felizmente o Cheval des Andes não é apenas um produto de marketing, muito embora tenha poucas semelhanças com o verdadeiro Cheval. Bom para a Terrazas de los Andes, que conseguiu canalizar o prestígio de uma grande marca de Bordeaux para o seu puro sangue argentino.

O Cheval des Andes é produzido pela bodega Terrazas de los Andes, porém com a consultoria de Pierre Lurton, enólogo chefe do Cheval Blanc. Diferentemente dos rótulos da linha Afincado, que são todos 100% varietais, no Cheval des Andes a abordagem foi a de utilizar uma mistura de uvas de dois vinhedos distintos. Cabernet Sauvignon (20 ha), Malbec (16 ha) e Petit Verdot (2 ha) totalizam os 38 hectares do principal vinhedo do Cheval des Andes, localizado em Vistalba, com videiras meticulosamente podadas que impressionam os visitantes, talvez não mais que a confortável casa de recepção para convidados que fica de frente para um campo de polo.

Atualmente o Cheval des Andes não é diferente de outros vinhos argentinos na sua mesma faixa de preço, muito embora a experiência dos caras da Terrazas e dos franceses do Cheval Blanc seja uma garantia de qualidade, inúmeros produtores argentinos já aprenderam a fazer bons vinhos. Já provei outras safras do Cheval des Andes, como 2003 e 2005, mas esse 2006 foi o mais novo que degustei. Cor violeta escura, bem denso, exibindo toda a sua jovialidade. Nariz com ótima intensidade, lembrando framboesas e amoras maduras, reforçadas por notas de chocolate ao leite e sugestivos toques florais; muito fino e bem equilibrado com os 18 meses de carvalho novo. Na boca mostrou-se vigoroso, com taninos de qualidade e bem balanceado. Final de boca longo e frutado. Deixou a desejar em complexidade, como foi provado juntamente com o Chateau Pavie e o Don Maximiano, entregou sua origem de imediato, traído pelos sedutores, porém fáceis, aromas de frutas do bosque maduras. Um delírio para quem gosta do estilo.


Potente e muito intenso, delicioso agora, mas deve ganhar uma certa complexidade com o tempo.

Importadora: LVMH
Preço: R$320
Grad. Alcoólica: 14%

  • Eduardo Agnoletto

    As matérias sempre muito descritivas, que aprimoram cada mas nosso paladar, vou provar, compro sempre no site http://www.vinhobr.com.br/ preços bons e qualidade de atendimento.

  • http://marisolperry.co.cc/ Marisol Perry

    É, Jomar, viajar como vcs fazem pode realmente ser revelador pra entender que somos reféns do marketing e das importadoras e distribuidoras. Já está ficando velha a nova discussão sobre estarem ou não, crítica e mercado, moldando o gosto geral. O duro talvez vai ser descobrir que a evolução do palato pode nos levar à Borgonha… aí estamos em uma baita encrenca… rs

  • ELMO

    É, Jomar, viajar como vcs fazem pode realmente ser revelador pra entender que somos reféns do marketing e das importadoras e distribuidoras. Já está ficando velha a nova discussão sobre estarem ou não, crítica e mercado, moldando o gosto geral. O duro talvez vai ser descobrir que a evolução do palato pode nos levar à Borgonha… aí estamos em uma baita encrenca… rs

  • http://www.diariodebaco.com.br Alexandre Frias

    amigos…

    dessa vez, foi o Facebook que me trouxe aqui. ;)

    tenho um Cheval 2003 aqui na adega e como li que já o provaram, vem a velha pergunta:

    qdo devo abatê-lo?

    abs!
    Alexandre

    • http://www.qvinho.com.br Jomar

      O Cheval des Andes 2003 já estava ótimo em 2009, agora deve estar ainda melhor. Eu beberia ainda esse ano, de qualquer forma ele pode ficar por mais alguns anos na adega e evoluir positivamente.

      Abraço

  • ELMO

    Jomar, o que antevejo dessa coisa de muitos vinhos top premium talvez seja uma concorrência que traga os vinhos a um patamar de preços mais democrático. Quem sabe?

    • http://www.qvinho.com.br Jomar

      Quem sabe. Existem muitos produtores novos fazendo vinhos de alta qualidade, mas não sei se essa turma vai incomodar os grandes. Acho que a LVMH não vai baixar o preço do seu Cheval des Andes simplesmente porque existem vinhos de qualidade similar pela metade do preço. Produtores pequenos não conseguem muita penetração no mercado, ao passo que uma LVMH deita e rola. Marketing e distribuição é a grande sacada, e nessa matéria os produtores pequenos não estão fazendo uma boa lição de casa.