Escorihuela Gascón Barbera Pequeñas Producciones 2002

Vinho argentino Miguel Escorihuela Gascón Barbera Pequeñas ProduccionesTenho uma motivação muito clara para escrever crítica de vinhos. Sou consumidor, gosto de beber bons vinhos a preço justo e, simplesmente, tenho prazer em compartilhar minhas experiências. Freqüentemente, escrevemos críticas para os vinhos que gostamos, ou que tenham um boa relação qualidade/preço, sendo boas opções nas mesas dos brasileiros. E aqueles vinhos não muito bons? Não gastamos muito tempo com eles, e continuaremos mantendo essa filosofia, mesmo assim, alguns rótulos merecem uma análise mais atenta. A razão é simples, esses vinhos adquirem status (leia-se preço alto), acabam imbuídos por uma áurea de fascínio, todavia ao serem provados, mostram-se muito aquém da expectativa. Tornam-se apenas um fiasco.

É o caso do Escorihuela Gascón Pequeñas Producciones Barbera 2002, muito bem recomendado por toda a mídia especializada, mas que sequer mereceu uma única linha de texto de seu produtor. O caro leitor pode procurar, não encontrará nada! Esse vinho além de fiasquento é fantasmagórico!

Vamos as apresentações, a Escorihuela Gascón é uma tradicional bodega mendocina, famosa pelo seu restaurante anexo – o 1884 Restaurante, do Chefe Francis Mallmann. Comprada em 1993 pelo grupo de Nicolás Catena, foi modernizada e anexada como mais uma marca Catena Zapata. Costuma produzir bons vinhos, confiáveis e com certa personalidade. A boa reputação da Escorihuela Gascón nem sempre garante uma “Excelente Compra”, uma vez que a série Pequeñas Producciones dá toda pinta de ser alguma experiência de resultado duvidoso. Sim, é comum os produtores fazerem experiências, testarem novas variedades ou técnicas. E se o resultado não for grande coisa? Ah! Como você já deve ter imaginado, esse vinho não vai para o ralo. Também é certo que nenhum produtor quer ter prejuízo. Assim começa a nascer o vinho fiasquento.

O Barbera da Escorihuela Gascón, não é essencialmente ruim, é apenas um vinho com tudo fora do lugar, vitimado pelo seu bello fiasco. Cor rubi escura, impenetrável, nunca vi Barbera com tanta cor. Nariz vinoso, com fruta difusa e comprometida pelos aromas da madeira. Mesmo após um bom tempo de decanter e oxigenação na taça, não evoluiu bem. Na verdade não mostrou muita coisa. Encorpado, com taninos muito firmes e acidez elevada (esse atributo, até certo ponto, é esperado num Barbera de qualidade). Final seco e adstringente. Esse Barbera não é o único vinho fiasquento que degustamos, existem muitos outros, porém isso já é assunto para futuros artigos.

Fraco

Seu maior defeito é a relação qualidade/preço. Por R$92 esse Barbera está longe de ser uma excelente compra.

Grad.Alcoólica: 13,5%
Importadora: Wine Company
Preço: R$92

  • Luiz Gustavo

    Comprei 3 garrafas do Pequeñas Producciones Barbera 2002, preço justo para um vinho impressionante. Equilibrado, acidez e taninos na medida. Tomei uma e estou com duas para ocasiões especiais.

  • Fernando Audibert

    Lendo alguns parágrafos acima me fizeram lembrar o que ouvi de um amigo meu, que disse: ‘Um bom vinho sempre tem por trás uma boa história’. Sempre tive boas sensações em provar vinhos no local de origem. Não que isso seja uma regra, mas estar junto ao berço, ouvindo sua história, não tem melhor argumento para caracterizar, considerar, julgar. Já perceberam os infinitos detalhes?
    A propósito, o Barbera Piemonte da Salvati & Sirena harmonizado com galinha caipira, polenta, scodeguin, radicci e etc…

  • Pingback: O vinho fiasquento

  • http://www.qvinho.com.br Jomar

    Concordo com você Peter, devemos sempre provar coisas diferentes, porém é preciso um pouco de bom senso para julgar. Não degustamos somente Malbec e Cabernet Sauvignon, muito pelo contrário, acesse a categoria Argentina e veja você mesmo. O último argentino bem avaliado foi o Grand Callia (um corte de 40% Syrah, 20% Malbec, 20% Merlot e 20% Tannat). Também gostamos muito do Salentein Primus Pinot Noir 2004, um vinho que costuma ser criticado, simplesmente porque não tem muito em comum com os borgonhas, mesmo assim é um Pinot delicioso que merece ser conhecido. Você leu sobre o BCrux Blend e o Trapiche 120 Anos? Também fogem do tradicional Malbec. Recomendo que você prove esses vinhos. Quanto as castas italianas, realmente não tenho boas referências fora da Itália. As experiências realizadas na Argentina com Sangiovese, Barbera, Nebbiolo, Pinot Grigio, Corvina Veronese, entre outras, ainda não empolgam muito. São vinhos rústicos, mas se você gosta deles, sem problemas! Nada tenho contra o gosto dos nossos leitores, apenas acho curioso você falar nisso depois de citar confrarias, revistas, principais críticos do Brasil, etc. Algumas sugestões para você fugir do “feijão com arroz” do Novo Mundo:

    http://www.qvinho.com.br/vinhos-portugueses/reguengos-garrafeira-dos-socios-2001-carmim/
    http://www.qvinho.com.br/vinhos-portugueses/luis-pato-vinhas-velhas-2001/
    http://www.qvinho.com.br/vinhos-franceses/troplong-mondot-st-emilion/

    Leia a página Sobre para saber como são feitas as degustações.

  • Peter

    JOMAR, Fugir do tradicional a que me refiro, é simplesmente o fato de provar vinhos que não sejam apenas Malbec e cabernet do Novo Mundo. É claro que muitos barberas mais baratos na Itália podem ter mais “tipicidade” ou “personalidade”, tudo depende do que você busca…..se queres encontrar sempre a mesma coisa num vinho,ok, mas o que vejo é uma crescente busca (falo de mim e de diversos amigos) por vinhos pouco conhecidos, uvas pouco faladas, uvas franccesas e italianas plantadas em outros países e seus respectivos resultados. O fato de eu gostar deste vinho, não quer dizer que entendo menos ou mais que ninguém, que sou doido ou não, mas uma questão de buscar novas experiências, algumas boas como achei nesta e outras não tanto (como o Vila Francione Rosé por vc citado, que concordo com cada palavra), enfim, vinho pra mim é como os carros, eu posso gostar de um New Beattle e pagar 90mil por ele, e vc achar um carro horrível e caro para os padrões dele, tudo é uma questão de gosto e de bolso, e ainda bem porque senão teríamos apenas um tipo de vinho na mesa de todo mundo, que diga-se de passagem, no Brasil talvez seria os “suaves” face ao grande mercado que atingem…agradeço a sua crítica e acho que este é o propósito deste blog, levantar polêmicas, quebrar paradigmas, pelo menos é assim que eu vejo! Só por curiosidade, as degustações de vocês são as cegas?

  • http://www.qvinho.com.br Jomar

    Caro Peter, há louco para tudo nesse mundo. Existem até aqueles que defendem vinhos ruins alegando “tipicidade” e “personalidade”. Agora você acaba de enriquecer ainda mais o nosso vocabulário com o termo “fuga do tradicional”. Vou lembrar disso nas minhas próximas degustações. Quando provar um vinho rústico, com taninos ásperos, pouca fruta e cheirando a serraria, escreverei assim: “É um vinhaço! Foge do tradicional” Quer saber? Prefiro o tradicional. Qualquer Barbera D’Asti de 5 euros é muito melhor, tem mais fruta e taninos aceitáveis, além de não ter o exagero de carvalho desse exemplar argentino. Francamente, a uva Barbera está muito distante de produzir “vinhaço”, pelo menos no sentido de originar um grande vinho, tanto que, no Piemonte os melhores terrenos são sempre reservados a Nebbiolo. Essa sim faz vinhaço. E na Argentina? Como você mesmo afirma, trata-se de um vinho único. Se o resultado foi tão bom, porque não continuaram? Arrancaram as vinhas? Ou será que estão usando a Barbera para um perfil de vinho bem mais simples? Não sei e nem quero saber. Prefiro os bons e tradicionais argentinos. O BCrux Blend (R$85) é muito mais complexo e intenso, o Trapiche 120 Anos (R$79) tem infinitamente mais classe e o Achaval Ferrer Malbec (R$80) oferece uma fruta irresistível. Só louco mesmo para preferir o Barbera da Escorihuela Gascón! Quanto a avaliação da Gula, acho que se fosse convidado para participar de uma dessas degustações, acabaria fatalmente achando tudo ótimo. Afinal, depois de provar dezenas de vinhos em um único dia, fica difícil dizer qual é melhor. Outra pérola da Gula é o Villa Francioni Rosé, também eleito “Boa Compra” ou algo do gênero. Provei esse vinho e fiquei horrorizado; ralo como água e cheira a capim de beira de estrada, além de ser muito caro. Só loucos para achar que isso é uma boa compra.

  • Peter

    Devo ser louco, talvez não entenda de vinhos tanto quanto vocês, apesar de ser Confrade numa das mais antigas confrarias do Paraná, mas tenho que discordar imensamente quando se fala do Barbera Pequenas Produções. Acho um vinhaço, talvez um pouco salgado no preço, mas tanto quanto outros milhares por aí, mas com uma diferença enorme, que é a fuga do tradicional. Acidez perfeita típica deste varietal, este é um vinho único, pois produziram uma única safra até onde me disseram. É denso, com uma concentração de fruta típica dos vinhos do Novo Mundo. Não creio que os críticos da Gula 2007 estivessem tão errados, pois estamos falando dos principais críticos de vinhos do Brasil, que podem até errar de vez em quando mas não tão feio assim. Na minha confraria o vinho teve pontuação de 89,50. acho que deveriam prová-lo novamente!!

  • Marcio Santana

    É isso aí! Quase não vemos as revistas falando a verdade sobre vinhos nada baratos que são um fiasco. Principalmente se o rótulo leva a assinatura de um famoso produtor. Para garantir os negócios é melhor puxar o saco mesmo.

  • Junior

    MANDOU BEM COMPANHEIRO!! Pagar esse preço absurdo pra não ver nada… isso não dá! Na dúvida fico com o meu Terrazas Malbec Reserva.

  • http://www.enochatos.com.br Claudio Torres

    Acho que temos encontrado muitos Vinho Faisquentos ultimamente. Acho que os produtores estão se arriscando demais. O pior é que para o iniciante, ele não saberá se está tomando algo “com tudo fora do lugar” ou se vai juntar fila aos que dizer “eu já tomei vinho e não gosto”.

  • http://www.qvinho.com.br Jackson

    Já tomei excelentes vinhos da Escoriuhela Gascón, mas infelizmente esse Barbera não agradou. Quanto ao restaurante 1884 Francis Mallmann, vale a pena conhecer. A comida é ótima, e a arquitetura da casa, inspirada no estilo espanhol, é muito bonita!

  • http://www.qvinho.com.br Jomar

    Rafaela, nosso objetivo não é moldar a opinião dos leitores. Prove e tire suas próprias conclusões, depois compartilhe conosco. Para mim esse vinho foi totalmente desinteressante, muita estrutura e austeridade a troco de nada.

  • http://levinaublog.blogspot.com Rafaela Giordano

    E pensar que compramos uma garrafas desse vinho na última viagem a Buenos Aires…

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