WofA 2010: Bodega Del Rio Elorza

Dentre a nova geração de vinícolas que surgiram nos últimos anos na Patagônia, merece destaque a pequena bodega boutique Del Rio Elorza. Localizada em Fernández Oro, Alto Valle del Rio Negro, a Del Rio Elorza produz uma gama limitada de vinhos – em média de 4 mil a 5 mil garrafas/rótulo – focado nos varietais Malbec, Merlot, Chardonnay e Pinot Noir. Para dar vazão ao seu sonho de fazer vinhos de alta qualidade na Patagônia, Eduardo Del Rio, proprietário da vinícola, comprou uma antiga propriedade, e em 2004, plantou novos vinhedos em alto adensamento (5.500 plantas/ha). Sob a supervisão e consultoria do flying winemaker Alberto Antonini, em 2007, foi realizada a primeira vinificação. Como a produção de vinhos ainda é pequena, o excedente de uvas é vendido para vinícolas como Humberto Canale e Chacra.

Bodega Rio Elorza

Como pudemos comprovar em nossa degustação, o resultado obtido nesses vinhos são de impressionar. Mas, vou começar falando sobre os vinhos das safras mais recentes. O único branco produzido pela bodega, o Verum Chardonnay 2009 (60 pesos), é um achado. Apenas 20% do vinho passou por barricas (6 a 12 meses), o que aportou uma certa elegância, mas sem perder o seu caráter frutado. Nariz delicado lembrando frutas como abacaxi e maçã-verde, nada exagerado; sem falar nas agradáveis notas florais. Na boca esse Chardonnay mantém o alto nível, com sua boa estrutura e maciez. Já o Verum Malbec Clássico 2009 (60 pesos), que não passa por carvalho, reflete muito bem a expressão da Malbec na Patagônia. Cor rubi, com boa transparência, e reflexos violáceos que denunciam a sua juventude. Aroma intenso, uma expressão muito limpa e vibrante de frutas maduras como framboesas e groselhas, acompanhadas de algo mineral e floral. Na boca tem corpo médio, taninos doces e macios. Um Malbec fresco e equilibrado, para ser bebido jovem, que te deixa na boca um gostinho de quero mais!

Bodeda Del Rio Elorza

Se na linha clássica a impressão dos vinhos foi ótima, nos rótulos Reserva da safra 2007, fiquei ainda mais impressionado, principalmente por se tratar da primeira safra vinificada. O Verum Merlot Reserva 2007 apresentou uma bela cor rubi com transparência. Bouquet delicioso, ressaltando notas de frutas negras maduras, chocolate ao leite, confeitos e um toque mineral; carvalho muito bem integrado à fruta. No palato tem um estilo clássico, com boa presença e taninos firmes que secam a boca. Acidez presente e um final persistente, deixam esse Merlot ainda mais interessante. Um Merlot fino e com excelente potencial gastronômico. E, para encerrar em grande estilo, não poderia faltar a estrela da noite, o Verum Malbec Reserva 2007. Uma expressão que os americanos utilizam define bem esse vinho: a “Port style”, ou seja, um vinho denso, untuoso, que chega a lembrar um Porto.

O Malbec Reserva revelou-se negro, quase impenetrável, com reflexos violáceos e lágrimas tingidas que pareciam de um vinho ainda mais jovem. Um perfume frutado intenso e prolongado, marcado por notas de ameixas maceradas, cerejas confitadas, e especiarias aportadas pelos 18 meses em carvalho francês. Um vinho potente, untuoso, com taninos de ótima qualidade, muito macios e doces. Um final longo e caloroso, típico dos vinhos de perfil moderno. Sem dúvida um excepcional Malbec, a altura dos bons Malbec mendocinos. Se você puder comprar algumas garrafas, guarde por alguns anos na adega.