Expovinis 2008: Vinhos de altitude de Santa Catarina – ACAVITIS

Engana-se quem acha que os vinhos finos brasileiros são produzidos apenas no Rio Grande do Sul ou no Vale do São Francisco. Santa Catarina também vem surpreendendo com a produção de vinhos finos. Durante a Expovinis 2008 os visitantes puderam conhecer o resultado de todo esse trabalho. No espaço da Associação Catarinense dos Produtores de Vinhos Finos de Altitude – ACAVITIS, jovens vinícolas apresentaram seus melhores vinhos, sendo que algumas delas estavam debutando com o lançamento dos seus primeiros rótulos ao mercado. E o mais interessante é ver que essas estreantes já mostram seriedade e competência para produzir bons vinhos. Até mesmo detalhes relacionados à logomarcas, design de rótulos e garrafas não foram esquecidos, o que demonstra a preocupação dos produtores com a adequada apresentação dos produtos. Estavam presentes no estande da ACAVITIS vinícolas como: Quinta da Neve, Quinta Santa Maria, Suzin, Sanjo, Santa Augusta, Santo Emílio, Villa Francioni e Villagio Grando. Infelizmente, como fiquei apenas um dia na feira, não pude conversar com muitos dos expositores e provar todos os vinhos.

Villaggio Grando

Ano passado tive a oportunidade de degustar dois vinhos dessa vinícola, o Innominabile e o Chardonnay 2006, que me deixaram com uma ótima impressão. A Villaggio Grando, nascida em 1999, está situada na região de Herciliópolis, Município de Água Doce. Seus vinhedos com mais de 80 varietais de vitiviníferas ocupam uma área aproximada de 52 hectares e estão a uma altitude de 1.300 metros. Segundo os proprietários, Maurício e Guilherme Grando, os investimentos na vinícola não param, além da ampliação da sua estrutura física está sendo realizado um forte trabalho para prospecção de restaurantes, adegas e lojas para vender sua linha de produtos. A estratégia foi optar por uma distribuição mais seletiva, priorizando estabelecimentos mais alinhados com o posicionamento de preços dos vinhos. Um dos rótulos que provei na Expovinis foi o Innominabile Lote II, um vinho obtido a partir das safras 2004, 2005 e 2006 que utiliza cinco varietais como a Cabernet Sauvignon, a Cabernet Franc, a Merlot, a Malbec e a Pinot Noir; o estágio em barricas novas de carvalho francês é de apenas 6 meses. Cor rubi brilhante com certa transparência, bouquet muito gostoso lembrando frutas vermelhas maduras, baunilha e notas de cedro. Na boca é equilibrado com taninos firmes, começando a amaciar, e uma acidez correta. Um vinho saboroso e elegante.

Quinta da Neve

Com vinhedos ocupando 12 hectares na localidade de Lomba Seca, em São Joaquim, a Quinta da Neve também iniciou suas atividades em 1999. São cultivadas, aproximadamente, 15 varidades de uvas com destaque para a Cabernet Sauvignon, Merlot, Chardonnay e Pinot Noir. Sendo esta última uma das grandes apostas da empresa. A vinificação e o engarrafamento são terceirizados na Villa Francioni também de São Joaquim. Ainda não tinha provado os vinhos dessa vinícola, mas fiquei bem surpreso com a qualidade. Um dos sócios da empresa, Acari Amorim, estava apresentando os principais rótulos. De fato o seu Pinot Noir 2006 impressiona pela boa intensidade de aromas de frutas vermelhas frescas e uma madeira muito bem integrada. Na boca é leve, taninos de boa qualidade, macios e bem equilibrados com a acidez. Final alcoólico, mas muito saboroso e com uma ótima persistência. Se o Pinot Noir se saiu bem, o Cabernet Sauvignon 2006, ao meu ver, foi ainda melhor. Cor rubi e halo levemente violáceo esse Cabernet apresentou um bouquet muito gostoso, boa intensidade e exalando aromas de tabaco, eucalipto e uma discreta frutuosidade lembrando cassis; sem aquelas inconvenientes notas vegetais, típicas da Cabernet não amadurecida. Não muito encorpado, porém já com taninos relativamente macios e um longo e quente final de boca. Vale a pena provar!

Vinícola Santa Augusta

Fundada em 2003, na região de Videira, a Santa Augusta é mais uma das novas vinícolas de Santa Catarina. Suas vinhas foram plantadas numa pequena área de 10 hectares, onde a altitude é superior a 1.000 metros. Atualmente possuem dois produtos o Tapera Augusta Moscato Giallo e o Tapera Agusta Cabernet Sauvignon/Merlot, porém já estão sendo implantadas: Chardonnay, Sauvignon Blanc, Carmenére, Malbec entre outras. Durante a feira foram apresentadas as primeiras safras dos rótulos Tapera Augusta Cabenet Sauvignon / Merlot 2006 e um Moscato Giallo 2008, (ainda sem preços definidos para o varejo). Levando-se em consideração que essa é a primeira safra do Tapera Augusta Cabernet Sauvignon / Merlot, o vinho mostrou-se bem correto. Aroma delicado de frutas vermelhas, notas de baunilha dadas pela passagem de 6 meses em barricas de carvalho francês e um inusitado toque de endro. Corpo médio, taninos um pouco ásperos, mas não chega a ser adstringente. Bom final, sem exageros de álcool, ainda que falte um pouco de concentração e persistência. Sem dúvida um ótimo vinho para a primeira safra.

  • Farnaces

    Quem conhece vinho e faz uma relação de custo x benefício acaba comprando os vinhos argentinos mesmo. Se se comparar um bom vinho brasileiro com um argentino de mesma qualidade, o nacional vai ser uns 50% mais caro. Infelizmente, para tomar vinho nacional tem de ser além de ufanista, desinformado.

  • Thiagos Santos da Matta

    Gostaria de conhecer mais sobre os vinhos de Santa Catarina e seus vinhedos seus enologos. Por favor mande para mim fotos dos vinhedos e como e o contato para eu conseguir comprar algumas garrafas

  • http://www.estilopietra.com.br pietra

    Estando em visita a cantina sangiovese fiquei surpresa com a adega deste lugar e mais ainda com os vinhos da serra Catarinense. Aproveitando a dica do chef degustei o vinho quinta da neve, maravilhoso, com certeza de agora em diante adotarei o consumo de vinhos Catarinese.

  • Fatima

    Como catarinense puxo a brasa para nós, os vinhos da Villa Francione são divinos assim como a vinicula, ver http://www.villafrancioni.com.br. O Quinta da Neve idem.

  • http://www.limana.com.br Guillermo

    Eu penso que nao tenhe sentido comparar vinhos chilenos o argentinos com vinhos brasileiros.
    Sao realidades distintas, condicoes de produccao muito diferentes.

    Agora na realidade de Chile, e que el clima las geografía e las condicoes naturais que tenhe sáo especiales para produccao de vinhos, e pela nesta razaó se poden encontrar viñas con rendimentos de 5.000 kilos pela hectárea para produccao de vinho premium U$ 80 la garrafa ate U$ 150
    pelo tamben outras con 25.000 a 30.000 kilos pela hectárea para vinhos varietales de U$ 0,85 la garrafa ( Vih}nhos Gato y Urmeneta de San Pedro, tambem de Concha y Toro, Santa Helena etc.) nestos vinhos sao definidos como de mesa, pelo aceitables.
    Na realidade de Brasil e que tenhe que invertir en tecnología y crecer en seus plantacioes de cepas tradicionais, para producir com custos mais baxos que atualidade.
    Vinhos Panceri sao muito bom, Merlo e Cabernet Souvignon Reserva.

  • MANSÃO DOS FARAÓS – CASA DE FESTAS

    Estão de parabéns, conheço a região serra de Santa Catarina e achei maravilhoso todo o conteúdo da materia.Amigos, gostaria de saber se vocês teem representante no Estado do Rio de Janeiro. Se não houver representante aqui, se haveria interesse, em ter-mos uma conversa sobre este assunto, em futura ocasião. Fico aguardando uma resposta de V.Sas. agradecendo a atenção, envio protestos de estima e consideração. Jorge Lo Bianco

  • antonio de p.g.ferrari

    moro em Itatiba(sp) e nunca vi em nenhum lugar vinhos de Santa Catarina. Podem me informar onde posso encontrar ou conhecer mesmo daí para, talvez encomendar. Grato.

  • Carlos

    Esse Leandro é muito negativo. Acho que quando ele vai ao cinema ver filme do Tarzan, torçe para o jacare.

  • Pingback: Vinho Suzin Cabernet Sauvignon 2006

  • Donaldo Pinheiro

    Sou grande apreciador de vinhos , já visitei várias vinícolas da serra gaúcha , onde fiz um pequeno curso de degustação . Temos bons vinhos nacionais , todavia os preços são inexplicavemente exorbitantes em relação aos chilenos e argentinos . Por isso vou ficando com os chilenos Concha y toro . Meus preferidos

  • Marco

    E realmente uma pena o preconceito que o brasileiro tem com relacao ao vinho nacional, fazendo criticas antes de conhece-los.

    Acho que o Sr. Bormolini e bastante feliz quando recomenda uma degustacao, pois so existe uma maneira de se conhecer vinhos, e degustando, provando, so assim poderemos dizer se um vinho e bom ou nao, lembrando que alem da avaliacao tecnica, e com certeza tao importante quanto, o gosto pessoal nos leva a comprar novamente um determinado vinho independente do seu preco.

    Abraco..

  • Bormolini

    Falando em nacional, quem nao conhece ainda, gostaria de enfatizar o Cabernet Sauvignon e Merlot da Dal Pizzol e o Cabernet Franc da Do Lugar, ambos safra 2005 (a melhor até hj)… Nacionais que na qualidade e preço, nao deixam a desejar em comparaçao aos Chilenos e Argentinos… Sr.Leandro, aconselho pelo menos uma degustaçao…Abraços.

  • LEANDRO

    Acho que voce como agrônomo da região deveria saber que é muito pouco tempo para termos algum resultado satisfatório em termos de vinho de qualidade no Brasil. Além disso, deve concordar que os preços praticados são abusivos para esse padrão de qualidade, comparando ao Chile e à argentina e que os impostos cobrados pelo governo também, o que acaba elevando em demasia o preço final ao consumidor. Além disso, os preços cobrados nos restaurantes, cerca de 2x os preços nos supermercados,com conivência das vinícolas, em nada incentivam o consumo nacional. Nada pessoal ok? Torço muito pelo vinho nacional e principalmente pelo de Santa Catarina.

  • Alexandre

    Há algumas semanas vi a receita do papardelle ao alho poró, e fiquei interessado. Finalmente provamos ontem, e é realmente um espetáculo. Escolhi um vinho pra acompanhar e acabou dando certo, o Paso Doble (Masi), que tem uma ótima acidez, e casou bem com o prato. E o melhor de tudo, “um prato vergonhosamente simples de fazer” :0)
    abraços.

  • Marcus Aristóteles Zilli

    Leandro……. vai tentar conhecer vinhos vai………

  • leandro

    tudo bem, mas vai ver os preços…n~~a pago de jeito nenhum!! Prefiro meus chilenos e argentinos!!