Salton Talento 2005

A gaúcha Salton é uma das queridinhas da crítica brasileira, sempre vejo comentários favoráveis na mídia, além é claro das inúmeras reproduções de press realese publicados em revistas, jornais e na web. Os holofotes são direcionados aos vinhos “premium”, o Desejo (um Merlot) e o Talento (um assemblage de Cabernet Sauvignon, Merlot e Tannat). Como bom consumidor que sou, resolvi comprar uma garrafa do Talento para compartilhar com os leitores do QVinho a minha opinião. O Talento é um vinho de produção limitada, feito apenas nas melhores safras; até o momento temos o 2002, 2004 e 2005, que segundo a minha pesquisa (sim, tive que pesquisar, uma vez que o site da Salton peca em não fornecer informações técnicas detalhadas de cada vinho), foram feito exatamente com o mesmo corte (60% de Cabernet, 30% de Merlot e 10% de Tannat), isto é, empregando as mesmas proporções de uva para todos os anos. Fiquei intrigado e, para minha surpresa, constatei que a Salton (no seu site) emprega uma ficha técnica genérica, exatamente igual para todas as safras. Fiquei com a impressão que a Salton produz refrigerante.

Salton Talento 2005

Salton Talento 2005

É preciso esclarecer que a técnica de assemblage (a mistura de diferentes lotes de vinificação, de diferentes variedades de uva) visa obter um vinho mais completo e harmônico, aproveitando as melhores características individuais de cada lote. Em qualquer região vinícola é normal que as proporções de cada uva mudem de uma safra para a outra, assim como alguns detalhes da vinificação, uma vez que o clima nunca é o mesmo, sendo assim as videiras reagem de maneira diferente. Agora tenho que perguntar, será que o clima da Serra Gaúcha foi exatamente o mesmo nos anos de 2002, 2004 e 2005? Será que todas as variedades amadureceram exatamente iguais? Quero ser enólogo da Salton, afinal qualquer um faz um assemblage desse tipo, não precisa nem provar os vinhos antes da mistura. É como uma receita de bolo, já tem uma fórmula, basta misturar 60% de cabernet, 30% de merlot, 10% de tannat e botar para amadurecer um ano em barricas novas de carvalho. Pena que enologia não seja uma ciência exata, fato que qualquer enólogo já sabe, tanto que bons vinhos de assemblagem sempre são feitos de maneira diferente, conforme as características de cada safra. Por si só, esse rigor matemático da Salton já coloca em xeque o conceito “premium” do seu Talento, indício de um trabalho enológico relaxado.

O terroir de Tuiuty deve ser realmente fantástico, mais regular que o de Mendoza, porque só assim é possível empregar sempre o mesmo critério de produção. Todo produtor sério de vinho revela os detalhes de vinificação, justamente para as pessoas saberem que um vinho nunca é igual ao outro — porque uma safra nunca é igual a outra — que existe uma preocupação em fazer o melhor e, principalmente, que existe um trabalho sério de enologia. O currículo técnico do Talento surpreende pela simplicidade, mas um vinho deve ser julgado pelo seu valor no copo, não pela ficha técnica.

O Talento 2005 apresentou cor púrpura com leve transparência. Aroma de boa intensidade, com predomínio de notas tostadas do carvalho; em segundo plano um pouco de frutas vermelhas e nuances terrosas. Corpo médio, taninos brandos e álcool aparecendo demais. Final de boca curto. É um vinho simples, comprometido pelo excesso de madeira. Esse Talento lembra alguns chilenos na faixa de R$30, normalmente vinhos de pouca personalidade e moldados por aromas adocicados do carvalho. O Salton Talento 2005 é um fiasco, não que seja ruim, mas definitivamente não vale o seu preço.

Bom
Tinto de estrutura mediana e muito marcado pela madeira. Só recomendo para aqueles que gostam desse estilo.

Preço: R$55
Grad. Alcoólica: 13%

  • Fernando

    Sim, não podemos achar que nossos vinhos, principalmente os tintos, possam se equiparar aos de outros países.
    Sim, as vinicolas nacionais, apesar dos impostos elevados, cobram um preço alto (principalmente a Miolo).
    Acho que a Salton tem a melhor linha nacional, olhando todas faixas de preços oferecidas.
    O Talento eu acho um vinho bom. Inferior a muitos estrangeiros na faixa de preço e superior a muitos outros também.
    Sempre comprei o Talento por menos de 50 reais, apesar de muitas lojas quererem cobrar 70.
    Acho que o blog insistiu demais na questão do corte. Realmente é essa proporção em todas safras?
    O tinto nacional de melhor custo x beneficio, na minha opinião, é o Salton Volpi Merlot. Em supermercados, que estão cheios de refugos estrangeiros, ele se torna uma boa opção. Principalmente pra quem está entrando nesse mundo.
    E sim, conheço a maioria das vinicolas nacionais pra dar essa opinião.
    abs
    Fernando

  • Airton Liviera

    Que fantastico isso…após ver criticas e defesas do salton talento,eu ,como produtor de vinhos,da região de tuiuty,de bento gonçalves,vou continuar pagando os mesmos impostos,e nada vai ser mudado…mas em poucas palavras…VIVA O VINHO NACIONAL…e avante ao exterior! um abraço a todos e sds
    Airton,com orgulho,enólogo e produtor de uvas,PASMEM,no BRASIL

  • Marcelo Bongiolo

    Legal os posts sobre o Talento.
    Entendo a questão de forma bem simples:
    O Talento 2002 foi o precursor de todo esse furor, certo! Recebeu vários prêmios e a Salton investiu todas as suas fichas nele. Provei-o a alguns anos e concordo com todos os prêmios e à ele remetidos.
    Então, a idéia da Salton foi criar um mito, nos moldes do Casillero del Diablo.
    Bingo, e não é que deu certo!
    Poucos provarão os verdadeiros Casillero del Diablo, como poucos de vocês provaram o Talento 2002.
    Já provei as demais safras talento e concordo com vocês, esqueceram de investir no enólogo!

  • Eduardo Dantas

    Prezados,
    Sou fã do Talento.
    Costumo adquirir no Supermercado Mundial por pouco mais de R$ 40,00, mas outros supermercados e casas especializadas cobram até R$ 80,00.
    Trata-se de um vinho elegante, macio, equilibrado, e que costuma ser elogiado pelos amigos.
    Na festa da Primavera da ABS/RJ, no Copacabana Palace, em Copacabana, o vinho fez sucesso, bem como os Villa Francioni.

    Mudando de garrafa, estou degustando um Rutini Malbec 2006, com aromas intensos e persistentes de ameixas e cerejas, bastante macio e equilibrado.

    O Preço no Brasil é de cerca de R$ 120,00, o que acham?
    Eduardo Dantas

  • Henrique

    Fiquei cansado de ver tanta crítica e defesa de um vinho. Pessoal que tal abrir outra garrafa e encerrar o assunto
    Henrique

  • Guilherme

    Enquanto vocês põe em dúvida a qualidade de nossos vinhos, em pauta o Salton Talento,
    60.000 mil garrafas por ano são vendidas. Ou seja, vocês embreagados de sua sabedoria fútil, sabem mais do que digamos 20.000 consumidores ao qual compram e apreciam este belo produto? Agora se fosse um vinho marketeiro frânces, aos quais canso de encontrar exemplares extremamente medíocres a esse preço ou mais caros com certeza vocês buscariam alguma virtude (ou seja, “procurar chifre em cabeça de cavalo”) para justificá-lo. Não produzimos vinhos iguais aos nossos “vizinhos”, e nem devemos! isso se chama tipicidade, goste você ou não existem milhões de pessoas consumindo diariamente, se o mercado demanda alguém o produzirá! em relação a Clos Apalta e Cia, quanto custam???

    com certeza absoluta o Brasil pode muito mais.

    • http://www.qvinho.com.br Jackson

      Guilherme, se você prestar bem atenção ao que foi escrito no artigo, assim como outros que abordamos vinhos nacionais, verá que existe coerência em nossos argumentos. Nossas críticas não são fúteis como você afirma.

      Sua argumentação para defender o Talento é tão ou mais furada que um queijo suiço. Ora, uma correlação entre as vendas expressivas de 60 mil garrafas com a qualidade do produto é simplesmente absurda. Se fosse assim, Sangue de Boi, Vinhos Campo Largo, e Conhaque Presidente seriam referencias de qualidade.

      Sim, muitos consumidores estão comprando gato por lebre e são a parte mais frágil dessa relação. Em conversas com amigos e nas dezenas de e-mails e comentários que recebemos no QVinho já pude constatar a decepção desses consumidores com vinhos como o Salton Talento, principalmente no que se refere a relação qualidade/preço. Nossa função como críticos independentes é exatamente informar os consumidores apresentando os prós e contras dos vinhos. Não acredito que esse vinho tenha qualquer “tipicidade”. É muito carvalho novo, e completamente desintegrado com a fruta. Qualquer pessoa que já entenda um pouco de vinhos irá notar que é uma cópia mal feita dos vinhos argentinos e chilenos.

      Finalmente, ninguém comparou o Talento com Clos Apalta, até porque isso seria um despropósito. Porém, já que você tocou no assunto comparação posso dizer tranquilamente que outros rótolos, de mesmo valor ou até mais baratos, são muito superiores ao Talento. Só para citar alguns que degustamos nos últimos tempos, o Casa Lapostolle Cabernet Sauvignon, Montes Merlot, João Portugal (Marques de Borba), Ensaios Filipa Pato, Luis Pato Baga entre outros.

      Ah, falando em vinhos marqueteiros, acho que a Salton dá que dez nesse quesito em muitos franceses, portugueses e argentinos.

  • Mauricio Fernandes

    Concordo plenamente com a crítica ao Talento 2005. Tomei ele recentemente e é um vinho bem fraco e de péssimo custo/benefício. Leva uma surra de um argentino de R$25. Por enquanto fico com os espumantes brasileiros…

  • http://www.vivendovinhos.blogspot.com Cristiano

    Jomar,

    Concordo que o Talento não é lá tudo isso, em que pese eu ter participado de uma degustação as cegas e o Talento ter sido o melhor da noite, nas minhas notas só foi melhor que o Inominabile. Mas isso não é o fundamental.

    Pra mim o fundamental é tentar entender porque o Brasil não aposta no espumante e nos brancos como devería, com faz a Nova Zelândia, nosso terroir favorece e viticultores querem fazer grandes tintos… simplesmente não entendo.

    Acho o Talento um vinho gastronômico com corpo médio e boa acidez, são qualidades, mas que não o fazem excepcional. O 2005 é melhor que o 2004. Mas da Salton valem mais a pena os vinhos da Linha Volpi, especialmente o Pinot Noir e Sauvignon Blanc, realmente me surpreenderam.

    Jomar se quiser conhecer o que escreví a respeito do Talento fique a vontade para visitar o Vivendo Vinhos. Seguem os links:

    http://vivendovinhos.blogspot.com/2009/02/homenagem-angelo-salton.html

    http://vivendovinhos.blogspot.com/2009/06/desafio-assemblage-novo-mundo.html

    Forte Abraço!

    Cristiano

  • Paulo Vieira (Recife)

    Pessoal, é salutar a discussão sobre vinhos nacionais, um vez que certamente num futuro não muito longíquo, espero, saberemos como produzir vinhos respeitáveis. A propósito, gostaria de saber se este blog já realizou avaliações sobre a vinícola Angheben.

    Um grande abraço.

    • http://www.qvinho.com.br Jomar

      Sim Paulo, recentemente visitei a Angheben em Bento Gonçalves e provei toda a sua linha (menos o Barbera). Gostei muito, principalmente por serem vinhos leves, porém com boa concentração e fruta agradável. O preço não ofende, sem dúvida uma ótima estratégia para esses vinhos ganharem mais notoriedade.

      Por enquanto, aqui no QVinho só falei do Espumante Brut, que acompanhou muito bem a nossa salada:

      http://www.qvinho.com.br/receitas/salada-de-frango/

      Em breve publicaremos algumas avaliações sobre os vinhos da Angheben. Aguarde!

  • Ismael

    Como ja era de se esperar os brasileiros se deixam lubridiar por apenas um rotulo e nome fantasioso.
    Palavras de um viticultor suiço ( e tenho muito orgulho ^^ ). Amo a minha profissao e posso dizer que comecei como vcs, um énofilo que deu um passo a mais adiante.
    Um grande abraço a todos.

  • Vitor

    Complementando a msg acima, estava procurando pelo Salton Virtude 2008, q já encontramos em venda pela Internet.

  • Vitor

    Além de não ver essa coisa toda nos vinhos, venho trazer um exemplo de desdém para com o consumidor: enviei um e-mail para a Salton há mais de uma semana, perguntando onde poderia encontrar o vinho no Rio, onde estive passando férias. Vocês receberam a resposta? Nem eu. Somente uma mensagem automática, agradecendo pelo contato e pedindo que aguardasse… Agora já era.

  • Leonardo

    Jomar,

    Reconheço que houve um equívico da minha parte, a escala utilizada pela Jancis não é 100 e sim 20, a informação que tive sobre 100 foi baseada numa matéria publicada erroneamente por uma revista brasileira, a qual prefiro não citar o nome. Porém não vou entrar no mérito da subjetividade, estamos discutindo técnicamente um vinho, não de fato discutindo se gostamos ou não, afinal gosto não se discute. Considero a nota de 17/20 mais do que justa para o Talento.

    Qualquer que seja a crítica é preciso que seja lida com prudência, inclusive a sua, pois usar um termo como “fiasco” denigre a imagem de qualquer produto.

    Mais uma vez cito que tenho acompanhado seu blog, acredito no trabalho de vocês digno de elogios a exemplo da matéria que você publicou sobre o Q Tempranillo da Zuccardi onde a WS literalmente o substima. Na minha opinião um excelente vinho.

    Reitero que em momento nenhum meu comentário assumiu tom “panfletário” pois sou um apreciador, um consumidor consciente, um enófilo, nada tenho haver com produtor A ou produtor B, propaganda enganosa não é comigo.

    Entendo que assim como qualquer blog, o Q-vinho deva ser um blog democrático, aberto a críticas e elogios.

    Apesar de não residir em Curitiba e sim em Recife continuaremos nossas discussões, afinal falar sobre vinhos é sempre prazeroso.
    Sds,
    Leonardo

    • http://www.qvinho.com.br Jomar

      Leonardo, compreendo perfeitamente o seu ponto de vista, e digo mais, aqui no QVinho ninguém precisa concordar comigo (ou com o Jackson). Como você mesmo já percebeu, somos bastante abertos a discussão, desde que se mantenha o bom nível da conversa. Uma pena você não divulgar o nome da revista que cometeu o deslize, mesmo assim volto a afirmar que “erros” como esse são frequentes. Basta você fazer uma busca na internet por um vinho top brasileiro, comece a ler com atenção e você verá que as informações se repetem. Pouca crítica e muita reprodução desleixada. Esse maketing viral barato tem ajudado a construir a imagem de certos vinhos, muitas vezes sem o consumidor refletir sobre o valor do produto. É nesse contexto que afirmei que o Talento é um fiasco, um conceito que inventei (no post O Vinho Fiasquento) para explicar como o marketing e a comunicação afetam a percepção de qualidade de um vinho. Não faço oposição ao marketing, muito pelo contrário (trabalho com marketing, respiro isso todos os dias), sou totalmente consciente da sua importância para o crescimento do vinho brasileiro. Agora, marketing barato é uma faca de dois gumes. Espero que você continue participando e contribuindo com discussões de alto nível. Abraço!

  • http://twitter.com/gmfogaca Guilherme

    Jomar, para mim, seu post veio em boa hora. Estava pensando em comprar uma garrafa do Talento para experimentar (considerando apenas sua boa fama), mas desisti. Suas colocações são pertinentes, e o Salton Series – Cabernet Franc, que acabei de tomar, já é um indicativo de que o Talento não vale o que custa.

  • http://www.qvinho.com.br Jomar

    Caro Leonardo, respeito muito a opinião de todos os nossos leitores, embora sempre questione certas ideias. Não há problema algum em você gostar do Talento (ou de qualquer outro vinho que não seja aclamado pela crítica), afinal é um bom vinho. A nossa avaliação de “Dois Copos” de maneira alguma é depreciativa, recomendo a leitura dos nossos critérios de avaliação:

    http://www.qvinho.com.br/sobre-blog/criterios-de-degustacao/

    É fácil perceber que o seu comentário possui um certo tom panfletário. Digo isso pela citação de outros críticos, com detalhes que frequentemente ilustram releases que infestam a mídia, quase sempre com informações imprecisas. Já li artigos que dizem que Jancis Robinson gostou de vários vinhos brasileiro (eu também gosto de vários), inclusive com comentários favoráveis ao Talento. Até aqui nenhum problema, o fato é que de oficial do site da Jancis Robinson conheço apenas esse artigo:

    http://www.jancisrobinson.com/articles/20070611_3.html

    A autoria é de Julia Harding, assistente de Miss Robinson, e a nota do Talento 2004 é 17 (a escala adotada é a de 20 ponto, não de 100). Não tenho ciência de outra degustação feita pela equipe da Jancis Robinson, de qualquer maneira, como não assino o seu site, não posso assegurar que tenha sido a última. Sinceramente, não estou preocupado com a opinião dos críticos ingleses sobre os vinhos brasileiros, afinal eles nunca pisaram no Rio Grande do Sul e, definitivamente, não possuem uma visão ampla dos vinhos brasileiros. Quanto a crítica da Expovinis, já opinei em um comentário anterior.

    Falando em marketing, não compraria um Clos Apalta 2005 simplesmente porque foi o “Eleito do Ano”. É muito caro, tive a sorte de pagar bem menos pelo Leoville Las Cases que você citou. Ainda sobre este último, raramente encabeça listas de “Melhores do Ano”, embora seja um dos melhores vinhos da margem esquerda de Bordeaux. Marketing meu caro amigo, é você replicar esse mantra de avaliações do Talento, afinal, onde você leu que Jancis Robinson deu 91 pontos para o Talento 2004? Alguém disse a você? Seja qual for a resposta, você está sendo influenciado por um marketing barato, meio tupiniquim, meio nazista no melhor estilo Goebbels. Essa é problemática do vinho fiasquento.

    Leia o artigo abaixo:

    http://www.qvinho.com.br/variedades/opiniao/o-vinho-fiasquento/

    Preste atenção nos títulos:

    “Julia Harding, assistente de Jancis Robinson, pontuou em 17 pontos o Talento 2004”

    “Jancis Robinson pontuou em 91 pontos o Talento 2004”

    O primeiro título não diz muita coisa. O segundo faz brilhar os olhos! Esse tipo de distorção é bem conveniente para a Salton.

  • Antonio

    Dando continuidade à discussão:

    Fernando Audibert, concordo com você que nem todos os vinhos brasileiros são ruins. Nenhuma generalização é justa, certamente. Há meio ano fiz uma degustação dos vinhos da Villa Francioni, de São Joaquim – SC, e fui surpreendido por alguns dos vinhos apresentados. Embora não concorde com o preço praticado pela vinícola (+R$90 pelo vinho homônimo). Como competir com o mercado internacional, que apresenta vinhos superiores, mesmo carregados de impostos de importação, com preço mais acessível?
    Leonardo, acho que você deveria rever seu comentário sobre a imparcialidade do QVinho. Criticar um vinho que não agradou é a forma mais justa e imparcial de fomentar um site com conteúdo sério. O que mais vejo por aí é blogueiro rasgando elogios pra vinho de qualidade duvidosa, em troca de meia dúzia de garrafas ou de um “patrocínio” no final do mês.
    Outra coisa, qual o problema em avaliar Clos Apalta, Montes Alpha? Avaliação de Country Wine e Chalise é suicídio!
    Toda a unanimidade é burra, já dizia o velho deitado. Acredito que o objetivo deste site seja unicamente partilhar experiência e opinião com quem estiver interessado. Nunca li um comentário estipulando regras ou impondo notas de degustação.

    Daqui a pouco vão exigir que se fale bem do Conhaque Presidente (produzido sabem por quem)! Não presta nem pra cozinhar.

    Apelou? Perdeu!
    Saudações!

  • Ricardo Melo

    Não concordo que a Salton seja a “queridinha” da mídia.

    Queridinhos da mídia e das lojas de vinhos são as marcas importadas.

    O vinho nacional tem um longo caminho a percorrer, muitos obstáculos.

    Um problema é o processo de aprimoramento.

    Outro problema é a comparação com o vinho estrangeiro: “nunca o Brasil produzirá vinhos como na Argentina e Chile”.

    O que posso dizer é: os estrangeiros também nunca poderão produzir vinhos como os brasileiros, inclusive com aquela acidez característica que a grande maioria têm.

    Eu gosto disso.

    O nosso maior problema continua sendo o tal do “complexo vira-lata”, um entrave até na produção e na crítica dos nossos vinhos.

  • Leonardo

    Caro Jomar,
    É preciso ser cauteloso ao falar dos vinhos nacionais, obviamente não temos um terroir para produção de tintos excelentes como em nossos países vizinhos, sabemos que nossos espumantes são destaque frente aos tintos. Sempre tenho acompanhado seu blog, mas o Salton Talento não é um fiasco como você menciona em sua matéria. Provei tanto o Safra 2004 e 2005, talvez você não saiba, mas a Master Of Wine Jancis Robinson pontou em 91 pontos o safra 2004! A maior pontuação dada a um tinto nacional por um Master of Wine. Honestamente considero o 2005 superior ao 2004, não apenas a minha opinião mas como a do Arthur Azevedo diretor da ABS/SP o qual foi meu professor do curso de Sommelier Profissional. Será que toda a crítica da Expovinis 2009 também está errada? Certamente você provou uma garrafa que sforeu com armazenagem, transporte etc. Ressalto que degustei o Talento 2005 na vinícola Salton e me surpreendeu pela qualidade, detalhe: R$45,00 a garrafa. Concordo com você que há excesso de madeira, coisa que com alguns anos de adega deverá melhorar, falta elegância, enfim há trabalho a ser feito. O que observo é que vocês estão acostumados apenas a avaliar Clos Apalta, Montes Alpha, Château Leoville-Las Cases, aí meu amigo é batata! E digo mais, na minha opinião o Clos Apalta não merece o Status de “The Wine of the Year 2009″ puro marketing da WS.
    Se vocês querem ter um blog renomeado é preciso ser mais imparcial nas avaliações.
    Saudações,
    Leonardo

  • Fernando Audibert

    Vamos em partes: sim, a maioria dos produtores querem vender o produto e não agregar valor à marca, criar uma identidade própria. Sim, aqui tudo que se planta cresce. Mas, a acidez dos nossos vinhos nos fazem ficar sempre bem abaixo do pódio. Não, nem tudo é amadeirar ou fazer teores altos, a tecnologia permite fazer isso aparecer como assinatura pessoal do vinho.
    Sim, falta amadurecimento, visão comercial, mas estamos melhorando, algumas vinícolas querem tornar o vinho brasileiro respeitado, querem criar sua identidade, tornar suas marcas peculiares pelo processo, escolha e acompanhamento integral, conceber pelo verdadeiro rito, o da sensibilidade de conhecer e saber produzir genuinamente.

  • Antonio

    Infelizmente os produtores de vinho do Brasil investem muito em marketing e “jabá”, e esquecem de produzir vinhos com equilíbrio entre qualidade e preço. É engraçado como nosso país é uma terra abençoada. Plantou Gammay? Sai um vinho que deixa qualquer Borgonha no chinelo. Fez espumante? Só perde pros da região de Champagne (já ouvi até comentário de que o espumante Peterlongo pode ser chamado de Champagne, pois seus vinhedos têm as mesmas características dos terroirs franceses!!!). Nosso solo é tão versátil, que plantando Merlot, Tannat, Carmenère, Tempranillo, Shiraz, Teroldego, Riesling seja no Rio Grande do Sul ou na Bahia, tudo vinga! Só dá vinho bom! Enquanto em outros países seleciona-se cuidadosamente regiões adequadas para produzir cada casta, avaliando-se características do solo, clima, altitude, temperatura… aqui no Brasil a terra é um Ágar dos Deuses! Cuspiu uma semente de uva, nasceu um Gran Cru.
    Outra coisa que percebo no mercado de vinhos é uma ligeira tendência “Parkeriana” de se produzir vinhos hiperalcoólicos e amadeirados. É o caso do Salton Talento, que elizmente provei na casa de amigos e não precisei pagar o valor exorbitante sugerido pela vinícola.
    Acredito que o problema do Brasil não são os vinhos, mas seus produtores. Falta amadurecimento, visão comercial (e não mercenária) e foco em consumidores críticos (ao invés de investir em vinhos para enobobos).
    Saudações!

  • Rodrigo Almeida

    Olá, aqui em Recife, quando não conseguimos expressar qual a cor de alguma coisa ou objeto, dizemos que tem a cor de “Burro quando Foge”. Expressão muito usada aqui.

    Pois bem, na minha opinião, modestíssima diga-se de passagem, esta é a definição do vinho em questão. Adquiri, por um preço bem menor, pois sou sócio de uma confraria de vinhos, e achei que o vinho era isso mesmo, tomável, apenas isso, mas sem definições maiores.

    Não tinha muito corpo, nem pouco, não tinha muito álcool, nem pouco, não tinha muita fruta, nem pouca!! Parecia que o burro tinha fugido mesmo. Parabéns pelo Blog, aguardo mais avaliações de Brasileiros. Sou muito otimista com estes vinhos e acima de tudo esperançoso.

  • Marcelo Ramos

    Eu tembém não tenho visto nada de mais nesses tops nacionais que alguns críticos tem colocado como fantásticos. São vinhos que geralmente brigariam com chilenos e argentinos que custam a metade do preço. O Brasil deveria investir em vinhos mais simples, com pouca ou nenhuma madeira, e BARATOS.

  • Silmara

    Nossa Jomar, que estranho tudo isso que você escreve…realmente não é o que os críticos mais reconhecidos nacionalmente e internacionalmente acham…acho que se o vinho fosse um fiasco, nunca ganharia entre os Top 10 da Expovinis, nem a Jancis Robinson falaria que é o melhor vinho que o Brasil tem….acho que você degustou o produto em um mau dia.

    • http://www.qvinho.com.br Jomar

      Cara Silmara, cada crítico tem o seu ponto de vista, sendo absolutamente salutar que sejam diferentes, pois assim os consumidores terão mais opiniões para pautarem suas escolhas. Já que você citou outros críticos, terei que esclarecer mais alguns pontos aos nossos leitores:

      Desconheço qualquer artigo onde Jancis Robinson tenha afirmado que o Salton Talento 2005 seja “o melhor vinho do Brasil”. O que existe é um artigo de sua assistente, Julia Harding, com o review de vários vinho brasileiros, entre eles o Talento 2004 e 2002. Colei o link abaixo para todos tomarem conhecimento:

      http://www.jancisrobinson.com/articles/20070611_3.html

      As duas safras do Talento foram bem avaliadas, embora em parte alguma Julia afirme que é “o melhor vinho do Brasil”, muito menos com endosso de Jancis Robinson. Esse artigo já é um pouco antigo, caso você conheça alguma nova avaliação, compartilhe aqui no QVinho.

      Quanto aos Top 10 da Expovinis, achei uma ótima definição, escrita pelo Roberto Gerosa, justamente num artigo sobre os Top 10 da Expovinis 2009:

      “É uma boa referência? É. São de fato os dez melhores vinhos da feira? Não. É do jogo. Participa quem quer, se exibe quem fatura”

      Artigo completo aqui:
      http://veja.abril.com.br/blog/vinho/blog-do-vinho/os-10-melhores-vinhos-da-feira-%E2%80%93-e-como-foram-julgados/

      A afirmação “é do jogo” diz tudo. Sabias palavras.

  • http://www.paposdegourmet.com.br César Nicolini

    Concordo plenamente, o melhor corte do vinho deve mudar a cada safra. É uma pena que muitas empresas ainda brinquem com nossa inteligência, pensando que os consumidores não entendem nada. Eles deveriam ser os primeiros a nos encher de informações e educar o público em benefício do vinho.

    Parabéns pelo site e pela coragem.

  • http://vimvinhovenci.blogspot.com Fabiana Andrade

    Sou fã dos vinhos da Salton, apesar de nunca ter provado as linhas Desejo e Talento. Achei muito interessante sua crítica, de fato parece que está faltando arte na produção destes dois rótulos!

    A partir de agora com certeza vou prestar atenção nos detalhes de assemblage antes de escolher um vinho.

    • http://www.qvinho.com.br Jomar

      Não se esqueça daquilo que disse: um vinho deve ser julgado pelo seu valor no copo. Fichas técnicas detalhadas são importantes, porém não devem ser encaradas como um indicativo de qualidade. Na Europa é comum encontrarmos ótimos vinhos, principalmente de pequenos produtores, que sequer possuem ficha técnica. Também não é difícil de achar vinhos com fichas super detalhadas, que enaltecem cuidados minuciosos, mas que não empolgam no copo. É preciso bom senso, essas fichas devem ser analisadas tecnicamente. Vinícolas não são obrigadas a divulgar informações técnicas, embora seja uma prática comum e altamente recomendável. Uma boa ficha deve relatar o histórico da colheita, origem das uvas, seleção de cachos, detalhes da maceração, tempo e temperatura de fermentação, tipo de maturação, dentre outros detalhes. Um fator primordial é frequentemente omitido: o rendimento por planta. Esse dado é deixado de lado, não só pela Salton, mas por inúmeros produtores, simplesmente por ser um componente intimamente relacionado a qualidade e ao preço de um vinho. No caso da Salton, a espartana ficha do Talento é bem parecida com a do Volpi Cabernet Sauvignon, exceto pela seleção do vinhedo, a maceração pré-fermentativa, a maturação em barricas francesas novas e a produção não regular. Somente esses dados não justificam a diferença de preço entre os dois vinhos. Tecnicamente, pelos dados revelados no site da Salton, o Talento deveria ser um pouco mais caro que o Volpi, no entanto custa 2x mais. Acredito que a diferença seja justificada pelo rendimento por planta, que deve ser menor no Talento. É óbvio que cada um cobra o que quer, mesmo que pessoas questionem a relação qualidade / preço. Vejo as principais vinícolas brasileiras investindo pesado no lançamento de vinhos ditos “ícone, premium, super premium”, vejo muita degustação arranjada, vejo trabalho contínuo de assessoria de imprensa, agora francamente, não vejo muitos argumentos enológicos que justifiquem os preços.

  • Vitor

    Acrescento que experimentei também o Pizzato Merlot 2005, mas tive a mesma opinião.

  • Vitor

    Parabéns pela coragem de expressar essa opinião, quando todos vão no sentido contrário.
    Continuo (e lamento isso) não me animando com os nacionais. Experimentei 03 deles recentemente – Miolo Terroir 2005, Salton Talento 2005 e Miolo Quintal do Seival Castas Portuguesas 2005 – e, na minha opinião, nossos tops estão no nível da linha básica dos chilenos e argentinos. Não acho que valham mais que R$ 50,00. Mas, recentemente, quem fala isso só tem apanhado da grande massa, e por isso o elogio ao corajoso post.

  • Mozer

    Engraçado, nunca degustei esse Salton Talento, mas só de olhar pro rótulo apelativo já me dá uma impressão que é muita polpa mesmo…
    Excelente critica, parabéns pelo blog.