Casa Silva Micro Terroir Los Lingues Carmenere 2006

Casa Silva Micro Terroir Los Lingues Carmenere

Confesso que tenho um pé atrás com a uva Carménère, variedade que virou a queridinha das vinícolas chilenas na última década. Na realidade o problema não está na uva, mas sim na ânsia (ou ganância) dos produtores, que viram nesta variedade uma grande sacada de marketing. A Carménère é uma variedade francesa, mas como foi esquecida pelas bandas de lá, os chilenos trataram de se apropriar dela, inundando o mercado com rótulos de qualidade duvidosa, porém imbuídos de um certo charme de exclusividade. Mas e aí, a Carménère do Chile é realmente uma uva de primeira grandeza? Bom, várias vinícolas estão empenhadas em provar o valor da Carménère, geralmente empregada em cortes, mas poucas conseguem um resultado de alto nível com um 100% Carménère. Como bons exemplos, podemos citar o Carmin de Peumo da Concha y Toro (91% de Carménère, o resto Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc) e o Santa Carolina Herencia (94% de Carménère, o resto Cabernet Sauvingnon e Malbec), que são os melhores vinhos feitos com grandes proporções de Carménère. Ainda temos o Clos Apalta, que nas últimas safras contém mais de 60% de Carménère, uma proporção considerável. Mas não existe um 100% Carménère de alto nível? Pois é, todos os grandes vinhos chilenos, aqueles que são vendidos a preços absurdos, são cortes de diferentes variedades de uva. É verdade que a Carménère ganhou espaço nos últimos anos, mas por que a Concha y Toro não tem um Carmin de Peumo e um Carmin de Los Lingues, ambos 100% Carménère? Parece que os chilenos não acreditam muito no “diferencial de terroir”, ou melhor dizendo, não acreditam que um Carménère de Los Lingues seja consideravelmente diferente (para a percepção de um consumidor) de outro de Peumo, caso contrário fariam vinhos de vinhedo único, como já é feito na Argentina com inúmeros Malbecs de alto nível.

O Micro Terroir Los Lingues é um raro exemplar 100% Carménère (pelo menos não descobri informação contrária), feito pela tradicional Casa Silva de Colchagua, vinícola que conta com Mario Geisse como enólogo. Já estivemos na Casa Silva e relatamos nossas impressões aqui no blog. Vale ressaltar que a Casa Silva dedicou especial atenção ao Micro Terroir, um projeto ambicioso de mapear cada pedaço do vinhedo de Los Lingues. O site WineAnorak elaborou um post completo sobre esse projeto. O Micro Terroir Carménère é considerado por muita gente um dos melhores vinhos feitos com essa variedade, também penso assim, mas acredito que o seu único problema seja o preço. Na faixa de R$250 existem muitas opções de ótimos vinhos, principalmente de Portugal, Espanha, Argentina e Uruguai; deixando o Micro Terroir Carménère numa situação complicada. Só para exemplificar, no mesmo patamar de preço posso comprar um vinho top do Douro como o Quinta do Vale Dona Maria, que oferece um refinamento que a Carménère sozinha nunca terá. A análise visual do Micro Terroir revelou um vinho de cor púrpura escura, mas com certa transparência. Ao nariz é intenso, com aroma de frutas negras maduras, tabaco; notas mentoladas e herbáceas deixam claro a sua origem. Na boca é excelente, super macio, com taninos finos e ótimo equilíbrio entre acidez e álcool. Bom final de boca, embora pudesse ser mais longo. É bem chileno ao nariz, sem nenhuma surpresa, mas na boca mostrou-se bem acima da média, convencendo com sua textura sedosa e suculenta. O Micro Terroir é bem gostoso de beber, mas definitivamente não tem um refinamento aromático para elevar o status da Carménère.


Importadora: Vinhos do Mundo
Preço: R$260
Grad. Alcóolica: 14,5%

  • ADRIANO JOSE FIGUEIREDO

    ola… queria saber como e onde consigo micro terroir para importaçao….

  • Carlos Parra

    Comentario MEDIOCRE! Nao entende nada de carmenere! Esta cepa desapareceu da europa decido a uma praga, nao foi esquecida como diz o autor. Os franceses vieram ao Chile e encontraram a cepa e os chilenos pensavam que era cabernet souvignon. E uma cepa fantastica para quem gosta de um vinho frutatado, tanico e “redondo”. Esse terroir provavelmente e um dos melhores carmeners do mercado

    • http://www.qvinho.com.br Jomar

      Na verdade ninguém entende de camenere, só os chilenos, que por necessidades mercadológicas, viraram especialistas nesta variedade. Realmente desapareceu da França, mas hoje pode ser facilmente replantada, mesmo assim não desperta grande interesse e por isso escrevi que foi “esquecida”. A praga mencionada é a philoxera, que destruiu tudo, não somente os vinhedos de carmenere.

  • http://www.qvinho.com.br Jomar

    Caros Rodrigo, Elmo e Carlos, eu comprei este vinho no Chile, justamente pelas razões expostas. Comprei motivado pela crítica positiva, mesmo não sendo um fã de carmenère. Este Casa Silva é realmente muito gostoso, extremamente bem feito, sem aquelas camadas de madeira e fruta super madura que encontramos em outros exemplares chilenos. É mais fresco que outros carmenères top, por isso apresenta algumas notas herbáceas. Ponto para a Casa Silva, que conseguiu fazer um carmenère gostoso sem amadurecer as uvas ao ponto de geleia. O problema é que nessa faixa de preço encontramos vinhos mais refinados, principalmente da Argentina e Portugal. Não sou muto fã da paleta aromática típica do vinho tinto chileno, com aquelas notas herbáceas muito evidentes, Recomendo este rótulo apenas para os fãs de vinho chileno.

    Quanto ao Arboleda, sei que relatei como 100% carmenère, mas a safra de 2009 já conta com 10% de syrah. A grande maioria dos vinhos ditos carmenère costumam ter 10% (as vezes mais) de alguma outra variedade com maior acidez. Isso é normal no Chile e muitas vinícolas não fazem menção ao corte.

  • http://winds_br@yahoo.com Carlos Rosa

    Fala Jomar,
    Sempre acho ótimos seus comentários (e te digo isso no fb), mas acabei de tomar um Arboleda Carmenere 2007 (100% Carmenere) e não posso concordar com seu comentário. Até porque você mesmo (em post anterior) havia falado maravilhas deste vinho. Acho que o Chile exagera na exploração desta uva e faço coro com os comentários acima que vale mais a pena comprar in loco do que no Brasil. Mas existem certos Carmeneres puros que ainda valem muito a pena. Arboleda, Grey e Montes Alpha (só para citar os que mais gosto). Mais uma vez parabéns pelos post’s que me ensinam tanto!! Abraços

  • ELMO

    Jomar, meu caro, vou concordar com vc que essas modinhas de cepas-símbolo normalmente tem um efeito manada péssimo, ou seja, uma profusão de vinhos ruins porque o mercado garante o consumo . Shiraz australino, tannat uruguaio, malbec argentino, e agora querem forçar a Merlot brasileira… aiai… De qualquer modo, vc conhece o assunto e saber que o Mário tem a mão muito boa pra coisa, e essa idéia do microterroir é uma delícia por si. Um Carmenere borgonhês! heheheh. Quanto ao preço, a mesma história de sempre: tá valendo a pena comprar uma passagem de ida e volta a Santiago só pra ir no freeshop trazer uma dúzia de vinhos! rss. ABRAÇO!

  • Rodrigo Almeida

    Este é um vinho para se comprar na vinícola, pois a preço de lá no Chile, sai por uns 80 a 100 reais.

    Acho que foi isso que paguei por uma garrafa que comprei quando estive na Casa Silva no início de 2010.

    O Quinta Generacion sai por 40 +/- e o Altura, por uns 120.

    Sem dúvidas muito masi acessíveis que no nosso Brasil… Para quem vai ao Chile, recomendo Micro Terroir, e demais citados…