Loma Larga Malbec 2007

Tenho a impressão que certos casamentos nasceram para brilhar. O que dizer da Malbec e a Argentina? Uma feliz união que foi capaz de projetar a até então menosprezada e desconhecida casta originaria da França à posição de uva emblemática da Argentina. A expressão da Malbec na Argentina alcançou um patamar de qualidade que virou uma espécie de benchmark da categoria. Rótulos da França, Chile ou de qualquer país que se aventurem com essa uva, serão, inevitavelmente, objeto de comparação com os Malbecs tops argentinos. Quem poderia imaginar, não é mesmo? Malbec de Cahors? Não provei nenhum até o hoje que tenha me surpreendido. Muito embora essa AOC tenha evoluído bastante em qualidade nos últimos anos, os vinhos ainda buscam uma identidade e reconhecimento internacional. O Chile também deu alguns passos para produzir vinhos de Malbec e determinadas vinícolas já apresentaram bons resultados, contudo, verdade seja dita, ainda é prematuro comparar esses rótulos com os Malbecs expoentes da Argentina.

De qualquer modo vale a pena comentarmos sobre o Loma Larga Malbec, seja pela importância dessa vinícola ou por simples curiosidade quanto ao desenvolvimento dessa varietal em terras chilenas. Fundada por Patrício Diaz, um bem sucedido advogado de Santiago, a Loma Larga é uma vinícola chilena relativamente jovem que teve sua estreia no mercado com a safra 2004. Atualmente a Loma Larga conta com 147 hectares de vinhedos localizados no Vale de Casablanca, e está focada na produção de vinhos varietais premium, além de um assemblage de Syrah, Cabernet Franc e Malbec, o Rapsodía. A posição dos vinhedos no frio e fresco Vale de Casablanca proporcionou a vinícola excelentes resultados com os vinhos tintos, em especial o Syrah e o Cabernet Franc. O Malbec, que utilizou uvas colhidas no início de maio, também chamou a atenção de muitos críticos, razão pela qual resolvemos degustar esse rótulo aqui no QVinho.

Confeccionado a partir de vinhedos jovens de Malbec (plantados em 2001), o vinho leva em sua composição 5% de uvas Syrah e passa 12 meses em carvalho francês. Ao se apresentar, uma cor negra, sem espaço para transparência. O nariz é bem agradável com um aroma cheio de frutas negras maduras como cerejas e amoras, também se percebe um leve fundo herbáceo. Algumas notas especiadas e um bom equilíbrio com a madeira. Na boca esse Malbec revelou uma estrutura mediana, com taninos polidos e ótima acidez. Já o final de boca não chega a empolgar; pouco persistente e álcool se sobressaindo.


Um Malbec chileno fresco e agradável, com bom potencial gastronômico, mas que não chega a altura dos vizinhos dessa mesma faixa de preço.

Grad. Alcoólica: 14,5%
Preço: R$127
Importadora: Terramatter

  • Martha Cristina Storino

    Gostaria de saber onde encontro o vinho Loma Larga Unfiltered Malbec 2008 para compra.

    Sds.

  • Carlos Eduardo Rodrigues

    Prezado Jackson, mais uma vez parabéns pelo empenho em tentar trazer a nós leigos um pouco de conhecimento sobre rótulos ainda pouco divulgados ou conhecidos.
    E uma pergunta, supondo que eu tivesse dinheiro para apenas uma garrafa, e quizesse adquirir um bom malbec argentino como os que citou logo acima, adquirindo o Rutini ou o Catena, à que temperatura seria ideal serví-los?
    E, caso estes possuam características parecidas, quais queijos poderiam acompanhar meu vinho para uma boa harmonização?
    Seria possível um corte de carne, não sei se bovino ou cordeiro, harmonizar satisfatóriamente também?

    Atenciosamente,

    • http://www.qvinho.com.br Jackson

      Olá Carlos, muito obrigado por prestigiar nosso trabalho. Você pode servir esses vinhos a uma temperatura entre 16º e 18ºC. Quanto aos queijos, sinceramente, eles não são fáceis para harmonizar com esses vinhos encorpados. Aliás, é muito mais adequado combinar a maioria dos queijos com vinhos brancos, ainda mais se forem os de massa mole. Já em relação as carnes você não terá problemas; todos esses rótulos harmonizam com carnes de gado e molhos mais fortes, da mesma forma com o cordeiro. Grande abraço

  • http://www.qvinho.com.br Jackson

    Olá Marcio,

    Obrigado por participar do debate e compartilhar conosco as suas impressões quanto ao Loma Larga Malbec. Vale ressaltar que os vinhos que vocês importam são excelentes, até porque o projeto da Loma Larga é fantástico, porém em relação a esse Malbec, acredito que exista um pouco de pretensão em colocá-lo no patamar de alguns tops Argentinos. E por que? Para início de conversa estamos falando de um rótulo relativamente novo, com vinhas plantadas em 2001; ainda que a produtividade por hectare seja baixa e o volume engarrafado também, isso necessariamente não é garantia para se obter um grande vinho. Claro, é um ótimo indicador e de fato contribui com a qualidade final. Por outro lado é fato notório que os grandes Malbec argentinos provem de vinhedos velhos, e não é a toa essa matéria prima de qualidade somada ao talento de muitos profissionais tem resultado em vinhos fantásticos.

    O Loma Larga Malbec é um vinho muito bem feito e gostoso, e ao que tudo indica, nos próximos anos os resultados com essa casta podem evoluir muito. Quanto a história do vinho ser de clima mais frio e por isso vai proporcionar mais elegância e menos notas adocicadas ou de carvalho, acho que você se precipitou um pouco. Claro o clima impacta bastante, mas não vamos misturar caraterísticas de terreno com técnicas de vinificação, senão o balaio vai ser grande. Ah, outra coisa, não vamos colocar no mesmo patamar vinhos argentinos baratos – muitos deles “sucos de carvalho”, alcoólicos e com fruta exageradamente madura – com os rótulos de Malbec Premium obtidos de vinhedos velhos (90 anos) não irrigados, baixíssima produtividade e confeccionados a partir das melhores técnicas de vinificação. Independentemente da questão de estilo, que de fato existe, alguns vinhos são excelentes e outros nem tanto, não importa de que parte do mundo eles venham. Ou não se produz porcaria na França? Ou mesmo Itália, Austrália e EUA?

    Só para encerrar vou apenas me deter a a sua afirmação de que “não existe nenhum vinho premium chileno ou argentino Malbec nessa relação qualidade preço”. Sinceramente eu discordo. Poderia citar uma dezena de rótulos nessa faixa de preço que eu considero ótima compra. Vou começar por um clássico, que possui uma produção 7 vezes maior (4.200 caixas) que o Loma Larga Malbec, praticamente o mesmo preço final (R$ 130), mas que para o meu gosto é um vinho superior:

    1. Catena Alta Malbec 2006 (R$130)
    2. Rutini Malbec 2005 (R$115)
    3. Cadus Malbec 2005 (R$160)
    4. Mendel Malbec 2007 (R$97)
    5. Alfa Crux Malbec 2005 (R$168)
    6. Obra Prima Reserva Malbec 2005 (R$70)
    7. Fabre Montmayou Gran Reserva Malbec 2008
    8. Achaval Ferrer Malbec 2005 (R$97)

    Respeito a sua opinião Marcio, mas me sinto na obrigação de auxiliar os consumidores brasileiros mais leigos nesse assunto. E, se a comparação puder ajudar na decisão dessas pessoas, por que não fazer? Vamos supor que um consumidor tivesse dinheiro suficiente para comprar apenas uma garrafa dentre os rótulos dessa vinícola, o que eu recomendaria? Muito provavelmente o Syrah 2007 ou o Rapsodia 2007.

    Abraço

  • Marcio Moualla

    Estimado,

    Primeiro gostaria de te dar parabéns ao seu site.

    Quanto a degustação do Malbec Loma Larga 2007 é importante algumas considerações. Primeiro é um Malbec de zona fria, ao contrário da maiorida dos malbecs argentinos e alguns chilenos.

    Claramente quem ganha com isso são as pessoas que não gostam dos aromas proveniente da madeira ou mesmo de um vinho de clima quente com notas adocicadas e tostadas. (tanto pela excessiva busca de maturidade, quanto pelo excesso de alcool fruto dessa busca)

    Ainda relatando sobre a uva Malbec ou Cot claramente que existe dois expoentes totalmente diferentes e sem nenhuma ligação. os de estilo francês e o argentino.

    Acho só que o penúltimo parágrafo existe um certo equivoco. Que um vinho Premium com uma produção de só 600 caixas e de apenas 4 mil kgs por hectárea não deveria ser colocado como abaixo dos vizinhos já que não existe nenhum vinho premium chileno ou argentino Malbec nessa relação qualidade preço.

    Sempre em uma degustação o desgustador dá sua opinião a respeito mas devemos evitar comparações de classes de vinhos diferentes.

    é só uma humilide opinião de quem vive no Chile e degusta essa cepa de todas as vinícolas que existem por aqui.

    Abraços,

    Marcio

  • http://www.vivendoavida.net silvestre

    Bom dia,

    A linha LomaLarga é muito interessante, já provei o Sauvignon Blanc, fresco e com boa acidez.
    Agora vou provar a sua dica o Malbec !
    Parabéns pelo site, excelente !