T.H. Carignan Undurraga 2009

TH-Undurraga

No últimos tempos tive a oportunidade de provar uma série de rótulos chilenos de Carignan. E de modo geral, posso afirmar que a qualidade desses vinhos está realmente surpreendente. No último evento da ViniVinci provei com exclusividade um dos mais recentes vinhos da linha premium de José Manuel Ortega Fournier, O. Fournier Maule 2008 (R$248), e confesso que fiquei impressionado. Um vinho único, rico, com todos os predicados de um grande vinho, simplesmente fabuloso! E como se não bastasse, também encontramos Carignan deliciosos em faixas de preço mais acessíveis, como é o caso do Santa Ema Carignan (R$110), ou mesmo o bestby Santa Carolina Specialties Dry Farming Carignan 2008 (R$55).

Embora tenha chegado ao Chile em meados do século XX, a Carignan figurou durante muitos anos na mais completa obscuridade, sendo utilizada apenas para dar mais cor e acidez em outros vinhos. Na DO Maule encontramos grande parte dos vinhedos da Carignan, que chegam a ter 50 anos ou até 80 anos de idade. Os vinhedos velhos, não irrigados, estão plantados em solos pobres e manejados pelo sistema Gobelet, como arbustos; e o resultado é a baixa produtividade (cerca de 6 mil Kg/Ha ou até menos) de uma cepa que é naturalmente muito exuberante e produtiva. Vale ressaltar que é exatamente a idade dos vinhedos, um dos grandes trunfos dessa nova geração de vinhos Carignan, que apresenta vinhos muito finos e profundos. Longe da monotonia que muitos vinhos se transformaram -mascarados pela madeira e incapazes de mostrar os nuances do solo e do clima de onde foram produzidos -, os novos vinhos de Carignan representam renovação. E por mais paradoxal que isso pareça, a renovação vem de vinhedos muito velhos que estavam abandonados e produzindo vinhos medíocres.

A Viña Undurraga – com mais de 120 anos, umas pioneiras da vitinicultura no Chile – integra um pequeno grupo de vinícolas chilenas que estão trabalhando em prol do desenvolvimento da uva Carignan no Vale do Maule. O enólogo Rafael Urrejola faz parte do time dos defensores desse projeto, e a sua linha de rótulos T.H (Terroir Hunter), nasceu de uma busca dos microterroir que melhor representam a diversidade chilena. É o caso do TH Carignan, um vinho de produção limitada (1.010 caixas), obtido de uvas de vinhedos velhos de pequenos quartéis de duas zonas no Maule, sendo uma delas um pouco mais fresca, Locomilla (58%) e outra mais quente, Cauquenes (42%); onde 60% do vinho estagia por 16 meses em barricas novas de carvalho francês. Cor violácea viva, com certa transparência, o TH Carignan revelou um bouquet perfumado e de boa intensidade, marcado por frutas frescas com cerejas e amoras, algo floral, além de notas de cedro e baunilha. Sem dúvida uma ótima integração com a madeira. Na boca mostrou boa estrutura, taninos finos e redondos, além da acidez marcante e típica da Carignan. Um vinho equilibrado, de final persistente e delicioso.


Importadora: Mr. Mann
Preço: R$78
Grad. Alcóolica: 14,5%

  • Elmo

    Jackson, meu caro, ótima pedida destacar a Carignan chilena. O Tapia vem cantando essa bola desde o Descorchados 2009, e realmente, a monotonia da Carmenere (difícil, e agora na onda de discurso macaquete como aconteceu com a Malbec), deveria ser quebrada com novas idéias. O Morandé Edicion Limitada de Carignan também é digno de nota. Abraços!

    • http://www.qvinho.com.br Jackson

      Olá Elmo, é verdade, a Carignan tem surpreendido muito gente. O Tapia já conheceu bem o projeto que esta sendo trabalhado por muitas vinícolas para projetar a região do Maule, e em especial a uva Carignan, por isso ele fala com muita propriedade. Particularmente, gostei muito dos resultados dessa nova geração de vinhos chilenos de Carignan, e foi bom que você lembrou do Morandé, sem dúvida, outro excelente rótulo de Carignan. Claro, ainda pode-se evoluir muito com essa varietal, mas o caminho é realmente muito promissor.

      Grande abraço,