Como de costume, nessas férias provamos muitos rótulos novos. Alguns deles sequer merecem comentários, já outros fiz questão de anotar as impressões. Um dos vinhos que me chamou a atenção foi o Ventolera Pinot Noir 2007 da Viña Litoral. O vinho em si não chega a impressionar e, ainda está longe de figurar no time das grandes estrelas chilenas, mas levando-se em consideração que se trata da primeira safra já podemos visualizar um futuro promissor para essa jovem vinícola. Quanto a Pinot Noir, não tenho dúvidas, ainda veremos ótimos vinhos nos próximos anos, em especial os provenientes das regiões mais frias e próximas da costa. Sem falar que muitos produtores estão usando o carvalho com mais moderação, e o resultado são vinhos mais originais e gostosos de beber.
A Vina Litoral é resultado de uma parceria entre Vicente Izquierdo e Ignacio Recabarren (enólogo da Viña Concha y Toro), com o objetivo de produzir vinhos, principalmente brancos e Pinot Noir, com a expressão típica do terroir do Vale de Leyda. Em 2008, o projeto se materializou com a construção da pequena, mas moderna Ventolera Winery, localizada em San Juan de Huinca. Como convém a todas vinícolas modernas, sua construção em diversos níveis favorece a produção por gravidade, e além disso, um projeto de exploração eólica garante a energia para toda a vinícola. Esse Pinot apresentou uma bela cor rubi, com transparência e um bouquet de intensidade média. Aromas de cerejas e amoras negras, mas não é dos mais frutados; nota-se uma presença mineral com um fundo levemente tostado. Estrutura mediana, taninos maduros, com um final frutado de boa duração e bem alcoólico.
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Pinot Noir gostoso, e com mais tipicidade do que muitos dos seus irmãos sul-americanos mascarados demais pela madeira, porém o preço elevado é o seu maior entrave.
Grad. Alcoólica: 14,5%
Importadora: Casa do Porto
Preço: R$160






Caros, achei o preço proibitivo. Já provaram o Villard? Nem sei se é importado… mas parece que a honestidade da fruta, a contenção com a maquiagem que a madeira dá pode ser a nova onda da PN chilena. Achei proibitivo o preço que vcs referenciaram para o Ventolera. A PN, depoisd e Sideways, parece ter despontado agregando excessivamente valor. Aliás, diga-se de passagem: pouca gente entende a Pinot como se deve, e os produtores parecem estar atropelando os bois, ou seja, antes de consolidarem a uva estão aproveitando a maré pra lucrar, e bem. Quantos Cabernet ou mesmo Syrah chilenos merecem mais crédito em qualidade e essência e talvez custem a metade desse PN… no mais, mesmo que com postagens muito espaçadas nesses tempos, o site continua excelente.
Caro Elmo, a pinot é a atual queridinha da indústria vitivinícola chilena. Note bem que disse “indústria”, por isso o resultado não poderia ser outro: vinhos comerciais, bem ao gosto do mercado americano. Mas as coisas já estão começando a mudar, na minha última visita ao Chile conversei com alguns enólogos que demonstraram vontade de produzir vinhos menos focados na potência. Já podemos encontrar alguns belos exemplares dessa nova onda, notadamente o Miramar Syrah da Casa Marin e alguns poucos pinots, como o Montsecano e Villard. A pinot apresenta grande potencial nas regiões costeiras do Chile, mas há muito trabalho pela frente. Quanto aos preço, é aquele velho problema (que também ocorre no Brasil), o produtor mal começa um projeto vinícola e já lança um suposto “vinho ícone”, amparado por um marketing capenga e uma certa demanda reprimida. Existe muito otário disposto a pagar caro por vinhos, digamos, mais “exclusivos”.