Viña Amayna

O Chile está em busca de uma maior compreensão do seu terroir e nesse processo existem duas tendências bem claras (e opostas): achar o melhor terreno para a Carménère – geralmente em locais mais quentes;  e explorar as zonas mais frias próximas ao oceano – adequadas para variedades brancas, porém com igual vocação para Pinot Noir e Syrah. Já abordamos sobre a Carménère e a sua ótima adaptação a Colchagua quando escrevemos sobre a Casa Lapostolle, Montes e Casa Silva. Agora chegou o momento de tratar dos vinhos de clima mais frio, que tem como berçário as regiões de Casablanca e Vale de Leyda. Viajei ao Chile para ver de perto e entender porque quase todos os produtores chilenos compram uvas dessas regiões. Como sempre falta tempo, concentrei os meus esforços apenas no Vale de Leyda, deixando de lado as visitas as vinícolas do Vale de Casablanca, muito embora tenha provado inúmeros vinhos desta região.

Todos querem uvas do Vale de Leyda, mas poucos possuem terras nessa zona, por isso a Viña Garces Silva é privilegiada. A família Garces Silva é uma das pioneiras no Vale de Leyda, começaram a plantar uva por volta de 10 anos atrás. Atualmente possuem pouco mais de 30 ha de vinhedo, principalmente de Sauvignon Blanc e Syrah, mas também com Pinot Noir, Chardonnay, Gewurztraminer e Sauvignon Gris. A pequena bodega é de notável beleza, seu visual é moderno e muito funcional. O teto curvo, inspirado na sinuosidade das colinas do vale, quase não perturba a paisagem local.

A linha de vinhos Amayna é moderna, com muita fruta tropical e textura sedosa, porém sem a obviedade típica de muitos rótulos sul-americanos. Seus vinhos possuem um bom frescor, graças a ótima acidez natural e boas práticas de enologia. A minha visita foi guiada pelo enólogo Francisco Ponce, no vídeo abaixo o próprio Francisco explica a filosofia da Amayna.

Sauvignon Blanc 2008 – R$60

Esse é o meu vinho preferido da Amayna e seguramente está entre os melhores Sauvignon Blanc do Chile. Não é barato, mas também não está entre os mais caros, por isso sempre vale a pena comprá-lo. No início esse 2008 mostrou-se um pouco tímido ao nariz, mas depois de alguns minutos o copo encheu-se de frutas tropicais; maracujá com toques minerais e cítricos. Ótimo na boca, encorpado e sedoso, sem perder em frescor. Não chega a ter um final de boca longo, em compensação a intensidade no nariz e a textura untuosa na boca compensam.

Sauvignon Blanc Barrel Fermented 2007 – R$85

Uma das especialidades da Viña Garces Silva é um surpeendente Sauvignon Blanc fermentado em barricas de carvalho. O insight para produzir esse vinho nasceu do desejo de um estilo intermediário, menos amanteigado e tropical que o típico Chardonnay chileno. Não sou muito fã de Sauvignon Blanc barricado, francamente não vejo porque agregar os aromas e texturas da madeira, mesmo assim o resultado é bom. Nariz intenso e com boa complexidade, um misto de frutas grelhadas, sutil toque mineral e notas de baunilha. Na boca é encorpado, cheio e cremoso, sem ser monótono. Final de boca muito agradável e frutado.

Chardonnay 2007 – R$62

O Amayna Chardonnay não decepcionou, mostrando personalidade e elegância na medida certa. Fermentado em barricas de carvalho, sendo 50% novas e 50% de segundo uso. Aromas de ótima intensidade lembrando pêssegos amarelos, abacaxi e muitas notas tostadas. Boa untuosidade na boca, equilibrada por uma acidez correta. Esse chardonnay é bem sedutor e agradável, feito num estilo mais fresco que muitos do Vale de Casablanca.

Pinot Noir 2007 – R$85

Gostei desse Pinot Noir, afinal não sofre de um problema comum a muitos pinots chilenos: excesso de madeira. No início da degustação estava fechado, com um pouco de tempo revelou sedutores aromas de cerejas e amoras, notas terrosas e de cacau também aparecem. Muito bom na boca, com taninos de qualidade e acidez presente. Final de boca agradável com boa persistência.

Syrah 2007 – R$80

A Viña Garces Silva faz um Syrah incrível na sua faixa de preço, muito concentrado, intenso e equilibrado. Nariz repleto de frutas vermelhas, além de evidentes notas florais e toques tostados do carvalho. Encorpado e com taninos firmes, ainda jovens, que certamente permitirão uma boa evolução para este vinho. Ótimo final de boca. Uma barganha frente a outros syrah chilenos muito mais caros.

Importadora: Mistral

Visitas:

A Viña Garces Silva fica na região de Leyda / San Antonio a pouco mais de 100km de Santiago. Para chegar lá siga as indicações na página da Amayna. Veja também a localização exata pelo Google Maps:

Veja o mapa da região

* * *

Este post faz parte da série On the Road 2009. Clique aqui |+| para ler mais artigos sobre o Chile e a Argentina. Clique aqui |+| para ler sobre outras viagens dos editores.

  • Pingback: Ventisquero: Vindima 10 anos | QVinho

  • Pingback: Receita: Atum grelhado ao molho de ervas

  • Rodrigo Almeida

    Leonardo, no site da Mistral vc pode comprar os vinhos, e pagar o frete. Dá em torno de R$ 35,00 para comprar 6 garrafas. Pode valer muito a pena, pois comprei lá alguns vinhos, e mesmo pagando o frete os preços ficaram bem menores que na loja que representa a Mistral aqui em Recife. Abraço…

  • Leonardo

    Jomar,
    Mais uma vez encantadora a matéria, parabéns!. Concordo plenamente com você, sobre o Sauvignon até hoje foi o melhor chileno desta casta que provei, o barricado me pareceu “maqueado”, perdeu um pouco a identidade da casta.
    Outro que me marcou muito foi o Pinot.
    Me permita elogiar ainda mais o Amayna Pinot Noir, é fantástico! Provei um 2005 e me marcou muito a elegância e os aromas terrosos “sous-bois”.
    Embora você tenha mencionado os preços, (acredito que do site da Mistral) esses vinhos aqui em Recife chegam aos R$170,00. Um verdadeiro absurdo! Vale sempre ressaltar a ganância de alguns distribuidores…
    Sds,
    Leonardo

    • http://www.qvinho.com.br Jomar

      Opa! Valeu Leonardo! Também gosto muito do Pinot da Amayna, que sempre tem um toque muito agradável de “sous-bois”. Nessa minha última viagem provei vários pinots, fiquei encantado com 2: o Amayna e o Errazuriz Wild Ferment 2008. Este último é incrível, vou falar dele no post que farei sobre a Errazuriz. Fiquei um pouco decepcionado com o pinot da Casa Marin (Lo Abarca 2006), feito num estilo com muita madeira, mesmo assim tem qualidade.

  • joaogi

    só me esclareça uma coisa: a viña garces silva assina amanyna em todos os seus vinhos?
    belas fotos!!

    • http://www.qvinho.com.br Jomar

      Correto, a Garces Silva faz apenas 5 vinhos, todos eles assinados como Amayna.

  • Eloise

    Gostei muito dos vinhos da Amayna. O Syrah estava muito bom e o Sauvignon Blanc 2008 ótimo.

  • Pingback: Tweets that mention Viña Amayna -- Topsy.com