Viña Santa Carolina aposta na renovação

Há pouco mais de um ano, em janeiro de 2010, recebi pela primeira vez um convite para a visitar a Viña Santa Carolina, porém um trágico acontecimento interrompeu essa empreitada: o terremoto de 27 de fevereiro. O abalo sísmico que teve seu epicentro no mar do Chile, atingiu magnitude 8.8, e foi considerado o segundo mais forte desde o terremoto de Valdivia, em 1960. As perdas humanas e materiais foram significativas, principalmente na região metropolitana de Santiago, Valparaíso, Maule e Biobío. Obviamente, muitas vinícolas chilenas tiveram enormes prejuízos. E, com a Santa Carolina não foi diferente. Construções históricas da vinícola, que datam de 1875, foram gravemente afetadas, sem falar do vinho que jorrou pelos tanques de aço inoxidável, uma perda equivalente a 3 milhões de garrafas.

Vinhedos_Casablanca

Por isso, quando recebi novamente o convite da Santa Carolina e das importadoras Porto a Porto e Casa Flora para visitar o Chile e conhecer as novidades da vinícola, fiquei muito feliz. Foi interessante verificar de perto tudo de positivo e borbulhante que está se passando numa das vinícolas mais tradicionais do Chile. Ainda em relação ao terremoto, confesso que fiquei impressionado com a força do povo chileno de agir diante de uma adversidade dessa dimensão, e principalmente, da capacidade de resposta que proporcionou uma reconstrução rápida de muitos lugares que tinham sido completamente destruídos. Na Santa Carolina, por exemplo, foram priorizados investimentos na reconstrução das áreas voltadas à produção, e até maio deve ser reinaugurada e aberta a visitação ao público da casa histórica da vinícola, totalmente restaurada. Nessa primeira fase foram investidos cerca de US$ 3 milhões, e até novembro novos espaços de degustação e recepção de turistas devem ser inaugurados.

Chardonnay_Casablanca

Na verdade, as boas notícias não param por aí. A Carolina Wine Brands, sob a gerência geral de Santiago Larraín está imprimindo um novo ritmo ao seu portofólio de marcas, que inclui nomes como Santa Carolina, Viña Casablanca, Ochacavia, Finca El Origem e Antares. Dentro deste novo contexto, onde o lema é não ficar parado, novos pilares como foco na qualidade e na diversificação no portfólio, passaram a ser prioridades nas marcas Santa Carolina e na vinícola boutique Viña Casablanca. Aliás, quando estivemos na vinícola em 2009 (leiam o artigo completo), já percebemos essa preocupação e constatamos a evolução da qualidade em vários rótulos da vinícola. Agora, porém, ficou muito claro a dimensão desse projeto que vislumbra um horizonte de longo prazo. Por trás dessa mudança está um time jovem e dinâmico, composto por 8 profissionais, capitaneados pelo enólogo Andrés Caballero, que antes de assumir a Santa Carolina, em 2005, teve passagens por vinícolas como Rosemount Estate e Viña Montes. Outro nome forte, que está fazendo um brilhante trabalho a frente da Viña Casablanca, é a enóloga Ximena Pacheco.

Os enólogos Andrés Caballero e Ximena Pacheco

E, para alcançar a tão almejada diferenciação dos seus vinhos, os caras não estão poupando esforços. Segundo Cristián Benavente, diretor de exportação para América Latina, já estão previstos investimentos de aproximadamente US$ 9 milhões, que vão desde a aquisição de novos terroir até a construção de novas instalações para vinificação. Explorar todo o potencial dos vinhos de zonas frias tem sido um dos grandes trunfos da Viña Casablanca, uma das pioneiras nos anos 90, no plantio de vinhedos no Vale de Casablanca. Por isso, não é de estranhar que mais uma vez eles saiam na frente. Durante nossa visita, conhecemos o mais recente projeto da vinícola, uma área de 12 Ha de vinhedos plantados nas encostas das colinas. O projeto demandou três anos de pesquisas, para avaliar o potencial de uma área que até então era ocupada por eucaliptos. Após esse estudo, para conhecer o solo e identificar os varietais mais adaptados a esse terreno, em novembro de 2010, foram plantados 8 Ha de Syrah e 4 Ha de Pinot Noir. Provavelmente, em 2016, os vinhos desses blocos devem chegar ao mercado, e ao que tudo indica, podemos esperar bons resultados.

Em 2010, a Santa Carolina lançou o seu vinho ícone, o Herencia 2007, um Carmenére de altíssimo nível, que hoje está entre os melhores do Chile. E, é exatamente essa busca por maior diferenciação que também está presente na nova linha de vinhos Santa Carolina Specialties que devem chegar ao Brasil até maio custando R$50. A ideia dessa linha é exprimir o melhor de varietais como Sauvignon Blanc, Malbec e Carignan em importantes terroirs chilenos como San Antonio, Cachapoal e Cauquenes. No meu próximo post vou comentar sobre as minhas impressões dos vinhos, aguardem!

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