Cava e espumante nacional com frutos do mar


Gosto muito de vinho espumante, tanto que nem preciso de pretexto comemorativo para abrir um. É impressionante a variedade de pratos que esses vinhos acompanham, principalmente peixes e frutos do mar. Apesar dessa versatilidade, ainda vejo “apreciadores” que só bebem vinho tranquilo (principalmente tinto) e simplesmente renegam o espumante a um grau de inferioridade injustificável. Em um país como o Brasil, quente e abençoado por um imenso litoral, o consumo de frutos do mar e vinhos espumantes deveria ser bem maior. Que tal seguirmos o exemplo dos catalães? A dica é simples: acompanhe frutos do mar com Cava.

A Catalunha é uma região de clima mediterrâneo e forte tradição gastronômica; peixes e frutos do mar costumam ter destaque a mesa. Lugar de origem da Cava, estilo de vinho espumante leve e com boa presença aromática; feito com uvas locais e muito consumido para acompanhar os pratos da região. É claro que o espumante nacional desempenha o mesmo papel, no entanto resolvi falar sobre a Cava devido ao crescente ufanismo ao espumante nacional. Existe uma supervalorização ao nosso produto em detrimento da Cava, do Prosecco e até do Champagne. Certa classe de connoisseurs insiste em julgar quase toda Cava e Prosecco como inferiores ao espumante da Serra Gaúcha. Isso não é verdade, o espumante nacional não é melhor nem pior que os outros e, definitivamente, não deve ser comparado ao Champagne, que é um vinho mais estruturado e complexo. Cava, Prosecco e Espumante Gaúcho possuem certa semelhança na proposta, isto é, serem vinhos leves, refrescantes e que dificilmente apresentam muita intensidade e estrutura. Fico sem entender a razão da afirmação: “O espumante nacional é tão bom quanto o Champagne”. Na realidade, deveria ser melhor que seus similares – Cava e Prosecco – mas nem sempre é isso que observo.

A Cava Cristalino – produzida pelo método tradicional – é leve e refrescante; oferece uma cremosidade razoável e intensidade aromática muito boa. Custa em média R$ 28. Já um Chandon Excellence – produzido pelo método Charmat – que possui características similares (mais fresco e menos aromático), não custa menos que R$ 60.

Cava Cristalino Brut

Cava Cristalino BrutA Cava Cristalino Brut é produzida pela J.Garcia Carrion, um mega grupo bodegueiro espanhol. Feita pelo método tradicional (fermentação nas garrafas), empregando as tradicionais uvas brancas da Catalunha, a Macabeu, a Xarel-lo e a Parellada. Exibiu cor amarela, borbulhas médias, compondo um bom pérlage. Nariz agradável e de intensidade muito boa, lembrou frutas secas, abacaxi e notas de fermento. Na boca é leve e com acidez razoável. Final gostoso com boa persistência, sem deixar a sensação de muito açúcar residual. Poderia ser mais refrescante e cremosa, mesmo assim, considerando o preço, deixa uma ótima impressão pela intensidade aromática. A Cava Cristalino prova que pode competir com nossos melhores espumante.

Muito Bom - Best Buy
Ótima companhia para acompanhar peixes grelhados e petiscos como camarão empanado, lula à dore, casquinha de siri e muitos outros.
Grad. Alcoólica: 11,5%
Preço: R$28
Importadora: Vinoteca Brasil

  • francisco mauricio de morais

    gostaria de ter informaçoes mais aprofundada sobre espumantes tinto, sor escuto em degustaçoes peqenos comentari, sobre ele, deve ser muito interessante, de mais detailhes;;;;;;;;;;

  • Pingback: Para saber o que esperar de um vinho | Bodegas Olcaviana

  • http://www.pinord.es Alex Martins

    Jomar
    Lhe felicito pela matéria sobre o CAVA…e o espumante em geral. Valeu.

  • http://www.qvinho.com.br Jomar

    Sem dúvida Teles, não só a Cava como os espumantes nacionais. Prefira os mais encorpados.

  • Teles

    Pergunto?

    A CAVA vai BEM com uma salada de Frutos do Mar/ resfriados??
    Teles
    DE Fortaleza

  • http://www.qvinho.com.br Jomar

    Vinícius, todos os artigos são assinados. A primeira linha abaixo do título indica quem publicou o artigo. Nossos artigos são sempre de autoria própria (nunca publicamos uma linha de texto aqui que não fosse escrita por mim ou pelo Jackson). Leia mais sobre o nosso blog na página “Sobre”.

    Se você está utilizando nosso conteúdo, coloque no rodapé de cada artigo no seu blog um link que aponte para o artigo de origem do QVinho, além daquele que você adicionou no blogroll.

  • http://www.lesma-lerda.blogspot.com vinícius alves

    Gostaria de sugerir, já que posto algumas matérias daqui do QVinho no meu blog, que assinassem as matérias. é sempre bom dar crédito a quem escreve, não acham? abraço e parabéns pelo blog.

    vinícius alves

  • http://www.qvinho.com.br Jomar

    Concordo totalmente com você Vicente, apenas designo “espumante nacional” por razões de otimização de busca, isto é, as pessoas costumam procurar na internet dessa forma. Fizemos outros artigos com o termo “espumante brasileiro” e simplesmente descobrimos que essa palavra-chave é menos empregada.

    A semântica do vinho brasileiro não diz respeito a sua qualidade, além disso, o recalque com relação a importado x nacional é um problema cultural.

    Obrigado pelo elogio e pela participação no nosso blog. Abraço!

  • Vicente

    Não concordo com o termo “nacional”. Somos o único país que se refere a nossos produtos como “nacionais”, sendo que o termo, bastantes vezes, é tido como pejorativo, diminuidor da qualidade.
    Na Itália, se referem ao vinho italiano, na França, ao francês e, no Brasil, ao “nacional”. É hora de chamarmos nossos produtos de Brasileiros, defendendo a origem e tendo orgulho deles. Sempre, claro, com consciência e capacidade de auto-crítica.

    A propósito, parabéns pelo blog e pelas matérias!