Espumantes brut brasileiros (champenoise)

Chegamos ao mês de dezembro, e com ele iniciam os preparativos para as festas do Natal e do Réveillon. Essas duas comemorações, mais do que qualquer outra data festiva do ano, estão muito associadas ao consumo de espumantes. Com a proximidade das compras surgem as dúvidas, o que vale a pena comprar? As opções de rótulos disponíveis não são poucas, e as combinações podem variar conforme o método de confecção (tradicional ou charmat), corte e tipos de uvas (pinot noir, pinot meunier, chardonnay, moscato, prosecco, etc), acabamento (extra brut, brut, demi-sec, etc) e região produtora; sem falar nas faixas de preço. Ou seja, espumantes de diversos estilos para todos os tipos de bolso.

Para atender inúmeros pedidos de nossos leitores, que solicitaram informações e dicas de compra, organizamos uma degustação às cegas, em duas etapas, com espumantes brut nacionais (tradicional e charmat). Por que nacionais? Em primeiro lugar pela grande diversidade e alta qualidade dos nossos espumantes, principalmente os produzidos na serra gaúcha. Não faltam bons bruts, sejam eles, assemblages, blanc de blancs ou roses. Em segundo, pela acessibilidade, uma vez que os espumantes nacionais apresentam um preço muito competitivo fazendo frente a produtos, com posicionamento similar, franceses, italianos, espanhóis e argentinos.

Espumantes nacionais - Salton Evidence, Casa Valduga 130 anos, Miolo Milesime 2004 e Pizzato Brut

Nesse primeiro painel – utilizando como critério o método de produção tradicional, também conhecido como champenoise, onde a segunda fermentação acontece na garrafa – foram selecionadas amostras de quatro marcas de espumantes premium:

  • Casa Valduga 130 anos
  • Miolo Millésime 2004
  • Salton Évidence
  • Pizzato Brut Safra 2007

Jackson degustando um espumanteNão tenho a pretensão de achar que essa lista é exaustiva, tendo em vista a grande quantidade de excelentes espumantes nacionais, o que invariavelmente deixará bons produtores de fora, mas já constitui uma boa referência para o consumidor. Aliás, já comentamos aqui no QVinho sobre o problema das listas. Ou ainda, já que adentramos nessa discussão, o que dizer dos megapainéis, onde são avaliados simultaneamente 20 ou até mais vinhos? Puro quixotismo ou embuste? Sinceramente, gostaria de conhecer esses fantásticos seres que conseguem, após a nona ou décima taça, manter o olfato e paladar inalterados (ainda que o procedimento de cuspir seja utilizado). Bom, enquanto não descobrimos a fórmula mágica, nos resta realizar análises em profundidade, comentando os vinhos que realmente bebemos e que são incluídos num contexto de harmonização com a comida. Foi exatamente o que aconteceu nessa degustação de espumantes. Convidamos, como de costume, mais quatro pessoas para participar desse blind taste, que foi seguido de uma harmonização: entradas (ostras) e um prato principal (salmão grelhado).

Espumantes Nacionais - As garrafas foram “disfarçadas” para não enfluenciar os degustadores.A escolha dos rótulos não poderia ser mais acertada, confirmando a boa fase dos espumantes brasileiros. Todos os espumantes selecionados foram elaborados por meio de um assemblage (Pinot Noir e Chardonnay). Tanto na degustação técnica como na harmonização, os espumantes conseguiram mostrar uma boa dose de personalidade e agradaram todos os convidados. Dois deles, o Valduga 130 anos e o Miolo Millésime, se destacaram tanto pela cor viva, amarelo-ouro, como pela complexidade da paleta aromática e boa estrutura na boca. Num outro extremo ficou o jovial Pizzato Brut 2007, reconhecido pela sua intensa efervecência, perlage muito persistente, excelente frutuosidade e refrescância na boca. Ao passo que o Salton Évidence conseguiu aliar complexidade e uma boa frutuosidade marcada por uma ótima acidez.

Apesar da boa qualidade geral, é necessário fazer algumas ressalvas. Tanto o Valduga 130 anos quanto o Miolo Millésime 2004 deixaram a desejar no quesito perlage (borbulhas finas, porém escassas). Além disso, apresentaram frutuosidade discreta. O Salton Évidence exibiu um bom equilíbrio, boa espumatização, acidez e frutuosiade, mas ficou um pouco atrás dos outros no atributo intensidade aromática. O Pizzato Brut foi muito bem no tocante à refrescância e intensidade, com borbulhas abundantes, mas não muito finas.

Casa Valduga 130 anos

Tradicional vinícola do Vale dos Vinhedos, a Casa Valduga faz jus à fama de produzir excelentes espumantes. O seu Valduga 130 anos, espumante comemorativo não safrado, permaneceu em contato com as leveduras durante 30 meses e exibiu a riqueza e a elegância típica de bons espumantes. Cor amarelo-ouro, brilhante e viva, mousse pouco intensa, com borbulhas finas não muito numerosas e razoável persistência. Bouquet de boa intensidade evocando notas de cevada, frutas secas e fermento, lembrando muito o aroma de uma boa cerveja Ale. Na boca a textura é firme e densa, marcada por uma excelente harmonia entre o corpo generoso e a ótima acidez. O final de boca bem persistente casou com perfeição ao acompanhar a carne do Salmão.

Excelente
Grad. Alcoólica: 13%
Preço: R$38

Miolo Millésime 2004

Este Millésime da Miolo, como o próprio nome sugere, é um espumante safrado (2004). Geralmente os epumantes costumam ser produzidos por assemblage, não só de diferentes vinhos, mas também de diferentes safras. Essa técnica é original de Champagne e tem como objetivo um melhor resultado final, muito embora, safras excepcionais possam produzir uma série limitada chamada “Millésime”. O espumante da Miolo mostrou bela cor amarela; borbulhas finas mas em quantidade um pouco baixa. O nariz tem elegância e uma certa complexidade, aroma de frutas secas, amêndoas e fermento de pão compõe a paleta. Na boca exprimiu boa estrutura, com acidez adequada e boa cremosidade. Final de boca agradável com boa persistência. Este vinho permaneceu 18 meses em contato com as leveduras e foram produzidas 33.000 garrafas.

Excelente
Grad. Alcoólica: 13%
Preço: R$51

Salton Évidence

Talvez o espumante mais equilibrado e harmonioso do nosso painel, o Salton Évidence é um bom exemplo do melhor estilo do espumante da Serra Gaúcha. O Évidence é ligeiramente mais leve e frutado que o Valduga e o Miolo, mesmo assim, preservando as notas sutis do contato com as leveduras (12 meses). Cor palha, borbulhas finas com boa consistência. Aroma frutado, lembrando abacaxi e frutas cítricas; notas florais e toque amendoado de avelãs. Na boca é cremoso e refrescante, graças a excelente acidez. Final persistente e agradável, deixando a sensação de frutuosidade. O Salton Évidence mostra a força desse produtor no território dos vinhos borbulhantes.

Excelente
Grad. Alcoólica: 12%
Preço: R$40

Pizzato Brut Safra 2007

Vinícola boutique, a Pizzato ganhou fama ao conquistar inúmeros prêmios com o seu Merlot. Atualmente ela produz vinhos a partir de propriedades localizadas no Vale dos Vinhedos (Bento Gonçalves) e Dr.Fausto (Dois Lajeados). O seu espumante brut, lançado em novembro, reflete toda a juventude e frescor da safra 2007. Cor amarelo pálido com uma tonalidade levemente esverdeada; mousse espessa, efervescência rica e muito persistente. Nariz intenso e muito frutuoso, exalando maçã-verde, notas vegetais e um leve toque floral. Na boca ele é delicado, com boa estrutura, marcado por uma cremosidade e um frescor que se prolonga por muitos segundos. O Pizzato foi muito bem com as ostras.

Excelente
Grad. Alcoólica: 12%
Preço: R$33

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  • Marcio C. Borges

    João Filipe,

    Bom dia!

    Faço parte de uma comissão de formatura que se encontra em fase de escolha de espumantes para servir no baile que será na segunda quinzena do mês de março de 2011, sendo previstos 1.200 convidados.
    O serviço de cerimonial contratado nos orientou para comprarmos um espumante meio doce. Já ouvi dizer que sempre devemos fazer opção por vinhos secos.
    Gostaria de saber qual a opção mais indicada para este caso.
    Desde já agradeço a atenção.

  • Kamila Fernandes

    Olá,

    irei casar e estou em dúvida em relação ao espumante a ser servidos.
    Qual seria desses a melhor escolha: Mumm (Agentino), Chandon Brut Rose ou Chandon Reserve Brut (Nacionais)?

    Grata,

    Kamila.

  • Leandro

    Estou com uma garrafa de Monte Paschoal Natural Brut, da Vinicola dos Irmaos Basso, da cidade de Farroupilha-RS, que me custou apenas R$ 13,00 e confesso que estou satisfeito, principalmente com a suavidade, a frutuosidade citrica e o borbulhamento fino, consistente e duradouro. Mas, ora, sou um amador, no melhor sentido da palavra e, claro, posso estar equivocado quanto a qualidade do espumante. De qualquer forma, parabéns pelo espaço. Saudaçoes, Leandro

  • carlos alberto artuzzi

    Prezados Senhores, a presente tem a finalidade de solicitar informações e exclarecimentos de qual a diferença entre os espumantes – brut – demi-sec – extra brut etc… qual deles é o mais doce (suave) e qual o mais seco – uma vez que prefero os suaves ou mais moderados – como os amabile frizante da lambrusco. Certos de vossa atenção, abraços

    • Luciana

      Oi Alberto essas caracteristicas que lhe deixam em dúvida, estão relacionadas a quantidade de açucar de cada tipo de espumante, como você disse que prefere um sabor mais moderado sugiro demi sec, mas veja na tabela a quantidade de açicar que cada um possui:
      Classificação Quantidade de açúcar por litro
      Extrabrut 0g a 6g
      Brut 6g a 15g
      Sec / Seco 15g a 20g
      Meio Seco / Meio Doce / Demi-Sec 20g a 60g
      Doce mais de 60g
      Um abraço

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  • http://michelepadovani.blogspot.com michele padovani

    Olá! Estou organizando minha festa de casamento, e tenho com algumas duvidas sobre qual espumante servir. Degustei alguns espumantes, para ver qual mais suave e coloquei em pauta o preço tambem, pois isso conta bastante qdo se trata de um evento em que necessitará de gde quantidade. Estou em dúvida entre: mumm brut, casa valdugo arte brut, ou ainda servir um prosseco italiano gavioli, que na minha opiniao é mais suave, mais barato e pode ter maior aceitação por ser um publico muito variado. Gostaria de algumas dicas sobre essas opçoes, além disso gostaria de uma indicação do melhor local para compra em sao paulo, se caso souberem me informar agradeço desde já. Michele

  • Simoni

    Tenho o prazer em relatar que na Vinícola Peterlongo em Garibaldi na serra gaucha existe um excelente Champenoise que tiver a oportunidade de provar não vai se arrepender.

    • Sandra Corrêa

      Realmente o da Peterlongo é ótimo, ja provei e gostei muito, pena que é difícil de encontrar.

      Sandra/ Blumenau

  • Fernando Barcelos

    Boa tarde

    Gostaria de deixar documentado minha excelente experiencia com um produto de Garibaldi – RS, nunca comentado, trata-se de uma demi sec e um rouge de cabernet e merlot pelo metodo champenoise elaborada por Ernesto Catalunyas, vinicola pequena que prima em oferecer primeira
    qualidade e um custo benificio surpreendente.
    Tive o prazer de degustar ambos os produtos com o amigo Mike Taylor.

  • http://www.qvinho.com.br Jackson

    É verdade João, o Salton Évidence e o Pizzato destacam-se pelo frescor e frutuosidade. Os dois possuem uma ótima proposta nessa faixa de preço, satisfação garantida para o consumidor. E, já que você tocou no assunto lembrei que preciso comprar algumas garrafas… Abraço!

  • http://falandodevinhos.wordpress.com João Filipe Clemente

    Venho degustando ao longo do ano e realmente estamos muito bem servidos de espumantes nacionais e de ofertas de bons, não tão caros, importados. Por outro lado, são tantos os rótulos disponíveis que haja grana para provar todos! Ainda mais, temos a subjetividade sensorial de cada individuo o que torna impossível satisfazer a todos e encontrar uma unanimidade. Como digo, o grande ganhador desses painéis temos que ser nós, não os rótulos. Desses que vocês provaram, gosto muito do Salton e do Pizzato, têm mais o estilo que aprecio em espumantes; maior jovialidade, intensidade de fruta, elegância, delicadeza na boca e muito frescor.

  • Mirelle Penteado

    Ah, o que importa é que sobram boas opções para escolher. Já contra os preços abusivos de algumas lojas o segredo é pesquisar muito. As diferenças de preço chegam a ser gritantes.

  • Pedro

    Não acho que o Cave Geisse seja melhor. Prefiro o Salton.

  • http://clubedaenogastronomia.blogspot.com/ Paulo

    Jackson, entendo, apenas registrei o comentário porque não consigo imaginar um painel dos “premium” sem, por exemplo, o Cave Geisse, talvez o espumante nacional de maior destaque nos últimos anos.

    Mas esta é uma opinião pessoal, claro. Não se trata de uma crítica à escolha dos vinhos e à sua avaliação. Certamente os que você citou são bons espumantes e atendem aos padrões de qualidade desejados.

  • http://www.qvinho.com.br Jackson

    Caro Paulo,

    Se você ler o artigo com um pouco mais de atenção vai reparar que eu comentei exatamente sobre as deficiências desse tipo de lista e painel. Infelizmente não conseguimos incluir todas as marcas que gostaríamos, mas acredito que as amostras selecionadas conseguiram representar muito bem o padrão de qualidade do espumante nacional.

    Para a próxima semana já está programada a publicação do painel com os espumantes brut (charmat). Ainda assim, muitos produtos ficarão de fora, porém, não faltarão oportunidades para degustarmos outros espumantes, inclusive os que você comentou. Abraço

  • Fabiana

    Olha, já provei alguns desses espumantes e gostei muito do Miolo Millesime que supera muitos importados até mais caros. Acredito que a lista possui excelentes nomes, ainda que eu não tenha provado o Pizzato Brut 2007. Abraços!

  • http://clubedaenogastronomia.blogspot.com/ Paulo

    Acho que faltaram 3 espumantes: Marson, Cave Geisse e Dal Pizzol. Estes são, na minha opinião, melhores do que os vinhos do painel. Dos espumantes degustados, gostei apenas do Casa Valduga. E o que menos gostei foi o Millésime, uma fortuna pelo que oferece.