Degustação às cegas: Espumantes brut nacionais (charmat)

Na esteira da degustação realizada com os espumantes nacionais brut confeccionados pelo método tradicional, publicamos hoje, a segunda parte com os bruts charmat. Nesse processo, também conhecido como método italiano, uma vez que foi inventado na Itália e possui larga utilização nos espumantes de Asti, Valdobbiadene e Conegliano. A segunda fermentação acontece em tanques herméticos de aço inoxidável, um processo mais rápido e menos dispendioso que o método tradicional, onde a segunda fermentação ocorre nas garrafas. Os espumantes produzidos pelo Método Charmat, de modo geral, são menos complexos e mais baratos que os confeccionados pelo processo champenoise. Isso não significa que sejam inferiores, uma vez que também permanecem em contato com as borras de leveduras, mas geralmente por tempo menor.

Vinhos espumantes brasileiros: Chandon Excellence, Lidio Carraro Reserva da Serra Brut, Dom Cândido Brut e Vallontano Brut

Selecionamos quatro rótulos para compor o painel, que com excessão do Dom Cândido (blanc de blancs), são compostos pelo tradicional corte de Chardonnay e Pinot Noir.

  • Chandon Excellence
  • Reserva da Serra Espumante Brut
  • Dom Cândido Espumante Brut
  • Vallontano Espumante Brut

Esses vinhos não perdem em nada para aqueles da degustação anterior, apesar de serem ligeiramente mais leves. O Chandon Excellence se destacou pela sua classe, apresentando um conjunto harmonioso e equilibrado. Já o Reserva da Serra é bem acessível, menos seco e bastante frutado. Por sua vez, o Dom Cândido convence com uma paleta aromática intensa e agradável. E o Vallontano exibindo complexidade e sutileza.

O principal problema do espumante nacional continua sendo o perlage, nem sempre adequado, ou com borbulhas muito grandes – caso do Dom Cândido – ou finas, porém pouco abundantes – como o Reserva da Serra e o Vallontano. O Chandon Excellence se sobressai nesse atributo, exibindo um belo e consistente perlage. Não considero o perlage inconsistente um verdadeiro problema, todavia é desejável que o espumante tenha uma boa cremosidade, que aliada a acidez produz uma agradável sensação de refrescância.

É um pouco arriscado afirmar qual espumante é melhor, mas é preciso ressaltar que o Chandon Excellence se destaca, oferecendo frescor e harmonia. Mas isso é apenas uma questão de gosto, pois o Reserva da Serra pode agradar muito mais aos fãs de espumantes menos secos e frutados. Bom mesmo é provar para descobrir qual é o favorito.

Chandon Excellence

O rótulo Excellence representa hoje o espumante de maior qualidade no portfólio da Chandon no Brasil. Apesar de ser produzido pelo processo mais simples, o Charmat, o Excellence tem qualidade e razoável complexidade. Esse brut foi elaborado com o corte tradicional de uvas Pinot Noir e Chardonnay de vinhedos próprios da Chandon, localizados em Garibaldi. Cor amarelo palha com excelente espumatização, borbulhas muito finas e numerosas. Aroma lembrando avelã, amêndoa e pão assado. Na boca mostrou boa estrutura, com excelente acidez e cremosidade. Final seco, persistente e bem refrescante. Sem dúvida um espumante fresco e elegante.

Excelente
Grad. Alcoólica: 12%
Preço: R$65

Reserva da Serra Espumante Brut

A vinícola Lidio Carraro, responsável pela produção dos vinhos da marca Reserva da Serra, tem um posicionamento de boutique. Cuidam com esmero de seus vinhedos, são adeptos do baixo rendimento e do intervencionismo limitado. O resultado desse trabalho aparece no Reserva da Serra Brut, um espumante leve, frutado e muito agradável. Cor palha, com mousse discreto, borbulhas finas. Aroma intenso, frutado e direto; lembra pêras e flores de vários tipos. Esse espumante é leve e refrescante, apesar da acidez mais baixa e a maior quantidade de açúcar residual.

Muito Bom
Grad. Alcoólica: 12%
Preço: R$28

Dom Cândido Espumante Brut

Pequena vinícola familiar encabeçada pelo patriarca Cândido Valduga, a Dom Cândido possui uma área de 12ha na Vila Leopoldina, Vale dos Vinhedos. O seu Espumante brut é produzido a partir de vinhedos próprios utilizando 100% da variedade chardonnay. Cor amarelo levemente esverdeado, esse brut apresentou uma mousse pouco consistente, com borbulhas de tamanho médio, em pequena quantidade e com pouca persistência. Bouquet de boa intensidade lembrando fermento de pão, açucar queimado e um toque floral. No palato mostrou cremosidade e bom equilíbrio entre a estrutura e a ótima acidez. Não chega a ser um espumantes dos mais frescos, mas ainda assim é bem agradável.

Muito Bom
Grad.Alcoólica: 12%
Preço: R$27

Vallontano Espumante Brut

Outra vinícola considerada “boutique”, a Vallontano Vinhos Nobres, assim como a Lídio Carraro, também busca tirar proveito da produção pequena. Com 7 hectares no Vale dos Vinhedos, produzem um espumante muito equilibrado e sutil. O seu brut apresentou cor amarela, mousse razoável com borbulhas numerosas e persistentes. O bouquet não chega a ser intenso, mas é sutil e agradável, remetendo a frutas secas, citrinos, levedo e flores. Na boca é harmonioso, leve e com boa cremosidade. Um espumante leve e delicado, com final de boca muito agradável.

Muito Bom
Grad.Alcoólica: 10,2%
Preço: R$39

  • Emircesar

    Gostaria de entender melhor o têrmo “brut”. Alguém que possa esclarecer eu agradeceria.
    Emircesar Baiocchi

  • http://www.qvinho.com.br Jackson

    Olá Fernanda,

    Todos os espumantes brut nacionais são uma boa pedida numa situação dessas. Como você já estabeleceu um teto, resta pesquisar os melhores preços nas lojas e distribuidores da sua cidade. Procure por rótulos como: Miolo Terranova Blanc de Blancs Brut, Reserva da Serra, Dom Cândido, Valduga etc.

    Veja mais sobre esse assunto nos seguintes posts:

    http://www.qvinho.com.br/vinhos/espumantes/

    Muitas felicidades e parabéns!

  • Fernanda

    Olá! Estou escolhendo um espumante para servir no meu casamento. Gostaria de algo até R$ 25,00. Vou me casar em Cuiabá, ou seja, muito quente. O espumante será servido a noite inteira e não terá vinho tinto. Qual seria a melhor pedida? Abraço.

  • Pingback: Vinhos bons e baratos – até R$40

  • Gercino Cavalcanti

    Prezados Jomar e Jackson.
    Conheci ha pouco tempo o espumante Conde de Foucauld demi-sec,confesso que o acho bem saboroso.Entretanto,terei uma confraternizaçao por ocasiao da formatura de minha filha e ,gostaria de uma opiniao de vcs sobre a qualidade desse espumante e qualquer outra indicaçao com a mesma relaçao custo/beneficio.Por outro lado vejo que o demi-sec Conde e apresentado em duas versoes -Charmat e uma outra q nao faz refencia ao processo – seria o champenoise?
    Abraço,

    Gercino Cavalcanti

  • Pingback: Receita: Hambúrguer grelhado de fraldinha | QVinho - Blog de vinhos, gastronomia e espresso

  • http://www.qvinho.com.br Jackson

    Olá Roberto, seja bem-vindo! Espero que aprecie esse universo encantador que permeia o vinho.

    No processo de produção dos vinhos espumantes uma das etapas após o dégorgement é a adição do licor de expedição. Essa mistura contém vinho de reserva, açúcar e leveduras. Assim, conforme a proporção de açúcar presente no licor ou pela quantidade de licor que é adicionada, o espumante será mais ou menos doce. As legislações de cada país costumar definir a terminologia conforme a quantidade de açúcar presente (g/l): Extra Brut e Brut significa que o espumante é mais seco. Por outro lado os Demi-Sec são mais docinhos. Aos poucos procure explorar cada um dos tipos, para então tirar suas conclusões e ver o que lhe agrada mais.

    Abraço

  • Roberto Sousa Lima

    Estou entrando na arte agora.
    O que significa “Brut”.

  • http://www.qvinho.com.br Jomar

    Caro Adeilson, alguns produtores pequenos costumam empregar esse termo para definir seu posicionamento. Geralmente possuem produção limitada, não tendo a mesma envergadura financeira das grandes vinícolas. Analisando sob a ótica do marketing, um pequeno produtor possui maior competitividade assumindo sua vocação. Quando uma vinícola se autodeclara “de boutique”, está querendo dizer: “somos pequenos, mas produzimos com qualidade porque conseguimos acompanhar de perto todas as etapas da produção”. Lembre-se que isso é apenas um conceito de marketing.

  • Fabiane

    Olá pessoal, vocês não vão degustar espumantes rosé? Provei alguns nacionais bem interessantes e queria saber a opinião de vocês. Abraços

  • Adeilson

    Prezado Jomar, o que significa o termo “posicionamento de boutique” ou “vinícola Botique”?

    Abraço

    Adeilson