Champanhe Deutz

Vinhedo da Deutz

Tradicional indetificação dos vinhedos em Champagne

Em Champagne fiz questão de visitar a casa Deutz, um produtor que atualmente possui um enorme prestígio. Já falamos da Deutz em outros posts, mas agora finalmente chegou a hora de relatar a experiência in loco neste produtor. A história da Deutz não é diferente de outras maisons em Champagne. Fundada em 1838 em Aÿ por William Deutz, um homem de negócios de origem prussiana, teve rápido desenvolvimento entre os produtores de Champagne. Ao que tudo indica, William Deutz (e depois seus descendentes), eram ávidos homens de negócio e inegavelmente bem estabelecidos financeiramente.

Casa Deutz

Luxuosas instalações da Deutz em Aÿ

Isso fica claro ao conhecer a Deutz, uma belíssima casa que atualmente parece mais um museu, mas na época em que foi construída, tinha como objetivo deixar claro o poder financeiro da Deutz. O sucesso seguiu por décadas, apesar das adversidades da Europa, como a Primeira e a Segunda Grande Guerra. Em 1996 a Deutz foi incorporada ao Grupo Louis Roederer, e com isso ganhou seu atual presidente, Fabrice Rosset, responsável por uma nova guinada na história da Deutz. Fabrice é um experiente executivo champenoise que usou toda a sua bagagem para renovar a Deutz.

Vilarejo de Aÿ, nas proximidades de Epernay

Vilarejo de Aÿ, nas proximidades de Epernay

Fabrice Rosset não só firmou o estilo da Deutz, mas também criou um novo vinho, o cuvée de prestige Amour de Deutz, um champanhe blanc de blanc bastante refinado, mas incrivelmente sedutor e acessível. Quando digo “acessível”, refiro-me a ótima condição que o vinho apresenta ainda jovem (até 10 anos), não ao seu preço, que é bastante elevado. Aqui vale a pena abrir um parênteses, explicando melhor a questão da evolução do champanhe.

Mathuasalem Deutz

Estoque de Amour de Deutz em garrafa mathusalem (6 litros)

Grandes champanhes, conhecidas como cuvée de prestige, são vinhos para envelhecer por décadas, por isso as maisons só colocam esses vinhos no mercado depois de um certo tempo de evolução nas caves. Esse tempo varia, mas as melhores champanhes não são lançadas antes de 10 anos, simplesmente porque ainda não estão prontas para serem apreciadas. Na realidade, mesmo após uma década, algumas champanhes ainda são como uma adolescente tímida, precisam de mais alguns anos para desabrocharem em todo o seu esplendor. Levando em conta essa questão da evolução, fica claro os esforços da Deutz em produzir um champanhe refinado e elegante, mas que possa ser apreciado em grande estilo ainda em juventude. O estilo da Deutz é sem dúvida elegante, seus vinhos, além de muito acessíveis até 10 anos, são frescos e harmoniosos. As champanhes da Deutz não passam em carvalho, sempre sofrem fermentação malolática e recebem uma dosagem de 10mg de açúcar, esses três fatores explicam, em parte, o seu estilo mais acessível e harmonioso.

Amour de Deutz 2003

A belíssima garrafa de Amour de Deutz

Fui recebido na Deutz por Jean-Marc Lallier, um dos herdeiros dos fundadores, atualmente diretor de exportações e relações públicas da casa. Jean-Marc conversou comigo por várias horas, explicando em detalhes todos os aspectos técnicos da produção do champanhe, bem como contando algumas histórias e curiosidades sobre a região. Jean-Marc fez questão de frisar a importância dada ao champanhe básico, o Deutz Brut Classic, feito com uvas de vinhedos grand cru e premiere cru. Além da origem nobre, a Deutz utiliza apenas o cuvée (primeiros 2.000 litros da prensagem) e até 40% de vinhos de reserva no seu assemblage final. O Deutz Brut Classic é um corte de partes iguais de Pinot Noir, Chardonnay e Pinot Meunier, sempre frutado, elegante e muito fresco.

Cuvée William Deutz 1999

Este belo champanhe encanta ao primeiro contato, seduzindo com a sua cor dourada e suas borbulhas muito finas e consistentes. Ao encostar o nariz na taça, não há como ficar inerte ao encantador bouquet. Rapidamente você sorri ao perceber todos aquelas aromas intensos de brioche e frutas cítricas. É vigoroso, reforçado por um bom fundo mineral e um ótimo final de boca. A safra 1999 é considerada muito boa, com vinhos encorpados e cheios de fruta, sendo assim, ainda podemos esperar uma boa evolução deste cuvée ao longo dos anos. Feito com 65% de Pinot Noir das vilas de Aÿ, Bouzy, Ambonnay e Verzenay; 25% de Chardonnay de Avize, Le Mesnil sur Oger, Cramant, Viller-Marmery e Chouilly; 10% de Pinot Meunier de vinhedos selecionados do Vale de la Marne.

Amour de Deutz 2003

Vinho top da maison Deutz e, como não poderia deixar de ser, faz jus as expectativas. Já falei sobre a minha paixão pelos blanc de blanc em outro post, por isso o caro leitor pode imaginar a minha satisfação em degustar este néctar. A belíssima garrafa transparente atrai de imediato e, preciso ser franco, é um dos poucos vinhos em que a embalagem condiz com o conteúdo. A cor dourada clara de grande luminosidade é um convite a degustação. O aspecto olfativo é muito agradável, intenso e refinado. Os aromas de flores brancas, peras e maça verde aparecem de imediato, com um pouco mais de tempo em copo, a complexidade aumenta, revelando notas de chocolate branco e toques minerais. Na boca é um banho de frescor, cremoso e denso, com um final de boca longo e duradouro. Um belo champanhe, refinado, elegante e incrivelmente fácil de ser apreciado. Está ótimo agora, mas tenho certeza que pode evoluir muito bem por pelo menos mais uma década. Amour de Deutz é uma champanhe blanc de blanc (100% chardonnay), feita com uvas de Avize (50%), Mesnil sur Oger (45%) e Viller-Marmery (5%).

* Os vinhos da Deutz são importados pela Porto a Porto / Casa Flora

  • KELLY

    Olá Jomar,
    Obrigada pelas informações, com certeza me ajudaram na escolha de um refinado presente.
    Kelly